Ébola – Cidadãos nigerianos põem a nu as fragilidades de STP e das suas fronteiras

O avanço do vírus Ébola, na África Ocidental com destaque para a Nigéria, país vizinho com o qual São Tomé e Príncipe regista importante circulação de pessoas e bens, obrigou o Governo a tomar  medidas preventivas.

O Estado são-tomense começou por criar uma comissão de seguimento, definiu um plano estratégico de prevenção. Instalou  uma equipa de inspecção sanitária no aeroporto internacional, para agir em todos as aeronaves que aterram no país.

O Governo são-tomense reunido em conselho de ministros, decidiu há mais de duas semanas reforçar as medidas preventivas. Ordenou a proibição de entrada e saída do país, de cidadão dos países afectados pela doença, nomeadamente a Nigéria, assim como de pessoas sejam são-tomenses ou não em circulação para tais países ou de tais países para São Tomé e Príncipe.

O Estado são-tomense, garantiu que deu ordens a todas as representações diplomáticas no estrangeiro, para não aceitarem a circulação de pessoas dos países visados, em direcção as ilhas verdes do Golfo da Guiné.

A decisão do Conselho de Ministros, visou assim fechar as fronteiras nacionais (portos e aeroportos), para qualquer tipo de circulação de pessoas oriundas de países onde o Ébola está declarado como problema de saúde pública, e a circulação de São Tomé para tais países.

Na última semana, o executivo apertou mais a medida, tendo alertado as forças armadas, para reforçar a fiscalização da zona marítima do país de forma a neutralizar possíveis movimentações clandestinas de embarcações nas águas nacionais, e consequentemente impedir a entrada de pessoas no território nacional de forma clandestina.

País arquipelágico, São Tomé e Príncipe, estava a tomar medidas para evitar um possível contágio pelo vírus Ébola, que só poderá entrar via aérea ou marítima.

Mas no último sábado toda esta cadeia de medidas preventivas contra o Ébola, anunciadas pelo Estado são-tomense, caiu como um castelo de areia. Dois cidadãos nigerianos residentes há alguns anos em São Tomé, estavam na Nigéria antes da proibição anunciada pelo Governo.

Viajaram da Nigéria para o Gana, de onde apanharam o voo da TAP, e seguiram viagem para São Tomé. O Téla Nón apurou na noite de sábado, que quando os serviços de migração e fronteiras deram conta que dois cidadãos nigerianos oriundos da Nigéria, chegaram no voo da TAP,  o serviço de inspecção de saúde, que o Governo deu ordens para estar de plantão no aeroporto internacional quando qualquer aeronave aterrasse no país, não estava presente.

Uma situação que terá permitido aos dois cidadãos nigerianos, saírem do aeroporto sem serem submetidos a inspecção sanitária ordenada pelo Estado, e se deslocarem as suas residências na zona de Lucumi, arredores da capital São Tomé.

Face as fragilidades do Estado são-tomense, coube as populações de Lucumi assumirem nas suas mãos a luta pelo respeito às medidas preventivas contra o Ébola anunciadas pelo Estado.

A população de Lucumi, saiu para a rua e exigiu publicamente que os dois cidadãos nigerianos fossem expulsos da localidade e entregues as autoridades sanitárias, para a devida inspecção do seu estado de saúde.

Protesto popular, que despertou o Estado, que logo de seguida retirou os dois cidadãos nigerianos do bairro, e os colocou em quarentena numa das salas do hospital Ayres de Menezes.

Como se diz em São Tomé e Príncipe “ Só com Cristo”. Pois é, só Deus pode livrar as ilhas com pouco mais de 170 mil habitantes de uma infecção pelo vírus Ébola.

Deus deverá manter os dois nigerianos saudáveis, e livres do vírus, porque caso contrário, o país sem fronteiras terrestres, por isso protegido pela natureza, pode também por isso mesmo, se transformar numa “cadeia com porta aberta” para os seus habitantes caso o vírus Ébola, chegue ao arquipélago devido a negligências e fragilidades do Estado.

Abel Veiga

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    H. Borges Responder

    Meus parabéns a seriedade, ao profissionalismo e sobretudo a preocupação pela saúde pública com que se expôs a noticia. Desta vez Abel, ninguém pode apontar-te o dedo. No entanto, estarei sempre aqui para criticar (construtivamente) quando as coisas estiverem mal, mas também conte com o meu elogio e consideração sempre que publiques informação no verdadeiro sentido da palavra, sem querer agradar a gregos e troianos nem desagradar a supostos vilões ou indignados. Já agora junto-me nesta corrente ora lançada por ti (Rezar a Deus Todo Poderoso), pois perante a inércia dos Homens só nos resta contar com Deus.

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      l Responder

      Os ministros nigerianos cheio de Ebola estão a caminho. Quero ver se Pascoal tera culhoes para travar o avião com ministros nogerianos. Oscarito quero te ver no aeroporto recebendo os teus amiguinhos nogeroanos. Abel, deixa essa informação passar ja que veio de Nigéria.

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      bia Responder

      Abel. Gostaria de saber mais informações sobre este caso, nomeadamente a razão da equipa de saúde não ter estado no aeroporto no horário da chegada daquele voo da Tap, as medidas adotadas pelo titular da pasta sobre a ausência desta equipa naquele dia no aeroporto, saber se a tap sabia que estes cidadãos vieram da Nigéria, saber a atual situação sanitária deles, se estão mesmo isolados ou recebem visitas dos familiares e amigos, enfim, o desdobramento deste caso, dado a gravidade do mesmo e o fato de ter posto a nu a nossa fragilidade e ineficiência.

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        bia Responder

        Saber ainda se o pessoal de polícia fronteiriça está a escrutinar devidamente os passaportes de todos que entram no país via aérea de modo a saber onde cada um esteve nas últimas 3 semanas. A situação é grave e séria. Não podemos ser complacentes, nem facilitar de nenhuma forma, ainda que seja um dos membros do nosso governo. Aliás, a ser verdade que um dos ministros esteve recentemente em Nigéria foi uma grande irresponsabilidade, pois a sua ida lá nessa altura creio que não era caso de vida ou morte que não poderia resolver o problema por vídeo conferência, se fosse o caso. Vamos agir com prudência e seriedade.

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    Addon Tiny da Cruz Responder

    Meus senhores, esta questão do viru ebola não é coisa para se brincar, vamos ter cuidado com isso,deixar dessa coisa que nós santomenses temos de não se preocupar com nada,ser negligente,porque isto de ebola é coisa de tamanho de outro mundo,não é doença para nossa realidade sanitaria. Se isto chegar ca em S.T.P será fim de mundo para nós, tendo em conta a nossa piquinez e a nossa movimentação diaria em que as pessoas de todos os quadrantes do país estão em conctato permanente uns com outros devido o mercado unico para escuar os produtos, isto abrangeria o país todo em apenas umas horas. S.Tomé não é como paises grande , por exemplo angola onde se diz ter algum caso em cabinda que é uma provincia de angola que situa muitos kilometros fora da capital é como se fosse um outro pais dentro de angola assim pode se ate controlar a doença na aquela região e resolver o problema mais S.Tomé isso nao é possivel.Por isso mesmo o governo não pode tomar medida so por tomar de ponto de vista teorico mais sim na pratica e ser altamente rigoroso. Para materialização dessas medidas o governo devi dá as pessoas devidas condiçoes para que elas trabalham de forma animada, se não vejamos como é possivel a equipa sanitária que deveria estar no aeroprto no momento dos voos estarem ausente? o que falhou? falta de meios de serviço, minha gente nao vamos brincar com coisa seria,estas pessoas devem ser chamados a responsabilidade ja imaginaram se estes cidadãos nigerianos estivessem afectados o que seria das pessoas que estiveram em conctatos com os mesmos.Por isso deixo um apelo ao governo.Que se reforça as medidas ja tomadas que fosse criada uma equipa de fiscalização(formada por gentes serias,a indicar pelo ministro da defesa chefiada pelo senhor oficial superior Armando Correia ) que controlasse todos estrategias montada pelo governo quer no aeroporto,no mar, no hospital em todos lugares.

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    Maguita Nglanje Responder

    Essa é a pior notícia para todos que vivem no Arquipélago só Deus para livrar-nos disto tudo.
    Assim seja…

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    Ilha do Princepe Responder

    Esse é o maior problema de São tomé & Princepe, ninguem acata ordens, todos querem ser chefes, fazem o que quer, é mesmo dicifil lidar com esses comportamentos. Os agentes de Saúde que esteve de plantão devem ser responsabilisados pelo acto.

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    arelitex Responder

    só para quem nâo conhece ,como funcionam os sâotomenses a nâo dedicação a qualquer tipo de trabalho e responsabilidade . e a tentativa de desobediência a qualquer tipo de ordens ,mesmo que venham do governo é que esta noticia pode ser uma novidade . para mim sâotomense essa notícia e outras de igual gravidade nâo sâo novidade . no mínimo essa equipa que tinha que estar de plantâo no aeroporto e nâo estava lá , têm que ser severamente castigada , é envia-los dois meses para casa sem salario . ou despedi-los por justa causa . brincaram com a responsabilidade com a nossa vida e nâo cumpriram o seu dever .

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    Belmiro da Graça Soares Responder

    O vírus de Ébola é coisa séria. Todos temos de prevenir o que fez o estado são-tomense, criando dentro do plano de ação, a instalação de uma equipe de inspeção sanitária no aeroporto. Mesmo assim aconteceu o improvável. Profissional de fora do serviço no momento que deveria estar em regime de plantão. Não podemos apenas atribuir responsabilidades para aqueles que deveriam estar de serviço sem primeiro apurar os fatos que resultaram na sua ausência e como consequência a não inspeção médica e a fragilidade do sistema de combate a Ébola.

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    Casaco Responder

    Obrigado pela noticia.
    Aguardo noticias das reacoes das autoridades.
    Cpts

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    luisó Responder

    Alguém esqueceu de dizer que o plantão também era ao sábado e ao domingo, porque ao fim de semana não se trabalha, é dia de atividade na praia ou de churrasco na roça.
    Para a outra vez digam como vai ser…
    Irresponsabilidade total.

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    Cima e Baixo Responder

    É necessário pagar-se bem aos Técnicos que correm riscos “riscos mortais”para assumirem esta tarefa de serviço de plantão no aeroporto . O Director da Enasa disse no programa do Silvério Amorim ” Paralelo zero” que ele e os seus trabalhadores ganham bué de dobras porque uma falha dos seus serviços poria em risco muitas vidas humanas. As horas dos fins de semana em que estes técnicos têm que ficar de plantão a espera dos “eventualmente-Ebolados” muitos que nada produzem para o desenvolvimento este País, estão a gastar muitos milhões do salário que o estado paga nas super-empresas tecnicamente falidas de STP. É urgente um Salário Mínimo justo neste país, porque quando o sol nasce é para todos.

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      servo de Déus Responder

      De facto, a opinião de (Cima e Baixo, revela um sentimento muito chocante, que é a situação do salário e hora extra para alguns funcionários do país, porque assim digo, será que para além da hora extra de alguns funcionários o próprio salário é convincente, porquê que uns ganham tanto dinheiro(200.000.000,00), e outros só por meia tuta (800.000,00), gente até quando é vamos parrar com brincadeira de mau gosto,..

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    Mé Plámá Responder

    Gostaria de saber, senhor Director dos Cuidados de saúde:
    Que medidas o sr. tomou contra os técnico que deviam estar no aeroporto e não estavam aquando da cegada do avião?

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    Original Responder

    População deu um grande exemplo de maturidade e que isto seja extensivo aos políticos bandidos e corruptos da nossa praça.

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    Maria Madre Deus Responder

    Parabéns Abel. Foi o primeiro ou um dos raros artigos que publicas vendo o sofrimento deste povo e com numa visão clara percebes-te que no nosso país o estado não existe. Um chefe maior mudo e cego a procura de ser herói a ultima hora, um governo incompetente cheio de MÁ FÉ que está na Suíça a governar STP. O que a população de lucumi fez existe em muitas zonas do país mas só que não têm coragem nem lúcidos para os guiar. Mais uma Vez os meus parabéns. É assim que se faz o jornalismo.
    Um jornalismo do povo para o povo e não para homenagear os que não conseguem limpar-se mesmo com banho de luz.

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    Nilton Almeida Responder

    Kandja cobli

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    Antonio Costa Carlos Responder

    E o ministro das Obras Publicas Maquengo que também esteve na Nigeria esta de quarentena?

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    pedro neto Responder

    Sim, o Ministro das Infraestruras e Obras Publicas tambem esteve na Nigeria e segundo as informaçôes a revelia, porque o sr Primeiro-Ministro não autorizou esta viagem. Se autorizou deve demitir-se. Este governo com prazo de validade vencida está a Deus dará. Numa altura em que a firmeza do governo exige-se o sr Gabriel Costa encontra-se na campanha relegando para o segundo plano a segurança da saúde pública.

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    Cima e Baixo Responder

    Será que a equipa de plantão que ficará no aeroporto não deveria permanecer por período rigoroso de “Quarentena” já que o vai e vêm nos dias de voo poderia ser complicado para as suas próprias famílias e vizinhos ???

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    nonoo Responder

    poderia ser expolso no mesmo aviao q levarao eles para nosso pais

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    Freitas C. Responder

    Abel, sera que toda gente q esta na Nigeria esta com virus da Ebola, o Governo Nigerano ja teve conhecimento do sucessedido e na altura propria sabera responder. Se os santomenses tenhem fobia dos Nigerianos, porquê q abrimos la a embaixada? porquê q não fechamos a JDA? O Governo deveria é chamar a responsabilidade do pessoal de saude, porque se eles estivessem no local não haveria nada disso. Espero que publiques o meu comentario Abel.

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    HN Responder

    Fico feliz pela dinâmica da população, prova que andam informado e sabem como está doença é extremamente perigosa para um país como nosso.Desiludido com a fragilidade do governo, e a equipe de prevenção. Alguém têm que ser punido por tamanha falta responsabilidade. Entretanto acredito que uma companinha como a Tap não seria capaz de viajar com dois passageiros oriundos do país onde a doença faz sentir, sem devida prevenção, e por ultimo gostaria de saber qual é o estado dos dois Nigerianos.

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    Mucluclu Responder

    É-me preocupante a existência deste vírus e a alta probabilidade do mesmo instalar-se em STP país em que o dinheiro fala. Será que a OMS no consegue a solução para essa doença?
    Porque será que as doenças todas iniciam em África? Porquê que somos perseguidos? Pq?

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