Sistema Nacional de Saúde reconhece pressão política no processo de Junta de Saúde

Nos debates da semana nacional de Saúde, em alusão ao dia internacional da saúde os profissionais do sector constataram anomalias no processo de envio de doentes para tratamento em Portugal. A Ministra Ângela Ramos, confessou os esquemas existentes.

«Chegamos a conclusão que alguns dos casos, que são evacuados não cumprem os critérios de evacuação», referiu a ministra.

Da avaliação do processo, o pessoal clínico reunido no encontro da semana nacional da Saúde, constatou que algumas pessoas conseguem sair do país, para tratamento em Portugal sem o aval da Comissão de Junta de Saúde. Pressões políticas, acabam por determinar a regra do jogo. «Anteriormente os deputados e médicos ao serviço de algumas empresas autónomas exigem que os seus pacientes sejam evacuados, sem passar pela comissão de junta. Dizem que são políticos e por isso os seus pacientes devem ser evacuados. No mês passado tivemos um caso destes. Recusamos e obrigamos que o caso fosse remetido a comissão de junta», reclamou a Ministra da Saúde.

A ministra da saúde e o pessoal clínico, reconhecem que “existe muita pressão política”, sobre o processo de Junta de Saúde. «Assim vamos ter outros fóruns para discutir os critérios da evacuação. Alguns relatórios referentes aos doentes que não estão acamados, devem ser analisados pela comissão de junta», pontuou a ministra.

O pessoal clínico chegou a conclusão que é preciso reforçar a filtragem dos casos que deverão ser enviados para tratamento em Portugal. Os médicos são-tomenses consideram que pela forma como o processo tem andado, está em causa a imagem do país e dos seus quadros clínicos. «Os nossos doentes provocam custos para o sistema português. Nesta ordem de ideais devemos pensar que devemos utilizar este recurso quando o doente efectivamente precisa, e não utilizar o processo de evacuação de doentes para outros fins como tem acontecido no país», afirmou o médico Pascoal d´Apresentação.

O clínico considera que esta situação põe em causa a credibilidade do sistema nacional de saúde. Uma situação que para Pascoal d´Apresentação, explica o facto de os pedidos do Ministério da Saúde de São Tomé e Príncipe para marcação de consultas em Portugal para os doentes a serem enviados, não acontecer de forma célere como é desejado. «Acho que a fraca resposta que temos tido em relação a marcação das consultas tem a ver com a sobrecarga que acabamos por fazer ao sistema. Perdemos credibilidade até pelo tipo de doentes que nós mandamos. Mandamos doentes que podemos resolver aqui, por várias razões desde vontade própria do médico, até pressões políticas. Eu por exemplo sou catalogado de que não gosto de fazer relatório de junta de evacuação para as pessoas. Eu só o faço quando for preciso», assegurou.

Para reduzir o número de doentes que são enviados para tratamento em Portugal, o Ministério da Saúde, aposta na formação dos quadros da saúde, e no apetrechamento do sistema com meios de diagnóstico.

Numa altura em que o país se debate com um surto de conjuntivite, a Ministra da Saúde, deu destaque a contratação de mais especialistas. «O reforço maior de especialistas, será com a cooperação cubana. Vamos pedir alguma especialidade que nos faz falta, como a oftalmologia. Estamos a debater com o problema da conjuntivite e não temos especialista na área. Temos também que reforçar médicos no sector do sector da ginecologia, a cirurgia pediatra, e no ramo da diabete», explicou Ângela Ramos.

Abel Veiga

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    reflexao Responder

    que mandar especialista cubano…temos que começar a pensar na formaçao desses quadros, ms claro, isso claro oferecendo condiçoes minimas e criterios para que os estudantes que saiem pra estudar medicina, saibam realmente o que devem seguir, para n haver superlotaçao numas areas e carencias em outras…eu falo isso por experiencia propria, pretendo me formar e voltar pra stp, mas tambem tenho que saber o que o país realmente está precisando…e além disso, melhorar as condiçoes de trabalho dos medicos, no que diz respeito à questao salarial, e alguns criterios de ferias, horas de trabalho, etc…e nao auqela expliraçao depravadora que acontece naquele hospital… e eu sei mto bem do que estou a falar…

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    jaka doxi Responder

    Isso já né novidade.

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    cesario verde segundo Responder

    Nesta história de junta médica ha muita maldade. Tanto da parte das autoridades nacionais terrotoriais como as que se encontraam na diaspora (embaixada), encarregadas de zelar pelo bem estar e dar seguimento dos utentes quando ali chegados. que como já sabemos, sao entregues á sua sorte!
    tambem há maldade e incompetencia da parte de entidades portuguesas representadas ou laborando no pais, como é o caso do doctor Henrique Vilhena, que nos casos de pessoas nao de elite ou que nao lhe interessassem, pois, passava o atestado de junta médica tipo 2, embora a urgencia do caso, o que resultava em serem juntas médicas tardias as quais devido dizer: de tipo 2, pois eram e sao relegadas como de 2 plano e nunca ou quase nunca chegando a territorio nacional a resposta sobre a evacuacao de ditos casos.
    Digo isto porque já fui doente de junta médica e sei o que passei naquela embaixada onde passei muito mal e recebi desatencao das nossas entidades, e o desprezo do médico portugués em STP, o tal Henrique Vilhena, que apenas gosta de chegar á Lisboa e desfilar com os quadros de escultura nacional que levava, como se fosse um muito bom samaritano as causas nacionais.
    Sei do que falo e falo com propriedade e causa.

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