Caça MiG-31 despenhou-se na região de Perm

 São novidades da Rússia em boletim informativo. Colaboração de Filipe Samba, são-tomense radicado na Rússia.

  • Caça MiG-31 despenhou-se na região de Perm
  • Putin referiu data para a crise ser ultrapassada
  • Líder do partido liberal russo quer participar nas eleições presidenciais
  • O Kremlin distancia-se da NATO

 

Caça MiG-31 despenhou-se na região de Perm

Moscovo, 6 de Setembro – Lenta.ru.

Um caça interceptor MiG-31 despenhou-se na região de Perm, comunica terça-feira de manhã a RIA Novosti, citando representantes oficiais do Ministério da Defesa da RF. O destino de dois pilotos do avião é desconhecido.

O avião levantou voo às 06.48 de um aeródromo militar em Perm e, passados quatro minutos, desapareceu dos ecrãs dos radares. Segundo comunicaram os interlocutores da agência, o aparelho foi descoberto incendiado perto da aldeia Bolgary a 11 km do aeroporto Bolchoe Savino. “O avião aterrou num campo lavrado e incendiou-se”, adiantaram as fontes sem precisar outros pormenores do acidente.

Esta já é a segunda catástrofe dos MiG-31 na região de Perm num ano. A 19 de Novembro de 2010, um MiG-31, com dois pilotos a bordo, despenhou-se ao executar um voo de treino. O avião caiu a 60 km do aeroporto Bolchoe Savino. Os dois pilotos conseguiram catapultar-se e sobreviveram. Após o desastre, foi introduzida uma proibição temporária dos voos dos MiG-31, que vigorou até meados de Dezembro de 2010.

O MiG-31, construído nos anos 70, é capaz de desenvolver uma velocidade de 3 mil quilómetros por hora, tendo um raio de acção de 720 quilómetros.

Putin referiu data para a crise ser ultrapassada

Moscovo, 6 de Setembro – Utro.ru.

Ontem, Vladimir Putin participou numa conferência inter-regional da Rússia Unida na cidade de Tcherepovets na região de Vologda. O chefe do Governo fez uma série de declarações sobre temas económicos.

Nas suas palavras, o PIB neste ano crescerá em 4,2-4,3 por cento. “Tal significa que já no início de 2012 a nossa economia compensará completamente a queda após a crise”, declarou o primeiro-ministro. Nas suas palavras, a Rússia ultrapassará a crise “mais depressa que muitos outros países, países com a chamada economia desenvolvida”. Ao mesmo tempo, Putin reconheceu que a inflação no fim do ano pode constituir 8 por cento.

O chefe do Governo revelou para onde serão canalizados os meios orçamentais. Assim, 7 triliões de rublos serão reservados para o desenvolvimento dos distritos federais. Os ministros já aprovaram a estratégia de desenvolvimento para seis distritos, falta prepará-la para os distritos dos Urais e do Noroeste. “A estratégia assentará em mais de 200 projectos que devem tornar-se locomotivas de desenvolvimento dos territórios russos”, destacou Putin.

O primeiro-ministro destacou os problemas do Distrito Federal Noroeste, do qual a região de Vologda faz parte. Putin propôs criar no distrito um grande centro petroquímico. Nas suas palavras, todos os grandes projectos neste ramo devem contribuir positivamente para o nível de vida no distrito.

Nas palavras de Putin, o gasoduto Nord Stream começará a receber gás técnico já a 6 de Setembro. “Amanhã, perto de Vyborg, começará a entrar gás tecnológico. No fim de Outubro – em Novembro, já poderemos fornecer gás natural aos consumidores. Tal significa que gradualmente ultrapassaremos a dependência em relação aos países de trânsito. Esta será uma “janela para a Europa” no sector da energia”, disse.

As autoridades tencionam investir meios significativos no desenvolvimento de infra-estruturas do Distrito Noroeste. Em particular, 60 mil milhões de rublos serão canalizados para o desenvolvimento de aeroportos na região até 2019. O primeiro-ministro exigiu também resolver os problemas ligados à comunicação rápida entre Moscovo e São Petersburgo e entre São Petersburgo e Helsínquia.

O chefe do Governo referiu também os problemas sociais no país, mencionando em particular os professores das escolas superiores que ganham um salário mísero. “Enquanto dizemos que o salário dos professores das escolas médias não deve ser inferior ao salário médio pago na região, o salário dos professores das escolas superiores não pode ser menos”, apontou.

Em particular, Putin propôs conceder créditos bonificados aos jovens professores com um taxa de juro anual de 8,5 por cento e o pagamento inicial não superior a 10 por cento do preço da habitação. O primeiro-ministro adiantou que as regiões poderiam assumir a contribuição inicial.

O primeiro-ministro prometeu ainda eliminar até Abril de 2012 a lista de espera de pessoas incapacitadas fisicamente para a obtenção de meios técnicos de reabilitação. “Em quaisquer condições não renunciaremos aos nossos compromissos sociais, vamos defendê-los tal como fizemos mesmo em condições da fase aguda da crise”, asseverou Putin.

Para além disso, o chefe do Governo exigiu regularizar o sector dos serviços municipalizados. “As pessoas devem pagar serviços de qualidade reais e não apenas contas, detrás das quais estão a administração ineficaz, o monopolismo, a falta de vontade de investir na renovação as infra-estruturas e, frequentemente, o banal roubo”, disse Putin.

Ultimamente, o tema das encomendas militares de Estado suscita grande interesse por parte da opinião pública. Os militares e industriais deveriam ter coordenado entre si os contratos de fornecimento de armamentos até 31 de Agosto, mas esta tarefa não foi cumprida. Putin, nas suas palavras, espera que ela seja realizada numa semana. Quanto às encomendas para o próximo ano, todos os respectivos pagamentos devem ser efectuados até Março de 2012, exigiu o chefe do Governo.

Putin mencionou também o tema da protecção do meio ambiente. “Nos próximos dez anos, na Rússia, serão criados ao nível federal mais 11 reservas naturais de Estado e 20 parques nacionais. Mais nove reservas e dois parques nacionais serão alargados”, comunicou o primeiro-ministro, adiantando que para estes fins serão canalizados 1,5 mil milhões de rublos.

Putin abordou de passagem o tema das eleições para a Duma de Estado. Nas suas palavras, a bancada da Rússia Unida será renovada em 50 por cento. Para além disso, nas listas eleitorais do partido governante nas eleições regionais serão incluídos pelo menos de 25% de representantes da Frente Nacional Popular.

Nos últimos meses, o presidente e o primeiro-ministro procuram intervir de forma coordenada. Assim, na véspera da intervenção de Putin em Tcherepovets, Medvedev abordou o tema do orçamento para 2012-2014 que, nas suas palavras, deve assentar no aproveitamento racional dos meios. “Como se sabe, não temos dinheiro excedente”, apontou o chefe de Estado.

Medvedev exigiu também conceder meios adicionais para a assistência médica de alta tecnologia, que foi financiada insuficientemente no ano em curso. Ao encargo do residente reagiu imediatamente o primeiro-ministro, prometendo canalizar para estes fins a título adicional 2,5 mil milhões de rublos.

Os dois participantes do “tandem” têm contornado por enquanto o tema das eleições presidenciais. Não é de excluir que o problema será resolvido no congresso da Rússia Unida, marcado para 23-24 de Setembro. A conferência do partido governante decorrida ontem em Tcherepovets foi o último grande fórum partidário antes do congresso.

EM FOCO NA IMPRENSA RUSSA

RBK DailyKomsomolskaya Pravda

Líder do partido liberal russo quer participar nas eleições presidenciais

Numa conferência de imprensa organizada pelo Clube de Jornalismo Regional, o multimilionário Mikhail Prokhorov, líder do partido Causa Justa, confirmou os seus planos de participar nas eleições presidenciais que se realizarão no país no ano que vem, escrevem os jornais RBK Daily e Komsomolskaya Pravda.

No entanto, segundo algumas sondagens, é pouco provável que o partido liberal Causa Justa, encabeçado por Prokhorov, venha a obter representação na câmara baixa do Parlamento na sequência das eleições legislativas de Dezembro próximo.

De acordo com dados do Centro de Estudo da Opinião Pública da Rússia (VTSIOM), actualmente, o partido não conseguirá superar a barreira eleitoral de 7%. Apenas 4,9% dos eleitores estão dispostos a votar na Causa Justa.

No entanto, o político olha para o futuro com optimismo. “Estou seguro de que superaremos a barreira eleitoral mas isso não muda nada porque a Causa Justa é um projecto a longo prazo”, disse Prokhorov na conferência de imprensa.

Para além disso, Prokhorov apresentou vários membros do seu partido, caracterizando-os como “Governo-sombra”. “A principal diferença do nosso partido consiste em os nossos membros estarem dispostos a assumir a responsabilidade profissional pelas suas acções perante os cidadãos”, disse o líder da Causa Justa.

O Kremlin distancia-se da NATO

Andrei Tsigankov, Rossiiskaya Gazeta

Devido às divergências e desentendimentos em relação às suas políticas, a possibilidade de uma cooperação estreita entre Estados Unidos e Rússia no sector da segurança é cada vez menor.

Desde que as relações entre os EUA e a Rússia foram restabelecidas, o país aprendeu a colaborar com o Ocidente em diversos assuntos, que vão desde os problemas do Irão e do Afeganistão até o controle de armas nucleares. Entretanto, os esforços para melhorar este vínculo parecem ter parado no tempo. Actualmente, a impressão que dá é que existe um crescente descontentamento de ambas as partes em relação às suas respectivas políticas de segurança.

 Recentemente, o secretário-geral da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Anders Fogh Rasmussen, criticou a dura reacção da Rússia aos planos de instalação de um sistema de defesa antimísseis na Europa. O governo do país, por sua vez, ameaçou desenvolver novos mísseis balísticos intercontinentais, desencadeando uma nova corrida aos armamentos. Com evidente desgosto, Rasmussen reprovou a posição de Moscovo. “Não somos uma ameaça para a Rússia, não atacaremos e não comprometeremos a segurança da Rússia”, disse.

 O Kremlin argumenta que os planos de defesa antimísseis da NATO podem enfraquecer a segurança do país até 2020, ano em que será implantada a quarta fase do sistema, e que os seus pedidos têm sido recebidos pela organização com respostas vagas. Ainda assim, está empenhado em melhorar as relações de segurança com o Ocidente. Com iniciativas que vão da fusão de sistemas de defesa antimísseis à negociação de um novo tratado de segurança pan-europeu, o governo russo evidencia o desejo de desenvolver uma confiança mútua, própria de verdadeiros aliados, com a outra parte. No entanto, Rússia e EUA nunca foram capazes de superar o carácter de parceiros ocasionais ao longo de sua história.

 A Rússia condena o Ocidente por sua relutância em estabelecer um novo nível de relações, mas os Estados Unidos nunca esconderam o que esperam deste relacionamento: mais favores de Moscovo, que incluem a autorização para se traçar rotas para o Afeganistão e pressões contra o Irão para que os acordos sobre redução de armas nucleares sejam cumpridos. O Kremlin deseja algo em troca e, enquanto as suas exigências forem recebidas com indiferença, as relações dificilmente serão totalmente restauradas.  

 Existem outros assuntos que dividem as duas partes. No fim de 2010, Moscovo abandonou a iniciativa de negociar um novo tratado de segurança com as nações europeias por não ter contado com o apoio das autoridades da NATO nem dos EUA durante a tarefa. Mais tarde, o Kremlin criticou a forma como o Ocidente lidou com a crise no Médio Oriente.

 Na verdade, o motivo pelo qual a política americana pretende reconfigurar a sua relação com a Rússia está mais associado à crise económica local e ao temor da competição da China e do Irão, além dos problemas gerados pelo radicalismo islâmico. Ciente disso, o Kremlin procura mais do que ser um simples canal para os objectivos dos Estados Unidos. 

 Os EUA devem passar do medo à confiança, mas isso requer uma nova visão para que a natureza dos laços de segurança com a Rússia seja transformada. Na ausência desta perspectiva, é provável que uma surja nova rodada de hostilidades caracterizada pelas percepções conflituantes entre as intenções dos dois países.

 Para que essa situação fosse evitada, Rússia e EUA deveriam determinar quais são as suas metas em longo prazo. Isto poderia ser avaliado por um conselho consultivo russo-ocidental, composto por especialistas em política externa, a ser criado justamente para esta finalidade. A medida poderia ajudar a reduzir os receios, estereótipos e mal-entendidos que existem nos dois lados.  

 Numa perspectiva ideal, este processo levaria a um acordo sobre as ameaças comuns enfrentadas pelos dois países, incluindo a propagação do extremismo islâmico na Ásia Central – e, talvez, na Rússia – quando as forças americanas deixarem o Afeganistão. Assim, um caminho poderia ser aberto para estabelecer uma nova cooperação de segurança colectiva para a Eurásia e a Europa.

  1. img
    Santa Marta Responder

    Tem que haver um equilibrio. Caso contrario, os europeus e americanos fazem do mundo as suas propriedades em benefício do imperiarismo que está ameaçado.

Deixe um comentario

*