DIÁRIO INFORMATIVO da Rússia

17 extremistas liquidados na Inguchétia. É um dos temas do Diário Informativo russo, assegurado pelo emigrante são-tomense em Moscovo, Filipe Samba.

DIÁRIO INFORMATIVO

  • Emitida ordem de captura contra executor dos atentados terroristas no Metro de Moscovo
  • 17 extremistas liquidados na Inguchétia
  • Roman Abramovitch reeleito dirigente da Duma da Tchukotka
  • Conselho Rússia – NATO discutirá situação na Líbia
  • Kadafi e as armas russas
  • Moscovo recuperou o título de capital dos multimilionários

Emitida ordem de captura contra executor dos atentados terroristas no Metro de Moscovo

Moscovo, 29 de Março – RIA Novosti.

De acordo com o porta-voz do Comité de Inquérito da Procuradoria geral, Vladimir Markin, já foi emitida uma ordem de captura contra o executor directo dos atentados terroristas no Metro de Moscovo, Gussen Magomedov; os outros extremistas envolvidos neste crime foram eliminados.

“Foi estabelecido o executor de atentados terroristas – natural do Daguestão, Gussen Magomedov, de 22 anos. Foi emitida uma ordem de captura”, disse Markin.

Segundo os dados do inquérito, Magomedov acompanhou as terroristas suicidas, Charipova e Abdullaeva, da cidade de Kizliar (Daguestão) a Moscovo e dirigiu as suas acções no dia da execução dos atentados.

As explosões no metro de Moscovo tiveram lugar há um ano,  a 29 de Março de 2010, nas estações Park Kultury e Lubianka, no centro da capital, tendo levado a vida de 40 pessoas.

Nas palavras de Markin, actualmente foram estabelecidos todos os executores e organizadores das explosões. O atentado terrorista duplo foi organizado, segundo os dados do inquérito, por Magomedali Vagabov, um dos líderes da clandestinidade terrorista que actuava no território do Daguestão.

Vagabov, tal como outros cúmplices do crime – Aliev, Schaschaev, Magomednabiev, Rabadanov e Issagadjiev, ofereceram resistência armada durante a detenção e foram liquidados.

17 extremistas liquidados na Inguchétia

Moscovo, 29 de Março – Lenta.ru.

A Força Aérea da Rússia destruiu através de um míssil uma base de extremistas na Inguchétia, comunica a RIA Novosti, citando o Comité Antiterrorista Nacional (CAN).

Em resultado do ataque aéreo, foram liquidados 17 extremistas. Segundo a informação do CAN, o local servia de base de treino de terroristas suicidas, devendo estes posteriormente levar a cabo atentados terroristas no território da Ossétia do Norte, da Inguchétia e em outras regiões da Rússia. As identidades dos extremistas liquidados estão a ser estabelecidas.

Segunda-feira, 28 de Março, no distrito Sunjensky, na Inguchétia, foi executada mais uma operação especial de liquidação de agrupamentos armados ilegais. No quadro da operação, foi morto Aslan Tsechoev que, segundo a informação do CAN, fornecia à clandestinidade extremista víveres e medicamentos. Em resultado da operação, foram mortos dois efectivos do FSB e um polícia.

Roman Abramovitch reeleito dirigente da Duma de Tchukotka

Anadyr, 29 de Março – RIA Novosti.

A candidatura do multimilionário Roman Abramovitch foi aprovada hoje no cargo de dirigente da Duma do Distrito Autónomo da Tchukotka, comunicou a RIA Novosti um representante do Parlamento regional.

Abramovitch dirige o Parlamento regional da Tchukotka desde Outubro de 2008, três meses após se ter demitido voluntariamente do cargo de governador desta região.

“No quadro da primeira sessão da nova Duma da Tchukotka, os deputados aprovaram por unanimidade a candidatura de Roman Abramovitch no cargo de dirigente do Parlamento regional. Para além de Abramovitch, não havia outros candidatos ao cargo”, disse o interlocutor da agência.

A 13 de Março, nas eleições para o órgão legislativo da Tchukotka, Abramovitch obteve o maior número de votos entre os candidatos independentes – 92,5 por cento. Segundo os resultados daquelas eleições, sete dos 12 mandatos na Duma de Tchukotka pertencem ao partido Rússia Unida.

Há uma semana, numa reunião do Secretariado do Conselho Supremo da Rússia Unida, foram aprovadas as candidaturas de dirigentes das assembleias legislativas em 8 das 12 regiões em que a Rússia Unida tem maioria parlamentar. Ao mesmo tempo, conforme a decisão do partido, quarto dirigentes, entre os quais Abramovitch, devem manter os seus postos.

EM FOCO NA IMPRENSA RUSSA

Kadafi e as armas russas

Viktor Litovkin, Rossiyskaya Gazeta

Embora a Rússia se tenha abstido na votação do Conselho de Segurança da ONU referente às sanções militares contra Tripoli, ocorrida no dia 17 de Março, o presidente russo Dmitry Medvedev já havia decretado medidas especiais contra o governo líbio. Aprovado nos termos da resolução 1970 (de 26 de Fevereiro) do Conselho de Segurança da organização, o documento da ONU proíbe às instituições governamentais, industriais, comerciais, financeiras e outras entidades de exportarem quaisquer tipos de armas e bens para a Líbia.

Enquanto isso, mesmo tendo reservas em relação ao documento, o líder de Estado russo assinou um decreto proibindo que o ditador líbio Muammar Kadafi, membros de sua equipe e seus familiares entrem, ou até mesmo transitem, em território russo. Ele também proibiu a prestação de quaisquer serviços à Líbia que envolvam treino de militares, como também assistência técnica, financeira ou de qualquer outro género que possa estar ligada a actividades de combate ou ao uso de meios militares. As autoridades aduaneiras de portos e aeroportos foram intimadas a realizar uma inspecção rigorosa de todas as cargas com destino ou origem na Líbia e, desde então, se algum item irregular for encontrado, deve ser confiscado para que as medidas adequadas sejam tomadas.

Alguns especialistas afirmam que as severas condições impostas ao regime de Kadafi podem causar um dano de 1,8 biliões de dólares à indústria militar da Rússia, além de prejuízos de 4 biliões com a perda de possíveis oportunidades de negócio. Na verdade, Anatoli Isaikin, presidente da Rosoboronexport, diz que, enquanto o impasse na Líbia não for resolvido, é cedo para se contabilizar perdas. Afinal, independentemente de quem venham a ser, as possíveis novas autoridades podem optar por não romper os acordos pré-existentes: todos os governos tem necessidade de armas modernas e equipamento de combate para fortalecer o seu Exército e esses bens são comprados levando em conta a relação custo-benefício. Nesse aspecto, os armamentos russos são bastante competitivos, sobretudo no norte de África, ainda mais se considerarmos que as exportações militares da Rússia não possuem vínculos políticos.

De acordo com o relatório “Balanço Militar”, publicado pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres (IISS, em inglês), as forças militares da Líbia possuem cerca de 2000 tanques T-72, T-62 e T-55 da era soviética, dos quais apenas 200 são modernos T-72s. O corpo militar líbio não possui mais que 450 lança-granadas russos e ocidentais (de 122 mm, 152 mm e 155 mm) e alguns lançadores múltiplos de mísseis Grad, 770 carros de combate e veículos blindados de transporte de pessoal M-113 e BTR-60, também fabricados no Ocidente e na antiga União Soviética. No que diz respeito à defesa aérea, possuem (possuíam, antes dos bombardeamentos) o sistema antiaéreo ZSU 23X4 Shilka e mísseis antiaéreos Osa, Kub e Dvina. Tinham ou têm ainda uma frota de aviões de combate e ataque, que compreende os caças franceses Mirage, os soviéticos Mig-25, Mig-23, Mig-21 e Su-24, o helicóptero de carga pesada americano CH-47 Chinook e os helicópteros de transporte russos Mi-17 e Mi-8.

Kadafi tem usado esse tipo de armamento contra a oposição, que, por sua vez, está sendo abastecida com armas e equipamento do Ocidente, contrariando assim as medidas estabelecidas pelo Conselho de Segurança da ONU. Os países-membros da organização justificam, contudo, que as restrições se aplicam apenas ao actual governo líbio, uma vez que a oposição não é mencionada na Resolução 1970.

Os especialistas acreditam que, mesmo com a chegada da oposição em Tripoli – e se ela for composta por um grupo antirrusso – os seus dirigentes não serão capazes de substituir da noite para o dia todo o seu equipamento militar por bens fabricados no Ocidente. Por sinal, isso é algo que ninguém conseguiu fazer em virtude do alto custo de uma operação deste nível. Desse modo, acredita-se que eles provavelmente terão de recorrer novamente a Moscovo, o que trará grandes lucros para as empresas militares russas.

Os embaixadores dos países-membros da NATO reunidos em Bruxelas e os líderes da União Europeia discutiram as medidas militares e económicas que os países do Ocidente deverão tomar em oposição ao regime de Kadafi. Embora ainda não se considere a possibilidade de uma operação por terra, o estabelecimento de uma zona de exclusão área sobre o território líbio já é uma realidade. No entanto, o secretário de Defesa americano Robert Gates alertou há semanas que essa não seria uma missão simples de se cumprir, já que envolve a eliminação dos sistemas de defesa da Líbia por meio de ataques aéreos, o que pode desencadear uma guerra em larga escala.

É possível entender o receio dos Estados Unidos e da NATO. Ambos já estão envolvidos em guerras no Iraque e no Afeganistão. A última coisa que desejam é serem arrastados para mais um conflito, no qual inevitavelmente terão prejuízo em termos de pessoal e de material de combate. Os navios de guerra da NATO, os Estados Unidos e os seus parceiros na operação Aurora da Odisseia estão a efectuar o patrulhamento ao longo da costa norte da África e a inspeccionar todos os navios que chegam e partem da Líbia.

De qualquer modo, não será necessário muito tempo para saber se essas acções conjuntas irão ajudar a derrubar o actual regime e se as sanções anteriormente apoiadas pelo governo de Moscovo surtirão o efeito desejado.

Vedomosti

Moscovo recuperou o título de capital dos multimilionários


Serguei Smirnov

De acordo com a Forbes americana, há de novo mais multimilionários em Moscovo do que em qualquer outra cidade do mundo, ou seja, a capital russa recuperou o título anteriormente perdido em resultado da queda dos mercados de matérias-primas. O país tem 79 multimilionários oficiais, um terço dos 300 que vivem na Europa e 15 integrantes da lista dos top 100, mais do que nos demais países BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) em conjunto.

A geografia da riqueza mundial mantém as mudanças que marcaram a lista do ano passado. Por exemplo, durante um ano a quantidade de multimilionários dos países BRIC aumentou em 108, tendo ultrapassado toda a Europa (301 contra 300, respectivamente). O número dos bilionários asiáticos, por sua vez, quase triplicou depois de 2008: agora, é de 332. Além disso, o mais rico da China é Robin Lee, com 9,4 biliões de dólares, que não é um magnata de matérias-primas, mas sim fundador do motor de busca Baidu. No entanto, o Japão, outrora centro económico da Ásia, tem apenas 26 bilionários.

Na Rússia, durante dois anos seguidos, a liderança é de Vladimir Lisin, accionista principal do Complexo Metalúrgico de Novolipetski. Em 2011, ele aumentou a sua fortuna em 24 biliões de dólares) e alcançou o 14º lugar no ranking mundial. É o único russo na lista do top 20. O segundo lugar foi conquistado pelo director-geral da Severstal, Alexei Mordachov, que tem 18,5 biliões de dólares e ficou em 29º lugar na lista mundial.

As posições seguintes são de Mikhail Prokhorov, líder da lista russa em 2009, com 18 biliões; Vladimir Potanin, com 17,8 biliões; Alisher Usmanov, com 17,7 biliões  e Oleg Deripaska, com 16,8 biliões. A nível mundial, eles ocupam os 34º, 35º e 36º lugares, respectivamente.

Ainda segundo a Forbes, a fortuna de Mikhail Fridman constitui 15,1 biliões. Os últimos colocados na lista dos dez multimilionários russos são Vaguit Alekperov (50º lugar no ranking mundial, com13,9 biliões, Roman Abramovitch (53º lugar, com 13 biliões) e Victor Vekselberg  (57º lugar, com 13 biliões de dólares).

Iuri Milner, um dos criadores do fundo de investimentos DST Global – bilionário russo com fortuna não baseada nos activos no sector de matérias-primas – ocupa o 1.140º lugar. Dois milionários abandonaram a lista russa do top 10: Victor Rachnikov, accionista principal do Complexo Metalúrgico de Magnitogorsk (MMK), e Dmitry Ribolovlev, ex-proprietário da empresa Uralkali.

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    J. Maria Cardoso Responder

    Parabens sr. Filipe Samba,
    Parece extensa a lista das notícias postas a nossa disposição, mas no corre-corre do mundo, com alguma paciência há matérias para alimentar os k nem sempre apanham o mundo noutras fontes informativas.
    Infelizmente as mortes vão acontecendo em nome da defesa dos vivos.
    Deu para babar os mil milhões nas contas dos multimilionários moscovitas e russos em geral para não falar dos asiáticos.
    O mundo deve estar mesmo em cambalhotas.

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