Sociedade

Búfalos exigem imparcialidade do Tribunal

arlecio-costa-fdc.jpgArlécio Costa líder da FDC e dos antigos operacionais do batalhão búfalo, disse ao Téla Nón que a imparcialidade do tribunal, é a principal exigência a ser feita no julgamento que começa esta quarta-feira. Arlécio Costa, acredita que se o tribunal for imparcial, ele e outros 17 homens do seu partido serão simplesmente absolvidos, porque os fundamentos da acusação ruíram desde o momento em que o próprio tribunal, decidiu anular três acusações de força, nomeadamente de tentativa de golpe de estado e de atentado contra a vida do Presidente da República e dos membros do governo, por falta de provas. Por isso o líder da FDC, considera que o julgamento de hoje é político. Teme que o tribunal tenha já uma decisão preconcebida. Se isto ficar provado no julgamento, Arlécio Costa, garante que a FDC vai pedir a intervenção da comunidade internacional.

A cadeia da Administração Interna, estava cheia na última terça-feira. Cheia de pessoas que foram visitar os três elementos da FDC, na véspera do dia de julgamento. Arlécio Costa, José Luís e Salvador. São os três dirigentes da FDC e antigos membros do batalhão búfalo (Arlécio e Salvador), que foram detidos na antiga cadeia da PIDE-Portuguesa, longe dos outros 11 colegas que aguardaram julgamento na Cadeia Central.

Alegria era visível no rosto dos visitantes, a maioria familiares e amigos dos detidos. Os três reclusos, também sorridentes, todos com pele mais morena, talvez porque nos últimos 8 meses apanharam pouco sol.

Arlécio Costa e Salvador, usavam óculos escuros. Arlécio Costa, o Presidente da Frente Democrática Cristã(FDC) e antigo oficial do extinto batalhão sul africano de mercenários os Búfalos, em conversa com o Téla Nón, disse que « o julgamento desta quarta-feira, é político», e fundamentou, «porque em termos jurídicos como tal, não existem elementos que possam sustentar as acusações. Aliás o próprio tribunal, anulou as acusações que motivaram a nossa detenção, com destaque para tentativa de golpe de estado e atentado contra a vida do Presidente da República», afirmou Arlécio Costa.

Face ao que considera ser, o esvaziamento da acusação, Arlécio Costa, considera que o julgamento de hoje é político. O líder da FDC, garante que ele e os seus homens estão a ser julgados com base nos factos ocorridos em 2003. Ano em que a FDC realizou um golpe de estado. «Acho que vamos ser julgados por causa dos acontecimentos de 2003. E é grave porque a quando do golpe de estado a comunidade internacional, participou directamente no processo. O memorando de entendimento que pôs fim a crise da altura, foi devidamente respeitado por nós. Há compromissos assumidos que nunca foram violados. Daí que se o julgamento é político, achamos que a comunidade internacional, deve ser chamada a intervir», declarou.

Para os búfalos o lado político deste caso, fica mais notório quando das mais de 40 pessoas que foram detidas no âmbito deste processo, apenas os 18 membros do partido que participaram activamente no golpe de 2003, são chamados para a sala de julgamento.

Arlécio Costa, admite que o tribunal tenha já uma posição pré-concebida sobre o caso, mas avisa que se durante o julgamento os réus denotarem a falta de imparcialidade do tribunal, exigirão imediatamente a presença de observadores da comunidade internacional, para acompanhar o julgamento.

O líder da FDC e dos Búfalos, reconheceu que na sua residência foram encontradas duas armas AK-47. «São armas normais. Armas que também usamos nas eleições de 2006. Na altura apoiamos a candidatura do actual Presidente e acompanhamos ele nas andanças pelo país, usando essas armas, as pessoas sabiam que elas existiam», pontuou Arlécio Costa.

Apesar da desconfiança sobre a imparcialidade dos tribunais neste processo, os membros da FDC e antigos búfalos, alimentam a esperança de que a verdade falará a consciência dos juízes e que serão mandados em liberdade após 8 meses de prisão preventiva.

Abel Veiga

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