Presidente da Geórgia pensava que a Rússia tinha tanques ferrugentos

Quando se assinalou mais um aniversário do conflito armado na Ossétia do Sul, a oposição da Geórgia revelou o erro de cálculo do Presidente Saakachvili. Este pensava que os tanques russos estão enferrujados e deu o passo em falso.

  • Saakachvili pensava que a Rússia tinha tanques ferrugentos
  • Detenção de Timochenko colocou as autoridades da Ucrânia numa situação complexa
  • Presidente Barack Obama concedeu entrevista a vários meios de comunicação russos: a agência ITAR/TASS, o canal de televisão “Rossia 24” e o jornal “Gazeta Russa”
  • Rússia foi autorizada a extrair ouro no fundo do oceano Atlântico

Saakachvili pensava que a Rússia tinha tanques ferrugentos

Moscovo, 8 de Agosto – NTV.ru.

A líder da oposição georgiana, Nino Burdjanadze, declarou em entrevista exclusiva ao canal televisivo NTV que as relações entre Moscovo e Tbilissi não melhorarão durante o governo de Saakachvili. Na véspera do terceiro aniversário do conflito armado na Ossétia do Sul, Nino Burdjanadze, antiga dirigente do Parlamento da Geórgia e hoje líder da oposição, concedeu uma entrevista à emissora. Conversando com o correspondente do NTV, Roman Sobol, Burdjanadze falou sobre os acontecimentos daqueles dias, definiu o lugar da Geórgia no mundo contemporâneo, tendo ainda revelado os seus pontos de vista sobre as mudanças no país e as perspectivas políticas.

Burdjanadze falou também como muitas pessoas tentaram deter o presidente Mikhail Saakachvili antes do início do conflito, advertindo-o contra as suas consequências lamentáveis: tanto ela própria, como o Departamento de Estado dos EUA e o primeiro-ministro Vladimir Putin. Contudo, Saakachvili tomou uma decisão contrária – nas palavras de Burdjanadze, seguindo os conselhos dos seus partidários.

Nino Burdjanadze: “Havia pessoas que diziam que a Rússia tinha tanques ferrugentos, enquanto os nossos eram novos. Eu respondia que, talvez fossem ferrugentos, não sei, mas eram muitos, a Rússia tem muito mais tanques que nós podemos ter. Havia também aqueles que diziam que venceríamos numa noite. O mesmo dizia-me também Saakachvili.”

A líder da oposição tem certeza de que as relações russo-georgianas “não têm perspectivas” durante o governo de Saakachvili.

Nino Burdjanadze: A meu ver, com o governo actual na Geórgia, as relações russo-georgianas não têm de facto quaisquer perspectivas de melhorar.

Ao mesmo tempo, Burdjanadze teve dificuldade em responder quando a oposição irá ganhar força de modo a tomar o poder. Ao mesmo tempo, ela não duvida que isso acontecerá a seu tempo.

Nino Burdjanadze: Posso dizer com certeza que o poder na Geórgia irá mudar. Mas é muito difícil prognosticar os prazos, porque o poder actual tem enormes recursos. E estes recursos não são positivos.

Estes recursos estão ligados a enormes montantes de dinheiro, que nem sempre são limpos. Estes recursos estão ligados aos métodos de administração não democráticos, ao controlo dos meios de comunicação social, ao controlo do empresariado e à utilização de uma propaganda monstruosa contra os oponentes.

No fim da conversa, o correspondente do NTV perguntou à líder da oposição georgiana sobre a sua visão quanto ao futuro do seu país, o seu lugar no mundo e a política que Tbilissi oficial deve aplicar para voltar ao palco político.

Nino Burdjanadze: “A Geórgia deve aplicar uma política pró-georgiana, que subentende boas relações estratégicas de parceria com o Ocidente e, ao mesmo tempo, boas, normais relações com os vizinhos e, naturalmente, com a Rússia.

Não devemos separar-nos do contexto internacional que hoje, a meu ver, abandonámos. A Geórgia vive realmente num período de guerra fria. Todos os países, em primeiro lugar os Estados Unidos e a Rússia, deixaram de viver no período de guerra fria. A Geórgia, no entanto, continua a viver nele”.

Detenção de Timochenko colocou as autoridades da Ucrânia numa situação complexa

Moscovo, 8 de Agosto – RIA Novosti.

É pouco provável que a manifestação de protesto sem prazo fixo dos partidários de Yulia Timochenko, que começou após a detenção da antiga primeira-ministra da Ucrânia a 5 de Agosto, se transforme em distúrbios maciços, consideram peritos. O “potencial revolucionário” da situação em torno da detenção de Timochenko, acusada de abuso de poder na sequência da assinatura do acordo russo-ucraniano sobre os fornecimentos de gás, não é grande: os ucranianos estavam moralmente preparados para a potencial detenção da antiga primeira-ministra e já se acostumaram aos actos de protesto dos seus partidários. Contudo, a detenção colocou o actual poder da Ucrânia numa situação muito complexa, destacaram os interlocutores da RIA Novosti.

A oposição, liderada por Yulia Timochenko, considera a detenção como tentativa das actuais autoridades de ajustar contas políticas com a antiga primeira-ministra. A Administração de Viktor Yanukovitch rejeita a acusação da oposição de que o tribunal teria tomado a decisão de deter a antiga dirigente do Governo por encargo da direcção do país.

Entre os partidários de Timochenko não havia muitas pessoas dispostas a participar em manifestações em seu apoio: foi assim que Mikhail Pogrebinsky, director do Centro de Pesquisas Políticas de Kiev, comentou os acontecimentos do fim-de-semana. “As pessoas estão cansadas e desiludidas. Já se acostumaram à ideia de que a antiga primeira-ministra pode ser presa”, disse o perito em entrevista à RIA Novosti. O processo judicial sobre o contrato de gás continua desde o fim de Junho.

No acto de protesto frente à prisão Lukianovskaia, ondeYulia Timochenko está detida, participam na totalidade cerca de 200 pessoas.

O acampamento de partidários da antiga primeira-ministra foi cercado por agentes da Milícia: na noite para 7 de Agosto o Tribunal Administrativo de Kiev satisfez o pedido da Câmara da cidade e proibiu manifestações frente à prisão Lukianovskaia. Contudo, a situação parece ser bastante tranquila. Os oposicionistas organizaram as chamadas “recepções públicas”. “Durante 24 horas, recebemos pessoas no centro de Kiev. A decisão sobre a proibição de comícios não se estende aos locais de recepção organizados por deputados”, disse aos jornalistas o antigo vice-primeiro-ministro do Governo de Timochenko, Aleksandr Turtchinov.

“Yulia Timochenko obrigou com o seu comportamento as autoridades a detê-la”, aponta Mikhail Pogrebinsky.

As autoridades, contudo, “não deviam obrigatoriamente ceder à provocação”, diz o politólogo. A detenção de Timochenko colocou as autoridades numa “situação complexa”. “Criou-se uma situação única em que a Rússia e o Ocidente expressam posições idênticas do ponto de vista dos direitos humanos em relação à detenção da antiga primeira-ministra”, destaca Mikhail Pogrebinsky.

A 5 de Agosto, o MNE da Rússia expressou a esperança de que o julgamento de Yulia Timochenko seja justo e imparcial, ressaltando que os contratos de fornecimento de gás à Ucrânia estavam de acordo com as leis dos dois países. Os principais países do Ocidente, em particular, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a França, mostraram-se preocupados face à detenção da antiga primeira-ministra da Ucrânia. A encarregada dos direitos humanos na Ucrânia, Nina Karpacheva, também pretende solicitar que a detenção de Yulia Timochenko seja anulada.

Presidente Barack Obama concedeu entrevista a vários meios de comunicação russos: a agência ITAR/TASS, o canal de televisão “Rossia 24” e o jornal “Gazeta Russa”

Barack Obama respondeu às perguntas feitas pelo director-geral da ITAR/TASS, Mikhail Gusman, sobre a situação nos Estados Unidos, sobre a problemática da política interna e sobre o encerramento das operações militares no Iraque e no Afeganistão. Todavia, a tónica dominante da entrevista foram as relações entre os Estados Unidos e a Rússia. O dirigente norte-americano indicou que nos últimos dois anos tem sido realizado um grande trabalho para estreitar a cooperação no cenário internacional. Disse em particular:

“Acontece que eu havia começado a falar em “reinicialização” ainda quando era candidato a presidente. E logo depois das eleições me dirigi ao presidente Medvedev e estabelecemos os dois, no meu entender, uma parceria sobremaneira bem-sucedida no aspecto da “reincialização”. Por exemplo, o “Tratado para a Redução das Armas Ofensivas Estratégicas”. Se não tivesse sido assinado, não se teriam criado boas relações entre nós. Agora, temos uma comissão presidencial bilateral que trata de um amplo círculo de questões. Estamos a avançar de acordo com o cronogama para se poder concluir, por fim, ao cabo de 18 anos, o processo de admissão na Organização Mundial do Comércio. Existe também o “Acordo 123″, o qual torna possível nossa colaboração na esfera nuclear. Mantemos um diálogo importante em relação a vários assuntos relacionados com a defesa antimíssil”.

Barack Obama ressaltou o papel pessoal desempenhado pelo presidente e primeiros-ministro da Rússia no estreitamento das relações bilaterais, dizendo:

“Penso que o presidente Medvedev é um patriota convicto. Ele está a defender ferozmente os interesses russos. Todavia, ele também reconhece que o caminho para o florescimento da Rússia passa pela cooperação com o mundo exterior sobre uma base bilateral e uma base multilateral. Consequentemente, ele desfruta de ampla estima. E o primeiro-ministro Putin apoia plenamente o processo de “reincialização”. Como resultado de tudo isso, acho que nossas relações têm vindo a melhorar grandemente nos últimos dois anos”.

O presidente americano também definiu as linhas mestras da futura colaboração entre os dois países. Quanto ao nosso avanço futuro, julgo que a chave está na economia – predisse o presidente Obama. E continuou:

“O presidente Medvedev fala de modernização na Rússia. A Rússia possui um potencial colossal, e não somente graças aos seus recursos naturais e sectores extractivos como o petrolífero. Porque há também cientistas, matemáticos e engenheiros incrivelmente talentosos. Penso que o presidente Medvedev tem carradas de razão ao dizer que, se trabalharmos em comum, como parceiros, poderemos ampliar o comércio e então vocês poderão criar um análogo russo do Vale do Silício em que estará a ser criada mais-valia em sectores e tecnologias novas. Queríamos desde o início colaborar nessa esfera. É neste mesmo contexto que se situam, a meu ver, as relações entre as pessoas”.

EM FOCO NA IMPRENSA RUSSA

Rússia foi autorizada a extrair ouro no fundo do oceano Atlântico

Moscovo, 5 de AgostoBusiness FM

Trata-se da parte central do oceano Atlântico, onde, ao que se sabe, existem os maiores jazigos submarinos de ouro e cobre.

Quando o mundo inteiro sofre de crescente ansiedade devido a uma possível recessão, a altura para começar tais trabalhos não foi mal escolhida. Mas, por outro lado, a Rússia possui riquezas em locais mais próximos, considera Maxim Blant, analista de assuntos económicos da NEWSru.com.

“Nos próximos anos e décadas, a luta pelas matérias-primas no mundo será bastante séria porque a população mundial está a crescer (não falando dos países desenvolvidos) e as necessidades de matérias-primas serão cada vez maiores.

Por outro lado, suscita-nos grandes dúvidas de que forma a Rússia poderá explorar não só os seus próprios recursos mas também as riquezas dos oceanos mundiais.

Este último “pedaço” poderá vir a ser demasiado grande para a Rússia “engolir”. Os governantes não estão actualmente em condições de propor sequer uma adequada concepção de desenvolvimento da Sibéria Oriental e Extremo Oriente. E são precisamente as riquezas destas regiões que é necessário explorar”.

De acordo com as declarações de representantes do Ministério dos Recursos Naturais, citadas pelo jornal Kommersant, os trabalhos de prospecção no fundo do oceano Atlântico custarão ao Estado relativamente pouco, somente algumas dezenas de milhões de dólares. Mas se tratar de extracção, já não será tão simples, refere Boris Nikitin, dirigente da cátedra de Exploração de Jazigos Marítimos de Petróleo e Gás e presidente da Academia de Ciências Tecnológicas.

“Para tal, é necessário concentrar grandes recursos e capacidades, desde a construção naval até a equipamentos que permitam a extracção de minérios a tais profundidades.”

O afastamento geográfico da Rússia também deverá impulsionar a logística e as outras áreas ligadas à exploração das profundidades do oceano Atlântico. Uma vez que esta é uma questão séria – levará 5 anos no mínimo. Nós, mesmo na indústria de petróleo e gás ainda estamos atrasados em relação às profundidades que são exploradas no golfo do México”.

Para além do pedido da Rússia, o órgão internacional da ONU para regulação da exploração dos fundos oceânicos, aprovou igualmente os pedidos da China e dos países insulares Nauru e Tonga. Mas, segundo os analistas, é precisamente a actividade da China nesta área que empurra a Rússia a entrar na corrida à exploração geológica submarina.

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