Opinião

Estaremos todos melhores dentro de cinco anos?

Interrogação de Ludmilo Tiny. Estudante em Portugal, numa reflexão  sobre o momento actual do país, aponta algumas pistas que podem promover o bem estar das populações, e não de grupos, amigos, e clientes permanentemente em contenda. 

Depois de todo o País se ter verdadeiramente ocupado dos assuntos que mais relevam para o desenvolvimento socioeconómico da sociedade – existência da eterna carta de renúncia de um deputado; viagem para o exterior de um réu com julgamento marcado; a não auscultação do partido do Governo por parte do Presidente da República sobre a eterna carta de renúncia e a consciência do Presidente da Assembleia Nacional ou o regimento deste órgão como fonte de decisão – suponho termos já reunidas as condições para pensarmos. Sim, pensarmos, pelo menos, um bocadinho.

Dentre muitos mitos que têm comprometido a execução do programa de desenvolvimento nacional, ressalta-se a existência de uma falacia segundo a qual a relevância de um assunto para o País depende do número de órgãos de soberania envolvidos na sua discussão ou do “barulho social” produzido. A isto designo de “febre da histeria nacional”.

A importância nacional de um assunto depende do grau, da intensidade e da escala dos efeitos a ele ligados. Naturalmente que para esta falacia contribuem a comunicação social com o seu deficiente profissionalismo e determinados sectores da sociedade civil que, sustentados em duvidosos dizeres tais como “ê sô do partido glorioso, os gloriosos é que têm razão” ou “deixa governo trabalhar, xê”, paradoxalmente subestimam as prioridades objectivas como, por exemplo, o bem-estar das pessoas propriamente dito.

Em sociedades onde a cultura política é quase nula e a qualidade da opinião pública é tremendamente má, os órgãos de soberania e a comunicação social ocupam-se demasiadamente com assuntos sem grande interesse prático para a sociedade.
Pensemos um pouco. A discussão fervida e profunda sobre os assuntos acima enunciados é verdadeiramente vital para o desenvolvimento socioeconómico das pessoas? A população de São João dos Angolares, a título de exemplo, terá acesso regulamente a água potável depois de se saber porquê que Manual Pinto da Costa não recebeu Levy Nazaré ou Patrice Trovoada sobre a eterna carta de renúncia?

A discussão sobre as dívidas do Partido de Convergência Democrática (PCD) para com os seus militantes e dirigentes ou sobre a pseudo-amizade (hoje, inimizade?) entre o deputado (?) Amândio Pinheiro e o empresário Delfim Neves resolve os problemas do Hospital da Ilha do Príncipe?

É evidente que a resposta a essas questões não pode deixar de ser, para o presente momento, um não redondo, convicto e sem qualquer margem para dúvida.  É também provável, porém, que este artigo possa estar a partir de um pressuposto errado, o que de o nível actual de satisfação das pessoas é alto, e que dentro de cinco anos manter-se-á inalterado. Reparem bem que todos estes episódios trágico-cómicos podem corresponder ao normal anseio da sociedade, e, se assim for, então, tudo o que afirmo, aqui, não faz sentido. Deixemos este pormenor aos sociólogos, todavia.

Gostaria apenas que nós todos pensássemos no seguinte: a população são-tomense estará social e economicamente melhor dentro de cinco anos? A resposta passa por um exercício sério e rigoroso de pensamento e de mudança de atitudes relativamente a assuntos verdadeiramente relevantes, dos quais decorrem efeitos práticos na vida das pessoas.

Deveríamos todos – jornalistas, políticos, cidadãos, empresários, estudantes, especialistas, etc – nos debruçar sobre como contornar a forte dependência do financiamento externo aliada à profunda crise financeira internacional.

O que realmente importa para a vida das pessoas prende-se com a execução de uma estratégia de captação de investimento privado externo, por exemplo, medidas para atracção dos empresariados brasileiro, indiano, taiwanês e dos Emirados Árabes Unidos; efectivação de medidas urgentes e estruturais para a rentabilização da riqueza bruta da zona norte; e transformação do país num polo de fornecimentos de produtos aos mercados gabonês, angolano, nigeriano, equato-guineense e togolês. Notem que subjacente a esses três exemplos está a ideia de execução imediata. Ou alguém tem dúvida de quais devem ser as medidas a tomar em nome do progresso do País?

Se hoje perdermos demasiado tempo com os pseudo-assuntos, como a eterna carta de renúncia ou com as viagens dos réus com julgamento marcado, como se tratassem de problemas tão difíceis de resolver, dentro de cinco anos não estaremos melhores. Vale, por isso, dizer que o efeito prático positivo da histeria nacional é quase nulo.
É mesmo vital para a vida das pessoas? Eis a interrogação que deve presidir a qualquer discussão nacional.

Fevereiro de 2012

Ludmilo Tiny

    28 comentários

28 comentários

  1. rapaz de riboque

    29 de Fevereiro de 2012 as 9:22

    até me da vontade de rir este jovem ainda não viu bém a realidade nem sabe bém a mentalização do nosso povo mas espero que sim

  2. Valentim Cravid

    29 de Fevereiro de 2012 as 9:24

    Não!

  3. Pedro Cravid

    29 de Fevereiro de 2012 as 9:40

    Concordo consigo,perguto-me a mim mesmo será que em cinco anos estaremos melhor?..concerteza que não,sabe meu caro o nosso país para saír disto não custa, disto tenho a certeza basta ficar-mos atentos e criar mais uma segunda revolta para libertar mais uma vez destes o nosso país destes politicos que temos,só assim garanto-lhe que tudo mudará.Todos politicos Sãotomenses são todos iguais desde Manuel Pinto da Costa,Patrice Trovoada,Delfim,Rafael Branco,Bidão,Posser,Adelino Izidro,etc…nenhum deles querem o progresso de São Tome e Prícipe,este presidente da republca falou ao longo da sua campanha combater a corrupção até hoje não vimos nada,disse que iria ver os dossier de petroleo ate a data não disse nada…enfim…assm vai o nosso país.

  4. Homem

    29 de Fevereiro de 2012 as 9:49

    Se o OIL sair estaremos pior.

  5. Nando Vaz (Roça Agostinho Neto)

    29 de Fevereiro de 2012 as 9:57

    Mais uma razão para extinguir o simi-precidencialismo!..

    Milo, gostei deste tua reflexão e questão.Do meu ponto de vista acho que não deve haver nenhum diálogo ou consenso com atual geração política, visto que eles já deram provas que são bandos de incompetentes, sem capacidade de senntido de afeto e sem noção de ética de responsabilidade para com os Santomenses. Eu sou um jovem que passo todo meu tempo livre fazer pesquisas sobre política.Das pesquisa efetuada até esta parte cheguei a seguinte conclusão:
    Os grandes classícos e pensadores políticos passo a sitar um deles o “Montiquieus” o mentor de separação de poderes, são claro sobre varios factores relacionados com a política e nosso caso que é S.T.P não pode fugir a regra.”quando se emplementa um determinado regra ou regime a uma determinada região ou estado, se o mesmo não tem estado a resolver os reais problema do povo, visto que a política é ciência do bem comum,obrigatoriamente os autores políticos tem que mudar o sistema de governo. Para dar respostas em tempo real os verdadeiros anseios e necessidade da população.

  6. manager

    29 de Fevereiro de 2012 as 10:54

    Nada meu caro amigo, isso não vai acontecer de maneira nenhuma, olha já agora um conselho, seria bom aprenderes a assinar acordo, porque em STP o que vale é assinar acordos.

  7. Matazele

    29 de Fevereiro de 2012 as 13:15

    Até lá muitas coisas devem ser esclarecidas, por exemplo:
    Porquê o nome de Agostinho Neto, na Roça Rio do Ouro.
    Só Rio do Ouro?
    Ribeira Peixe!
    Santa Margarida!
    Explicação.

    • Horácio Will

      29 de Fevereiro de 2012 as 14:01

      Ludmilo,
      Grande abraço pela dedicação à causa que é de todos nós.
      Precisamos de uma terra onde as pessoas sintam vergonha pelos erros que cometam em prejuízo da mesma. Ou, que houvesse mecanismos legais de dissuasão das práticas de delitos lesa-pátria.
      Nós só mencionamos os erros que todos já viram mas nunca criamos postura de força para contrariar o que nos atinge.
      Quando se fala e bem da libertação do povo do jugo destes políticos como disse o Pedro Cravid, fico a perguntar: quem os substituirá?
      Já vi tanta gente a se queixar…
      Tentem organizar uns convívios entre amigos para gozar o prazer de estar entre gente nossa que nos faz falta no estrangeiro. Quando menos se espera, ouve-se que está organizada uma associação, que já há contactos com governantes no país sem que a maioria dos presentes, nem mesmo quem organiza o convívio, saiba onde se encontra metida.
      Fica-nos a sensação de que muitos só falam à espera das suas oportunidades para serem iguais ou piores.
      Agora pergunto daqui a 5 anos teremos nova mentalidade de sinceridade para haver confiança e investimento de cada cidadão na nossa construção?

    • Pála stléno

      1 de Março de 2012 as 17:20

      Olá meu amigo Ludmilo Tiny! Olha Gostei imenso deste artigo de opunião que o meu amigo trouce para este grande palco de informação que é o tela nón. E eu sou daqueles que acredita que STP sairá do marásmo em que se encontra. Digo isso porque desde o ensino secundário passando pelo liceu até terminar a minha licenciatura estudei muita história como qualquer outro estudante, e vi que a própria história nos ensinou que as coisas não vão só. Houve sempre momentos de interrupção deste ou aquele regime ou sistema dentro de qualquer sociedade. Tomemos como exemplo o Grande Napoleão Bonaparte em França com toda a sua força, o grande poderio que a monarquia tinha na inglaterra em que o Rei abusava do povo, cobrando impostos exagerados, o que provocou o surgimento da famosa carta magna inglesa que diminuio poder ao Rei e que teve influencia nos países ocidentais até os nossos dias, e muitas outras situações que será faustidiouso aflorar aqui neste fórum. por isso acredito que, ainda que não seja dentro de cinco anos mas STP vai mudara.Eu só queria queria retificar algo que não conrresponde a verdade: O Presidente da República recebeu o MLSTP e PCD ao pedido destes e o ADI não pediu. Mas mesmo assim o Presidente da República chamou Evaristo Carvalho não como presidente da Assembleia mas sim como Vice-Presidente Presidente do ADI.

  8. Deputado

    29 de Fevereiro de 2012 as 15:13

    ingenuo

  9. Mendes Rosario Cabral

    29 de Fevereiro de 2012 as 16:11

    Açafrão – Era a especiaria mais cara do mundo durante os Descobrimentos. Hoje, serve para temperar comida, mas naquela altura era o “viagra” de muitos. Até os gregos acreditavam que o seu efeito nas mulheres era potenciado pelo consumo de açafrão – diziam que as mulheres ficavam loucas, de tal forma que não pensavam noutra coisa que não sexo

  10. luisó

    29 de Fevereiro de 2012 as 16:40

    Melhores?
    deixa-me rir …

  11. Vane

    1 de Março de 2012 as 1:15

    Gosto de pessoas ousadas e questionadoras, por isso este estudante merece meus parabéns pela iniciativa de provocar uma reflexão nos leitores desde jornal.
    Gostaria de acrescentar que sem educação não há solução!
    É preciso sair da zona de acomodação e conforto para que o novo aconteça, portanto se a população não tiver cede de crescer, descobrir, ousar, empreender, questionar, acreditar nos seus valores como ser humano, se comportar como ator principal da sua história, sinto muito não haverá possibilidade de melhoras nos próximos 5 anos e sim a mesmice e a rotina velha e cansada do pensamento antigo e negativo onde não há possibilita de progresso…enfim poderia ficar horas aqui escrevendo mais acho q pelo menos deixei minha pequena opinião.
    Por que um país tão rico de bens naturais como STP não prospera?
    O povo santomense sabe realmente do seu potencial?
    Até quando vai viver de ajuda e doações?

  12. Vane

    1 de Março de 2012 as 1:21

    STP é show, precisa é de mentes novas com vontade de trabalho empreendedor…

  13. Voçê entendeu!!!

    1 de Março de 2012 as 1:58

    Passei sé para informar que se retifique o nome do Sr.Dr Manuel Pinto da Costa.

    “…São João dos Angolares, a título de exemplo, terá acesso regulamente a água potável depois de se saber porquê que Manual Pinto da Costa não recebeu Levy Nazaré ou Patrice Trovoada sobre a eterna carta de renúncia?”

    Obrigado

  14. Preto

    1 de Março de 2012 as 11:26

    Meu caro amigo, com os políticos da nossa praça, nem daquí a 100 anos. São “FRACOS”.

  15. lyetet mendes

    1 de Março de 2012 as 14:09

    SONHA NAO FAZ MAL A NINGUEN NÉ?????? QUE DEUS TE ESCUTA MEU IRMAO….

  16. Nilva

    1 de Março de 2012 as 22:31

    Olá a todos, não só esta questão como muitas outras de aspecto negativo merecem a nossa inteira atenção. Estou totalmente de acordo com a opnião do Vane, bem notado caro amigo. A acomodação nãos dos leva a lugar nehum…….é uma pena que explanações sobre problemas de STP são sejam deixado de lado, as pessoas comentam, uns mandam bocas, mas depois passa e nada feito…a mente continua igal….realmente é uma pena mesmo…Meus parabéns Ludumilo, ao menos reflectiste um pouco……obrigada

  17. gualter almeida

    2 de Março de 2012 as 9:19

    espero que sim jovem mas temos que mudar muito e afastar os curuptos e dar oportunidade a sangue novo e nada de pessoas como o LÙCIO AMADO temos que abrir olho ele é mesmo uma peste

  18. estudante

    2 de Março de 2012 as 12:34

    bem sobre isto nos povos de são tomé ja estamos abituados,mas, porque não acreditamos que isto ira mudar?…….
    sangue novos pra quê? para roubar ainda mais …………….si cada um fazer a sua parte decerteza que o pais caminhara para um caminho melhor..

  19. Macua

    2 de Março de 2012 as 13:56

    Viver mal em STP é coisa de inteligente, é o tal jogo de quem perde é que ganha, coisa parecida. Não explicação para se viver mal em STP, mas não há!!

  20. Vanessa

    2 de Março de 2012 as 19:11

    Boa tarde Nilva, obrigada pelo comnetário positivo em relação a minha colocação, pois na verdade sou brasileira, já morei e conheço STP e sei que é um país com tremendo potencial e torço que um dia os santolas possam reconhecer o quanto são ricos e transformar isso em qualidade de vida!

  21. Vanessa

    2 de Março de 2012 as 19:12

    comentário*

  22. cabo verde

    2 de Março de 2012 as 19:46

    meus carros compatriotas, deixo-vos para reflexão algumas palavras de um grande lider que eu admiro e continuarei a admirar que foi o AMILCAR CABRAL.

    ele disse o seguinte:” DE NADA SERVE A INDEPENDÊNCIA, A LIBERDADE, SE NÃO É ACOMPANHADA DE CONDIÇÕES QUE PROPORCIONE AOS CIDADÃOS A POSSIBILIDADE REAL DE DELA TIRAREM PROVEITO. ESTAS CONDIÇÕES QUE SÃO TANTO DA NATUREZA POLITICA, JURÍDICA, COMO ECONÓMICAS E SOCIAL É QUE DEVE PRESSUPÔR A CONTINUIDADE DA LUTA.

    AS DEMOCRACIAS CONSTROI-SE TODOS OS DIAS, E TODOS OS DIAS DEVEM SER APERFEIÇOADAS….”

    os actuais governantes “cansados” do nosso país devem refletir e fazer aquilo que cabral chamou de ” saldar a dívida para com o seu povo”.

    MINHA GENTE, TEMOS QUE RESGATAR OS IDEAIS DA INDEPENDÊNCIA E DA DEMOCRACIA NO NOSSO PAÍS, TEMOS QUE DIGNIFICAR TODA A LUTA PARA O ALCANCE DESSES IDEAIS.

  23. Nilva

    2 de Março de 2012 as 23:48

    Se formo com essa ideia de que o sangue novo também será currupto é que nunca mais sairemos deste buranco negro…nunca mais mesmo…poque o que acontece é que os que estam no poder não dão chanses aos outros neste caso aos jovens…e povo continua votando neles justamente por pensar que os outros farão o mesmo ou pior..e uns continuam a votar neles para não perder alguns benefícios que tem,é a tal coisa do clientilismo… e assim vamos…..

  24. Germano da Silveira

    3 de Março de 2012 as 19:44

    São Tomé caflá. Flá cu boca na cá custafa ê.

    Mais na verdade concordo com outro que diz que sonhar não faz mal a ninguem. Também concordo com outro que diz que as coisas podem acontecer. Para isso é preciso Revolução Politica, economica, social e cultura. Portanto não me parece que esta revolução já esteja perto de São Tomé e Principe. Quem sabe nossos tretinetos dos tretinetos dos tretinetos dos tretinestos poderão conhecer os dias melhores nesta duas ilhas maravilhosas do arquipélago.

    Bem-haja!

  25. nelson pontes

    3 de Março de 2012 as 19:45

    Faz sentido colocar estas questões, penso que é bom o raciocínio e quero lhe felicitar por isso…só queria corrigir e dizer que S.joão dos Angolares há muito que tem água potável, aliás tens um dos melhores sistemas de tratamento de água existente no país. Mas por outro lado compreendo esta obsseção de dizer que angolares, ou seja Caué é a zona mais pobre do país…não se esqueçam que pobrza existe em toda a parte do país.

  26. Catia

    6 de Março de 2012 as 17:57

    Gostei de ler o seu artigo de opiniao. Sou filha de Sao Tomenses e pelo que tenho visto, ouvido os meus pais falar a muito tempo acho que a mudanca comeca com cada cidadao e mesmo para aqueles que estao fora, se alguem tiver interssado em ajudar o pais o melhor e’ se candidatar para um cargo politico nem que seja para a junta de freguesia porque o Obama tambem comecou debaixo para hojer ser Presidente. Sim, a mudanca e sim para uma nova lideranca.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Recentemente

Topo