FAO prevê produção recorde de cereais em 2017

Parceria – Téla Nón / Rádio ONU

Agência destaca que Brasil pode impulsionar ganhos na produção; Angola não teve grande baixa no número de pessoas em situação de insegurança alimentar; Moçambique com menos 1,7 milhão de pessoas na situação; produção trimestral sofreu na Guiné-Bissau e Cabo Verde. 

Agricultora em África. Foto: FAO/Seyllou Diallo

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.*

A produção mundial de cereais pode atingir o recorde de 2.611 milhões de toneladas em 2017, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO.

O estudo Perspetivas de Safras e Situação Alimentar, lançado esta quinta-feira em Roma, prevê que a situação global do abastecimento alimentar melhore com as boas colheitas na América Latina e a recuperação das condições agrícolas na região da África Austral.

Brasil

Este ano, o Brasil pode impulsionar os grandes ganhos na produção global ao lado da vizinha Argentina. O país também vem citado no relatório pela sua influência no aumento da produção do milho e da cevada, tal como a Rússia.

A colheita total de cereais no Brasil deve chegar a 120 milhões de toneladas em 2017, cerca de 44% a mais do que no ano passado. Esse aumento na produção de milho teve influência na baixa do preços do produto na América Latina no último trimestre.

Arroz  

A FAO prevê ainda que a produção global de arroz chegue ao máximo histórico de 503 milhões de toneladas, um aumento de 0,5% em relação à estimativa revista em 2016.

Em África, a produção total de cereais poderá crescer mais de 10%, após um aumento das safras de milho na África Austral e de trigo no norte do continente.

Lusófonos

Em relação aos outros países lusófonos, o relatório cita Angola porque não conseguiu baixar na mesma proporção que as nações vizinhas o número de pessoas em situação de insegurança alimentar. Na África Austral a taxa de redução de pessoas nessa situação em 2017 reduziu 75% para os atuais 4,3 milhões de pessoas.

Moçambique tem menos 1,7 milhão de pessoas que enfrentam insegurança alimentar, mas vai precisar de assistência alimentar no próximo ano mesmo tendo melhorado o seu desempenho agrícola. O país está entre as 37 nações do mundo que precisam de ajuda alimentar externa, que incluem 28 Estados de África.

Na Guiné-Bissau a produção foi afetada por cheias que atingiram milhares de pessoas na África Ocidental.

Na mesma região, Cabo Verde está entre os países que sofreram a infestação pela praga da lagarta-do-cartucho-do-milho com potencial de alastrar para mais países.

Quanto a São Tome e Príncipe, a estimativa é que o país precise de importar 18,3 mil toneladas de cereais para cobrir o déficit de alimentos.

No sudoeste asiático, Timor-Leste deve recuperar a produção de arroz em relação aos resultados do ano passado afetados pelo clima.

Choques climáticos

Os furacões nas Caraíbas e inundações na África Ocidental podem prejudicar a produção local apesar das tendências positivas a nível global com a esperada produção recorde de cereais em diversos países. De acordo com a FAO, em África o problema agravou com os choques climáticos.

Além dos eventos climáticos, a agência destaca que os atuais conflitos civis afetam os progressos para a redução da fome. A agricultura e a segurança alimentar estão seriamente comprometidos em regiões como República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Iraque, norte da Nigéria, Somália, Sudão do Sul, Síria e Iémen.

Muitas vezes os efeitos aumentam devido aos deslocamentos e ao aumento da insegurança em outras áreas.

*Apresentação: Denise Costa.

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Entrevista: José Graziano da Silva 

 

 

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