A SuperConstellation de São Tomé, um exercício de memória histórico

A Associação Caué-Amigos de São Tomé e Príncipe junto a outras entidades nacionais e internacionais, e pessoas individuais, tem relançado a campanha de reconhecimento da memória histórica e de valorização do patrimônio são-tomense, por meio da recuperação da singularidade dos dois aviões Lockheed L1049H SuperConstellation, os restos dos quais ainda permanecem junto às pistas do aeroporto internacional de São Tomé.

Aqueles aparelhos, junto aos seus tripulantes e pessoal de apoio tomaram parte ativa na ponte aérea de ajuda humanitária durante a Guerra do Biafra (1968-1970), como parte do operativo organizado pelas igrejas mundiais (Joint Churches Aid). Os impactos dos antiaéreos recebidos durante essa ponte aérea ainda podem ser visíveis, assim como adivinhar a sua origem longínqua pelos emblemas e letras (Canairelief, JCA, Kebec, Nordair) que destacam sobre a cor azul-céu da sua fuselagem.

Na atualidade os dois aviões estão situados dentro do recinto do restaurante e jardim “As Asas do Avião”, ponto de boa cozinha de mercado que dirige o conhecido empresário David de Mata. Graças à atividade desse estabelecimento foi possível deter a degradação dos aparelhos e dar-lhes novas utilidades, compatíveis com a necessária preservação do património histórico nacional.

No passado Junho, se publicou sobre esse tema novos artigos na revista especializada “Sàpiens”, de Barcelona (“El somni trencat de la Guerra de Biafra”, o “Sonho estragado da Guerra do Biafra”, reportagem dirigida pelo jornalista Xavier Montanyà, http://www.sapiens.cat), e também na imprensa são-tomense, sobre esse triste episódio da história recente de África, que foi muito vivida pelos cidadãos/dãs e residentes em São Tomé nessa altura.

Pode-se consultar as versões em língua portuguesa dos artigos publicados recentemente nos números do passado Junho do “Correio da Semana” e no site da Associação Caué, que inclui além do artigo do geógrafo Xavier Muñoz “Biafra e a ponte aérea de São Tomé”, umas interessantíssimas entrevistas, conduzidas pelo próprio Xavier Muñoz e pelo jornalista Juvenal Rodrigues, ao comandante Sr. Axel Duch, dinamarquês, diretor de operações de vôo em 1968; e ao Sr. Alfredo Trindade -mais conhecido como “Sr. Trindade”-, são-tomense, mecânico e aviador; ambos dois honoráveis protagonistas da história que nos dão a sua particular perspectiva. Acesso aos documentos no link: http://saotomeprincipe.eu/caue_projetos/caue_activitats/caue_biafra2011.htm

Nas próximas semanas vão organizar-se alguns encontros para alimentar ainda mais essa memória histórica contemporânea, ao redor das “Asas do Avião”, com os seus protagonistas, e também na celebração de um ato público muito provavelmente o próximo dia 1 de setembro, na Casa das Artes, Criação, Ambiente e Utopias (CACAU), da Cidade, com a projeção de um documentário e a mostra de outros materiais gráficos, facilitados pelo Fundo de Documentação dos Amigos de São Tomé e Príncipe em Barcelona.

O objectivo dessas acções é a sensibilização sobre o valor histórico dos dois SuperConstellation que ainda mantêm-se em pé (aos que dever-se-ia elevar à categoria de monumento histórico nacional, e, por tanto, catalogá-los como  de património físico da República), assim como demonstrar a actualidade de uma visão geoestratégica de São Tomé e Príncipe como centro activo, saudável, humano, hospitalar e seguro na região do Golfo da Guiné; um lugar onde se foi capaz de organizar um dispositivo de tal magnitude como aquela, e que, no futuro, poderia-se capacitar para fazer ainda mais (centro de negócios, centro estratégico de atenção de saúde, centre de congressos e convenções internacionais, centro logístico, lugar de alto valor em ecoturismo e turismo cultural, etc, etc).

Agora os pesquisadores dessa iniciativa estão à procura de novos testemunhos que ajudem a incrementar a informação disponível sobre como se desenvolveu a Cidade de São Tomé e os seus cidadãos, em relação à actividade gerada por essa circunstancia histórica. Procura-se, pois, testemunhos vivos daqueles tempos.

Para entrar em contacto com os responsáveis da iniciativa e apanhar mais informação, os interessados/das podem dirigir-se à direcção das “Asas do Avião” (T. 2226950), ou à Associação Caué-Amigos de São Tomé e Príncipe (email: asscaue@saotomeprincipe.eu ou T.M. 9925181). Para o provável ato no CACAU, é preciso consultar a sua programação nos próximos dias.

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    Helves Santola Responder

    É…e com a valorização desse patromónio é possível até incrementar as atrações turísticas do país, mais história…eu desconhecia a origem dakele avião e me surpreendeu bastante saber do serviço que ele prestava. Abraços

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    Xavier Responder

    São dois os SuperConstellation que há em São Tomé, não apenas um… Por tanto, mais valor ainda!

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    Tira Saia Responder

    Muito bem. Velhotes tem historia a falar disso

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    s.tome Responder

    David da mata empresário?
    Epresario de que?
    Tudo o que ele tem é dos angolanos.
    ele é apenas empregado de um banco.
    e que empregado………

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