Sociedade

Contentores do lixo: Porque o tamanho (não) interessa

A existência de diversos tipos de contentores em São Tomé e Príncipe reforça a presença de diferentes sistemas de recolha de resíduos sólidos urbanos. No entanto, a evolução para sistemas de recolha diferenciada obriga a uma reflexão sobre a tipologia de contentores a adquirir tendo em conta a maximização dos índices de reciclagem.

A produção de “lixo” está intimamente ligada com o seu produtor e cabe a ele assumi-lo. No entanto é comum ouvir-se dizer que “o jójó enche e a Câmara não passa para recolher”. Não menos frequentemente são os próprios responsáveis autárquicos que se justificam com os mesmos argumentos, referindo a necessidade de mais e, maiores, contentores. Não se trata de uma novidade. A generalidade das Câmaras Distritais tem falta de meios e a recolha de resíduos é muitas vezes posta em causa. Daí que, os contentores, já por si insuficientes na maioria dos casos, facilmente deixam de ter capacidade para assegurar a produção de vários dias. O que fazer, pensar em contentores maiores? Não necessariamente.

Como se disse, o “lixo” começa com o seu produtor e tal como em tantos outros serviços quanto mais próximo o serviço estiver do cliente mais fácil e produtiva será a relação. Com efeito, quanto mais perto o sistema de recolha de resíduos sólidos estiver do seu produtor mais facilmente se identificam obstáculos, maior será o envolvimento do produtor nas soluções de valorização e portanto melhor será o próprio serviço de recolha. Eliminam se assim os efeitos indiretos relacionados com contentores grandes mas sem dono.

Assim e sempre que possível, ao contrário dos modelos importados baseados nos contentores de rua de grandes capacidades – mas que hoje começam também a dar lugar à sua individualização – deverá ser avaliada a possibilidade de se prestar um serviço porta-a-porta, devidamente organizado, que responsabilize o produtor e incentive a sua colaboração. Desta forma será mais fácil implementar no futuro as necessárias soluções de valorização de resíduos sólidos, que se baseiam na correta separação por parte do próprio produtor.

Em breve, a Região Autónoma do Príncipe será pioneira na implementação de um sistema de recolha porta-a-porta com separação de resíduos. Em simultâneo, entrará em funcionamento a primeira estação de tratamento de resíduos do País, que inclui também a criação de postos de trabalho e a geração de receitas resultantes da produção de um adubo de qualidade. Em nome da correta gestão de resíduos esperemos que seja apenas a primeira iniciativa de muitas outras que lhe seguirão.

Simão Dias

Artigo escrito no âmbito do projeto “Melhoria do Sistema de Recolha dos Resíduos Sólidos e Reforço das Competências das Câmaras Distritais” executado pelas ONG’s ADAPPA, ALISEI, FCJ e MARAPA financiado pela AECID

    6 comentários

6 comentários

  1. Frontal

    28 de Novembro de 2011 as 8:56

    Brilhante Notícia.

    De facto há que se buscar alternativas para a recolha e tratamento do lixo. Estive no Porto e no no interior do Rio de Janeiro e nestas duas paragens o lixo era recolhido porta a porta.

    O país tem mesmo que pensar inteligentente na reciclagem e reaproveitamento do lixo que para além de gerar emprego contribui para a preservação do meio ambiente.

  2. ESMERALDA

    28 de Novembro de 2011 as 15:36

    ???

  3. Anca

    29 de Novembro de 2011 as 1:30

    Boa notícia.

    Boa ideia e plano de implementação de recolha de resíduos sólidos urbanos porta, tornando a recolha e reciclagem eficientes, por meio e sensibilização/consciencialização dos cidadãos;empresas;instituições privadas/públicas, produtores dos resíduos sólidos urbanos, para a preservação do meio ambiente e a reutilização/reaproveitamento dos resíduos e materiais sólidos, dando outro fim utilidades aos mesmos.

    Como forma de sensibilização/consciencialização/responsabilização/contribuição, passaria a acrescentar, ao plano de recolha porta a porta, uma taxa de utilizador pagador, do serviço de recolha e reciclagem dos resíduos sólidos urbanos, matérias sólidos, matérias eléctricos, carros em fim de vida(sucatas), pneus, pilhas,etc,etc,…, de modo a puder converter em mais valias económicas e também para o meio ambiente, da qual fazemos todos parte integrante, pois os recursos são escassos e finitos.
    Para assim podermos enquanto sociedade, desenvolver de uma forma sustentável e harmoniosa com a natureza e ambiente que nos envolve, e salvaguardar os custos a pagar às gerações futuras, de modo a manter o equilíbrios social-ambiental-económico e financeiro de todos quanto pertencem a nossa sociedade.

    Bem haja

    Pratiquemos o bem

    Pois o bem

    Fica-nos bem

    Deus abençoe São Tomé e Príncipe

  4. Anca

    29 de Novembro de 2011 as 3:05

    Necessário se torna a valorização/preservação do ambiente com boas praticas de cultivo, modernização da nossa agricultura.

    A titulo de alerta vou deixo-vos aqui está informação,produzida pela revista CiênciaHoje;

    “Chocolate poderá ser um luxo para poucos nas próximas décadas”

    “Alterações climáticas ameaçam terminar com produção de cacau”

    “É apreciado pelo mundo todo, vendido em grande quantidade, escolhido como presente predilecto, especialmente, no Natal, Páscoa ou dia de S. Valentim e tem poder antioxidante, na percentagem certa.” “Segundo um estudo do Centro Internacional de Agricultura Tropical e avançado, recentemente, pela Fundação Melinda e Bill Gates, o chocolate poderá vir a ser um luxo que poucos se poderão permitir, dentro de umas décadas.”

    “Devido às mudanças climáticas, por volta de 2050, Gana e a Costa do Marfim – dois dos maiores produtores de cacau a nível mundial – não terão terrenos aptos para cultivar a planta e não é possível produzi-lo na Europa, por necessitar de um clima tropical húmido.”
    “A investigação prediz uma subida da temperatura de um grau Celsius até 2030, aumentando para 2,3 graus Celsius antes de 2050 – o que é considerado bastante para inibir o desenvolvimento de vagens de cacau, que por conseguinte podem levar a uma queda radical nos rendimentos e à óbvia subida de preços.”

    “O estudo publicado passou em revista 19 modelos climáticos distintos e aplicou-os às características de diferentes plantas de cacau.” “Os resultados mostraram um aumento gradual da temperatura e prevê que quase a totalidade dos terrenos analisados não estejam aptos para o cultivo, estimando que essa decadência comece já em 2030.”

    ““Já sentimos os efeitos do aumento das temperaturas em áreas marginais e com as alterações climáticas, o problema aumentará progressivamente.” “Num momento em que a demanda de chocolate está a crescer, particularmente na China, acabará por levar a um significativo aumento de preço”, segundo referiu o autor do estudo, Peter Laderach.”

    “Soluções”

    “Chocolate será um produto extremamente caro.”
    “Chocolate será um produto extremamente caro.”
    “Como tem o potencial de afectar a distribuição – e por isso o preço – milhares de pequenos agricultores já manifestam a sua preocupação e pedem ajuda.” “Muitos destes produtores já usam árvores de grande porte para fazerem sombra e manterem as plantas de cacau frescas.”

    “O relatório faz uma série de recomendações adicionais.” “Esses incluem sugestões de colheitas alternativas para ajudar a atenuar o risco de danos, bem como implementação de medidas para minimizar o risco crescente da ameaça de incêndios incontroláveis durante períodos de seca.” “Outras das soluções propostas são a possibilidade de transladar as plantações para zonas mais elevadas, limitado às planícies do território da África Ocidental, investimentos em sistemas de irrigação melhorados, e estudos científicos que se foquem em mais variedades cacau tolerantes ao calor.”

    “Os resultados do estudo servirão a decisores políticos para futura aplicação no Projecto de Sustentos de Cacau da Fundação de Cacau Mundial, uma parceria público-privada que visa ajudar a melhorar a produção de cacau e os rendimentos do agricultor na África Ocidental.” “A sociedade é consolidada pela Fundação Melinda e Bill Gates, com 15 companhias de chocolate.”

    In CiênciaHoje

    Pratiquemos o bem

    Pois o bem

    Fica-nos bem

    Deus abençoe São Tomé e Príncipe

  5. Anca

    29 de Novembro de 2011 as 3:11

    Tenhamos em atenção as alterações climáticas, derivadas de praticas de más praticas ambientais causado pelas ambições/labutas dos Homens, no planeta.

    Pratiquemos o bem

    Pois o bem

    Fica-nos bem

  6. SUZANA

    29 de Novembro de 2011 as 20:44

    O TAMANHO NÃO INTERESSA ?

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