O mundo precisa de um novo modelo económico

Um dos assuntos do diário informativo da Rússia.

  • Director do VTB: Rússia não terá recessão, se ritmos de crescimento da economia mundial se mantiverem
  • Hugo Chavez: banco russo-venezuelano poderá funcionar em todo o mundo
  • Duma de Estado examinará emendas no TSC sobre reacção a situações críticas
  • Ministros dos Negócios Estrangeiros dos países da EU discutirão a 10 de Outubro processo judicial contra Timochenko
  • Iluminação eléctrica pública na Rússia começou há 130 anos
  • O mundo precisa de um novo modelo económico

Director do VTB: Rússia não terá recessão, se ritmos de crescimento da economia mundial se mantiverem

Moscovo, 7 de Outubro – RIA Novosti.

A economia russa não sofrerá uma recessão análoga à de 2008 se no mundo ritmos de crescimento do PIB se mantiverem, considera o dirigente do banco VTB, Andrey Kostin.

“Se a economia mundial mantiver ritmos positivos de crescimento: os Estados Unidos um pouco acima do zero, a China – pelo menos 7%, a Rússia – pelo menos 4%, tal não deve levar a uma diminuição brusca dos preços das matérias-primas e dos produtos energéticos e, na opinião da Rússia, tal situação será controlada e a economia russa não sofrerá uma séria queda, como aconteceu há três anos”, disse ontem Kostin aos jornalistas no fórum de investimentos do VTB Kapital “A Rússia convida!”.

Segundo Kostin, a economia mundial e russa não é ameaçada também pela situação na Grécia, cuja economia constitui apenas 2% da europeia. O chefe do VTB tem a certeza de que, por razões políticas, a União Europeia não admitirá a saída da Grécia da EU.

“Hoje, o sector financeiro russo não enfrenta riscos directos ligados à Grécia. Somos, contudo, uma parte do mundo global e da economia global e por isso qualquer agravamento da situação na Europa reflectir-se-á na Rússia. Mas a quota-parte da Grécia na economia mundial não é grande. A maioria dos participantes do fórum consideram que a Europa não admitirá a saída da Grécia da zona do euro nomeadamente por razões políticas”, disse Kostin.

Hugo Chavez: banco russo-venezuelano poderá funcionar em todo o mundo

México, 7 de Outubro – RIA Novosti.

O banco conjunto russo-venezuelano poderá efectuar a sua actividade em todo o mundo, declarou quinta-feira o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, após um encontro em Caracas com uma delegação governamental russa, dirigida pelo vice-primeiro-ministro, Igor Setchin.

“O banco já existe e agora será assinado um acordo sobre o aumento do seu capital para quatro mil milhões de dólares”, cita a agência noticiosa venezuelana AVN as palavras de Chavez.

A Rússia e Venezuela assinaram em meados de 2009 um acordo a criação de um banco conjunto à base do Eurofinance Mosnarbank. Segundo os meios de comunicação social, o banco foi formado em primeiro lugar para satisfazer as necessidades da companhia RosOboronExport, porque a Venezuela é o maior importador de armas russas na América Latina e o segundo no mundo após a Índia. A Gazprom e o grupo VTB da Rússia dispõem de pacotes de 25% mais uma acção cada e ao Fundo de Desenvolvimento Nacional da Venezuela pertence um pacote de 50% menos duas acções.

Nas palavras do líder venezuelano, os trabalhos do banco permitirão diversificar seriamente a actividade económica e financeira entre os dois países. O banco já tem representações em Moscovo, Caracas e Pequim.

No quadro das conversações com os membros da delegação governamental russa, Hugo Chavez anunciou também a criação de uma empresa mista com a Rússia para a produção de bananas. Para estes fins, serão reservados dois mil hectares de terreno. Por seu lado, Igor Setchin não excluiu que no futuro esta área será alargada para 20 mil hectares. Para além disso, Hugo Chavez comunicou sobre a assinatura de acordos de fornecimento de flores da Venezuela à Rússia. O presidente da Venezuela propôs ainda organizar na Rússia a produção de bebida tradicional venezuelana “cocuy” feita de hastes de Agave local. “A cocuy pode competir com vodka”, disse Chavez.

Duma de Estado examinará emendas no TSC sobre reacção a situações críticas

Moscovo, 7 de Outubro – RIA Novosti.

Sexta-feira, a Duma de Estado examinará o Protocolo de emendas no Tratado de Segurança Colectiva (TSC). O documento foi assinado em Moscovo a 10 de Dezembro de 2010. As emendas pormenorizam o mecanismo de utilização das forças e dos meios do sistema de segurança colectiva para reagir a situações críticas nos países-membros da Organização do Tratado de Segurança Colectiva (OTSC). As emendas visam também elaborar e aplicar medidas para conceder ajuda a estes países para neutralizar ameaças à sua segurança, estabilidade, integridade territorial ou soberania, assim como ameaças à paz e segurança no mundo.

O Tratado de Segurança Colectiva foi assinado a 15 de Maio de 1992 para um prazo de cinco anos com a posterior prorrogação. Participam no TSC a Arménia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia, Tajiquistão. O TSC tem por objectivo prevenir e eliminar em conjunto a ameaça militar à soberania e à integridade territorial dos países participantes.

Ministros dos Negócios Estrangeiros dos países da EU discutirão a 10 de Outubro processo judicial contra Timochenko

Kiev, 7 de Outubro – RIA Novosti.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países da União Europeia discutirão o processo judicial contra a antiga primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Timochenko, comunicou quinta-feira a agência noticiosa ucraniana UNIAN.

Segundo a agência, a questão sobre a situação na Ucrânia é incluída na agenda da sessão do Conselho dos Negócios Estrangeiros da EU, que terá lugar a 10 de Outubro no Luxemburgo. Nas palavras de uma fonte na Comissão Europeia, os ministros discutirão também a situação política na Ucrânia e, neste contexto, o decorrer das conversações sobre um novo acordo de associação entre a Ucrânia e EU. A fonte não comunicou outros pormenores.

A Procuradoria-Geral da Ucrânia acusa a antiga primeira-ministra de abuso de poder durante a assinatura de acordos entre a Gazprom russa e a Naftogaz ucraniana sobre fornecimentos de gás à Ucrânia. Timochenko foi presa a 5 de Agosto. A Procuradoria exige condená-la a sete anos de privação de liberdade. Como se espera, a sentença começará a ser proclamada a 11 de Outubro.

O processo contra Timochenko provocou uma grande ressonância no Ocidente. Os políticos ocidentais advertiram a direcção ucraniana que, no caso de Timochenko for condenada a um prazo real de privação de liberdade, poderá ser posta em dúvida a assinatura do acordo de associação com a União Europeia, que prevê formar uma zona de comércio livre. Kiev espera rubricar o documento até ao fim de 2011.

Iluminação eléctrica pública na Rússia começou há 130 anos

Moscovo, 7 de Outubro – RIA Novosti.

Comemora-se hoje o início da iluminação eléctrica das ruas na Rússia, que começou há precisamente 130 anos, a 8 de Outubro de 1881.

A data é recordada em Gatchino (arredores de São Petersburgo) com a inauguração de uma praça alusiva à efeméride. Terão lugar ainda outras iniciativas comemorativas. Em 1881, na parada frente ao palácio de Gatchino foi pela primeira vez iluminada por 16 candeeiro s com lâmpadas eléctricas construídas pelo engenheiro russo Pavel Yablochkov.

EM FOCO NA IMPRENSA RUSSA

Rossiiskaia Gazeta

O mundo precisa de um novo modelo económico (opinião)

Stanislav Macháguin, Empresário

O sistema global de classificação de risco já não funciona. Durante anos, os rankings dissuadiram os países da excessiva tomada de empréstimos, os levaram a reduzir programas sociais e gastos públicos e encorajaram os Estados a aumentar os impostos.

A recente diminuição da classificação de risco dos Estados Unidos pela agência Standard & Poor’s, entretanto, não surtiu o efeito esperado. Desde o anúncio da nova notação, a procura de títulos norte-americanos, em vez de diminuir, aumentou, enquanto a taxa de juros caiu.

O maior beneficiário dessa última mudança nas regras do jogo foram os próprios Estados Unidos. Está claro agora que o Departamento do Tesouro dos EUA pode continuar a pedir quantos empréstimos quiser e a imprimir dinheiro, já que nem a classificação de risco, nem a legislação ou qualquer receio de prejuízos dos credores impedirão que os jogadores dos mercados globais de continuarem a comprar dólares e títulos americanos.

Em primeiro lugar, eles dependem do dólar para estimar valores e pagamentos. Além disso, os títulos do Tesouro norte-americano representam dinheiro para as instituições financeiras e para os principais protagonistas do mercado – são líquidos, denominados em dólares e proporcionam juros.

Concordo com a simples teoria do investidor Warren Buffet de que a classificação dos EUA ainda é “AAA” e não há motivo algum para alterá-la, já que os títulos do Tesouro dos Estado Unidos devem ser pagos em dólares americanos, e estes, por sua vez, podem ser impressos em qualquer quantidade pela Reserva Federal, o banco central do país.

Existe uma incerteza quanto ao custo desses dólares, mas podemos prever o  que está para vir uma vez que o valor da moeda está a mudar rapidamente. O processo iniciado pelos EUA levará a China, Europa, Rússia e outros Estados a uma corrida de desvalorização monetária, caso eles queiram manter a competitividade de suas economias.

Essa notícia é, ao mesmo tempo, boa e má. Boa porque o actual modelo financeiro e económico pode sobreviver por um longo período sem grandes reviravoltas. Mau porque você e eu teremos que pagar por essa estagnação. Ao desvalorizar a sua moeda, os Estados gradualmente diminuem os rendimentos reais (obtidos após desconto da inflação), prejudicando todos – principalmente os mais pobres.

Pode ser válida qualquer ideia para mudar as bases do mundo das finanças – tal como a criação de um “banco central dos bancos centrais” ou a substituição do dólar como moeda universal pelo ouro ou por um conjunto de cinco moedas principais. Mas todas essas propostas são utópicas, não só devido à resistência da elite norte-americana, mas também pelas posições desiguais de outros países importantes.

Recentemente, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, disse que estão para vir tempos difíceis na economia mundial. “O mundo está a passar por uma mudança do sistema financeiro internacional, com países como a China vindo à tona”, afirmou.

Embora a China não tenha tanta importância isoladamente, ela e os Estados Unidos são dois lados da mesma moeda: ou ambos afundarão ou sairão juntos da crise. E a China ainda tem uma margem de segurança: está, finalmente, levantando as restrições à titularidade das suas dívidas para investidores estrangeiros por meio de Hong Kong  e parece afrouxar a ligação entre o yuan e o dólar americano. Isso pode oferecer aos jogadores mundiais uma medida de valor alternativa e um instrumento de poupança antes do fim deste ano.

Mas o mais importante é que os economistas e conselheiros de todos os países olhem para as causas da turbulência económica no mundo todo.

O conceito moderno de desenvolvimento económico e de progresso científico e tecnológico esgotou-se. Não há mais necessidade de criar nada novo, e quanto mais se consome determinado produto, menos importante ele se torna e mais barato fica.

Enquanto não formos capazes de desenvolver um novo modelo de desenvolvimento, não haverá crescimento legítimo. O surgimento de novas ideias e a criação de uma nova economia são possíveis em algumas áreas, como a medicina, a ecologia e a exploração espacial. Entretanto, é preciso fazer com que elas se tornem interessantes e, assim, estimulem o envolvimento das pessoas.

O economista Mikhail Kházin diz que a situação actual “condena as pessoas mais activas e impetuosas a um cenário bastante desolador. Cada vez mais, a mente das pessoas é infiltrada pela ideia de que não existe espaço para elas nessa realidade”.

Para o mundo continuar a desenvolver-se economicamente, é necessário mudar a sociedade, criando novos valores e motivações que, por si só, forneçam a base para o crescimento económico.

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