2012: Putin e/ou Medvedev? (Continuação)

É um dos temas do boletim informativo da Rússia. SUMÁRIO:

  • Banco Nacional da Bielorrússia desvalorizou moeda nacional
  • Dez deputados da Duma de Estado pela Rússia Justa dispostos a entregar mandato a Mironov
  • Lavrov não conseguiu convencer a oposição líbia a negociar com Kadafi
  • Incêndios florestais já atingem o dobro da superfície de 2010
  • Dmitry Medvedev interveio no Fórum Jurídico Internacional em São Petersburgo
  • 2012: Putin e/ou Medvedev? (Continuação)

Banco da Bielorrússia desvalorizou moeda nacional

Moscovo, 24 de Maio – Vesti.ru.

O Banco Nacional da Bielorrússia diminuiu a cotação do rublo bielorrusso em 65,3% em relação ao dólar para 4930 rublos, em 53,1% em relação ao euro para 6914,82 rublos e em 53,9% em relação ao rublo russo para 173,95 rublos, comunica-se no site oficial do banco.

Em Abril, o Banco Nacional deixou de controlar a cotação no mercado interbancário e em Maio anulou as limitações no mercado de divisas in cash, mantendo uma recomendação tácita de não superar nas transacções a cotação de 4,5 mil rublos por dólar.

Ao mesmo tempo, o Banco Nacional continua a controlar as cotações na bolsa em que, conforme as regras existentes, os exportadores devem vender 30% dos lucros em divisas.

A cotação do rublo bielorrusso, em queda a partir de Abril, começou a subir na sexta-feira passada. Segunda-feira, as cotações no mercado interbancário constituíram 6,4-6,8 mil rublos por dólar contra o mínimo histórico de 8-9 mil rublos registado na quinta-feira passada.

Segundo os dados oficiais do Banco Nacional, a desvalorização do rublo bielorrusso, em comparação com 31 de Dezembro de 2010, constituiu 64,33% em relação ao dólar, 74,06% em relação ao euro e 76,71% em relação ao rublo russo. Estes níveis da desvalorização simultânea da cotação oficial não têm precedentes nos últimos dez anos. Antes disso, o Banco Nacional desvalorizou simultaneamente a cotação do rublo em 20% a 2 de Janeiro de 2009, cumprindo a exigência do FMI para receber créditos em condições da crise financeiro-económica global.

Entretanto, o Departamento de Informação do Banco Nacional não comenta as causas e a lógica da decisão sobre a desvalorização simultânea da cotação oficial do rublo bielorrusso, declarada como não aceitável no início do ano pelo chefe do Banco Nacional, Piotr Prokopovitch.

Dez deputados da Duma de Estado pela Rússia Justa dispostos a entregar mandato a Mironov

Moscovo, 24 de Maio – RIA Novosti.

Dez deputados pela Rússia Justa estão dispostos a entregar os seus mandatos ao antigo dirigente do Conselho da Federação, Serguey Mironov, que perdeu o cargo de senador e de presidente da câmara alta do Parlamento.

“Actualmente, dez pessoas já estão dispostas a entregar os mandatos, mas, a seguir aos deputados, deve entregar os mandatos todo o grupo regional. Se for sacrificado um deputado superprofissional, ele terá de iniciar antecipadamente uma campanha eleitoral no seu distrito. Ao mesmo tempo, alguns deputados devem ficar na Duma de Estado apesar de tudo”, disse Mironov numa entrevista ao jornal Moskovskie Novosti, publicada terça-feira.

Ao mesmo tempo, o líder da Rússia Justa adiantou que “aquele que entregar o mandato” será “obrigatoriamente seu assessor na Duma de Estado”.

Anteriormente, uma fonte na Rússia Justa comunicara à RIA Novosti que a deputada da Duma de Estado pela Rússia Justa, Elena Vtoryguina, entregará, com 99% de probabilidade, o seu mandato ao líder do partido, Serguey Mironov.

Mironov receberá o mandato de deputado da Duma de Estado após a declaração de Vtoryguina sobre a renúncia às competências de deputado ter sido discutida numa reunião do Conselho da Duma e, posteriormente, numa sessão plenária da câmara baixa. Tanto que Mironov encabeçava a lista eleitoral da Rússia Justa e posteriormente renunciou ao posto na câmara baixa, ele poderá receber o mandato em regime prioritário de acordo com as emendas na legislação eleitoral, aprovadas anteriormente pela Duma de Estado.

Em entrevista, Mironov apontou que se alguém no grupo regional impedir a transferência do mandato, reservando-o para si, “o partido terá a respectiva atitude para com esta pessoa”. “Se não resultar num grupo, vamos tentar no outro, mas resolveremos esta tarefa. Levando em consideração o calendário de sessões na Duma de Estado, tudo isso ocupará umas duas semanas”, destacou o interlocutor da edição.

Serguey Mironov, que dirigiu a câmara alta do Parlamento do país durante dez anos, perdeu este posto após a Assembleia Legislativa de São Petersburgo, cujos interesses ele representava no Conselho da Federação, ter suspendido antecipadamente a 18 de Maio as suas competências de senador.

Em entrevista ao jornal, Mironov disse que não havia sentido de despedi-lo do Conselho da Federação, porque o prazo do seu mandato expirava em Novembro.

“Falando francamente, não esperei ser demitido antecipadamente. Compreendia que é pouco provável que os deputados da Assembleia Legislativa prorroguem o meu mandato de senador, mas não esperei uma demissão antecipada. Tanto mais que há cerca de dois meses o próprio Tiulpanov (dirigente da Assembleia Legislativa de São Petersburgo) respondeu ao apelo de um deputado a demitir-me: para que? Falta pouco tempo até ao fim do mandato”, disse Mironov ao jornal.

Lavrov não conseguiu convencer a oposição líbia a negociar com Kadafi

Moscovo, 24 de Maio – RIA Novosti.

A oposição líbia não tenciona negociar com Muammar Kadafi, disse aos jornalistas o representante do Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio, Abdel Rahman Shalkam, após as conversações com o chefe do MNE da Rússia, Serguey Lavrov.

Em meados de Fevereiro, na Líbia começaram manifestações maciças exigindo o afastamento do poder de Kadafi, que governa o país há mais de 40 anos, que posteriormente se transformaram em confrontação armada entre as forças governamentais e os rebeldes. A oposição formou na cidade de Benghazi, no leste do país, o Conselho Nacional, declarando-o como único órgão legitimo de poder no país.

“Kadafi deve demitir-se e suspender o fogo. Ele extermina a população da Líbia. Nós (a oposição da Líbia) não tencionamos encetar conversações com ele”, disse Shalkam.

Nas suas palavras, enquanto Kadafi estiver no poder, não se pode falar sobre o início de um dialogo nacional entre as partes confrontantes. O representante da oposição adiantou que Kadafi deve seguir o exemplo dos líderes do Egipto e da Tunísia e abandonar o país.

O encontro com representantes da oposição da Líbia em Moscovo foi marcado para 18 de Maio, mas foi adiado por razões técnicas a pedido da parte líbia. Na semana passada, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia teve encontros com representantes das autoridades oficiais da Líbia e o enviado especial do secretário-geral da ONU para a Líbia.

Incêndios florestais já atingem o dobro da superfície de 2010

Moscovo, 24 de Maio – RIA Novosti

A superfície total afectada pelos incêndios florestais em várias regióes da Rússia desde o inicio do ano quase duplicou em relação ao mesmo período de 2010, rondando os 300.000 hectares, informou hoje o Ministério das Situações de Emergência.

“Desde o início desta temporada, foram registados no país 8.560 incêndios florestais (face aos 8.830 de 2010) com uma extensão total de 296.450 hectares, face aos 149.970 um ano antes, o que equivale a um aumento de 90%”, assinalou o organismo num comunicado.

Segundo dados do ministério, nas últimas 24 horas foram extintos 249 incêndios florestais, que afectaram uma superfície total de 9.340 hectares. Continuam activos 169 focos de incêndio (101.240 hectares). Os 18 maiores fogos florestais registaram-se na Yuakútia, na região de Amur, no norte e no sudeste da Sibéria, com uma área ardida de 56.220 hectares.

Para além destas duas regiões, a situação é especialmente difícil no Território de Krasnoyarsk e na Região Autónoma de Khanti-Manssiysk, também na Sibéria.

O ministério alerta para a possibilidade de novos incêndios em cerca de dez regiões siberianas, assim como nas regiões de Kurgan (nos Urais) e Yaroslavl (Rússia central).

EM FOCO NA IMPRENSA RUSSA

Rossiyskaya Gazeta, Novie Izvestia

Dmitry Medvedev interveio no Fórum Jurídico Internacional em São Petersburgo

O presidente Dmitry Medvedev discursou na sessão plenária do primeiro Fórum Jurídico Internacional, realizado em São Petersburgo no passado 20 de Maio. A sua intervenção tive como tema “O Direito como instrumento de desenvolvimento seguro e inovador do mundo global”, escrevem os jornais Rossiyskaya Gazeta e Novie Izvestia.

Medvedev declarou que “os tribunais são sempre a base e a garantia do Estado de direito. O respeito pela lei e a defesa dos interesses justos dos cidadãos são impossíveis sem um eficaz sistema judicial”.

“Mesmo as melhores leis não funcionarão e serão simples declarações de intenções se as instituições judiciais não actuarem ou se os procedimentos institucionais forem demasiado suaves ou duros”, disse.
“As deficiências na aplicação das leis, a falta de respeito pelos tribunais e a corrupção não são unicamente percepções subjectivas da sociedade, mas são basicamente factores macroeconómicos que travam o crescimento da prosperidade do país”, afirmou o dirigente russo.

Medvedev destacou as mudanças positivas no sistema judicial russo que, na sua opinião, se tornou mais aberto e acessível aos cidadãos, e declarou que nos últimos anos a Rússia fez algum progresso na formação de um Estado de direito. No entanto, admitiu que ainda existe muito para fazer nesta área.
O presidente da Rússia advertiu que a corrupção é um dos factores que trava o desenvolvimento da Rússia.

Rossyiskaya Gazeta

2012: Putin e/ou Medvedev? (Continuação)

É possível que o próprio cenário da “tandemocracia” (nome dado à estratégia de Putin quando apoiou Medvedev para presidente e esse o apoiou para o cargo de primeiro-ministro) e de seu crepúsculo em 2012 não tenham sido pensados totalmente e em detalhes em 2008. Talvez a própria vida tenha trazido alterações inesperadas a tal plano. Por exemplo, não está claro se os dois políticos contavam com factores da política moderna como a fadiga do eleitorado em relação a uma longa indefinição, mesmo tratando-se das figuras políticas de maior sucesso.

A mentalidade do homem moderno é construída de tal forma que ele precisa de um desenvolvimento progressivo, de notícias todos os dias, ainda que pequenas, mas diferentes. Ele quer que na política, tal como na TV, haja novas histórias constantemente. As sondagens já apontam que 25% dos russos prefeririam que nem Putin, nem Medvedev fossem candidatos às eleições de 2012. Amadurece na sociedade a necessidade de uma nova ordem.

E parece que o principal problema hoje não é exatamente qual dos dois concorrerá, mas qual será a mensagem principal de um novo mandato presidencial deles. Talvez a nova mensagem seja que ambos se candidatarão às eleições. Isto, apesar das preocupações de muitos, não vai conduzir a uma divisão perigosa da elite em dois campos irreconciliáveis, mas, pelo contrário, permitirá que estabilizar todo o sistema que está a passar agora por algumas dificuldades com a crise mundial e a evidente estagnação do programa de modernização do país. A campanha competitiva de Putin contra Medvedev, que começa a focar as diferenças individuais não-essenciais entre eles (e parece que eles não têm diferenças essenciais), permitirá preservar a integridade do curso estratégico de desenvolvimento do país como um todo, manter e estabilizar relativamente o sistema sócio-político.

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