Sociedade

MAKS-2011 apresentará últimas inovações da indústria aeroespacial mundial

É um dos temas do Boletim Informativo da Rússia.

  • MAKS-2011 apresentará últimas inovações da indústria aeroespacial mundial
  • O chefe do MNE do Irão chega a Moscovo para discutir programa nuclear
  • Tribunal reconheceu legítima recusa a registar partido Outra Rússia
  • Rússia não responderá às sanções da EU, mas apoiará Bielorrússia no quadro do Estado Unid
  • Moscovo em obras
  • O colapso da Europa, o liberalismo e as outras fobias dos russos….

MAKS-2011 apresentará últimas inovações da indústria aeroespacial mundial

Moscovo, 16 de Agosto – RIA Novosti.

Hoje, 16 de Agosto, abre a 10ª edição do Salão Aeroespacial Internacional MAKS na cidade de Jukovsky, nas imediações de Moscovo, em que serão apresentadas as últimas inovações da indústria aeroespacial militar e civil.

A maior atracção do segmento da aviação de combate será, sem dúvida, o caça russo de quinta geração PAK FA (T-50) que será apresentado pela primeira vez ao público. Os gigantes de construção aérea estrangeiros – a Airbus e a Boeing – exibirão os seus últimos sucessos – o maior avião de passageiros no mundo A380 e a aeronave de longo alcance Boeing-787 Dreamliner.

O Salão Aeroespacial MAKS-2011 irá decorrer entre 16 e 21 de Agosto na cidade de Jukovsky, na região de Moscovo. Os espectadores verão pela primeira vez o caça de quinta geração russo PAK FA em ar. O avião não será exibido num estacionamento estático, levando em consideração o grau elevado de secreto deste projecto. O PAK FA deve entrar em dotação da Força Aérea da Rússia em 2016. Actualmente, estão a ser ensaiados três aviões experimentais.

A companhia Sukhoy, em que foi elaborado o PAK FA, exibirá também todo o leque de aviões de combate da empresa – caças Su-35 e Su-30MR2 e bombardeiro de frente Su-34.

O chefe do MNE do Irão chega a Moscovo para discutir programa nuclear

Moscovo, 16 de Agosto – RIA Novosti.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Ale Akbar Salehi, chega hoje em visita de trabalho a Moscovo onde, como se espera, discutirá com o seu colega russo, Serguey Lavrov, os problemas ligados ao programa nuclear iraniano, comunica o serviço de imprensa do MNE da Rússia.

“As partes discutirão um amplo leque de questões do desenvolvimento das relações bilaterais, assim como a agenda regional e internacional actual, inclusive a regularização dos problemas ligados ao programa nuclear iraniano”, diz-se no comunicado do ministério.

A visita do ministro iraniano continuará até 17 de Agosto.

A Embaixada do Irão em Moscovo comunicou que no quadro da visita está previsto analisar “a dinamização do desenvolvimento das relações bilaterais, os problemas regionais e globais, assim como a recente proposta da Rússia referente à actividade nuclear pacífica do Irão”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguey Lavrov, apresentara em Julho uma proposta sobre a regularização gradual da situação em torno do programa nuclear iraniano. Nas palavras do ministro russo, tal atitude permitirá eliminar as dúvidas da comunidade internacional em relação à actividade da República Islâmica na esfera nuclear.

Os Estados Unidos e alguns outros países do Ocidente acusam o Irão de elaboração de armas nucleares sob a cobertura do programa pacífico. O Irão rejeita todas as acusações, afirmando que o seu programa nuclear visa exclusivamente satisfazer as necessidades do país em energia eléctrica.

O “sexteto” de intermediários internacionais para o programa nuclear iraniano, em que entram membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Rússia, China, EUA, França, Grã-Bretanha), assim como a Alemanha em conjunto com a AIEA, exigem que o Irão suspenda os trabalhos de enriquecimento de urânio que podem ameaçar o regime da não proliferação nuclear.

Em Junho de 2010, o CS da ONU aprovou mais uma resolução que prevê recrudescer as sanções em relação ao Irão. Esta é já a quarta resolução aprovada pelo Conselho de Segurança em resposta à renúncia do Irão a cumprir as exigências internacionais e a esclarecer algumas questões em relação ao programa nuclear iraniano, inclusive ao seu suposto componente militar.

Tribunal legitimou recusa de registar partido Outra Rússia

Moscovo, 16 de Agosto – RIA Novosti.

O Tribunal do bairro Zamoskvorechie de Moscovo não satisfez uma queixa dos representantes do partido Outra Rússia, na qual se contesta a legitimidade da decisão do Ministério da Justiça de não registar o partido, comunica a agência RAPSI.

Deste modo, o tribunal confirmou que a recusa de registar o partido foi legítima. Os representantes da Outra Rússia pretendem apresentar um recurso no Tribunal Municipal de Moscovo.

O congresso constituinte do Outra Rússia decorreu em Julho de 2010. No fim de Dezembro, os representantes do partido encaminharam os documentos para registo.

Em Janeiro de 2011, o Ministério da Justiça da Rússia recusou-se a registar o partido oposicionista, argumentando a sua decisão com o facto de as disposições dos seus Estatutos contrariarem a legislação federal.

Rússia não responderá às sanções da União Europeia, mas apoiará Bielorrússia no quadro do Estado Unido

Moscovo, 16 de Agosto – RIA Novosti.

A Rússia não irá reagir às sanções introduzidas pela União Europeia em relação a empresas bielorrussas, declarou ontem o primeiro-ministro da FR, Vladimir Putin, numa conferência de imprensa após a reunião do Conselho de Ministros da União da Rússia e da Bielorrússia.

“A Bielorrússia atravessará também estes problemas e processos turbulentos. Não duvido disso. A meu ver, para a Rússia não é racional reagir a acções de outros países. Mas, no quadro da integração, vamos apoiar com certeza a economia bielorrussa”, disse Putin.

Nas suas palavras, deste modo aumentam as possibilidades de fornecer artigos bielorrussos aos mercados da Rússia e do Cazaquistão. “As possibilidades para a venda de artigos bielorrussos nos mercados da Rússia e do Cazaquistão alargam-se sem dúvida após a introdução das regras da União Alfandegária e do Espaço Económico Único”, disse o primeiro-ministro russo.

“Quanto às sanções de carácter económico, considero que estas nunca podem ser eficazes. Pelo contrário, na maioria dos casos, produzem um efeito oposto ao esperado por aqueles que introduzem estas sanções”, destacou.

Nas palavras do primeiro-ministro da Bielorrússia, Mikhail Miasnikovitch, a introdução de sanções pela União Europeia em relação a uma série de empresas bielorrussas é sensível para a economia do país, mas não levará a quaisquer consequências negativas de envergadura.

“Naturalmente, isso é muito mal para a economia da Bielorrússia, porque se trata de grandes empresas… Devemos dar atenção ao desenvolvimento de outros sectores económicos, para compensar as possíveis perdas”, apontou Miasnikovitch.

Nas suas palavras, “muito mal que os políticos esgotaram os seus recursos e começam a pressionar as empresas”.

EM FOCO NA IMPRENSA RUSSA

RBK Daily

Líder das forças de direita propõe superar a crise através da aproximação à Europa

O empresário e líder do partido de direita Causa Justa, Mikhail Prokhorov, declarou que, para superar a crise, a Rússia tem que promover processos de integração com a Europa, aderir ao espaço Schengen e à zona euro, escreve o jornal RBK Daily.

Prokhorov está disposto a incluir esta proposta no programa eleitoral do seu partido, segundo ele mesmo anunciou esta quinta-feira, 11 de Agosto. O líder da Causa Justa propõe criar “uma grande Europa desde Lisboa a Vladivostok”, o que permitirá fortalecer o euro, tornando-o uma moeda auto-suficiente e independente do dólar.

A ideia de Prokhorov foi duramente criticada pelos seus opositores políticos, que defendem a ideia do desenvolvimento independente da Rússia e temem as consequências negativas da aproximação ao modelo económico europeu.

Os analistas também se mostram muito cépticos, considerando que o projecto proposto por Prokhorov é benéfico para a Rússia mas inviável nos próximos anos já que o país não reúne os requisitos para aderir à União Europeia.

Os politólogos assinalam que, com este programa, o líder das forças de direita tenta       atrair os eleitores. Com este mesmo objectivo, Prokhorov iniciará em Setembro um périplo pré-eleitoral pelas regiões da Rússia.

Kommersant

MOSCOVO EM OBRAS

Serguei Sobianin não pára de nos admirar com a envergadura das suas iniciativas.  Mas, por enquanto, são poucos os que se aperceberam de que a realização de alguns dos seus projectos significa a destruição dos resultados de outros.

A 9 de Agosto, Serguei Sobianin anunciou que vai destinar até 2016 mais de 700 mil milhões de rublos para o desenvolvimento dos serviços habitacionais. Por sua vez, o dirigente do departamento energético municipal, Evgueni Skliarov, acrescentou que nos anos 2012-2016 serão investidos 2,1 triliões de rublos no programa de desenvolvimento das infra-estruturas de gás, electricidade, aquecimento e esgotos.

Este montante servirá para substituir as redes existentes, construir novas, o que deverá fazer aumentar a qualidade dos serviços habitacionais e reduzir os acidentes e avarias nestas infra-estruturas.

Todas as indicações do presidente da Câmara são imediatamente realizadas e em grande escala (basta recordar o desmantelamento dos quiosques ou a pavimentação dos passeios) e, por isso, os trabalhos deverão iniciar-se assim que o dinheiro prometido chegue. Ora, como a questão financeira não parece ser um problema para autarca, podemos supor que Moscovo nos próximos cinco anos irá ver-se em grandiosas escavações: vão ser abertas valas para substituir as canalizações através das quais os moscovitas recebem água fria e água quente.

As “vítimas” das escavações serão inevitavelmente as ruas recentemente asfaltadas (este Verão, a renovação das ruas será especialmente intensiva) e os passeios recém-pavimentados. Estes terão que ser novamente arranjados e calcetados.

Quando os passeios forem pavimentados pela segunda vez, deverá chegar o momento apropriado para pensar nos grandiosos planos de Serguei Sobianin de alargar as ruas existentes, construir zonas para as paragens dos transportes públicos e mais passagens subterrâneas. Depois destes últimos trabalhos, haverá que calcetar novamente os passeios, no quadro do próximo programa municipal.

A principal característica da construção de estradas na Rússia é que, durante a reparação do pavimento, normalmente os colectores de águas pluviais são tapados com alcatrão e, quando se constroem estradas novas, frequentemente esquecem-se da necessidade da sua existência.

Quando há chuvas fortes, as ruas praças transformam-se em rios e lagos.

Haverá uma altura em que, depois da reparação dos passeios, do alargamento das ruas e da substituição das canalizações, o presidente da Câmara terá que se ocupar deste problema secundário mas que, mesmo assim, precisa de ser resolvido.

E, quase de certeza, isso implicará mais um programa de muitos mil milhões, digamos o “Programa Esgotos”. Mas, uma vez que os esgotos passam por baixo dessas mesmas ruas, passeios e tubagens, depois de terminado o “Programa Esgotos”, vão ser necessários mais programas “Estradas”, “Passeios” e “Canalizações”, após o que este círculo vicioso terminará definitivamente.

As estradas, passeios e canalizações são só uma pequena parte dos projectos existentes em Moscovo. Por exemplo, nas ruas da capital e nos pátios está actualmente a decorrer a construção em massa de rampas para deficientes.

Estas rampas também têm as suas características originais, muito próprias do nosso país: são construídas não rente à rua, mas sim desniveladas nuns 5cm, o que também exige uma certa destruição dos passeios recém-pavimentados. O número de projectos está sempre a aumentar mas é cada vez mais difícil estabelecer a sua sequência ideal.

Por isso, não podemos excluir que, a partir de determinado momento, os programas de Serguei Sobianin comecem a viver a sua vida própria, destruindo-se sem controlo uns aos outros e logo se auto-reproduzindo.

(http://www.kommersant.ru/doc/1685853?themeID=1278)

EM FOCO NA IMPRENSA RUSSA

Snob.ru

O colapso da Europa, o liberalismo e as outras fobias dos russos….

Vladimir Neveikin

Todos nós fomos testemunhas dos tristes acontecimentos na Grã-Bretanha e na Noruega. Por coincidência, estava na mesma altura a acabar de ler o último tomo da trilogia histórica de Aleksandr Ianov “A Rússia e a Europa”.

O que me deixou perplexo não foram os verdadeiramente lamentáveis factos ocorridos na vida social europeia mas sim a reacção a estes mesmos factos por parte dos nossos cidadãos, nomeadamente dos intelectuais, e o facto de esta reacção coincidir com o que a maior parte da intelectualidade do nosso país no século XIX dizia a propósito de acontecimentos semelhantes que tiveram lugar na Europa de então.

Nós voltamos a “sepultar” a Europa Ocidental e a sua democracia, com o seu odiado liberalismo. Nós voltamos a escrever que a “frouxa” política europeia “fracassou” e que, daqui a pouco, milhares de europeus abandonarão a correr as suas cidades, perseguidos por bárbaros imigrantes africanos e asiáticos alcoolizados.

Era mais ou menos assim que as nossas “mentes brilhantes” no século XIX escreviam sobre a “decomposição da Europa”, o seu colapso económico e, especialmente, espiritual. Refira-se Fiodor Tiutchev, Serguei Aksakov, Nikolai Danilevski, Aleksandr Nikitenko e até Fiodor Dostoievski, não falando já dos políticos dessa altura. Nesses anos, a “força maléfica” ainda não eram os imigrantes mas sim os próprios povos europeus, que “de forma tão irreflectida e leviana” abandonaram o absolutismo e caíram no vazio de poder e na irresponsabilidade da democracia, traindo desta forma o Antigo e o Novo Testamento com todas as suas revelações. Observando o espectáculo das massas revolucionárias, os tumultos e os debates democráticos em vez de acções duras, os pensadores russos auguravam uma rápida morte da “Europa democrática e o triunfo da autocracia russa, onde a vontade inflexível do imperador era apoiada pela fé cristã ortodoxa do seu povo”. Tudo isto está escrito em pormenor na obra de Aleksandr Lvovitch Ianov e não há necessidade de repetir.

Mas passaram mais de 100 anos. Já não existe nem a Rússia imperial nem o seu herdeiro na forma não menos poderosa (talvez até mais) de Estado totalitário da URSS, cuja ideologia durante mais 73 anos “fez o funeral”da democracia europeia juntamente com os seus valores “errados”. Todos os super-inflexíveis ditadores russos, com as suas “inquebrantáveis” verticais de poder, já passaram à História. Viu-se que o “bloco monolítico de comunistas e sem-partido” não foi mais forte do que a “união do czar e do povo”.

Pelo contrário, a Europa Ocidental, em constante reflexão, com a sua separação de poderes, direitos do Homem, filosofia libertária, o seu eterno vaguear humanístico e declínio moral, está viva e prospera até hoje.

Mais do que isso, ela até se uniu praticamente num único país, país que, segundo a nossa profunda convicção, não tem qualquer capacidade de continuar a existir, que está obrigatoriamente destinado a desmoronar-se, ao contrário da União Rússia-Bielorrússia, cujos líderes não “perdem tempo”.

Cada vez que, no pano de fundo da bem-sucedida mas “enjoativa” vida europeia, se verificam quaisquer acontecimentos negativos, aos olhos dos russos logo se reacende a esperança de que o “crepúsculo da Europa” certamente estará próximo. Afinal, não é em vão que temos sofrido e que nos temos sacrificado pelo nosso “caminho especial”, pela nossa soberania. Como dizia a canção de Vladimir Semenovitch, “não foi em vão que deitámos abaixo tantas árvores”.

O mais assustador é que este sentimento atinge imediatamente pessoas muito diferentes quanto às suas convicções. Se esta alegria maldosa pode ser facilmente compreensível entre os adeptos da “via especial russa” e de “formas soberanas de governação” (para os quais, a “irresponsável democracia” é desde o princípio uma pedra no sapato), já é perfeitamente incompreensível que reconhecidos cosmopolitas, ou seja, the real global Russians, se entusiasmem de forma tão infantil ao lerem as previsões sombrias dos futurólogos locais.

Tenho a certeza absoluta que a actual Europa irá ultrapassar estes tempos difíceis e encontrar mais uma vez as respostas para os novos desafios sociais e históricos no quadro do seu sistema social, tão frágil e, à primeira vista, tão insensato.

E nós, tal como há séculos, voltaremos a observar à lupa a vida europeia, tentando encontrar nela “sinais de colapso”, de forma a justificar perante nós próprios os nossos “sofrimentos históricos” e a pobreza das nossas ideias filosóficas, não obstante o seu brilho literário.

Se, de repente, na Europa Ocidental alguma vez cair um grande asteróide e a sua civilização realmente tiver um fim, antes de a “onda destrutiva” chegar à Rússia, todos nós haveremos de soltar um suspiro de alívio: “Não, não foi em vão que o nosso país viveu! É este o preço a pagar”

http://www.snob.ru/profile/10497/blog/39424?rp=fb

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