Comitê para a Proteção dos Jornalistas preocupado com Angola

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas está preocupado com o fato de as autoridades de imigração angolanas terem impedido Joana Macie e Manuel Cossa, dois jornalistas moçambicanos, de entrar no país na quinta-feira alegando falta de vistos adequados.

Comitê para a Proteção dos Jornalistas

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Angola nega entrada a jornalistas moçambicanos, ativistas do SADC

Mova York, 16 de agosto de 2011 – O Comitê para a Proteção dos Jornalistas está preocupado com o fato de as autoridades de imigração angolanas terem impedido Joana Macie e Manuel Cossa, dois jornalistas moçambicanos, de entrar no país na quinta-feira alegando falta de vistos adequados.

Os jornalistas estavam viajando para Angola via África do Sul e participariam como convidados de um workshop sobre análise econômica e de gênero, organizado pela escola de jornalismo sediada em Luanda Centro de Formação de Jornalistas e pela ONG da África do Sul Gender Links, disse ao CPJ o mediador do workshop e diretor da Gender Links, Eduardo Namburete.

O incidente ocorreu antes da Cúpula de Chefes de Estado e de Governo reunindo os 15 membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), agendada para esta semana em Luanda. Desde a semana passada, Angola negou a entrada de pelo menos 17 membros de ONGs da África meridional que participariam de um fórum da sociedade civil que seria realizado antes da cúpula e confiscou relatórios de ativistas de Zimbábue, segundo informações da imprensa. As autoridades repentinamente cancelaram o evento, que previa a discussão, entre outras coisas, de temas como governança, prestação de contas, liberdade de imprensa e acesso à informação –  campos em que Angola está aquém, como demonstra a pesquisa do CPJ.

“Estamos preocupados com a recusa das autoridades de imigração angolanas em permitir que Joana Macie e Manuel Cossa entrassem em Angola”, declarou o coordenador de defesa dos jornalistas da África, Mohamed Keita. “Pedimos ao governo angolano que explique o motivo de os jornalistas terem sido barrados e que permita a participação deles no evento”.

Macie, repórter do jornal moçambicano Noticias, disse ao CPJ que os agentes de imigração angolanos confiscaram seu passaporte sem nenhuma explicação e a levaram para uma sala com outros passageiros, inclusive o também jornalista Cossa, editor do jornal Magazine Independente, imediatamente após seu voo chegar a Luanda. Agentes angolanos forçaram os jornalistas e outros passageiros, incluindo vários representantes de organizações da sociedade civil da África meridional que chegaram para participar do 7º Fórum da Sociedade Civil SADC, a entrar em um ônibus e, depois, em um avião para a África do Sul, contou a repórter.

Três outros jornalistas moçambicanos que viajavam com Cossa e Macie – Hermínia Machel, da televisão estatal TVM, Orlando Ngovene da Rádio Moçambique, e Francisco Carmona, do semanário privado Savana – não tiveram a entrada negada, de acordo com informações da imprensa.

Em uma declaração divulgada na sexta-feira, três proeminentes organizações da sociedade civil do sul da África pediram aos líderes dos Estados membros da SADC que neguem a presidência rotativa da organização ao presidente angolano José Eduardo dos Santos, que deverá assumir o posto nesta semana, segundo noticiado pela imprensa. “Acreditamos que Angola não merece a presidência da SADC até que tenha resolvido seu déficit democrático interno, falta de transparência, e contínua repressão às vozes da sociedade civil”, diz o comunicado.

Na sexta-feira, Simão Milagres, porta-voz dos Serviços de Migração e Estrangeiros de Angola, foi citado no noticiário local ao informar que os jornalistas foram repatriados “devido à falta de vistos de entrada”, Milagres negou qualquer insinuação de que Cossa e Macie tenham tido a entrada rejeitada por serem jornalistas e disse que o incidente poderia ter sido evitado se a organização tivesse contatado o serviço de migração e estrangeiros angolano com rapidez.

Entretanto, cópias dos passaportes com Cossa e Macie que foram obtidas pelo CPJ mostram que ambos possuíam a concessão de visto temporário, idênticas aos dos outros três jornalistas, para estar em Angola de 9 a 16 de agosto.

A seção moçambicana do Instituto de Comunicação da África Austral emitiu um comunicado afirmando que a justificativa das autoridades angolanas para a deportação de jornalistas ficou abaixo dos padrões internacionais. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Henrique Banze, disse à Voz da América na terça-feira que o governo havia “tomado nota” do incidente.

https://www.cpj.org/pt/2011/08/angola-nega-entrada-a-jornalistas-mocambicanos-ati.php

O CPJ é uma organização independente sem fins lucrativos sediada em Nova York, e se dedica a defender a liberdade de imprensa em todo o mundo.

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    Hiost Vaz Responder

    Qualquer dia isso vai dar mal por parte das autoridades angolnas, eu mesmo vi uma insolida situaçao do genero em Cabinda Pai ou Mae a serem deportados e os filhos permanecerm no teritorio angolano sem presença de um ou outro encarregado, alguns mesmos acabarem de ficar sozinhos porque prenderam o pai ou a mae na praça a exercer actividade de venda enfim. o bom e que os angolanos sao bem vindos nas terras dos outros… eles que um dia esperam o trouco… bem haja.

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    Cicero Responder

    Mas os emigrantes em Angola que apoiaram Pinto não comentam? Têm vergonha? Ou não têm sequer acesso a net?

    Daqui há pouco vão ficar tb preocupados com STP. Por isso já começaram a enviar avisos expressos.

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    Mabutú Responder

    é sempre uma pena kuando as crianças pagam por aquilos que elas não fazem. Prender o pai ou a mãe para deixar seus filhos mal, é uma acção sem coinsciência por mais consequentista que seja. espero que tudo de bom corra com os jornalistas de todo mundo para que desempenham com eficácia sem destinção as suas funções, que acima do dinheiro, esteja o profissionalismo e a vontade do serviço ao povo. bem haja a todos…

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    Fernanda Alegre Responder

    Esta situação é muito complicada,espero que se resolva da melhor maneira possivel este mal entendido.Os jornalistas não caiem são pessoas com muita garra, por isso força vão em frente!

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