Pronunciamento do presidente Obama durante a Primeira Sessão da COP21

Pronunciamento do presidente Obama durante a Primeira Sessão da COP21

Le Bourget

Paris, França

PRESIDENTE OBAMA: Presidente Hollande, senhor secretário-geral, colegas governantes. Viemos a Paris mostrar nossa determinação.

Apresentamos nossas condolências ao povo da França pelos ataques bárbaros a esta linda cidade. Estamos unidos em solidariedade não apenas para levar à Justiça a rede terrorista responsável por esses ataques, mas para proteger nosso povo e defender os valores eternos que nos mantêm fortes e nos mantêm livres. E saudamos o povo de Paris por insistir na realização desta importante conferência – um ato de resistência que prova que nada nos impedirá de construir o futuro que queremos para nossos filhos. Que maior rejeição àqueles que destruiriam nosso mundo do que reunir nossos melhores esforços para salvá-lo?

Quase 200 nações reúnem-se aqui esta semana – uma declaração de que, de todos os desafios que enfrentamos, a ameaça crescente das mudanças climáticas poderá definir os contornos deste século de maneira mais expressiva do que qualquer outra. O que deve nos dar esperança de que este é um momento decisivo, de que este é o momento que finalmente determinamos que salvaremos nosso planeta é o fato de nossas nações compartilharem um senso de urgência sobre esse desafio e a percepção crescente de que está ao nosso alcance fazer algo sobre isso.

Nosso entendimento sobre as maneiras pelas quais os seres humanos interferem no clima avança dia a dia. Quatorze dos quinze anos mais quentes de que se tem registro ocorreram desde o ano de 2000 – e 2015 está a caminho de ser o ano mais quente de todos. Nenhuma nação – grande ou pequena, rica ou pobre – está imune ao que isso significa.

Neste verão, vi os efeitos das mudanças climáticas pessoalmente no nosso estado mais ao norte, o Alasca, onde o mar já está engolindo vilarejos e erodindo linhas costeiras; onde o subsolo congelado está degelando e a tundra queimando; onde as geleiras estão derretendo em um ritmo sem precedentes nos tempos modernos. E isso foi uma prévia de um possível futuro – um vislumbre do destino dos nossos filhos caso o clima continue mudando mais rápido do que nossos esforços para tratar disso. Países submersos. Cidades abandonadas. Campos que não produzem mais. Agitações políticas que desencadeiam novos conflitos e ainda mais levas de pessoas desesperadas buscando refúgio em nações que não as suas.

Esse futuro não é um de economias fortes, nem um onde Estados frágeis podem encontrar equilíbrio. Esse é um futuro que temos poder para mudar. Aqui. E agora. Mas apenas se nos colocarmos à altura deste momento. Como disse um governador dos Estados Unidos: “Somos a primeira geração a sentir o impacto das mudanças climáticas e a última geração que pode fazer alguma coisa sobre isso.”

Vim aqui pessoalmente, como líder da maior economia e do segundo maior emissor do mundo, para dizer que os Estados Unidos da América não apenas reconhecem nosso papel na criação desse problema, mas assumimos nossa responsabilidadede fazer alguma coisa sobre isso.

Nos últimos sete anos, fizemos investimentos ambiciosos em energia limpa e reduções ambiciosas nas nossas emissões de carbono. Triplicamos a energia eólica e aumentamos em mais de 20 vezes a energia solar, ajudando a criar lugares nos Estados Unidos onde essas fontes de energia limpa finalmente estão mais baratas do que a energia convencional mais suja. Investimos em eficiência energética de todas as maneiras imagináveis. Dissemos não à infraestrutura que retira do solo combustíveis fósseis de alto teor de carbono e dissemos sim ao primeiro conjunto de normas nacionais que limita a quantidade de poluição de carbono que pode ser liberada na atmosfera por nossas usinas de energia.

Os avanços que fizemos ajudaram a impulsionar nossa produção econômica a uma alta histórica e a levar nossa poluição de carbono aos níveis mais baixos em quase duas décadas.

Mas a boa notícia é que essa não é uma tendência apenas americana. No ano passado, a economia global cresceu enquanto as emissões de carbono provenientes da queima de combustíveis fósseis permaneceram estáveis. E não é demais frisar o que isso significa. Quebramos os velhos argumentos para a inação. Provamos que crescimento econômico forte e um meio ambiente mais seguro não precisam mais estar em conflito; podem funcionar em conjunto.

E isso deve nos dar esperança. Um dos inimigos que vamos combater durante esta conferência é o ceticismo, a noção de que não podemos fazer nada sobre as mudanças climáticas. Nossos progressos devem nos dar esperança durante estas duas semanas – esperança enraizada na ação coletiva.

Este mês em Dubai, depois de anos de atraso, o mundo concordou em trabalhar junto para reduzir os superpoluentes conhecidos como HFCs. Isso é progresso. Já antes de Paris, mais de 180 países, representando quase 95% das emissões globais, apresentaram suas metas climáticas. Isso é progresso. Da nossa parte, os Estados Unidos estão prestes a alcançar as metas de emissões que defini há seis anos em Copenhague – reduziremos nossas emissões de carbono na faixa de 17% abaixo dos níveis de 2005 até 2020. E é por isso que, no ano passado, defini uma nova meta: os Estados Unidos reduzirão as emissões entre 26% e 28% abaixo dos níveis de 2005 daqui a dez anos.

Portanto, nossa tarefa aqui em Paris é transformar essas conquistas em uma estrutura permanente para o progresso humano – não uma solução paliativa, mas uma estratégia de longo prazo que dá ao mundo confiança em um futuro de baixo carbono.

Aqui em Paris, vamos assegurar um acordo que se baseie em ambição, em que o progresso abra caminho para metas periodicamente atualizadas – metas que não sejam definidas para cada um de nós, mas por cada um de nós, levando em consideração as diferenças enfrentadas por cada nação.

Aqui em Paris, vamos acordar um sistema forte de transparência que dê a cada um de nós a confiança de que todos nós estamos cumprindo nossos compromissos. E vamos garantir que os países que ainda não têm plena capacidade de relatar suas metas recebam o apoio de que necessitam.

Aqui em Paris, vamos reafirmar nosso compromisso de que os recursos estarão disponíveis para os países dispostos a fazer sua parte para pular a fase suja do desenvolvimento. E reconheço que isso não será fácil. Exigirá compromisso com a inovação e capital para continuar a reduzir o custo da energia limpa. E é por isso que, nesta tarde, vou me juntar a muitos de vocês para anunciar um esforço conjunto histórico destinado a acelerar a inovação pública e privada em energia limpa em escala global.

Aqui em Paris, vamos também garantir que esses recursos fluam para os países que precisam de ajuda para se preparar para os impactos das mudanças climáticas que não podem mais ser evitadas. Sabemos que muitas nações pouco contribuíram com as mudanças climáticas, mas serão as primeiras a sentir seus efeitos mais destrutivos. Para algumas, em particular as nações insulares – com cujos líderes me reunirei amanhã – as mudanças climáticas são uma ameaça à sua própria existência. E é por isso que hoje, em conjunto com outras nações, os Estados Unidos confirmam nosso firme e constante compromisso com o Fundo para os Países de Menor Desenvolvimento. E amanhã faremos novas contribuições para iniciativas de seguro contra riscos que ajudam populações vulneráveis a se reconstruir mais fortes depois de desastres relacionados com o clima.

E, por fim, aqui em Paris, vamos mostrar a empresas e investidores que a economia global está em um caminho sólido rumo a um futuro de baixo carbono. Se colocarmos em vigor as regras e os incentivos certos, vamos liberar o poder criativo dos nossos melhores cientistas, engenheiros e empreendedores para implementar tecnologias de energia limpa e os novos empregos e as novas oportunidades que eles criam em todo o mundo. Há centenas de bilhões de dólares prontos para serem empregados em países do mundo todo se eles receberem o sinal de que estamos falando sério desta vez. Vamos enviar esse sinal.

É isso que buscamos nestas duas próximas semanas. Não simplesmente um acordo para reduzir a poluição que despejamos na atmosfera, mas um acordo que nos ajude a tirar as pessoas da pobreza sem condenar a próxima geração a um planeta que está além de sua capacidade de recuperação. Aqui em Paris podemos mostrar ao mundo o que é possível quando estamos juntos, unidos em um esforço comum e por um propósito comum.

E que não reste dúvida, a próxima geração está observando o que fazemos. Há pouco mais de uma semana, estive na Malásia, onde participei de um encontro com jovens, e a primeira pergunta foi de uma jovem indonésia. E não foi sobre terrorismo, não foi sobre economia, não foi sobre direitos humanos. Foi sobre mudanças climáticas. E ela perguntou se eu estava otimista sobre o que podemos alcançar aqui em Paris e o que jovens como ela podiam fazer para ajudar.

Quero que nossas ações mostrem a ela que estamos ouvindo. Quero que nossas ações sejam grandes o suficiente para recorrer aos talentos de toda a nossa gente – homens e mulheres, ricos e pobres. Quero mostrar a esta jovem geração apaixonada e idealista que nos importamos com o seu futuro.

Porque acredito nas palavras de Martin Luther King de que existe uma coisa como ser tarde demais. E quando se trata de mudanças climáticas essa hora está chegando. Mas se agirmos aqui, se agirmos agora, se colocarmos nossos interesses de curto prazo atrás do ar que nossos jovens vão respirar e dos alimentos que eles vão comer e da água que vão beber e das esperanças e dos sonhos que mantêm suas vidas, então não agiremos tarde demais para eles.

E, colegas governantes, aceitar esse desafio não vai nos recompensar com momentos de vitória que sejam claros ou rápidos. Nossos progressos serão medidos de maneira diferente – no sofrimento que é evitado e no planeta que é preservado. E é isso que sempre tornou isso tão difícil. Nossa geração pode nem mesmo viver para ver a completa realização do que fazemos aqui. Mas o conhecimento de que a próxima geração estará melhor pelo que fizermos aqui – é possível imaginar uma recompensa mais valiosa do que essa? Passar isso para nossos filhos e nossos netos, para que quando eles olhem para trás e vejam o que fizemos aqui em Paris, possam se orgulhar da nossa realização.

Façamos com que este seja o propósito comum aqui em Paris. Um mundo que seja digno dos nossos filhos. Um mundo que seja marcado não por conflitos, mas por cooperação; e não pelo sofrimento humano, mas pelo progresso humano. Um mundo que seja mais seguro, mais próspero, mais amparado e mais livre do que aquele que herdamos.

Ao trabalho. Muito obrigado.

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