Resíduos sólidos especiais e o seu correto encaminhamento

O aumento na entrada de produtos cada vez mais diversificados em São Tomé e Príncipe, é a cada dia que passa, um problema crescente que as instituições responsáveis pela gestão dos resíduos sólidos são obrigadas a lidar e resolver. A construção em curso da plataforma de deposição diferenciada poderá ser um marco no correto tratamento desses resíduos sólidos especiais.

A recente intervenção na Lixeira de Penha veio realçar a problemática da gestão dos resíduos perigosos ou resíduos cuja valorização/tratamento não tem uma solução no País, e que obriga à definição de sistemas diferenciados. Com efeito e nos próximos meses, espera-se que a plataforma de deposição separativa de resíduos – a primeira do género no País – localizada no Vazadouro de Penha, represente o início da separação e encaminhamento devido, ainda que este último esteja ainda por definir.

Nas cinco divisões atualmente em construção na plataforma, com um volume máximo individual de 54 m3, serão depositados Resíduos Perigosos, Monos (como são designados os resíduos volumosos), Pneus, Metais e Vidro. Na divisão dos resíduos perigosos prevê-se a colocação de pilhas, baterias, óleos lubrificantes, lâmpadas florescentes e resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos (como TV, vídeos, equipamentos de som, etc).

Ao contrário do vidro, cujo potencial de valorização interno é altamente significativo – uma vez que pode ser reutilizado como matéria-prima na produção de outros produtos fabricados localmente – os resíduos perigosos obrigam a uma atenção especial, dadas as implicações do seu correto tratamento e consequente exportação. Com efeito e dada a existência de elementos perigosos para a saúde e ambiente, como é o caso dos metais pesados, como o mercúrio ou o chumbo para as pilhas, é necessário um cuidado particular inclusive no seu manuseamento e armazenamento.

Espera-se que a plataforma possa incentivar e possibilitar a separação das tipologias de resíduos identificadas, que por diferentes razões não devem ser colocadas na célula de deposição final onde os resíduos sólidos são espalhados e compactados. Desta forma e no futuro, será possível que todos aqueles que se pretendam desfazer de forma a apropriada dos seus resíduos especiais, o possam fazer no Vazadouro de Penha, contribuindo de forma positiva para a sua saúde e a dos outros, assim como para a preservação de um ambiente saudável.

Simão Dias

Artigo escrito no âmbito do projeto “Conversão da Lixeira de Penha em Vazadouro Controlado” executado pela ONG ALISEI com o apoio financeiro do governo Australiano através da AusAID.

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