Teme-se que o aeroporto internacional também caia na lista negra

Publicado em 07 Dez 2009
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aeroporto-internacional.jpgHá quase 1 ano que as autoridades aeroportuárias de São Tomé e Príncipe, estão em estado de alerta para receber a equipa de inspecção da Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO). Algumas recomendações saídas da última auditoria feita a cerca de 9 anos atrás, não foram cumpridas na totalidade. Mesmo assim a direcção da Empresa Nacional de Administração e Segurança Área(ENASA), diz que não existem razões para que o aeroporto internacional seja interditado.

Numa altura em que a aviação são-tomense, entrou na lista negra da União Europeia, analistas atentos começam a revelar alguma preocupação em relação ao aeroporto internacional. Vozes concordantes admitem a possibilidade do aeroporto internacional vir a ser fechado, na próxima auditoria da ICAO.

Aristides Barros, director da ENASA, não acredita nesta possibilidade. «Não corresponde a verdade. O maior problema que temos é a vedação do aeroporto. E se notar o aeroporto está sendo vedado. Este sim é o maior problema que temos, mas vai ser resolvido ainda este ano», declarou o Director.

A vedação da pista do aeroporto internacional, faz parte de uma série de recomendações saídas da última auditoria da ICAO, realizada a cerca de 9 anos. A ENASA que começou a vedar o aeroporto em 2007, teve que suspender os trabalhos durante vários meses, alegadamente por falta de dinheiro. Aristides Barros, assegurou ao Téla Nón que as obras já reiniciaram e deverão estar concluídas antes de 2010.

No entanto a preocupação de muitos analistas são-tomenses sobre a possibilidade do aeroporto internacional vir a ser encerrado, é sustentada com base noutras recomendações da ICAO que não foram cumpridas na totalidade. A reabilitação da pista é um exemplo.

Com financiamento de Taiwan, o governo anunciou a reabilitação total da pista e a iluminação. Mas no final dos trabalhos 5 metros pista.jpgcorrespondentes a margem de cada lado da pista ficaram por reabilitar. «A parte da pista que foi reabilitada é a central onde o avião corre e a parte do embate. Portanto a nossa pista tem 45 metros de largura, os lados onde não foram reabilitados correspondem a 10 metros. São no total 35 metros de largura que foram reabilitados. Os 5 metros de cada lado que não foram reabilitados, não têm assim grande importância», defendeu o Director da ENASA.

Analistas consideram que os 5 metros de cada lado da pista que não foram reabilitados, acabam por provocar um desnível perigoso para os aviões sobretudo na aterragem. Aristides Barros não concorda. «Não há qualquer desnível. No entanto temos a preocupação de muito proximamente proceder a reabilitação desta parte da pista», realçou o Director.

Fulano considera que a equipa da ICAO, tem capacidade técnica suficiente para não se impressionar com a questão da pista. «Acredito que quem virá fazer a inspecção do aeroporto são pessoas que sabem o que é um aeroporto, e o facto de termos 5 metros de cada lado da pista sem reabilitar, possa ser razão para que se possa interditar o aeroporto», sublinhou.

Há vários anos que o aeroporto internacional de São Tomé e Príncipe não recebe voos nocturnos por falta de iluminação da pista. É outra recomendação da ICAO, que ainda não foi cumprida apesar do governo ter anunciado que a verba cedida por Taiwan para reabilitar a pista incluía a iluminação. «Quando dissemos que a reabilitação incluía a iluminação da pista, tem a ver com os candeeiros que foram partidos ao longo da pista. Contabilizamos as lâmpadas para serem adquiridas, mas de lá para cá muito mais lâmpadas foram partidas. Por isso a reabilitação da iluminação não foi feita», esclareceu.

A direcção da ENASA tranquiliza o país, dizendo que o governo já encontrou um parceiro de cooperação que vai financiar a iluminação da pista e a vedação do espaço aeroportuário. «No entanto no processo de vedação da pista que estamos a fazer, inclui a reabilitação da pista e também a substituição do sistema de iluminação. O sistema de iluminação que temos, é muito antigo, e actualmente não se encontra no mercado. Portanto vai-se proceder a substituição desse sistema. Temos um parceiro que vai fazer tudo isso. Essa obra vai iniciar neste mês de Dezembro», pontuou.

O Téla Nón apurou junto ao governo que o parceiro internacional que vai financiar o resto das obras de reabilitação do aeroporto internacional, é os Estados Unidos de América. «Acho que não existe mínima possibilidade do aeroporto internacional ser interditado. A inspecção ainda não tem data. Mas com base nos trabalhos que estamos a desenvolver, ainda que eles venham encontrarão o trabalho a ser feito e não haverá razões para o encerramento do aeroporto», reforçou o Director da ENASA.

São Tomé e Príncipe está com coração na mão, a rezar para que a próxima inspecção da ICAO, não decida pelo encerramento do aeroporto internacional. Se a principal porta de entrada e saída do país entrar na lista negra, a escuridão do isolamento sufocará o pequeno país do golfo da Guiné.

Abel Veiga