Sociedade

Jornalistas são-tomenses elegeram nova direcção para o sindicato da classe

Divididos mvictor-correia.jpguitas vezes por causa de intrigas, por influência política, mas também por causa da inveja, os jornalistas são-tomenses reuniram-se no último fim-de-semana para tentar reestrutura a sua organização sindical, que estava moribunda devido a fraca participação dos associados nos momentos decisivos, e também devido a um escândalo financeiro que deixou vazios os cofres da organização sindical. Victor Correia(na foto), foi eleito Presidente do sindicato num congresso marcado por alguma polémica.

A entrada tardia de uma segunda lista concorrente a liderança do sindicato, lançou alguma polémica no congresso dos profissionais da comunicação social de São Tomé e Príncipe. A lista encabeçada por Alfredo Medeiros, técnico da rádio nacional de São Tomé e Príncipe, acabou por ser rejeitada porque violava o prazo de apresentação de candidaturas exigido pelo estatuto do sindicato.

Para os 54 delegados presentes no congresso, restou decidir sobre uma e única lista concorrente encabeçada por Victor Correia, antigo director geral da comunicação social e ex-Director da televisão são-tomense. Com 36 votos a favor o jornalista formado em 1987, na ex-união soviética, foi eleito Presidente do Sindicato.

Na sua lista destaca-se a presença de Teotóneo de Menezes, ex- Director Geral da Comunicação Social como vice-presidente da organização sindical. O novo Presidente do SJS, substitui o jornalista Ambrósio Quaresma, que fez um balanço negativo da sua gestão que demorou 4 anos. Negativo, porque não teve apoio dos profissionais da comunicação social com vista a promoção da classe, mas também porque ele teve que tomar medidas para neutralizar um escândalo financeiro em que mais de 40 milhões de dobras foram sacados da conta do sindicato sem o conhecimento do Presidente.

A nova liderança herda um sindicato em crise, e uma classe profissional profundamente dividida por causa de vários factores. Por isso mesmo Victor Correia começou por apelar a unidade da classe. A nova liderança definiu 4 prioridades urgentes. A primeira segundo o Presidente do Sindicato, visa o resgate do prestígio da profissão de jornalista e técnico da comunicação social.

A segunda prioridade tem a ver com a criação e publicação de diplomas legais que promovam a actividade jornalística. «Junto com o governo e conforme indica a lei de imprensa, fazer publicar os instrumentos jurídicos para o normal exercício da profissão nomeadamente o estatuto do jornalista, o código deontológico, a carteira profissional dentre outros. A adopção desses instrumentos irá por um lado por ordem no exercício da profissão que apesar de ser liberal obedece a regras claras, e por outro, consistirá no primeiro passo para deixarmos de ser considerados como trabalhadores administrativos da função pública», referiu Victor Correia.

A terceira prioridade consiste na busca de soluções junto ao executivo com vista a melhoria da grelha salarial da classe. A introdução do quadro privativo como acontece nos sectores da educação e saúde, é segundo o Presidente do Sindicato a missão urgente a ser cumprida.

A quarta prioridade parece ser a mais difícil de ser implementada, tendo em conta a realidade actual dos jornalistas e técnicos da comunicação social de São Tomé e Príncipe, caracterizada por intrigas, jogadas políticas, e muita mas muita inveja mesmo, a marcar a personalidade de muitos homens e mulheres que integram a classe. «Está claro e a vista de todos que estamos divididos e dispersos. Por isso temos que trabalhar juntos para encontrarmos internamente uma saída para o problema», afirmou o líder sindical Victor Correia.

Formação de quadros é outra intenção da direcção do sindicato, assim como o combate a injustiças praticadas há muitos anos. Victor Correia, advertiu aos assessores de imprensa do Presidente da República e do Primeiro-ministro para a nova realidade que deverá vigorar. «Eu peço desculpas aos outros colegas que estão do outro lado na assessoria de imprensa. Nós iremos trabalhar no sentido de que o jornalismo, seja de facto exercido por aqueles que estão nos órgãos», declarou fazendo referência ao facto de nos últimos tempos apenas os assessores de imprensa dos dirigentes têm acompanhado os mesmos nas deslocações ao estrangeiro na qualidade de jornalistas, retirando assim aos profissionais da TVS e da Rádio Nacional a oportunidade de conhecerem outras partes do mundo e também de ganhar algum dinheiro resultante do subsídio de viagem, atribuído pelo estado são-tomense, e outras verbas que espontaneamente aparecem durante a missão com os políticos nacionais no estrangeiro.

No entanto o Téla Nón apurou que este problema não fica resolvido apenas com o afastamento dos assessores do Primeiro-ministro e do Presidente da República. É que mesmo convocando os jornalistas para acompanhar as deslocações ao exterior dos dirigentes e com base na rotatividade interna, há indivíduos dentro dos órgãos (Rádio Nacional e TVS), que usam todos os meios, com destaque para a intriga e jogadas políticas, para afastar o colega que foi indicado para acompanhar a visita ao exterior, sobretudo quando se trata de tournée internacional pela Europa, Ásia ou América Latina, para que seja ele a ir. Portanto é injustiça na mesma.

Abel Veiga

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