Ananbó actualmente engolido pelo matagal pode se transformar numa referência turística da região norte de São Tomé

12 Março 2010
Ananbó actualmente engolido pelo matagal pode se transformar numa referência turística da região norte de São Tomé

Lugar histórico da ilha de São Tomé. Foi em Ananbó onde pela primeira vez os descobridores portugueses pisaram o solo são-tomense em 1470. Um património histórico no entanto abandonado. O matagal já engoliu Ananbó, para tristeza de muitos são-tomenses. Um país que está a perder referências e patrimónios que conservam a sua histórica e que consequentemente sustentam a nação.

As caravelas portuguesas, acharam São Tomé em 1470. Aproximaram-se da ilha e só em Agoa Ambó, como era chamado no passado, encontraram lugar para desembarcar e descobrir a ilha maravilhosa. Um lugar histórico onde os navegadores portugueses construíram o primeiro aquartelamento em 1470.

Um pedaço de terra que representa o início da colonização da ilha, o começo da construção da sociedade são-tomense, actualmente abandonado. Nos primeiros anos do século XXI, um empresário explorava no local um bar que aos fins-de-semana recebia visitas de muitos são-tomenses e turistas.

Muitos procuravam a frescura proporcionada pela brisa marítima de Ananbó para retemperar o espírito. Existiam mesas e assentos construídos ainda na era colonial exactamente para proporcionar a confraternização dos são-tomenses e estrangeiros, no pedaço de terra onde começou a construção da sociedade são-tomense.

Mas o país teima em não dar importância as suas referências históricas e culturais. A semelhança de outros marcos que simbolizam a história e a cultura são-tomenses, Ananbó foi abandonada. O matagal tomou conta do espaço. Os assentos e mesas foram destruídos. O pequeno restaurante construído ruiu. Só o marco dos descobrimentos erguido pelos colonizadores no centro de Ananbó, ainda resiste ao desprezo a que o local foi votado nos últimos anos.

No entanto a Direcção Geral do Turismo, diz que conta com Ananbó. O lugar deverá ser transformado numa referência para o turismo no norte de São Tomé. «Na nossa perspectiva pensamos que poder-se-ia introduzir aí outros elementos sobretudo a nível histórico. Tendo sido o lugar onde os portugueses desembarcaram. Poder-se-ia criar um pólo que espelha-se exactamente o evoluir das duas culturas desde 1470 até agora, ou então, mostras daquilo que foi a interacção das duas culturas», afirmou o Director do Turismo Gaudêncio Costa.

Gaudêncio Costa, confirmou para o Téla Nón, que o que se projecta para Ananbó, é a criação de uma espécie de museu, um centro que reflecte o início da civilização em São Tomé. Um espaço de memórias que coabita com unidades de lazer. Promoção do turismo cultural, é o que se desenha para Ananbó. « Ananbó pertence a zona norte de São Tomé, que é a zona que está mencionada no plano director do turismo, e também numa mesa redonda realizada no país chegou-se a conclusão que é a zona norte a que tem melhores potenciais para o desenvolvimento do turismo. Por isso está nos nossos planos contar com Ananbó para projectos concretos de turismo naquela região», reforçou o Director do Turismo. .

Mas para já quem está a desfrutar do espaço, é o matagal. A terra onde pela primeira vez os navegadores portugueses João de Santarém e Pedro Escobar, pisaram o solo São-tomense em 1470, está coberto de capim e de folhas dos carroceiros que antes davam sombra e frescura aos que visitantes.

A direcção do turismo, considera a preservação do património histórico e cultural de São Tomé e Príncipe como uma das prioridades, para o desenvolvimento do turismo.

Abel Veiga

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