“Camarada Alda Morreu triste”

funeral.jpgA tristeza que invadiu São Tomé e Príncipe nos últimos dias, por causa da morte de Alda Graça do Espírito Santo, atingiu o ponto alto na sexta – feira com a realização do funeral de estado no cemitério do Alto São João. Um momento triste que serviu para os familiares e pessoas próximas de Alda Graça, anunciarem que a poetisa Morreu Tristes.

Manuel Pinto da Costa, antigo Presidente da República e cunhado de Alda Graça do Espírito Santo, fez a última intervenção na cerimónia fúnebre. Falou da tristeza que Alda Graça carregou até a morte. Tristeza por causa da imoralidade que se propagou na sociedade são-tomense, e que já tinha sido descortinada por Filinto Costa Alegre, um dos antigos alunos da professora Alda Graça. Pinto da Costa pormenorizou os aspectos que entristeceram Alda Graça. «A Camarada Alda Morreu Triste porque viu os seus ensinamentos a serem alienados por forças retrógradas contra as quais lutou durante décadas. Morreu triste porque em 35 anos de independência nacional ainda não conseguimos dar sinais se quer de que caminhamos unidos na senda do progresso. Morreu triste porque sabia que sem a solidariedade de algumas pessoas ela teria caído na miséria e na mais profunda solidão. Morreu triste por ver o sonho de unidade que esperava acalentar os guerrilheiros da guerra sem armas na mão se transformar em luta encarniçada e desgastante pelo poder. Morreu triste porque a mediocridade e o egoísmo desenfreado passaram a impor-se como normas de conduta social», afirmou o ex-Presidente da República.

pinto-da-costa.jpgPinto da Costa, reforçou que «a camarada Alda morreu triste porque estamos todos a ficar cada vez mais tristes».

Mas o antigo Presidente da República, pediu a poetisa que descansa-se em paz, porque «os são-tomenses e deus vão proteger São Tomé e Príncipe, e o solo sagrado da terra continuará a ser nosso, para construirmos como dizias com as nossas próprias mãos uma pátria renovada», concluiu.

Entre várias intervenções que marcaram o acto fúnebre, destacaram-se as mensagens de condolências do Presidente de Angola José Eduardo dos Santos, lida pela ministra da cultura Rosa e Silva e da CPLP lida por Alda Melo.

O Chefe de Estado de Angola, disse que Alda Graça «será sempre recordada pelos nossos povos como uma referência moral política e cultural».

A CPLP, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, realçou a contribuição de Alda Graça enquanto cidadã da comunidade lusófona na vida política na promoção da cultura em língua portuguesa.

Abel Veiga

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