Pescadores da ilha do Príncipe vivem amedrontados

16 Setembro 2009
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Pescadores da ilha do Príncipe vivem amedrontados

Tudo por causa da constante presença de navios de origem desconhecida ao largo da ilha. A denúncia feita por António Oliveira, pescador da comunidade da praia Burra, é confirmada pelos dirigentes da Região Autónoma. Alguns navios desconhecidos arrastam grande parte do pescado, outros realizam operações duvidosas mesmo perto da praia. O mais grave é que a ilha não tem uma unidade da guarda costeira. As forças de defesa e segurança destacadas na cidade de Santo António, não têm meios para pelo menos afugentar as embarcações desconhecidas.

Na ilha do Príncipe os pescadores, estão preocupados com a falta de segurança no mar da Região Autónoma. Por isso mesmo as comunidades piscatórias estão amedrontadas, confirmou para o Téla Nón, António Oliveira, pescador da Praia Burra.

Em conversa com alguns dirigentes da ilha do Príncipe, a mesma preocupação foi manifestada. Barcos de origem duvidosa sem controlo das autoridades nacionais, atracam ao largo da ilha e realizam operações desconhecidas. Outros navios também desconhecidos, arrastam quase todo pescado. «Sempre aparecem barcos que lançam redes e levam todo peixe. Talvez esses barcos vêm da costa do Gabão. Ultimamente um barco esteve aqui durante vários dias, e ninguém foi interpela-lo. Não há nenhuma protecção para os escadores. Não sabemos se são bandidos ou coisa parecida», reclamou o pescador António Oliveira(na foto).

O medo toma conta das comunidades piscatórias, ainda mais quando sabem que a pequena força de defesa e segurança estacionada na ilha, está de mãos atadas. «Aqui não tem nada. A capitania dos portos, e a FASTP (força armada de São Tomé e Príncipe) ficam todos na terra. Não têm se quer um bote. Como é que vão para o mar?», interrogou, para depois desabafar mais o medo «Se um desses navios decidir atacar a ilha, por exemplo, vamos morrer todos, porque não há mínima capacidade de resposta», conclui.

O medo aumenta quando os pescadores contabilizam o número de desaparecidos no mar. Nos últimos anos, segundo António Oliveira, a sua comunidade, Praia Burra, perdeu 10 pescadores. Todos desapareceram no mar. Há um ano atrás dois colegas seus fizeram-se ao mar para capturar o voador panhá, uma espécie muito consumida no país. Simplesmente desapareceram. «Só aqui temos 10 pescadores desaparecidos. Há um ano que desapareçam dois.  Deixaram mulheres e filhos», frisou.

O mais grave é que o governo central, não consegue dar resposta a população sobre o destino dos dois homens desaparecidos. O país não tem nenhuma unidade de busca e salvamento. Mesmo assim os pescadores continuam a desafiar o mar e a sorte.

São eles que garantem mais de 90% da proteína animal consumida em São Tomé e Príncipe, o peixe. A ameaça não termina no mar, também na terra as comunidades piscatórias sentem-se ameaçadas. A extracção ilegal de areia é um fenómeno crescente que pode levar a água do mar a engolir as aldeias dos pescadores.

Ao contrário do que acontece em São Tomé, onde grande parte das praias da região norte e nordeste, foram destruídas pelos negociantes de areia, no Príncipe a comunidade de praia Burra, combate contra a extracção ilegal de areia. Por isso a praia extensa continua virgem e linda. «Não deixamos as pessoas tirar areia. Quando tiram a areia a  praia fica cheia de pedras e nós os pescadores não conseguimos ir para o mar, por causa das covas. E mais grave ainda é o facto do mar avançar sobre as nossas casas. Já tentaram extrair areia aqui, mas não aceitamos», concluiu António Oliveira.

Príncipe com praia virgem, e mar desprotegido, tem a maior reserva de pescado do arquipélago são-tomense.

Abel Veiga

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