Preço do sal já atingiu 250 mil dobras o quilo, o descontentamento popular está a atingir o clímax, o Téla Nón registou no mercado da capital manifestações da população que promete sair a rua nos próximos dias para gritar “Kidalê” com o nome do Primeiro-ministro

Publicado em 10 Out 2008
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Alta mercado.jpgtensão no maior mercado da capital são-tomense, esta quinta-feira. A dor que a população carrega na alma, leva-a a chamar qualquer profissional da comunicação social para dar conta da difícil situação. Foi o que aconteceu com o Téla Nón. Uma situação jamais vista no país desde a independência nacional. O sal que na semana passada estava a ser vendido por 5 euros o quilo saltou nesta para 13 euros o quilo. Em algumas localidades as famílias já não têm acesso ao pão. As padarias fecharam as portas por falta de sal e farinha de trigo. No meio da tensão, populares responsabilizam o governo pela situação, e prometeram sair a rua nos próximos dias caso se mantenha a crise do sal.

O Téla Nón registou gritos de ira e revolta por causa da actual penúria alimentar. Populares convidaram o jornal para ver alguns gramas de sal que estão a ser vendidos por 40 mil dobras. Um chefe de família tinha nas mãos aquela meia colher de sal, que teve que comprar para salvar o cozido de banana previsto para o jantar de quinta-feira.

San Lena(  san-lena.jpgna foto), negociante do mercado, também reclamou, no crioulo forro. «Vi uma colher de sal a ser vendido por 40 mil dobras. Não entendo o que está a acontecer em São Tomé e Príncipe. Nunca vi coisa igual. Ontem para eu ferver a banana tive que faze-lo sem sal», afirmou a popular.

Raivosa San Lena, explicou que a situação no seio da sua família é grave, mas também de todos os moradores da sua localidade. «De manhã na minha localidade, Pau Sabão, não havia pão. As padarias não estão a funcionar por falta de sal e farinha de trigo. Qual é a nossa vida? Até quando?», interrogou.

Do meio da multidão que debatia o problema, não saíram respostas para as questões levantadas por San Lena. Acusações e sentimento de revolta, isso sim foram manifestados. A multidão prometeu sair a rua nos próximos dias de forma espontânea, caso o executivo do MLSTP/PSD, liderado por Rafael Branco, não resolva a crise do sal e de outros produtos no mercado nacional. Algumas senhoras, disseram ao Téla Nón que vão gritar “kidalê” diante do palácio do governo, entoando o nome do Chefe do Executivo, porque segundo elas nunca na história do país se viveu situação igual. Nem mesmo durante a crise de 1983, acrescentou uma das senhoras.

Joana outra cliente do mercado de côco – coco, diz que não se pode admitir o que está a acontecer no país. «Eu estou com um casamento para realizar, como é que vou fazer? O governo tem que saber disto, nos abandonou no caminho. Um quilo de sal está a ser vendido por 200 a 250 contos. Os meus filhos começaram as aulas e estão a comer comida insossa», criticou.

Os populares, questionaram o facto de muita imprensa nacional, estar a ignorar a maior carestia de vida da história do país, com consequências graves para as famílias. Disseram não entender como é que se pode fazer de contas que nada está a acontecer, diante de uma tamanha crise, que segundo eles, deve-se a incapacidade do actual governo em prevenir a rotura dos stocks dos produtos de base.

O descontentamento popular sobe de tom, pelo calor da revolta sentido pelo Téla Nón quinta-feira, só uma intervenção rápida do governo, pode evitar o estrondo do barril de pólvora que leve-leve vem sendo enchido no arquipélago.

Aliás como dizia e bem um programa televisivo de propaganda do partido no poder, «Homé cu fome, ê cá dá deçu cu faca», ou seja, «Homem com fome, até deus ele pode agredir»,

Abel Veiga