O “Lixo”

No mês passado foi realizado um ciclo de formações para os funcionários do setor de salubridade sob o tema “Gestão Integrada de Resíduos: Princípios e Boas Práticas”. Nos próximos artigos apresentar-se-á um breve resumo dos conhecimentos transmitidos.

O “lixo”, como vulgarmente são designados os resíduos sólidos urbanos, representa quase sempre aquilo que se deita fora, isto é, o “lixo” é tudo aquilo que resulta da atividade humana que por diferentes motivos deixa de ter utilidade. No entanto, é necessário distinguir os diferentes “tipos de lixo”, uma vez que as suas caraterísticas a isso obrigam. A evolução dos tempos tem vindo a introduzir materiais que outrora não existiam no planeta e que, face às suas propriedades, são hoje fonte de um problema cada vez mais preocupante e que obriga a uma atenção especial na forma como se lida diariamente com “aquilo que se deita fora”.

O crescimento da economia que se traduz na criação de riqueza, no aumento de rendimentos e na esperada melhoria das condições de vida da população, implica também o aumento da entrada de produtos e bens, que com fim do seu período de vida útil, passam a “lixo”. O contexto insular de São Tomé e Príncipe obriga a uma reflexão mais aprofundada sobre a importação de produtos dadas as dificuldades acrescidas na movimentação de mercadorias e a necessidade da autossuficiência do País no que respeita à correta gestão de resíduos.

No campo da responsabilidade é também importante referir que com o aumento das importações há também a necessidade de implicar, além do detentor dos resíduos também o produtor, ou seja, é necessário responsabilizar o fabricante ou importador, cuja atividade económica é responsável pela introdução de produtos no mercado que mais tarde terão de ter um destino adequado, incentivando a utilização de materiais com menos impacto ambiental e por consequência mais fáceis de gerir.

Um exemplo da importação de materiais sintéticos é o caso do plástico, um material recente e inexistente na Natureza. Trata-se de um polímero fabricado à base de petróleo que o torna num material de difícil degradação e cujos aditivos implicam a libertação de compostos tóxicos e o consequente envenenamento da cadeia alimentar se nada for feito. A livre comercialização desses produtos tem vindo trazer consequências graves ao nível da contaminação dos mares, havendo atualmente várias toneladas de sacos de plástico a flutuar no Oceano Pacifico e Mar Mediterrânico. A acumulação desses materiais tem vindo a acentuar o número de casos de morte de animais por ingestão acidental, por serem confundidos por comida.

Assim considera-se que as sociedades modernas têm hoje uma responsabilidade acrescida no que respeita à gestão de resíduos, função da introdução de novos materiais e da maior complexidade dos processos produtivos, pelo que se torna fundamental uma atuação eficaz em prol de um desenvolvimento sustentável.

Artigo escrito no âmbito do projecto “Consolidação do apoio às Câmaras Distritais para a implementação de um sistema regular de recolha dos resíduos sólidos” executado pelas ONG’s ADAPPA, ALISEI, FCJ e MARAPA com o apoio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento.

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    Tio Castro Responder

    Isso é só uma gota no Oceano das intenções concretizadas desse povo.
    Queremos mais….
    O povo grita à cada dia AI,AI ai ai ai…
    Socorrooooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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      Matteo Marcone Responder

      A recolha do lixo nao pode ser feita sò com o dinheiro do resto do mundo…o povo quer mais mas nao quer comparticipar. ajuda nao serà para sempre.

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    Pateta Responder

    Esse país em si, já é um lixo….

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    João Vaz Responder

    O texto deverá conduzir a uma reflexão sobre os nossos atos de consumo. Precisamos de tanta embalagem ? tantos plásticos ? e se produzissemos mais em São Tomé e importássemos menos ?

    Parabéns ao Simão Dias e aos seus colaboradores.

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    Virtual Responder

    O artigo alerta as sociedades modernas para a questão dos resíduos!
    Agora pergunta-se, São Tomé e Príncipe tem uma sociedade moderna?

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    José Calvo Responder

    Bom artigo, parabéns Simão

    Gostaria de dizer que mais do que o problema do lixo, é necessário reflectir sobre o papel das comunidades humanas, na sua interacção com o meio. O modelo imposto pelos Europeus criou comunidades (cidades, vilas, aldeias) que consomem tudo à sua volta e em troca apenas libertam venenos, como parasitas que consomem sem dó nem piedade os seus hospedeiros. É necessário criar comunidades capazes de interagir com o meio em volta, criando um ciclo natural de dar e receber. Se isso for feito, perceberemos que o “lixo” não é inútil e que pode ser convertido em matérias úteis e até economicamente rentáveis para quem o souber aproveitar.
    Muitas sociedades humanas antigas tinham consciência desse papel, mas infelizmente a actual “sociedade moderna” inverteu a lógica de valores e está a destruir cada vez mais a natureza.
    Todos temos um papel importante a desempenhar na mudança de mentalidades que se impõe. Vamos lá lutar por ela.
    Um abraço

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