Monte Café e o bom uso dos contentores

Na semana passada foi colocado um painel informativo em Monte Café sobre a correcta utilização de contentores, num acto que contou com a participação do GIME nº13 e a Câmara Distrital de Mé-Zochi (CDMZ).

O painel surge depois de terem decorrido quatro meses após o início do serviço de limpeza, sob a responsabilidade do GIME nº13, e da recolha de resíduos, que a CDMZ assegura em conjunto com a Igreja da Santíssima Trindade, responsável pela recolha do vidro, tendo a população à disposição contentores para a sua deposição diferenciada.

Com a colocação, foi também dinamizado um espaço de informação e debate entre os presentes, no qual foram abordadas algumas questões sobre o tema. Nesse sentido e além da devida manutenção dum equipamento que é de todos – essencial na melhoria de qualquer sistema de recolha de resíduos – referiu-se também a valorização orgânica como uma estratégia que permite a obtenção de um cenário de ganhos múltiplos.

Conforme explicado, esse efeito resulta do desvio da fracção vegetal, isto é, capim, ramos, restos de vegetais, restos de fruta, do fluxo “normal” de recolha e sua introdução numa solução de compostagem, que se pode definir como um processo de degradação biológica de resíduos cujo produto é o composto.

As suas propriedades enriquecedoras para o solo, dada a entrada de nutrientes, como também na melhoria da sua estrutura, permitindo inclusivamente combater a erosão através do aumento da camada orgânica, fazem do composto uma mais-valia para qualquer agricultor.

Se se somar a isso, que esse produto de qualidade pode ser obtido sem recurso a grandes investimentos, na base daquilo que normalmente se deita fora e a que qualquer pessoa tem acesso, então as vantagens de ser um produto natural, não havendo potenciais impactos negativos no ambiente – o que não acontece com adubos químicos – traduz-se num dividendo substancial para a sociedade.

Por outro lado e na perspectiva da correcta gestão de resíduos, o desvio dessa fracção, que corresponde a cerca de metade da quantidade de resíduos recolhida, permite uma redução na frequência de recolha por parte da Câmara assim como de situações de esgotamento da capacidade dos contentores existentes. Nesse cenário, a Câmara terá mais meios à disposição e poderá reforçar ou expandir o actual sistema de recolha dada a redução da quantidade de resíduos a recolher.

A correcta utilização dos contentores será sempre um ponto fulcral nos sistemas de gestão de resíduos, no entanto e no contexto nacional, esse ponto parece ganhar ainda mais peso dadas as dificuldades associadas à falta de meios e à quase ausência de soluções de financiamento, pelo que depende apenas de cada um – começando em casa com família e amigos – a tão falada mudança de comportamentos.

Artigo escrito no âmbito do projecto “Consolidação do apoio às Câmaras Distritais para a implementação de um sistema regular de recolha dos resíduos sólidos” executado pelas ONG’s ADAPPA, ALISEI, FCJ e MARAPA com o apoio da cooperação espanhola

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    El Chicarito Responder

    Acho que a inciciativa é de louvar!

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