Sociedade

Uba Budo tem novos vazadouros comunitários

Apesar de em tempos ter já existido vazadouros comunitários para a deposição do “lixo”, a situação estava já descontrolada há vários anos. No entanto desde a semana passada que, Uba Budo se juntou a outras comunidades que possuem um destino final adequado para a deposição dos resíduos sólidos.

A iniciativa juntou alguns elementos da comunidade, o agrupamento GIME nº 18 e a Câmara Distrital de Cantagalo, tendo em vista a melhoria das condições de salubridade de cerca de 430 pessoas. Neste sentido e no âmbito do projeto “Consolidação do apoio às Câmaras Distritais para a melhoria do sistema de recolha de resíduos sólidos” realizado pelas ONGs ADAPPA, ALISEI, FCJ e MARAPA, com o financiamento da cooperação espanhola (AECID), foram abertos dois vazadouros comunitários.

Em Uba Budo, existem agora dois vazadouros, um maior, dimensionado para um ano de utilização e outro menor, tendo em vista servir a população no outro extremo da comunidade. A correta utilização do vazadouro permitirá o aumento do seu período de vida útil, nomeadamente através da valorização da parte orgânica biodegradável, ou seja, restos de comida e de jardim, que podemos ser facilmente devolvidos à Natureza, enriquecendo-a no processo. O envolvimento comunitário foi constante desde o primeiro momento, tendo o GIME assegurado a abertura do vazadouro maior, dada a dificuldade da tarefa – remoção de cerca de 200 m3 de terras – e alguns elementos da própria comunidade assegurado a abertura do menor.

A manutenção das condições de salubridade em qualquer comunidade ou ajuntamento de pessoas obrigam à definição do destino final para os resíduos produzidos. Os efeitos resultantes da libertação descontrolada de resíduos são vários, sendo de salientar a proliferação de insetos, como mosquitos, responsáveis pela ocorrência de malária no País. Também a crescente contaminação do solo e água, assim como a degradação da paisagem, são aspetos que têm vindo a adquirir cada vez maior importância.

Na ausência de um sistema de recolha organizado, o enterramento do “lixo” deve ser tomado como a solução mais apropriada, em contraposição com a queima a céu aberto, que face à existência de diversos tipos de materiais, como plásticos, implica efeitos negativos para a saúde, dada a libertação de gases tóxicos e cancerígenos.

Anselmo de Andrade, Colónia Acoreana, Mato Cana, Santa Cecília, e mais recentemente, Uba Budo, são exemplos a seguir, pois nessas comunidades o “lixo” tem o seu lugar.

Simão Dias

Artigo escrito no âmbito do projeto “Consolidação do apoio às Câmaras Distritais para a implementação de um sistema regular de recolha dos resíduos sólidos” financiado pela AECID e executado pelas ONG’s ADAPPA, ALISEI, Fundação da Criança e Juventude e MARAPA

    4 comentários

4 comentários

  1. Helves Santola

    28 de Julho de 2011 as 0:14

    Muito bom saber que existe esse espírito de equipa e de cooperação dos moradores com a Câmara distrital…é disto que nós precisamos, mas em todas as áreas e que aconteça em todo o país…..abraços.

  2. Lucas

    28 de Julho de 2011 as 9:45

    Alguém pensou nas degradações ambientais que isto vai causar?
    Não sou contra o vazadouro mas, existe outras técnicas de depósito de lixo com menor impacto ambiental. Temos que parar de dar um jeito e buscar soluções adequadas aos problemas.

  3. Fela dí bê

    28 de Julho de 2011 as 11:43

    “(…) desde a semana passada que, Uba Budo se juntou a outras comunidades que possuem um destino final adequado para a deposição dos resíduos sólidos.”

    Meu caro, Simão Dias, brinca bem… Aonde é que tiraste essa conclusão!!? Vazadouros (valas a céu aberto) considerados de destino final adequados de lixo? Isso será mais um “lixão” descontrolado, onde certamente irá lá parar qualquer coisa sem uso, obviamente sem controlo nenhum.

    A questão do lixo em S. Tomé não passa só por abrir valas ou mesmo construir aterros sanitários (até quando um aterro?), passa também pelo reconhecimento que alguns materiais são reaproveitados. Aliás, não se tem hábito disso, e duvido que haja meios para tal de se fazer qualquer triagem dos materiais antes serem dispostos ao nesses lixões.

    Não atire palavras para os nossos olhos, caro Simão Dias, estamos atentos ao sofismo das escritas…

    Bem haja…

    Fela dí bê..

  4. Simão Dias

    31 de Julho de 2011 as 21:57

    Caro Fela di bê

    Antes de mais agradeço a atenção que dedicou à noticia, no entanto não posso concordar com as suas observações, pelo que vou tentar esclarecer algumas das incorreções referidas.

    O vazadouro, tal como o próprio nome indica, é um local definido para a deposição final de resíduos. Na sua ausência, os resíduos são pura e simplesmente despejados nos quintais, no mato, nas grotas, nas bermas das estradas, etc, etc e porquê? Porque não existe um local definido para a sua deposição. Por oposição uma lixeira são todos os locais que, não tendo sido definidos para tal, passaram a sê-lo devido à acumulação de resíduos nesses pontos. O Fela di bê experimente parar umas centenas de metros a seguir à Boca do Inferno (no sentido S Tomé-Santana), para ver o triste cenário que o muro de proteção da estrada esconde. Do outro lado verá, uma cascata de lixo até ao mar! E porquê? Porque ainda não existe um destino final adequado. O que será melhor, ter um espaço definido – sabendo que a deposição de resíduos implica sempre riscos para a saúde e ambiente – ou não ter e deixar que o lixo pura e simplesmente se acumule na paisagem de forma descontrolada e selvagem? Não esquecer que, diariamente são produzidas e libertadas no País, toneladas de resíduos na paisagem e como tal o problema deve ser abordado hoje, de forma a que as gerações vindouras não tenham de pagar uma dívida com juros elevadíssimos.

    De resto estamos de acordo que “a questão do lixo não passa só por abrir valas ou construir aterros”, aliás em lado nenhum no artigo se refere que a solução passa só por aí. Se ler com atenção, verificará que a valorização é referida como um ponto extremamente importante, apesar não ser esse o assunto da noticia.

    Por último apenas gostaria de acrescentar que, tal como se refere no artigo, a solução do vazadouro comunitário é uma solução adequada quando não existe um sistema de recolha que possa servir a população, como é o caso de algumas comunidades isoladas. A queima do lixo a céu aberto – um habito antigo e ainda difundido como uma opção correta no destino final de resíduos – já não pode ser usado como noutros tempos, pois a presença de materiais plásticos, implicam a libertação de dioxinas e outros gases tóxicos e/ou cancerígenos.

    Com os melhores cumprimentos,
    Simão Dias

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