A familia jójó está maior…

Podem ter nomes diferentes mas o propósito é o mesmo – depositar o “lixo” – e aos poucos estão-se a tornar num equipamento público de uso cada vez mais frequente. No entanto o reconhecimento da sua importância é ainda reduzido.

Contentores, baldões, baldes e papeleiras não são mais do que recipientes à disposição da população para a deposição do “lixo”. A sua utilidade pode até parecer reduzida mas trata-se de um equipamento imprescindível para que o “lixo” possa chegar facilmente a um destino final adequado. Apesar de atualmente não estarem reunidas todas as condições para que isso aconteça, a melhoria é inquestionável e a generalidade dos distritos oferece hoje mais condições de salubridade.

Uma das causas para essa melhoria, tem a ver com o aumento gradual da disponibilidade desse tipo de equipamento público ao serviço da população. Os contentores estão hoje presentes em várias localidades do território e os resultados são visíveis, para o bem e para o mal.

Na cidade capital, são perto de 200 contentores, cuja tipologia se divide entre contentores com capacidade de 1100 litros, 1800 litros (fixos) e tambores reutilizados de 210 litros. Noutros distritos reinam os contentores mais pequenos de 120 e 240 litros, ambos com rodas, assim como os tambores de 210 litros ou “meio-tambores” com metade da capacidade. No e entanto e com o evoluir da situação os contentores irão naturalmente crescer em número, mas e em tipo será também necessário? Julga-se que não. Quanto maior o número de tipologias existentes possivelmente mais necessidades de recolha terão de existir. A médio-longo prazo, o sistema de gestão de resíduos deverá definir o tipo de contentores e isso incluiu eventuais esquemas de valorização de resíduos.

A situação nos distritos de Cantagalo e Lobata é hoje menos positiva uma vez que parte dos contentores que a Câmara Distrital possuía, foram desviados por particulares ou danificados de forma mais ou menos irremediável. As tampas e rodas são os elementos a desaparecer do contentor, com especial enfase para o caso das rodas, sendo as crianças os primeiros suspeitos apontados mas até ao momento, poucos são os casos onde tal se tenha verificado.

Importa portanto sublinhar que, além da necessidade de um comportamento cívico adequado por parte da população, é fundamental que as entidades responsáveis tomem os equipamentos públicos como bens essenciais a preservar, tomando medidas que previnam os problemas mas também que os corrijam sempre que há necessidade. Sem isso, a melhoria não será possível e a degradação dos equipamentos mais rápida que o estimado. E de novo, a falta de financiamento poderá ser um obstáculo que faça retroceder tudo aquilo que foi conseguido.

Artigo escrito no âmbito do projecto “Consolidação do apoio às Câmaras Distritais para a implementação de um sistema regular de recolha dos resíduos sólidos” financiado pela AECID e executado pelas ONG’s ADAPPA, ALISEI, Fundação da Criança e Juventude e MARAPA

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    João Responder

    A família jojo está maior porque Delfim Neves já é doutor.
    João

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    luisó Responder

    jójó?
    mais uma importação de portugal.
    este é o nome porque é conhecido este tipo de contentor por todas as crianças no pré-escolar e no escolar em portugal, que fazem parte da disciplina de cidadania e meio ambiente.
    já estão a querer aprender alguma coisa mas ainda falta muito.

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      Simao Dias Responder

      Caro Luisó,

      O nome Jójó foi atribuído no âmbito da entrega de contentores para a zona de Pantufo há já vários anos. Na altura sem nenhum conhecimento sobre o que se passaria em Portugal.

      Portanto não se trata de nenhuma importação de Portugal.

      Cumprimentos
      Simão Dias

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    Fela di bé Responder

    Meu caro redactor do texto,

    Chamo a si, porque sei que os ditos responsáveis, ou “decisores” estarão menos interessados em vir cá ler o que se comenta a propósito desses artigos publicados no âmbito do designado “Consolidação do apoio às Câmaras Distritais para a implementação de um sistema regular de recolha dos resíduos sólidos”.

    Na minha humilde opinião, um dos maiores problemas do nosso país é que se faz cópia de forma errada daquilo que são instrumentos utilizados noutros países. Pois, parte-se sempre do pressuposto que se um parceiro ensinou ou faz assim, é assim que deve ser! E prontos! Pois, senão vejamos, não é a primeira vez que se coloca tais contentores no nosso país! Os resultados foram sempre desastrosos e vão continuar a ser. Mas, porquê que terá de ser sempre assim? Resposta simples, porque os “decisores” nunca decidiram inovar. Para se encontrar uma solução mais adequada no caso do lixo em STP (óbvio, Príncipe também!) a solução tem de ir ao encontro aos meios disponíveis, as formas de produção de lixo existente (quem produz mais e quem produz menos, aonde é que esses valores se concentram, etc.), que tipo de lixos são produzidos, entre outros. Deixemos de copiar por copiar, inovemos nas soluções e vamos copiar bons exemplos porém, devemos saber transpor para a realidade são-tomense.

    Cumprimentos,

    Fela di bé.

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      Simao Dias Responder

      Caro Fela di bé,

      Antes de mais permita-me agradecer o seu comentário. Um dos objetivos da publicação de artigos na comunicação social tem a ver com a necessidade de colher as várias opiniões e sugestões da população.

      Daí que e fazendo a ponte para a sua observação, os artigos apresentados não se destinam apenas aos decisores mas a todos os santomenses, por se considerar que só com uma população informada e sensibilizada, é possível fazer progressos seja em que área for.

      Em relação ao problema que apresenta sobre a cópia e a falta de inovação, permita-me também argumentar que a inovação não surge, mas trabalha-se de forma ardua, todos os dias, por pessoas capazes inseridas num serviço organizado. Ora, como saberá, a generalidade das Câmaras Distritais – entidades responsáveis pela gestão de resíduos sólidos urbanos no País – têm ainda baixos níveis de organização e o seu pessoal tem fracos conhecimentos sobre o sector. Um dos principais constrangimentos, como saberá também, prende-se com a prestação de um serviço – público – cuja recuperação de custo quase que não existe. E sem financiamento não é possível investir, seja na capacitação das pessoas, seja nas necessidades materiais ou outras, ou mesmo no reforço da organização da instituição.

      A inovação que fala, até foi apresentada no âmbito do Plano Nacional de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Urbanos entregue ao Ministério do Ambiente há alguns meses atrás. Nesse documento, está lá a inovação de como gerir os resíduos em STP de forma inteligente, trabalhando no sentido da valorização económica, na homogeneização territorial de forma a integrar os vários distritos numa única solução, entre outros aspetos.

      Em relação ao problema dos contentores e o fracasso que fala. Permita-me discordar mas considero que não é verdade que os resultados tenham sido um fracasso. Um exemplo é que a cidade capital está hoje melhor do que o que estava há uns anos atrás. Mas também é verdade que é tudo ainda muito frágil porque… não se paga o serviço. Entre outros fatores, os importadores ainda não são responsabilizados pela entrada de produtos que um dia mais tarde serão “lixo”. Mesmo fora da cidade existem outros bons exemplos. Um sugestão, experimente ir a Monte Café e perguntar às pessoas como está a limpeza na comunidade. A Câmara Distrital hoje assegura a recolha de resíduos, sabendo-se que ainda não é suficiente, as pessoas estão mais consciente e mais responsáveis. Mas claro que nem tudo é um mar de rosas, existem vários problemas, mas não é verdade que se esteja a copiar o que se faz lá fora. Veja o exemplo dos GIME. Além da limpeza das estradas, asseguram também a limpeza em algumas comunidades, onde está a cópia aí? Eu não vejo.

      Há mais de dois anos que as ONGs ADAPPA, ALISEI, MARAPA e FCJ têm vindo a trabalhar de forma continua e local – e árdua se me permite – sobre o problema da gestão de resíduos em São Tomé e Príncipe, tendo sempre em conta os constrangimentos do País na perspetiva da sua resolução, autónoma e sempre local, pelo que a cópia do que se faz lá fora, não é certamente uma observação justa ou sequer verdadeira do trabalho realizado.

      Com os melhores cumprimentos,
      Simão Dias
      Coordenador do projeto de apoio às Câmaras Distritais e redator do texto.

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