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Valor da passagem no barco Príncipe contestado na região autónoma – ENAPOR diz que a primeira viagem do Príncipe nem deu para pagar o combustível

navio-principe-no-porto-de-sao-tome.jpgA gestão administrativa e financeira do navio Príncipe que iniciou esta terça-feira as operações comerciais na ligação inter-ilhas, começa a ser um quebra cabeças para a ENAPOR(empresa nacional de administração dos portos), e para o Governo Central que desbloqueou mais de 400 milhões de dobras para suportar o funcionamento do barco durante pelo menos 30 dias. Segundo a administração da ENAPORT numa viagem de ligação inter-ilhas o barco consome 4800 litros de gasóleo, o equivalente a mais de 60 milhões de dobras, cerca de 3 mil euros. Enquanto isso a população do Príncipe considera que a passagem é muito cara.

Na primeira viagem comercial, o barco Príncipe zarpou do porto de São Tomé, com 16 passageiros, sendo 13 adultos e 3 crianças. Menos de 1/5 da capacidade do barco, explicou a administração da ENAPORT. «Nós havíamos previsto que para o navio não ter lucros, tínhamos que ter 50% da taxa de ocupação tanto na ida como na vinda na classe económica e 25% na classe VIP, para conseguirmos zero, isto é, para o navio não ganhar dinheiro. E tendo agora 13 passageiros é quase 1/5 da lotação do navio, e dá para imaginar quanto dinheiro está-se a perder nesta primeira viagem», afirmou Manuel Diogo.

Número insignificante de passageiros, para uma embarcação veloz, movida por dois motores e que por isso mesmo consome centenas de litros de gasóleo. «Pelos dados que temos da equipa que trouxe o navio de Barcelona até São Tomé, cada máquina gasta cerca de 200 litros. Tendo duas máquinas estamos a falar de 400 litros de combustível por hora. Considerando que o navio fará pelo menos 5 horas na ida para o Príncipe, e pelo menos 7 horas no regresso, estamos a falar de 12 horas que equivalem a 4800 litros de combustível, cerca de 60 milhões de dobras», explicou Manuel Diogo.

Em cada viagem o navio Príncipe gasta cerca de 3 mil euros, para os próximos 30 dias o governo disponibilizou mais de 450 milhões de dobras, o equivalente a 20 mil euros,  para garantir o funcionamento da embarcação, que deverá começar a produzir receitas para continuar a navegar no futuro.

No entanto apesar de beneficiaram de tarifas mais baixas, os habitantes do Príncipe que pagam 1 milhão e 200 mil dobras cerca de 50 euros para viajar na classe económica, contestam o valor considerado como exagerado. «A maior parte das pessoas que viajam de barco para São Tomé, vai fazer negócio. No entanto neste barco, as pessoas não podem levar peixe, não podem levar os seus animais para vender em São Tomé, quer dizer que o governo está a obrigar as pessoas a continuar a aventura nos barcos que não têm condições de segurança. Porque nesses barcos o preço de passagem é de apenas 300 mil dobras, nesses barcos sem condições de segurança. Porque o preço nos outros barcos é de 300 mil dobras(12, 5 euros)», afirmou para o Téla Nón Domingos Pereira.

O habitante do Príncipe, disse ao Téla Nón que «o problema maior está no preço do barco. Este barco foi concebido para turismo, ou seja, para pessoas virem passear no Príncipe, e para outras que vão passear em São Tomé», acrescentou Domingos Pereira.

Talvez como prova de que o preço da passagem no navio Príncipe, tende a afugentar os passageiros, o Ministério da Defesa Nacional, que tinha dezenas de militares para enviar para o destacamento na ilha do Príncipe, preferiu transporta-los numa embarcação privada designada, TORNADO, uma daquelas sem grandes recursos em termos de segurança e que há bastante tempo faz a travessia arriscada entre as ilhas. «As pessoas vão a procura do mais barato. Mas é de lamentar que os militares tenham ido no navio privado. Depois de sabermos que os militares tinham alguma dificuldade financeira para pagar esta viagem, apresentamos uma proposta de preço bastante competitivo», precisou o administrador da ENAPORT.

Gestão administrativa e financeira do Navio Príncipe, está a transformar-se num quebra-cabeças para as autoridades. Mesmo assim espera-se que os cerca de 20 mil euros disponibilizados pelo Governo para sustentar a ligação marítima em 30 dias, venha a gerar mais recursos, e evitar que o funcionamento do barco novo, seja financeiramente insustentável ao ponto do Príncipe não poder mais ligar as duas ilhas.

Abel Veiga

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