“Eu saio mas o meu coração fica cá”

Publicado em 19 Jun 2009
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A frase emocionada é do delecapitao-amaro.jpggado da Administração da Companhia Santomense de Telecomunicações, que mais tempo ficou em São Tomé e Príncipe. Manuel Capitão Amaro, que chegou ao arquipélago no ano 2000, imprimiu nova dinâmica no funcionamento da única empresa nacional de telecomunicações mas não só, conseguiu também ser são-tomense. Na hora da despedida mereceu honra e louvor do governo.

Segundo Capitão Amaro, quando assumiu a administração da CST, a empresa dava sinal vermelho, os resultados eram negativos. Gestor de negócios, imprimiu nova dinâmica na gestão da CST. A empresa que tinha 120 trabalhadores reduziu o efectivo para 77. Metade deste efectivo é quadros. Dentre os 77 trabalhadores 30 são jovens quadros.

Uma gestão de recursos humanos, que mereceu aprovação do governo. A competência dos jovens quadros são-tomenses, foi valorizada ao ponto da CST ter prescindido de expatriados portugueses. «Uma das apostas que eu mais aprecio no Capitão Amaro é a aposta na juventude. Eu assisti o Capitão Amaro prescindir de cooperantes portugueses em nome de técnicos jovens são-tomenses. Isso é um sinal positivo, é um sinal de progresso e que deve ser acarinhado», afirmou o Primeiro-ministro Rafael Branco, na festa de despedida do delegado da CST que quase 10 anos misturou-se com a identidade são-tomense.

Misturou-se tanto que o Chefe do Governo fez questão de anunciar alguns detalhes. «Capitão Amaro tornou-se um são-tomense, pela maneira como ele assumiu os nossos desafios, os nossos problemas, mas também noutras áreas em que ele se tornou tão competitivo como nós», seguiram-se risos e aplausos.

O Primeiro-ministro não avançou pormenores sobre o lado social competitivo do delegado da CST, e nem era preciso. Num país pequeno toda gente se conhece e quando se trata de figuras públicas, melhor ainda. Capitão Amaro, reconheceu o que tem esta costela competitiva. Segundo ele é o lado que lhe dá equilíbrio. (namorar). «É prova de como ele assumiu o facto de ser são-tomense. Eu já sei que seu processo de nacionalidade está a ser processado, o senhor responde a todos os critérios e estou certo que as nossas autoridades não deixarão de o conceder esse direito que o senhor granjeou durante este tempo», frisou o Chefe do Governo.

Rafael Branco não esqueceu de realçar o papel da Administração da CST, no apoio ao seu jornal, Correio da Semana. O Primeiro-ministro confessou que se não fosse a disponibilidade da CST e de um banco privado são-tomense, o projecto do seu jornal não teria sustentação.

Muitos órgãos de comunicação social são-tomenses, podem dizer a mesma coisa, incluindo o Téla Nón. Foi também através da CST e pelas mãos do Capitão Amaro, que o primeiro projecto de informação on line em São Tomé e Príncipe foi estruturado no ano 2000, ganhou força e teve pernas para andar, o Téla Nón.

Com um balanço positivo no desenvolvimento das telecomunicações em São Tomé e Príncipe, o gestor de negócios da Portugal Telecom, explicou que quando assumiu as rédeas da CST(capital misto estado são-tomense-49% e a PT 51%), a empresa estava no vermelho. Tinha cerca de 4 mil clientes. Gerava 3 biliões de dobras como receitas líquidas. Hoje a CST tem cerca de 50 mil clientes, com receitas líquidas superiores a 19 biliões de dobras. A introdução da rede móvel em 2002 ajudou bastante o desenvolvimento financeiro, apesar da constante desvalorização da moeda nacional.

Durante cerca de 10 anos a frente da CST, Capitão Amaro, conheceu 8 ministros das infra-estruturas. Grande parte deles estava presente na festa de despedida. Capitão Amaro já recebeu guia de marcha da PT para ir trabalhar em Timor. O coração ferve de saudades da terra que jamais esquecerá, São Tomé e Príncipe. «Eu saio mas o meu coração fica cá. Não vou esquecer esta terra, jamais. E espero cá poder voltar», uma frase entrecortada por soluços, regada com lágrimas.

Abel Veiga