Estudantes são-tomenses em Cuba dão mais um grito de desespero

Publicado em 11 Set 2008
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Numa cdinheiro.jpgarta enviada ao Téla Nón, os estudantes queixam-se da difícil situação. Um rotina. O Téla Nón espera encontrar  do ministério da educação algum esclarecimento para acalmar o desespero estudantil.

A irresponsabilidade do governo de S. Tomé e Príncipe leva novamente os estudantes a uma situação crítica

Caros compatriotas, a luz do convênio  assinado  entre dois países, S. Tomé e Príncipe e Cuba, S. Tomé e Príncipe devia assumir os encargos referentes a nossa formação. Infelizmente S. Tomé e Príncipe não cumpriu com as suas obrigações.

Apesar das varias tentativas por parte do governo cubano em comunicar-se com as autoridades santomense, os nossos governantes não tiveram sequer o devido respeito de dar qualquer tipo de satisfação, mesmo na condição de devedor, com vista resolver a situação.

O prolongar dessa situação, como é natural, gera um mal estar a parte afetada, o que a levou a tomar determinadas medidas.

Fazemos recordar que por cada estudante a condição era a seguinte:

Primeiro ano—————$2800.00 CUC

Segundo ano—————$2800.00 CUC

Terceiro ano—————$3150.00 CUC

Quarto ano—————–$3500.00 CUC

Quinto ano—————-$4200.00 CUC

E para o alojamento e a alimentação, por estudante, $1200.00 CUC, por ano.

Já existia o dinheiro para que se pagasse tudo. Mas, simplesmente, a ma fé de alguns dirigentes nos coloca nesta condição. Enfim!

Numa reunião com a Direção de Relações Internacionais da Universidade Central Marta Abreu de Las Villas – Cuba, fomos informados que Cuba viu-se obrigado a converter-nos em estudantes becarios (bolseiros custeados pelo governo de Cuba) por causa dos referido incumprimento da parte santomense.

A conseqüência disso, seremos obrigados a transladar para outro edifício com as nossas cargas acomodadas há cinco anos. E também já não beneficiamos da suposta alimentação reforçada que o nosso país devia custear.

Isso não está nada bem.  Não foi com esse fim que viemos estudar!  Por que razão nós estamos passando por tudo isso desde que chegamos a este país? Isto não pode seguir assim. Isso não é justo!

Mesmo que estejamos practicamente no fim do curso, não é valido trabalharmos e sacrificarmos, para depois não recebermos os frutos dos nossos sacrifícios.

Dado o tempo que levamos em Cuba  (5 anos) é de lamentar que quando somente nos falta nove meses aproximadamente para terminar a nossa formação somos confrontados com essa situação constrangedora e vergonhosa.

Vivemos aqui como  uma verdadeira família. Temos uns ao outros como irmãos, fizemos algumas aquisições em comum para que se melhorassem as nossas “comodidades”. Mantivemos sempre o bom nome de S. Tomé e Príncipe no alto numa universidade onde existem estudantes de mais de cinqüenta países.

Esse translado não nos convém porque, agora mais que nunca, necessitamos tranqüilidade e estabilidade para prepararmos os nossos trabalhos de DIPLOMA.

Hoje deixamos de ser  “los muchachos de la Isla verde” e passamos a ser  “los mendigos de S. Tomé e Príncipe”.

A vergonha e tanta e será ainda pior quando dentre de quinze dias seremos movidos com as nossas “bambas” para outro edifício onde as condições não são prometedoras.

Toda essa situação leva-nos a uma profunda depressão e afetações psicológicas que repercutirão nos nossos rendimentos acadêmicos.

Será que governo tem consciência de tudo que passa conosco, da situação em que nos encontramos?……

Com base em todas essas situações, exigimos uma intervenção imediata do governo ao menos para evitar que sejamos deslocados do edifício. Exigimos igualmente um aumento de subsidio, para melhorar a nossa alimentação e outros gastos adicionais, porque o custo de vida atualmente não é o mesmo de ontem, em nenhum país do mundo.

É do nosso conhecimento que uma delegação santomense estará em terras cubanas muito brevemente. Exortamos a  referida delegação que se digne em reunir com todos os estudantes santomenses em Cuba de modo a evitar que determinados erros se repitam.

Não se pode negar o grande gesto deste país latino-americano. Cuba tem colocado a disposição de cerca de 270 estudantes santomenses e de outros tantos países do mundo um numero elevado de  trabalhadores, professores, licenciados, engenheiros,  mestrados, doutores e catedráticos; o melhor de si, mas os distintos governos santomense, pelas instabilidades políticas, não têm dado o devido respeito e nem o valor merecido ao tal gesto. Enfim.

Cuba tem estado a preparar, em quantia histórica, um grande número de quadro, tanto na formação Professional como na formação humana.

Não é justo que assim seja, e mais que tudo porque estamos no pleno século XXI.

Para nós os estudantes em Cuba é valido considerar, e os governantes santomenses não devem  esquecer, que a satisfação, algumas vezes, vale mais que o dinheiro, principalmente onde existe amizade e respeito, o que tem  caracterizado a relação de décadas entre S. Tomé e Príncipe  e Cuba.

Não estamos satisfeito com essas situações. Queremos ser ouvidos. Queremos ser respeitados. E também queremos voltar a dizer que já não somos crianças.

Queridos compatriotas, nós, como cidadão, dignificamos o nosso país, mas o papel do governo é determinante nesse processo.

Sonhar com dias melhores jamais deve ser considerado uma ilusão.

Aquele abraço revolucionário, desde Cuba.

Estudantes santomenses. Santa Clara-Cuba.