Sociedade

A situação da Lixeira de Penha agrava-se!

A lixeira de Penha, a única do género no País e que serve os distritos mais populosos, Água Grande e Mé-Zochi, com uma população de perto de 100 mil habitantes, encontra-se a cada dia que passa, mais próxima do limite da sua capacidade. Actualmente, a ausência de exploração não permite determinar o tempo restante de utilização, mas a última operação de espalhamento de resíduos – também designada por limpeza da lixeira – reforçou a necessidade de uma intervenção urgente uma vez que a camada de resíduos apresenta hoje uma dimensão tal, que pode a curto prazo obstruir a linha de água contígua ao local e com isso agravar os problemas ambientais e de saúde pública existentes. Com efeito, a topografia do local, apresentava no passado, um desnível acentuado junto à linha de água que faz fronteira com a lixeira e que nos últimos anos tem vindo a ser preenchido com resíduos.

O local onde está situada a Lixeira de Penha não foi preparado para a recepção de resíduos, pelo que não possuí as infra-estruturas nem os equipamentos necessários para uma deposição final em segurança. Assim e dada a sua própria natureza o seu encerramento deve acontecer logo que possível, de forma a não agravar a situação existente. No entanto, a ausência de uma alternativa a esse espaço não permite assegurar as necessidades actuais em caso de selagem a curto prazo. Segundo testemunhos dos serviços da Câmara Distrital de Água Grande, em média é feito um registo de cerca de 40 entradas na lixeira, sendo as quantidades desconhecidas dada inexistência de báscula para pesagem de veículos. No ano passado as estimativas apontavam para cerca de 4.000 toneladas por ano de resíduos depositados, mas com tendência para crescer dado o aumento da recolha tanto ao nível do distrito de Água Grande como de Mé-Zochi.

Para além dos problemas associados à proximidade da linha de água, outros igualmente graves podem ser identificados na lixeira de Penha: 1) Queima indiferenciada de resíduos, com os consequentes impactos na saúde pública e ambiente, dada a libertação de gases tóxicos e cancerígenos; 2) Inexistência de um controlo efectivo de descargas na lixeira, incluindo o controlo sobre a deposição de resíduos perigosos, o que impossibilita uma gestão controlada; 3) Ausência de controlo da entrada de pessoas e animais e sua livre circulação no local. O último, relacionado com a livre circulação de pessoas e animais, está directamente associado com a ausência de vedação, muitas vezes referido pela população e dirigentes, mas que para ser efectivamente solucionado necessita de uma intervenção ao nível da exploração do local. Com efeito de pouco servirá ter uma vedação se os resíduos continuarem a ser empurrados para o limite da área de exploração. A presença de uma máquina compactadora, que actualmente já presta serviço no local mas apenas para fazer o espalhamento, poderia ser utilizada de forma controlada se as orientações fossem dadas nesse sentido e permitiria assim que a vedação a colocar permanecesse. No entanto, a situação mantém e periodicamente, cada vez com mais frequência, a máquina entra na lixeira para “limpar”, muitas vezes empurrando todo um conjunto de resíduos de tipologia variada, contaminando o solo e a água, com efeitos ainda desconhecidos numa zona cada vez mais habitada.

A propriedade “invisível” deste sector faz com que não seja uma prioridade na agenda governativa, mas os danos causados hoje tenderão a ser pagos no futuro com juros bastante elevados, caso a actuação tardar em acontecer como se pode concluir com o caso da Lixeira de Penha.

Artigo escrito no âmbito do projecto “Consolidação do apoio às Câmaras Distritais para a implementação de um sistema regular de recolha dos resíduos sólidos” executado pelas ONG’s ADAPPA, ALISEI, FCJ e MARAPA com o apoio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento

    2 comentários

2 comentários

  1. Hiost Vaz

    29 de Novembro de 2010 as 10:08

    Por mim a coisa mais facil a aplicar seria incenerar-los. O nosso Governo tem que começar apostar em VANTAGENS que possa durar mais e beneficiar a populaçao a todos os niveis. deixa la de ONG´S e monta somente 1 inceneradora que tao logo tudo estara resolvido. (PENSAMENTO COM PRECISAO)

  2. Obama

    29 de Novembro de 2010 as 15:15

    Sucessivos governos e ninguém faz nada em relação a nossa lixeira. O que será feito do nosso parque automóvel, com tantas viaturas antigas e velhas?? Já é tempo para se começar a pensar na reciclagem, na valorização residual e nas campanhas de sensibilização a população para que tenhamos um melhor ambiente em STP. Faço um apelo aos nossos governantes e ao povo em geral, pensem ao longo prazo n apenas no hoje. Um bem haja ao povo santomense.

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