Navio Príncipe rasgou com sucesso o mar que separa São Tomé e Príncipe

Publicado em 19 Out 2009
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principe.jpgA viagem inaugural do navio Príncipe, foi um sucesso. Veloz, rasgou as águas azuis próximas da costa e preto no alto mar. Depois de zarpar do porto de São Tomé, demorou 4 horas e 30 minutos para encontrar a ilha do mesmo nome, Príncipe. Velocidade e conforto dão qualidade ao navio que respeita as normas internacionais de segurança. Os primeiros habitantes da ilha do Príncipe que viajaram no barco estavam maravilhados. O Presidente da República Fradique de Menezes propôs que o navio seja gerido pela Região Autónoma do Príncipe, o Presidente do Governo Regional também diz que é a solução natural.

passageiros.jpgFoi na última semana, por volta das 12 horas, quando o Presidente da República Fradique de Mennezes, soltou as amarras do barco Príncipe no porto de São Tomé. Champanhe regou o casco do barco que custou 1 milhão e 200 mil dólares. 800 mil foram cedidos pela petrolífera Suíça ADDAX. 400 mil foram doados por Taiwan.

O barco com o nome Príncipe, foi comprado para tentar limpar as lágrimas vertidas por dezenas de são-tomenses sobretudo, os habitantes do Príncipe, por causa dos sucessivos naufrágios na ligação marítima entre as ilhas. Nos últimos anos 5 embarcações sem mínimas condições de segurança naufragaram com pessoas e carga na ligação entre as ilhas.

O último naufrágio ocorreu em Setembro de 2008. 18 pessoas morreram a maioria crianças que regressava a ilha do Príncipe para o reinício do ano lectivo. O mar que já engoliu tantas vidas e guarda no seu ventre carcaças de tantas embarcações naufragadas, foi rasgado sem piedade pelo Príncipe tricolor. O novo navio tem cores azuis, branco e preto.

12 milhas após ter zarpado do porto de São Tomé, o navio fez uma paragem. Era momento para homenagear as 18 pessoas que morreram no naufrágio da embarcação Tereze.  Flores foram lançadas ao mar pelas autoridades presentes na viagem inaugural, nomeadamente os Ministros das Obras Públicas, da Agricultura, e dos Negócios Estrangeiros e Cooperação.

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O embaixador de Taiwan e os representantes da Autoridade Conjunta de Exploração de Petróleo entre São Tomé e Príncipe e a Nigéria, também marcaram presença simbolizando a parceria com a companhia petrolífera ADDAX, outra financiadora do novo barco.

Com capacidade para transportar mais de 50 toneladas de carga, com destaque para um tanque de combustíveis, construído de propósito para abastecer a central térmica da ilha do Príncipe, o navio transporta mais de 60 passageiros. Todos sentados em cadeiras confortáveis. Com primeira e segunda classes, os passageiros podem acompanhar as emissões da televisão. Podem escutar as emissões da rádio. No meio um bar, para saborear pratos e bebidas.

No convés existem camas para transporte de doentes. A administração da empresa espanhola ERESA que construiu o barco participou na viagem inaugural. Príncipe rasgou o mar como se fosse um avião. Levou também para a ilha do Príncipe, os ecos das palavras proferidas pelo Presidente da República Fradique de Menezes no porto de São Tomé. «Devíamos aceitar que este navio seja um bem da Região Autónoma do Príncipe. Não precisa ter um cais acostável para que o navio seja registado, através de um escritório na Região Autónoma do Príncipe. A sua gestão administrativa pode perfeitamente ser feita na ilha do Príncipe, e a sua gestão operacional, obviamente pela ENAPORT. É devido ao acidente que houve que se decidiu avançar para a aquisição deste navio», afirmou o Chefe de Estado, numa cerimónia marcada pela oração das igrejas cristãs de São Tomé.

Os ecos do discurso presidencial, acompanharam a viagem enquanto que os passageiros desfrutam do encanto revelado pelo mar que mar.jpgsepara as duas ilhas. Baleias apareceram para saudar o novo navio. Golfinhos também saltavam numa disputa com a velocidade do Príncipe. Uma festa que permitiu aos primeiros passageiros da embarcação, tecer alguns comentários. «Nunca esperei que o príncipe ia ter um navio que é uma maravilha. Espero que o navio não venha a mudar de rota, porque veio para ligar São Tomé e Príncipe. A diferença em relação ao avião é grande, desde o preço da passagem até o conforto», afirmou um dos passageiros, por sinal habitante da ilha do Príncipe.

baia-de-santo-antonio.jpgJessica Vânia, passageira que aproveitou o conforto do barco para tirar uma soneca, reagiu. «Não há nada que se compare. Eu prefiro a viagem por mar, pago menos e o conforto é melhor que no avião», frisou.

Ilha chuvosa, Príncipe recebeu o barco do mesmo nome em festa. Várias dezenas de habitantes da ilha enfileiraram-se no cais, para receber a embarcação. O navio entrou pela baía de Santo António de maré baixa. Por isso foi difícil atracar no cais.

populacao.jpgO Governo Regional, falou em nome dos habitantes. «Devemos em primeira-mão homenagear todos os habitantes do Príncipe que morreram, que correram risco de vida esses anos todos, utilizando embarcações sem segurança na ligação entre as duas ilhas», desabafou o Presidente do Governo Regional José Cassandra.

No meio da chuva teimosa, José Cassandra, pediu a gestão do Barco. «Temos este navio sobretudo a custa de vidas dos habitantes do Príncipe. Por isso é natural que a embarcação seja gerida pela Região Autónoma do Príncipe. Estamos em total acordo com o Presidente da República. Sou dos que defendem que o privado deve tomar conta destas coisas. Mas numa primeira etapa julgo que o estado deve estar presente», pontuou.

O regresso do Príncipe para São Tomé, foi mais moroso, porque o mar estava agitado, consequência da chuva que marcou o dia seguinte, ou seja, quarta-feira passada.

Abel Veiga