Ministério da Educação e Cultura está a procurar outro local para construir o memorial dos mártires da liberdade

Publicado em 27 Abr 2009
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A praia de Fernão Dias que se transformou em 1953 num cemitério das vítimas do massacre perpetrado pelo então Governador Carlos Gorgulho, já não vai acolher mais as celebrações do dia dos mártires da liberdade. O espaço que conserva a mais importante história da resistência nacional, e com impacto decisivo na conquista da independência, vai ser transformado em pólo de desenvolvimento económico. Com o início para o próximo ano dos trabalhos preliminares para construção do porto em águas profundas, Fernão Dias já não poderá acolher as comemorações do dia 3 de Fevereiro.

Segundo António Aguiar, responsável do Ministério das Obras Públicas, Infra-estruturas e Urbanismo, o ministério da Educação e Cultura, já criou uma comissão multi-sectorial para encontrar uma solução para as celebrações do dia dos mártires da liberdade.

Acabou a tradicional celebração na praia de Fernão Dias, onde centenas de são-tomenses perderam a vida no trabalho forçado para construção do cais local, e noutras obras públicas que deram corpo a actual cidade de São Tomé.

Sobre os cadáveres enterrados no mar, vai nascer um gigantesco porto de águas profundas, considerado como o maior e mais moderno da costa ocidental de África. O valor histórico e cultural do local, é substituído pelo valor económico e financeiro. «Neste momento está criada pelo ministério da educação uma equipa multi-sectorial que inclui historiadores e pessoas ligadas a cultura, que estão a estudar a eventual localização alternativa para o memorial e o tipo de memorial que deverá ser construído. A ideai de se tirar dali o memorial foi aprovada em conselho de ministros há bastante tempo. E esta decisão foi validada pelos subsequentes governos, há três anos que a decisão foi tomada», explicou António Aguiar.

Para provar que tudo foi devidamente estudado e planeado, António Aguiar, acrescentou que os estudos para construção do porto em águas profundas, começaram há mais de 3 anos. Uma empresa americana realizou os estudos de viabilidade, tendo avaliado as potencialidades de 15 localizações possíveis a volta da ilha de São Tomé. Concluiu que só Fernão Dias reúne as condições para que o projecto tenha êxito, sobretudo a nível económico. «Este estudo foi apresentado ao governo há cerca de 3 anos e o governo validou a opção de construir o porto em Fernão dias. Porque é fundamental para o desenvolvimento económico de São Tomé e Príncipe», pontuou.

O conselho de ministros já decidiu que a próxima celebração do dia dos mártires da liberdade, 3 de Fevereiro, não será em Fernão Dias. «A comissão criada terá que fazer a indicação de um outro local com validade histórica suficiente, e fazer uma proposta de um memorial que dignifique este acontecimento de 3 de Fevereiro», concluiu, António Aguiar.

Note-se que o massacre de 1953 teve como epicentro, a actual cidade da Trindade, Batepá e os seus arredores, na região centro da ilha de São Tomé.  O chamado cemitério dos mortos era Fernão Dias, no nordeste da ilha.

Abel Veiga