Opinião

SONHAREMOS DE NOVO COMO EM ABRIL DE 1974?

Mais uma matéria de reflexão de Horácio Will. Quadro são-tomense radicado no norte de Portugal. Antigo professor primário na Vila da Madalena, que continua a estudar a realidade nacional, e a contribuir para São Tomé e Príncipe ser um país de valores, próspero e unido.


SONHAREMOS DE NOVO COMO EM ABRIL DE 1974?

Repensando o que já disse depois de muito pensado

Já sonhamos que iríamos todos construir uma Pátria renovada, sem exploração do homem pelo homem, sem minorias privilegiadas, onde os homens eram livres de fazerem críticas construtivas e os criticados corrigiam os seus atos, prometendo não repeti-los. As nossas aulas de Formação Política eram orientadas nesse sentido.

Hoje somos mais um simples exemplo acabado de que a miséria dos homens fará a opulência dos seus semelhantes. Encontrámo-nos numa situação em que muitos se sentem anestesiados; algumas vozes ainda clamam a justiça negada por próprios irmãos pátrios; certos falarão da necessidade do equilíbrio social de forma sentida e outros por pura demagogia.

Se considerarmos que as horas que passam serão mais aproveitadas por uns que por outros na edificação dos respetivos patrimónios, nunca existirá um equilíbrio na posse de bens materiais. Entretanto, devemos exigir sim e apenas a justiça na distribuição do bem social como forma de premiar quem mais fizer pelo crescimento pessoal beneficiando o desenvolvimento do país.

O que se passará em STP?

Talvez haja uma alguma diferença justa de rendimentos entre os maiores e os menores empreendedores. Todavia, poucos cidadãos receberão o prémio merecido pelos seus esforços.

O rendimento dos trabalhadores, as riquezas naturais, as ajudas externas ao não terem um direcionamento adequado para o prémio a quem trabalha e para o melhoramento dos sectores de saúde e de educação, será por si só uma forma de injustiça e de impedimento do crescimento socioeconómico.

Muito fácil foi e é criticarmos aos que sujeitam e colaboram ou aos que impõem ao país à situação de naufrágio. É chegada a altura de nos pormos ao lado de todos para melhor entendermos cada homem e a sua condição.

1. Ao falarmos da ética, queixamo-nos dos indivíduos que em vez de votarem em consciência, fazem campanhas para quem lhes prometa melhor emprego que lhes melhorará o nível de vida e, também, dos que se submetem ao banho.

Repensando:

Se estivéssemos no lugar desses mesmos compatriotas, sem água canalizada, a necessitar de percorrer quilómetros à chuva para recolha de produtos alimentares nos seus terrenos ou sem esses meios, mas com necessidade de alimentar os filhos sob a ameaça de terem de sair do país à procura do incerto ou pior: não terem esperança de poderem sair à procura de o que for. Tendo filhos o que faríamos?

2. Sabemos que num país em desenvolvimento harmonizado, as pessoas academicamente formadas, em proximidade relacional com a população, seriam de valor incalculável para o desenvolvimento multifacetado da sociedade. O que faríamos se estivéssemos no lugar da chamada elite são-tomense de “nariz levantado” que se sente ter-se preocupado com a sua formação mas, não aufere rendimentos de acordo nem tem oportunidades para revelar os ricos conteúdos adquiridos?

Diante de uma população empobrecida, o que naturalmente propende a menor dedicação de respeito adequado a cada cidadão, talvez não seja fácil descobrir novas formas saudáveis de convivência.

3.Aos indivíduos como o Júlio esperto que tinha uma bucha e descobriu o sucesso da mesma passando a adquirir muitas de forma prejudicial para terceiros, podemos pedir que ele suspenda as suas aquisições até que todos tenham a sua bucha?

Tanto estes como os que muitos consideram que são os esbanjadores da economia do país sentem o poder e o bem-estar que os recursos materiais proporcionam. Já calculámos que entre tais pessoas existe também o medo? De facto é medonho saber que ao sair do alto poderemos cair no caos que é a vida do cidadão comum na atualidade.

Precisamos simplesmente de reduzir as diferenças para que do alto ninguém tema uma queda vertiginosa e para que de baixo ninguém tenha necessidade de correria sôfrega para o incerto.

Nessa altura, haverá racionalidade em todos os quadrantes da sociedade em prol do crescimento do bem comum.

Não é um sonho. É uma real possibilidade e temos à mão a ferramenta necessária. Basta-nos ativar o quinto poder, o último, o maior de todos. Aquele que não existe e legitimamente seria o primeiro. Aquele do qual falaremos num dos próximos dias.

Muito brevemente

Horácio will

    3 comentários

3 comentários

  1. cybordays

    24 de Abril de 2012 as 11:12

    Diga-nos qual é o quinto poder para ver se podemos lutar por ele.

  2. O não preconceituoso-rosario

    26 de Abril de 2012 as 13:00

    Os meus elogios são sempre registados quando o Tela Non publica artigos como esse e muitos outros que levam o leitor a reflexão.Ao deixar o meu comentário sobre o artigo acrescento sempre algo que pode afastar-se um pouco do contexto mas sem desrespeitar ninguem solto-me um pouco nos meus desabafos.Refetir,ponderar,reconsiderar são sinónimas ,mas ao refletirmos sobre algumas decisoes que envolvem as vidas dos outros,ai temos que ponderar e em determinados momentos sentir que fazemos parte de um todo.Fui estudante em épocas distintas,STP,colónia portuguesa e STP pós independência.Após a independência formação politica era obrigatória e os ensinamentos da doutrina comunista -marxista leninista faziam parte do programa curricular das escolas.Doutrinava-se expressões modelos:igualdade,não ao capitalismo,exclusão da exploração do homem pelo homem,valorizava-se a classe operária e sociedade igualitária,mas o tempo proovou o contrário,tudo autentica hipocrisia e em democracia atual ,os veiculadores dessa doutrina ainda estao presentes e duvido que tenham mente aberta para provar o contrario pois em democracia ainda prevalelece a hipocrisia,a injustiça social,a arrogância,o preconceito,o egoismo,a perseguição,a falta de humanismo,ausência da consciência,falta de ética profissional e politica ,todos esses fatores estão bem presentes em os quatro poderes.O “EU” ,o egoísmo exarcebado pensa , que a sua formação foi conseguida de forma isolada e independente .ERRADO,pois os outros contribuiram para a sua formação e como recompensa recebem a pobreza, a miséria.O exemplo de servir bem as populações tem que ser notáveis para que o povo sinta mas para isso tem que partir das autarquias,do governo,assembleia e da presidência.Construir uma sociedade mais justa.Eu posso,tenho poderes e faço o que apetece deve ser refletido,porque o povo avalia,pois ele é um dos poderes e muitos mais existem. Em verdadeira democracia as organizações sindicais mediante reinvindicações,manifestações ,direito proprio podem pressionar e chamar a responsabilidades os que convivem com a hipocrisia e os que se acham imunes,intocaveis.O POVO É QUEM MAIS ORDENA. Trabalhemos em união e sem vícios ruins pela renovação da nossa sociedade.Bem-haja.

  3. Quem é a verdade?

    2 de Maio de 2012 as 9:36

    Os políticos não nascem políticos.
    Saem do povo e são livremente eleitos pelo povo.
    Se cada cidadão tivesse uma postura diferente da que temos tido, decerto teríamos políticos diferentes dos que hoje temos.
    Como pode um povo votar por um político comprador de consciência e ter a barriga cheia por um dia ou uma semana mesmo sabendo que irá passar mais 5 anos de miséria?
    Se na verdade quiserdes ter um país melhor, que seja para os teus descendentes, tenha você mesmo uma postura diferente.

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