Juiz presidente do caso GGA denuncia manobras dilatórias do advogado Ademar Carvalho para entreter a opinião pública

Publicado em 23 Dez 2008
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O julgamentotribunal.jpg do caso GGA, voltou a ser adiado desta vez para a próxima segunda feira. O incidente jurídico entre o advogado de defesa de um dos réus e o Presidente do Colectivo de Juízes, Frederico da Glória, está na base do impasse. Segundo o Juiz já é tradicional o posicionamento hostil do advogado Ademar Carvalho contra os tribunais. Frederico da Glória, avisou que o processo vai correr os seus trâmites normais, a partir da próxima segunda feira.

O Juiz Presidente do Colectivo que está a julgar o caso GGA, reconheceu que é direito constitucional e processual do réu de nomear ou pedir a substituição do seu advogado ou defensor oficioso, como aliás está patente na procuração e no requerimento apresentado ao Tribunal. No entanto Frederico da Glória, considera que há outras questões a ter em conta. «Um julgamento que já vem desenrolando com a assistência de um defensor oficioso, nomeado e já na recta final ter que o substituir por um outro advogado, estávamos a ver que isso iria cortar o fio normal de tudo o que foi discutido desde o início até ao presente, o que não ajudaria o próprio advogado a preparar agora a defesa do seu constituinte», explicou para depois sublinhar que «nós sugerimos que o advogado pudesse trabalhar em conjunto com a defesa oficiosa nomeado pelo tribunal».

Sugestão que de acordo as palavras de Frederico da Glória não foram aceites pelo advogado Ademar Carvalho. «E entendeu como é habitual ir a imprensa e dizer tudo o que lhe vem na cabeça. É isso que achamos incorrecto porque é uma pessoa que exerce neste momento funções de bastonário da ordem dos advogados, e não devia criar problemas ao tribunal, como tem sido o seu apanágio. É o que ele faz constantemente», reclamou o juiz Presidente do colectivo.

Frederico da Glória anunciou que o tribunal decidiu esta terça-feira aceitar a procuração submetida pelo réu cliente do advogado. «Como a lei também prevê decidimos aceitar a procuração. E assim na próxima segunda feira dia 29 damos sequência ao julgamento», pontuou.

Quanto a suspeição apresentada pelo réu a pedir a sua substituição na condução do julgamento do caso GGA, Frederico da Glória, diz que não há razão de ser. «Sobre a suspeição não há razões que possam suscitar ao réu alguma desconfiança em relação a presidência do processo. O juiz não despachou o incidente, porque não viu fundamentos para este incidente, o juiz indeferiu», defendeu.

O presidente do colectivo de juízes, diz que tudo está em aberto. O incidente deve correr os seus trâmites e o julgamento seguir a sua caminhada. «Uma coisa não invalida outra. O processo pode correr os seus termos enquanto decorre o incidente. Não há necessidade de se interromper o curso normal do processo», salientou Frederico da Glória, para depois acusar o advogado Ademar Carvalho de prática de manobras dilatórias. «Não passa de mais uma manobra dilatória do advogado para estar a entreter a sociedade. Nós não estamos para isso. Estamos para trabalhar e não para brincadeiras», concluiu.

O julgamento do caso GGA, deverá ser retomado na próxima segunda-feira.

Abel Veiga