Kremlin: Dmitry Medvedev demitiu Aleksey Kudrin

É um dos temas do Boletim Informativo da Rússia. Destaque também para a Coca – Cola que abriu a sua décima quinta fábrica na Rússia.

  • Kremlin: Dmitry Medvedev demitiu Aleksey Kudrin
  • Antigo ministro das Finanças, Zadornov: demissão de Kudrin é “triste” para economia russa
  • Dvorkovitch comentou demissão de Kudrin no Twitter
  • Peritos: presidência de Putin influirá na imagem da Rússia e na actividade empresarial
  • Antigos barcos russos rumam à Sérvia
  • Coca-Cola abriu 15ª fábrica na Rússia
  • Não vale a pena esperar surpresas (continuação)

Kremlin: Dmitry Medvedev demitiu Aleksey Kudrin

Moscovo, 27 de Setembro – RIA Novosti.

O presidente da Federação Russa, Dmitry Medvedev, assinou ontem um decreto sobre a demissão de Aleksey Kudrin do posto de vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças da Rússia, comunicou a secretária do chefe de Estado, Natalia Timakova. Anteriormente, o presidente Dmitry Medvedev propusera que o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Aleksey Kudrin, renunciasse durante segunda-feira ao seu cargo se não concordar com a política do chefe de Estado. No domingo passado, o chefe do Ministério das Finanças declarou que não se vê no Governo de Medvedev por causa de uma série de divergências com o presidente em relação à política económica, em primeiro lugar no que diz respeito às despesas militares. Kudrin destacou que antes de tomar uma decisão sobre a demissão exigida por Medvedev iria consultar o primeiro-ministro Vladimir Putin. “O presidente da Federação Russa, Dmitry Medvedev, assinou um decreto demitindo o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Aleksey Kudrin”, comunicou Timakova.

Antigo ministro das Finanças, Zadornov: demissão de Kudrin é “triste” para economia russa

Moscovo, 27 de Setembro – RIA Novosti.

O antigo ministro das Finanças da FR, Mikhail Zadornov, considera que a demissão de Aleksey Kudrin, que dirigiu o departamento financeiro durante mais de 11 anos, é muito inoportuna para a economia russa, levando em consideração os riscos que ela enfrenta hoje. “A demissão é muito lamentável, porque Kudrin é uma das pessoas mais profissionais no Governo, que aplica uma política conservadora e goza de confiança de investidores. O país perde o ministro das Finanças, quando o mundo se encontra em crise profunda, seis meses antes das eleições presidenciais. É um acontecimento triste”, disse Zadornov, actual dirigente do banco VTB 24, à agência noticiosa Prime.

“Formalmente, o orçamento trienal foi aprovado. O principal para hoje é tomar rapidamente decisões adequadas face ao agravamento inevitável da situação global e na economia russa. A demissão de Kudrin põe em grande dúvida este mecanismo de tomada rápida de decisões”, disse Zadornov.

Dvorkovitch comentou demissão de Kudrin no Twitter

Moscovo, 27 de Setembro – RIA Novosti.

Comentando a demissão de Aleksey Kudrin do posto de vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças pelo chefe de Estado, o assessor do presidente da Federação Russa para questões económicas, Arkady Dvorkovitch, considera que não poderia haver outra decisão na situação que se formou.

“Kudrin fez muito de bom para a Rússia e foi um dos meus professores. Na actual situação não poderia haver outra decisão, o presidente referiu as causas”, escreveu Dvorkovitch no seu blog no Twitter.

Um conflito que deflagrou segunda-feira entre Dmitry Medvedev e Aleksey Kudrin levou à demissão do último. Kudrin dirigiu o Ministério das Finanças da Rússia durante mais de 11 anos.

Após Medvedev ter declarado no último sábado no congresso da Rússia Unida que o primeiro-ministro Vladimir Putin deve candidatar-se a presidente e que ele próprio está disposto a ocupar o cargo de primeiro-ministro, Kudrin disse aos jornalistas em Washington que não irá trabalhar no Governo de Medvedev por causa de uma série de divergências entre eles em relação à política económica. Segunda-feira, numa reunião da Comissão para Modernização junto do presidente, Medvedev propôs que Kudrin renunciasse ao cargo até ao fim do dia, se não concordar com ele. No mesmo dia à noite, tornou-se conhecido que o presidente assinou um decreto sobre a demissão de Kudrin.

Peritos: presidência de Putin influirá na imagem da Rússia e na actividade empresarial

Berlim, 27 de Setembro – RIA Novosti.

A apresentação da candidatura de Vladimir Putin para o cargo de presidente da FR nas eleições em Março de 2012 influirá negativamente na imagem da Rússia no estrangeiro, mas é uma boa notícia para o empresariado russo-alemão, considera o perito da conhecida fundação de pesquisas Bertelsmann Stiftung, Kornelius Ochmann.

Ao intervir no sábado no congresso da Rússia Unida, o presidente da Federação Russa, Dmitry Medvedev, aceitou a proposta de encabeçar a lista do partido nas eleições para a Duma de Estado e propôs que o primeiro-ministro se candidate a presidente da FR em 2012, declarando que ele próprio irá trabalhar no Governo. Alguns peritos qualificaram não democráticos este “roque” e o regresso de Vladimir Putin ao cargo de presidente.

“Será mal para a imagem da Rússia”, disse Ochmann segunda-feira à RIA Novosti. “Mas será bom para o empresariado e a exportação da Alemanha”, adiantou o perito.

Nas palavras de Ochmann, no caso de Putin for eleito presidente, nos próximos 12 anos, a situação na esfera da actividade empresarial russo-alemã será relativamente estável e previsível.

Ao mesmo tempo, Ochmann destacou que a intervenção de Medvedev no sábado foi uma surpresa para a comunidade de peritos da Alemanha.

“Estivemos surpreendidos com que isso aconteceu tão cedo: todos esperavam que isso acontecerá após as eleições para a Duma de Estado (em Dezembro próximo) ”, disse.

O perito ressaltou ainda a necessidade de modernizar a economia russa. “Enquanto o gás e o petróleo são caros e a Rússia se desenvolve bem à conta da exportação de petróleo e de gás, isso é bom. Mas ninguém pode dizer o que será dentro de dois – três anos”, apontou Ochmann, adiantando que “é muito complexo desenvolver a economia à base de petróleo e de gás”.

Por seu lado, Stefan Meister, perito para a Europa Central e de Leste da comunidade alemã para a política externa DGAP, também destacou uma influência negativa da “troca de cargos declarada” na direcção suprema da Federação Russa na imagem da Rússia. “As eleições ainda estão por decorrer, mas, afinal das contas, tudo já está resolvido”, disse.

Quanto ao desenvolvimento da parceria económica da Rússia e da Alemanha, a sua eficácia depende da disposição da futura direcção da Federação Russa para modernizar os “aspectos jurídicos” da actividade empresarial, adiantou o politólogo.

Antigos barcos russos rumam à Sérvia

Moscovo, 27 de Setembro – Goloss Rossii

Três barcos russos antigos, “Vitiaz”, “Khrabr” e “Slavianka”, construídos em Petrozadsk (norte da Rússia) acabam de rumar à Sérvia.

A expedição, constituída por amantes da antiga arte guerreira russa, planeia ir de barco até ao mar Negro, seguindo pelo rio Dunai até Belgrado. Na capital sérvia, irão oferecer um dos barcos, a “Slavianka”, aos amigos do clube “Svibor”, que tencionam reconstruir em Belgrado o forte medieval de Vitech.

Depois do regresso da Sérvia, existe um projecto de desenvolvimento do turismo fluvial na Rússia em barcos medievais. Segundo a ideia dos organizadores, os rios do país serão cruzados por uma flotilha de 30 embarcações antigas de madeira.

Coca-Cola abriu 15ª fábrica na Rússia

Moscovo, 27 de Setembro – Goloss Rossii

A multinacional Coca-Cola inaugurou hoje, no sul da Rússia, uma fábrica que irá produzir bebidas sem álcool destinadas aos participantes e visitantes dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Inverno 2014 em Sochi.

A nova fábrica, que será a 15ª na Rússia, foi construída a 20 km de Rostov-no-Don. O acordo entre a Coca-Cola e administração (governo) da região de Rostov para a construção da fábrica, com uma capacidade de 450 milhões de litros por ano, foi assinado no fórum de investimento há 4 anos. A multinacional, fundada em 1892, entrou no mercado russo nos anos 1980.

EM FOCO NA IMPRENSA RUSSA

Novoe Vremia  – The New Times

Não vale a pena esperar surpresas  (continuação)

A julgar pela forma como decorreram as primeiras duas semanas de campanha, não vale a pena esperar surpresas a 4 de Dezembro

No que respeita à Rússia Justa, digam o que disserem, o ataque de que o partido foi alvo pelo Kremlin, com o qual Mironov se zangou, acabará por lhe trazer votos extra. Aliás, houve uma situação praticamente igual em 2007, e depois nas eleições regionais: quanto mais se dizia e gritava que a Rússia Justa iria obter poucos votos, mais o partido alcançou (cerca de duas vezes mais que as previsões). Para além disso, este partido possui muitos políticos regionais carismáticos. Esta é, aliás, uma das diferenças da Rússia Justa em relação ao novo projecto do Kremlin, a Causa de Direita, que alguns dizem irá substituir o partido de Mironov.

Em 2007, a RJ obteve representação na Duma não à custa da lista federal mas sim das listas regionais, encabeçadas por tais líderes carismáticos como Oleg Chein, Oksana Dmitrieva, Galina Khovanskaia políticos que, a nível regional no país, não são mais de trinta.

No que respeita aos gritos e lamentos indignados de que o projecto de Mironov estaria à beira do fim, tal apenas faz com que o eleitorado da Rússia Justa se torne mais oposicionista: o Kremlin “limpou de tal maneira o campo eleitoral” que as vozes de oposição são obrigadas a fugir para o partido de Mironov. Os que, por razões ideológicas não irão votar nos comunistas ou em Jirinovski, muito provavelmente irão colocar a cruz na Rússia Justa. Assim sendo, julgo que eles terão hipótese de obter mais de 7%.

Os outsiders

Muitos consideram sem qualquer razão que, se os “curadores” do Kremlin cortam as pernas a Mironov, tal irá aumentar as chances da Causa de Direita obter representação parlamentar. Estou certo de que com a campanha que a Causa de Direita está a fazer, uma campanha perfeitamente leal, com um manifesto pró-Kremlin, Prokhorov não conseguirá retirar votos oposicionistas nem aos comunistas, nem à Rússia Justa, nem ao LDPR. Será que consegue os votos dos jovens? Talvez Prokhorov seja simpático aos jovens mas estes, em primeiro lugar, não se dão ao trabalho de ir votar e, em segundo lugar, mesmo os que tencionam ir, irão escolher não entre partidos mas sim entre estratégias tipo Navalni (votar em qualquer partido menos no partido governante) e o movimento Nakh-Nakh (vota contra todos).

Diz-se que, estando Vladislav Surkov por detrás de Prokhorov, este último acabará por ficar com parte dos votos obtidos através das “alavancas governamentais”.

Este é um profundo engano de pessoas ingénuas que nunca tiveram nenhuma relação com campanhas eleitorais reais.

A “vertical” está organizada de forma primitiva e só é capaz de cumprir ordens estandardizadas: se é dito para a Rússia Unida obter mais de 50%, é para tal objectivo que se orientarão os esforços das comissões eleitorais. Ninguém a nível local vai pensar em nenhuma Causa de Direita. Os funcionários não são capazes de trabalhar para a Rússia Unida até ao almoço e, depois do almoço, para qualquer outra força. Eles acabariam por

ficar mentalmente doentes com tal dissociação.

Para além disso, não nos esqueçamos que os governadores têm os seus próprios objectivos: eles querem que as suas “criaturas”, os seus protegidos, consigam ser eleitos nas listas do partido governante. Ora a luta interna consome imensas forças e energia.

Finalmente, a Causa de Direita não tem políticos carismáticos, capazes de “puxar” pelas listas regionais. Boris Nadejdin está na região de Moscovo e ainda não se sabe se se conseguirá aguentar; Evgueni Roizman deveria encabeçar a região de Sverdlovsk mas, ao que tudo indica, “não foi aprovado”. Em Kalinenegrado lá conseguiram colocar Dorochek, mas esta é uma região pequena cujos votos não chegam para eleger um deputado. Em Krasnoiarsk, o factor “Norilski Nikel” ainda vai ajudar mas tudo isto é insuficiente: 5,1% é o melhor resultado com que Prokhorov pode contar nas actuais condições mas mesmo nesse não acredito.

Iabloko e “Patriotas da Rússia”

Estes partidos não têm quaisquer chances. Do primeiro já quase não resta nada, o segundo até podia contar com alguma coisa se tivessem tido o apoio informal de Dmitry Rogozin e do seu Congresso das Comunidades Russas (CCR). Mas Rogozin e o CCR pendem obviamente mais para Putin. Por isso, a sua função nesta campanha (e é para isso que os deixam existir) é simplesmente “roubar” votos ao Partido Comunista, ao LDPR e à Rússia Justa.

Remake de 2007?
Resumindo, muito provavelmente espera-nos um dejà vu: o novo Parlamento, se não acontecer nada de extraordinário, irá ter a mesma composição partidária que tem actualmente. Haverá os mesmos quatro partidos: Rússia Unida, Partido Comunista, Rússia Justa e LDPR.

A incógnita reside apenas em saber qual a percentagem que cada um obterá e se a Causa de Direita irá ou não ultrapassar a barreira dos 5%, que permitirá ao líder o mandato de deputado.

Podem objectar que os resultados das sondagens mostram outro quadro: a popularidade do partido de Prokhorov está a aumentar – há quem lhe dê já 5%, outros mais cautelosos dão 3%, ao passo que o rating do partido de Mironov, pelo contrário, anda à volta de 6-7%. Mas eu não confiaria muito nas sondagens: as nossas empresas de estudos de opinião trabalham por encomenda e, por isso, o rating do partido no poder (ou dos partidos promovidos pelo poder) é sempre superior ao real e o dos partidos da oposição é sempre inferior ao real. Para além disso, a maioria das pessoas que vão às urnas são pessoas despolitizadas e que tomam a decisão de voto próximo do dia ou mesmo no próprio dia da votação, mudando facilmente as suas preferências. Neste sentido, o eleitorado “de protesto” funciona segundo o princípio de vasos comunicantes: se acontece alguma coisa, aqueles que os sociólogos consideravam simpatizantes do LDPR podem votar nos comunistas e, pelo contrário, os indecisos considerarão que é melhor dar o seu voto aos “cavalos” que têm hipóteses de chegar ao fim, ou seja, de obter representação parlamentar.

Artigo original:

http://newtimes.ru/articles/detail/43432/

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    psiu! Responder

    dois odiosos e pestes homens. perseguem pessoas religiosas até ao dia de hoje em sua terra.

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