Kadhafi, o fim do Coronel

Já aqui passamos em revista os nossos testemunhos contra aquilo que entendemos ser o assassino de Muammar el Kadhafi pelo Ocidente e muito em particular os EUA, a Inglaterra e a França.

Não mudamos desse figurino apesar da nova nomenclatura que leva ao derrube do Chefe da Revolução Verde, aliás, na História da Humanidade, para a nossa consternação, não é prática conhecermos o registo de militares a frente das Nações em que as mãos duras não lhe sobem a cabeça com medidas sangrentas contra o seu próprio povo. Infelizmente!

Todos aqueles que, ao longo dos anos, puderem fotografar a Jamahiriya Árabe Líbia de Kadhafi de um lado e os interesses ocidentais pelo petróleo líbio do outro, facilmente as notícias que correm par a par com os rebeldes no assalto final a Trípoli (já lá vão cinco dias), não deixam dúvidas de que o mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas em defesa da população civil, que no mesmo dia, tornou-se na intervenção militar com bombardeamentos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) a invejável capital líbia, já produziu resultados com que confirmar a estratégia do mais forte.

Kadhafi no jogo da guerra fria já vestiu a farda de maior terrorista internacional a solta e não lhe faltaram crimes contra o Ocidente, mais tarde subsidiados pelo líder líbio na sua peregrinação de reencontro com os ocidentais que passaram a lhe venerar na luta contra o terrorismo islâmico. De diabo, Kadhafi, viu-lhe ser esticado o tapete vermelho ocidental.

A Primavera Islâmica como a experiência bélica já assim ditou atropelos aos princípios, o Ocidente não perdeu tempo de virar as costas aos seus mais poderosos amigos na travessia ao mundo árabe e ergueu a bandeira dos Direitos Humanos e com o direito ao diálogo com uns ou sem ele para com os outros, os fiéis aliados tornaram-se ditadores e nada mais que tirar o proveito e, dar o início a uma nova investida contra o Kadhafi.

Não vale a pena voltarmos aqui ponto por ponto com os sinais de desenvolvimento da Líbia que prometia até uma nova África aos africanos, nada bem acolhido pela geoestratégia da política internacional. Nisto, não nos cansemos de voltar ao caso sírio com mortes desenfreadas a subir os números para mais de dois mil mortos no tampão das balas assassinas e até da artilharia pesada do regime de Bashar al Assad que justifica a repreensão ao seu povo de “dever do Estado de proteger a segurança dos seus cidadãos e agir contra aqueles que violam a lei.” Com passos de caranguejo, o Ocidente esquecendo-se da mesma bandeira dos Direitos Humanos já vai, tardiamente, tentando mudar de discurso contra o amigo sírio.

Voltemos ao petróleo líbio.

Nos dias mais recentes, lemos a declaração de Abdeljalil Mayouf, gerente de comunicação da petrolífera líbia Agoco, que está nas mãos dos rebeldes líbios de que “não temos problemas com os países ocidentais, como as companhias italianas, francesas ou britânicas. Mas talvez tenhamos problemas políticos com a Rússia, China e Brasil (membros do BRIC) ”. A esta declaração junta-se a do Presidente do Conselho Nacional de Transição, o antigo Ministro da Justiça de Kadhafi, Mustafa Abdel Jalil, que afirmou esta semana de que os países da NATO “terão privilégios” a negociar com a Líbia no futuro. Recordemos que os BRIC, os chamados países emergentes, se abstiveram aquando da Resolução 1973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas de 17 de Março de 2011.

Soubemos ainda que “cerca de setenta e cinco empresas chinesas operavam na Líbia antes da guerra, envolvendo trinta e seis mil pessoas em cinquenta projectos. Companhias russas, incluindo as petrolíferas Gazprom Neft e Tatneft, também tinham projectos avaliados em biliões de dólares na Líbia nos negócios do petróleo, de gás, do caminho-de-ferro e do armamento. Empresas brasileiras como a Petrobras e a empreiteira Odebrecht também tinham negócios” com a Líbia de Kadhafi.

Por seu turno Aram Shegunts, director-geral da Câmara de Comércio Rússia-Líbia afirmou recentemente que “nós perdemos a Líbia completamente. Nossas companhias vão perder tudo porque a NATO vai evitar que elas façam negócios por lá.”

Do outro lado, os rebeldes treinados e armados pelo Ocidente, melhor, com o virar das páginas da História, que tudo não era mar de rosas com Kadhafi, as revoluções são isso mesmo, o Conselho Nacional de Transição (CNT), antes mesmo de ultrapassarem a última barricada de assalto final ao poder de Trípoli, a França já assinou com os beligerantes o controlo de um terço do petróleo líbio como que dizer do seu direito, “somos um terço no financiamento da força ocidental de bombardeamentos a Líbia, exigimos assim um terço de petróleo líbio”. Ponto final. Quanto ao doce petróleo líbio, estamos esclarecidos.

Os mortos não param de subir entre crianças. Os médicos não se cansam de pedir sangue e reforço de equipa médica na tentativa de salvar os que entram com vida nos serviços de urgência hospitalar. Enquanto isso, a NATO continua a sobrevoar o país a caça de bolsas de resistências de Kadhafi para largar as suas bombas mortíferas em teste nas operações bélicas longe do abençoado solo ocidental.

No nosso santo solo, esperamos pelo fim dos combates e pela prisão do “amigo” Kadhafi (apesar da cabeça neste instante rondar 1.1 milhões de USD) que deverá responder na justiça pelos crimes cometidos sem que os líbios deixem o Ocidente lhes ditar a pena como fizeram com o líder iraquiano Saddam Hussein. Também aguardamos pela decisão da União Africana que, perante os factos, dia mais dia deve reconhecer os vitoriosos da Revolução líbia, iniciada a 15 de Fevereiro e que conheceu o seu reduto em Benghazi, o Conselho Nacional de Transição, em termos óbvios a terminologia rebeldes passou para o lado da minoria, ou seja, os resistentes de Kadhafi, dizíamos, o CNT como interlocutores e legítimos representantes do povo líbio. Aliás, de Embaixada em Embaixada pelo mundo fora, já assistimos a substituição da bandeira Verde pela bandeira da Nova Líbia e alguns países africanos a adiantarem-se isoladamente na lista dos primeiros a reconhecer a legitimidade do novo poder na Líbia, o Conselho Nacional de Transição. São os chamados jogos da diplomacia.

Na nossa Terra Rumba, sem meio bélico para interferir na partilha do petróleo líbio, rezamos pela pacificação dos líbios e pelo Alá, aguardando que os novos responsáveis do Conselho Nacional de Transição, em nome de uma África moderna, reconheçam os nossos projectos de desenvolvimento nas mãos do gigante Magrebino.

A luta política que conduz à vitória de um candidato, com, por exemplo, 51% do conjunto de eleitores, conduz a um sistema ditatorial, mas sob um disfarce democrático. De facto, 49% dos eleitores passam a ser governados por um sistema que não escolheram e que, pelo contrário, lhes foi imposto. Isso é ditadura.” Manifesto socialista-árabe de Muammar el Kadhafi que chegou ao poder com apenas 27 anos por via golpe de estado em 1969, depondo o rei Idris I.

25.08.2011

José Maria Cardoso

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    Carlos Ceita Responder

    Mas a quem interessa o fim ou a queda do ditador Kadafi. Só mesmo aos interesses Ocidentais e a sua impressa tendenciosa. Honra seja feita a BBC que tem tido um papel imparcial nesta guerra. A África não vai beneficiar com queda deste senhor continuamos a ser um continente esquecido e ignorado. Parece que a fome na Somália já não faz parte Manchete das TVS e jornais.
    É de rir como é que o homem passou em pouco tempo de bestial a besta.
    Independentemente da pessoa do Kadafi o que se passa não é mais que uma humilhação do continente africano. Uma um bloco militar estrangeiro intervir num dos países do continente. Não estou a ver que o contrário seria possível. A África tem se organizar para ditar também as regras do jogo internacional.
    Era fácil ter simpatia pelo exercito vermelho (URSS) e as tropas que desembarcaram em Normadia para derrotar as tropas de Hitler. Mas a NATO tem comportamentos muito semelhantes ao exército do Terceiro Reich.

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    london Responder

    Amigos,

    Esta claro, que o interesse do ocidente e simplesmente o petroleo.Falam eles(ocidente) que estao peocupados com a populacao libia que sofre com o regime ditatorial do coronel Gadhafi. Mentira!Apesar do regime, a Libia em termos de desenvolvimento economico estava mto a frente de alguns paises ditos desenvolvido.
    O problema e que o Gadhafi era uma “pedra no sapato” para o ocidente, nao lhes dava “bola nenhuma”.
    Eu sinceramente acho que o povo africano perdeu um defensor.
    So contra a ditadura,mas a forma como os paises do ocidente destroem os outros paises com falsos pretextos me enraivece, agora a libia ira tornar-se num novo iraque; esta o iraque melhor agora?

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      Pumbu fresquinho Responder

      Gostei do seu discurso. Muito obrigado. Tenho a impressao que Kadafi era mesmo uma areia no preservativo da politica ocidental. Os marionetas libios ja transtornaram aquele pais recuando-o para mais de 50 anos, mergulharam-no na miseria que em breve sera fartura. Se com Kadafi viviam mal agora e que vao saber o que e AFRICA!!!

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      Rio de Ouro Responder

      Acontece que a economia europeia está quase a bater no fundo e, se conseguirem ter o controle sobre o precioso líquido(escremento do diabo)que abunda no norte de Afríca, já poderão respirar descansados ou, pelos menos, dormirem descansados, por enquanto.
      Digo mais, suspeito que a União Uropeia se puder estender a sua influência a África Branca, não hesitarão um segundo. É uma pena que toda África não possa unir-se contra estas barbaridades.
      A democracia não se impõe, deveria ser um processo natural sem ingerência externa.
      Bem haja.

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    António Silva Responder

    Infelizmente, continuamos a ver situações destas em que se intervêm sob a capa de proteger o povo. O mais recentemente aconteceu no Iraque. Embora não seja partidário da lógica do Kadhafi perpetuar no poder, também não concordo com as políticas das potências mundiais. Destroem um país, aproveitam estas guerras para testarem os seus armamentos e o povo passa a viver pior.
    Quem beneficia com estas guerras?
    São aqueles que promoverem estes conflitos.
    Como?
    Depois de estar tudo destruído são chamados para a reconstrução do país as sua empresas; o capital do país (porque tem petróleo)será desviado para o esforço da guerra, para para as obras de reconstrução, etc, e continuamos (continente africano) mais pobre.
    Até quando?

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      pumbu fresquinho Responder

      ate o infinito! Vendo o senario libio, parece-me que o africano nao sabe o que quer.

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    Manuel Responder

    Apesar dos interesses que possam existir no petróleo Líbio, a PRIMAVERA ARABE foi um grito de desespero e liberdade desses povos.

    Espero que depois de tanta luta para a democratização da Líbia, os novos dirigentes não se deixem amolecer pela RECONCILIAÇÃO NACIONAL E LEVEM KADAFI AO TRIBUNAL POR CRIMES DE ESTADO. E NÃO SE ESQUEÇAM DE COLOCAR NA CONSTITUIÇÃO QUE QUEM FOI CONDENADO POR CRIMES DE ESTADO NÃO PODE CANDIDATAR-SE A ALTOS CARGOS DO PAÍS.

    Não vai acontecer como nós, 20 anos depois um Kadafi que reaparece como inocente de tudo e suposto salvador da pátria.

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    ze cabra Responder

    o fim de um ditador e a reeleição de outro em s.tomé intiligentes como os burros

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    caboverdiano Responder

    os brancos oferencen-se armas e os negros matam-se uns aos outros mais grave ainda destroem sua propria patria e depois pedem de novo o apoio financeiro aos europeus que em contrapartida oferecem alimentos aspirados so pra matar fome e o povo vai mergulhar mais em divida pelo qual tem que ser pago com petroleo enquanto Americanos e Europeus celembram com champagne os africanos morrem matandodo ums aos outros desilusao, dor tristeza sao tudo que sofro
    no meu interior pelo meu continente e i rmao africanos.

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    Malébobo Responder

    Qualquer analista politico, sabia que isto ia acontecer, porque os Africanos nunca vão deixar de ser aquilo que é, até um dia Kadaffi, tiveste tudo na mão, como africanos são assim, espera a tua morte a qualquer momento, a batalha está perdida

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