Lixeira de Penha, até quando?

Única no País, é o vazadouro utilizado pelos dois maiores distritos de São Tomé, Água Grande e Mé-Zochi, mas o seu período de vida útil é ainda desconhecido.

Já com largos anos de existência, a Lixeira de Penha tem vindo a ganhar cada vez mais destaque nos últimos tempos. A existência de habitações e de uma linha de água na proximidade são dois dos principais problemas associados à sua localização. No entanto, é na sua utilização que residem os principais riscos à saúde pública, como a queima indiferenciada de resíduos a céu aberto, responsável pela libertação de produtos tóxicos e cancerígenos cujas consequências são ainda desconhecidas.

A utilização de produtos outrora inexistentes – como materiais plásticos e outros compósitos – que por sua vez implicam uma produção de resíduos cada vez mais variada, traduz-se em fortes implicações na sua gestão adequada.

Outro problema associado à utilização da Lixeira de Penha prende-se com a impossibilidade em se determinar o seu tempo de vida útil. Estima-se que atualmente cerca de 5000 toneladas de resíduos dão entrada na lixeira anualmente, no entanto, o procedimento de deposição – em que o “lixo” é empurrado para as zonas de fronteira – deverá em breve deixar de ser possível, pois a proximidade do rio e a construção de habitações na proximidade implica uma utilização limitada à área atual. Nesse sentido será necessário ocupar a área existente de forma controlada – tirando partido da topografia existente – o que poderá permitir uma utilização durante os próximos 5 a 8 anos, numa capacidade máxima estimada em cerca de 100 000 m3.

A vantagem da exploração controlada de um vazadouro, tal como se pretende realizar na Lixeira de Penha, permite desta forma o conhecimento do período de vida útil, funcionando como um incentivo à implementação de soluções de valorização, como a compostagem, cujas vantagens se estendem também à exploração dos vazadouros.

Espera-se que nos próximos meses a Lixeira de Penha possa mudar de nome e se converta no Vazadouro Controlado de Penha, evidenciando assim a deposição em segurança de resíduos com a minimização dos impactos no Ambiente e a consequente melhoria das condições de Saúde Pública.

Simão Dias

Artigo escrito no âmbito do projeto “Conversão da Lixeira de Penha em Vazadouro Controlado” executado pela ONG ALISEI com o apoio financeiro do governo Australiano através da AusAID.

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    Anca Responder

    Como foi veiculado na notícia;

    “Espera-se que nos próximos meses a Lixeira de Penha possa mudar de nome e se converta no Vazadouro Controlado de Penha, evidenciando assim a deposição em segurança de resíduos com a minimização dos impactos no Ambiente e a consequente melhoria das condições de Saúde Pública.”

    Para o bem da população e do ambiente e seus recursos naturais.

    Bem haja

    Pratiquemos o bem

    Pois o bem

    Fica-nos bem

    Deus abençoe São Tomé e Príncipe

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