Jornalistas amordaçados no dia da liberdade de imprensa

Com um silêncio frio num dia de chuva intensa em São Tomé Príncipe, os jornalistas são-tomenses e as instituições ligadas a comunicação social, reagiram ao 3 de Maio, dia liberdade de imprensa.

A liberdade de imprensa é uma realidade em São Tomé e Príncipe, desde o advento da democracia pluralista em 1991. Nunca um jornalista são-tomense foi agredido no exercício das suas funções. No país até agora calmo, ninguém perdeu a vida por causa do conteúdo de uma reportagem radiofónica ou televisiva, ou por desabafo feito nas redes sociais.

No entanto este ano o dia da liberdade de imprensa assinalado 3 de Maio, ficou marcado por um profundo silêncio dos jornalistas.

Na TVS, o Téla Nón contactou pelo menos 5 jornalistas para emitir a sua opinião sobre a liberdade de imprensa em São Tomé, mas todos recusaram. Na “Televisão de Todos Nós”, nenhum profissional ousou falar sobre a liberdade de informar e de ser informado, tanto para o Téla Nón como para outro órgão de comunicação social, presente na estação televisiva para ouvir os profissionais.

O Sindicato dos Jornalistas, veio comprovar que a classe está amordaçada. Fonte da Direcção do Sindicato contactada para falar, respondeu que a organização representante de todos os jornalistas, impôs blackout no dia da liberdade de imprensa, porque segundo a fonte do sindicato, há questões litigiosas a serem tratadas com o Governo. «Se falarmos teremos que tocar nestas questões. Não queremos abrir feridas e nem toda gente está disponível para enfrentar a guerra que pode advir deste pronunciamento», disse o membro da direcção do sindicato, que falou com o Téla Nón.

O Conselho Superior de Imprensa, órgão máximo de fiscalização da actividade da imprensa no país, também optou pelo silêncio. «Não. Ninguém vai falar sobre isso. Estamos a espera que nomeiem os novos membros para o conselho. Deve estar a recordar das asneiras que se falou no parlamento, contra nós», disse um dos membros do Conselho.

Silêncio pesado, a dominar a classe dos jornalistas. A violência física contra os jornalistas não é prática em São Tomé e Príncipe, mas mecanismos de pressão e de represálias foram sempre activos na relação entre o poder e a imprensa.

São de Deus Lima, Jornalista do Semanário Kê Kua, não está amordaçada. «Se comparar São Tomé e Príncipe com determinados países no mundo, dir-se-á que há um grau apreciável de liberdade de imprensa. É verdade que a repressão e o condicionamento são mais discretos», afirmou a jornalista.

Queixas de censura são habituais no seio dos jornalistas pertencentes aos órgãos estatizados da comunicação social. «A preocupação quer de jornalistas quer de membros mais atentos da opinião pública, prende-se com o direito a informação. É aí que se faz sentir mais a nível dos órgãos de comunicação social estatais, uma limitação, e muitas vezes uma supressão do direito a informar e do direito a ser informado», reforçou São Deus Lima.

Um problema antigo, que persiste no tempo. Nos últimos tempos aumentou a pressão sobre os jornalistas e o controlo directo sobre notícias. «Esta situação não é de hoje, mas há momentos que levam a conclusão, de que no que toca ao direito a informar e de ser informado, essa tentativa de controlo da informação se agravou», conclui a jornalista do semanário Kê Kua.

Abel Veiga

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    ddd Responder

    Eu subscrevo esta noticia, é algo imperativo. Não se entende o porquê das coisas, em São Tomé todos nos estamos condenados a criticar , é bom criticar mas torna mau criticar e não apresentar propostas para sua solução, é normal o governos não foi posto capas de dar resultados concretos a todo que se quer em São Tomé e Príncipe, se somos quadros qualificados o nosso papel é de contribuir por um São Tomé cada vez melhor. veja uma coisa é normal um analfabeto criticar porque ele não entende ao fundo o conteúdo das coisas. veja um formado a criticar, criticar e criticar sem propostas, é uma vergonha e muita vergonha.quem apoio a entrada deste governo foi todo nos agora vamos lhes ajudar a trabalhar. deixemos de pensar em nos pensemos num São Tomé melhor.

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    Mimi Responder

    Faz-me concluir (finalmente) que estamos numa ditadura mascarada de democracia!

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      P.P.P Responder

      Completamente senhora Mimi. Acha que existe outro regime em S.T.P? É mesmo ditadura mascarada. Quem se atreve a falar mal do Patrice em S.T.P dentro do jornalismo estatal? Não há ninguém com aquilo no sítio que ousa fazer uma coisa desta. Patrice é uma espécie de Rei ou Monarca em S.T.P e os jornalistas da TVS e da Rádio Nacional temem-no e veneram-no. Alguém tem dúvidas sobre isto?
      O problema é que tudo isto reflecte no desenvolvimento do país. Há pouca ou nula transparência, mais corrupção, menos liberdade, mais… E assim vamos construindo um lindo país para os monarcas perpetuarem-se nele.

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    João Carlos Responder

    Meu ponto de vista, se os jornalistas não pronunciaram nada, se calhar porque nada tinham para falar. Agora eu não vejo ditadura nenhuma em S.Tomé, nem tão pouco censura da parte da comunicação social, até porque todos os jornais, radio e tv,falam e escrevem, quando esta bem e quando esta mal, por isso vamos falar a verdade e deixar de dizer que em S.Tomé e Príncipe a liberdade de expresão não existe.
    Como exemplo, temos o jornal Telanon, quando as coisas andam bem no país,eles falam, mas também quando é para falar a verdade, das coisas erradas que existe, estão sempre presente…
    Viva S.Tommé e Príncipe

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      P.P.P Responder

      Senhor João Carlos o “Tela Nom” não é jornal ou meio de comunicação estatal. Venha para cá trabalhar na televisão ou na rádio nacional para ver se o senhor fala ou diz alguma coisa contra o Patrice Trovoada. Experimenta fazer isto se o senhor tem aquilo no sítio.
      Fui

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        João Carlos Responder

        Se isso fosse assim tão radical, nunca haveria ataques diretos contra 1º ministro. Não sou a favor do 1º ministro, mas que eu saiba, na tvs, cada um fala o que quer e como quer, seja o partido que for ou mesmo jornalista que for. Agora se t~em medo de falar, n depende mais dos politico. Até reconheço o medo de não falar, pelo facto do país ser pequeno e todos dependem uns dos outros, que pena mesmo…enfim…mas n quero estar aqui a defender ninguem, só estou a ser relaista…

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          Mina Piquina Responder

          Ataques aonde senhor João Carlos? Na rádio nacional? Na TVS? Dia-me, pot favor.
          Fui

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      Mimi Responder

      O Jornal Tela Non parece-me ser independente. A Radio Nacional e TVS viram-se como podem para serem notados e satisfazer o poder. Que nem ousem dizer o contrario/criticar… A que se chama isto?

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    João Carlos Responder

    Queria eu dizer, “não há liberdade de expressão”…

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    Adler Santiago Responder

    Dado a situação económica, politica e por aí fora, existe sim em STP a auto-censura. Penso que não existe ditadura.
    O que me preocupa são os frequente anonimato nos jornais online. Todos criticam mas não assumem sua críticas.Gostaria que as direcções dos jornais online começassem a regularizar estas críticas.
    Temos que procurar fazer críticas construtivas, não as que têm estado a surgir neste jornal. Isto é pouca vergo
    tonha.

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      Fijaltao Responder

      Adler Santiago, respeito a sua opinião, mas parece-me que o meu amigo não conhece o povo , a sociedade civil e politica santomense! O senhor sabe muito bem que nós santomenses não estamos ainda preparados para aceitar uma crítica directa, pois somos rancorosos e vigaristas capazes de prejudicar o próximo ou nosso irmão por não ter gostado de uma chamada de atenção1 Por isso. deixe como está, não fomente guerras entre nós, pois está muito bem assim. Quem sentir a carapuça enfiada que assuma e corrija os seus erros embora que ocultamente. Fui…

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    jaka doxi Responder

    “A violência física contra os jornalistas não é prática em São Tomé e Príncipe, mas mecanismos de pressão e de represálias foram sempre activos na relação entre o poder e a imprensa.” Certo,mas o meu caro esqueceu-se de dizer que a maioria de jornalistas fazem parte deste jogo sujo.

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      I.G Responder

      Querem um exemplo? A TVS, a rádio nacional. E, já agora, “O Parvo” que se transformou no maior pasquim do Patrice Trovoada.

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    kassav Responder

    Sabiam que:
    Alguns jornalistas da TVS sofreram ameaças?caso pronunciacem sobre o dia?
    Tudo isto porq querem respeitar seu pão.E aí o profissionalismo não conta.Ou vão pra casa…..

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    luisó Responder

    A liberdade de imprensa escrita ou falada é um esteiro da democracia e por isso não pode nunca estar dependente de jogos políticos ou à espera de reuniões ou consensos entre os jornalistas e os governos, porque senão ficam reféns destes, como se pode constatar.
    É uma pena, para não dizer outra coisa, que os jornalistas não falem ou escrevam com receios do que os governantes possam fazer e a isso chama-se jornalismo amordaçado ou censura, porque a imprensa livre fala e escreve sobre o que o povo pensa anseia e esse meio é importante para que a democracia se faça.
    A continuar assim voltamos ao tempo do “Estado Novo” e ao antes de 1991 da democracia pluralista.
    Infelizmente é assim que começam as ditaduras…

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    Argenezio Antonio Vaz Responder

    O problema não é do PODER mas dos jornalistas. Temos que ser realistas

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    N.C Responder

    Queiram me desculpar srs jornalistas,mas nao existe nem ditadura mascarada,nem opressao linguistica ou seja la o que quiserem de chamar em S.Tome.Infelizmente o nosso pais sempre foi assim,e nao sei porque so agora tentam condenar o sr 1 Ministro.Cada um e livre de falar seja o que for,mesmo sendo jornalista de qualquer orgao,seja estatal ou privado,mas terao que faze-lo mediante a responsabilidade e dever etico.Se um jornalista se acha no seu dever de publicar algo que seja verdadeiro,de certeza que nao importaria perder o seu tacho,porque senteria em paz com a sua consciencia
    Infelizmente na nossa terra,os jornalistas optam e deixam se vender por uma duzia de milhares de dolares e de certeza que nao conseguirao fazer jornalismo e politica ao mesmo tempo.Esses “falsos” jornalistas perdem o brio profissional e tentam se transformar em politicos.
    Hoje fala-se que a radio,a tv se deixou levar e sao carascos do 1 Ministro.Nao foi sempre assim?Que eu me recorde,sempre que a mudanca de governos no pais,muda-se de directores de diversos orgaos estatais.Quantos jornalistas nao temos que ao inves de fazerem jornalismos,metem se na politica,uns tornam acesseros de impressa,outros em secretarios e membros de partidos?Penso que os jornalistas nao deveriam se expressar publicamente a sua filiacao politica.Todos aqueles que sonham em serem jornalistas,ja sabem de antemao que em termos salarias e financeiros,nao terao a devida compensacao.Se o fazem e por amor e nao por dinheiro.Entao meus srs deixem de se meter na politica e fazem o vosso trabalho.De certeza se criticarem, com provas,nunca serao detidos.Podem ser exonerados,mas de fome de certeza que nao morrerao

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    Fijaltao Responder

    Como se costuma dizer! O fascismo durou o tempo que durou e caiu aos 48 anos; A URSS durou o tempo que durou; Os regimes autocráticos da famigerada ramificação Soviética como era o do Pinto da Costa Outrora, durou o tempo que durou e caiu aos 15 anos!…. Agora o regime democrático que em Portugal está durando durante 38 anos,também está em queda livre cuja trajectória é a crise europeia e está quase a aterrar em Ditadura democrática, outra forma de repressão suave principalmente sobre os mais pobres que é a maioria do povo! Estou em crer que embora a repressão camuflada contra a imprensa seja um facto em S.Tomé, ela não é única nos PALOP’s nem na CPLP! O que devemos estar atento é; não deixar que o regime conquistado com muito sacrifício se desmorone e caia também na Ditadura democrática como tem acontecido em Portugal, Angola e em muitos países do mundo da verdadeira democracia.Esta pequena nota para dizer que uma pequena crise económica ou politica em determinados regimes e sociedades democrática podem constituir motivos para essa Ditadura democrática, camuflando a repressão psicológica, tornando o elemento do povo demasiado depressivo tornando-o demasiado tolerante, resignando apenas o poder e da lei que o governa e o repreende psicologicamente.

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    VIOGO Responder

    O dono de parvo que se disfarsava de independente sério e objectivo andava mas é a fazer esquemas ou com o poder ou com quem está na oposição, consoante oferta. Ele só vive de jornal parvo. Como tem uma grande vivenda em S.Gabriel? Nem quem ganha melhor salário em STP pode ter esa vivenda. Agora ta chuxar Patrice e armar-se em jornalista inteventivo, com discurso duvidoso. E um mercenario jornalisto ao serviço dos politicos que dão mais.
    O Patrice só está a dar abo deste país. Com seu delfim que é o O. Medeiros que a todo o custo está a satisfazer os interesses de Patrice. Nunca a Com. Social esteve tão fechado. Assim vai o país … De resto saber quem é PT é algo que seria bom conhecer. Saí ao Pai. Afinal filho de peixe sabe nadar!

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    Fruta Pão Responder

    Sem comentário

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    arlindo fernandes Responder

    Quem cala consente,se os jornalistas nao falaram e porque tudo vai bem.Nos sao-tomense somos dificies ,nunca nada esta bem desde do tempo muito remoto por isso isto nao avanca.Forro nao quer trabalhar querem que tudo cai do ceu e trabalham os que vieram de fora

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    mosssad Responder

    Alguns comentarios sao favoraveis ou nao… mas de antemao sabemos que os santomenses sao na sua maioria interesseiros, os jornalistas santomenses sempre tomaram lados partidarios infelizmente nao o deveriam fazer de modo que podessem falar de forma livre e sem rabo entre as pernas. Mas se nao o fazem e por alguma razao, todos sabemos que eles recebem dinheiro por detras para denunciar os colegas que estao a preparar alguma noticia contra seja la quem estiver no governo, e pior ainda o Patrice Trovoada, que tem tanto dinheiro e nao se sabe como e que o obteve.

    Sera que o pais precisa de perder vidas para isso tomar outro rumo????

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    C & C Responder

    Eu, ao contrário de muitos falo por experiência própria,exerce o jornalismo na rádio nacional e TVS. As informações são altamente censuradas pelos directores dos referidos orgãos e devo vos dizer ainda que na TVS sobretudo, o Senhor Oscar Medeiros, sem ir ao terreno trabalha toda a informação que toca com o governo, altera e transforma a informação e de k maneira. Quem fala perde pão, o Ramusel por exemplo, que estava vir bem, mas agora menti muito na reportagens para agradar o governo. O Carlos Tiny parace que falaou alguma verdade foi posto de lado.

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    C & C Responder

    Desde que o director da TVS é politico a liberdade de imprensa esta em causa.,

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    alfa Responder

    PATRICE FORA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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    mosssad Responder

    Infelizmente a cultura de represalias em sao tome e principe sempre existiu.. e agora com o governos do Trovoada ainda muito mais..MAs neste caso o presidente da republica tem tambem a sua cota parte de culpa porque esta a deixar o pais nas maos alheias, tendo ele tambem cometido alguns erros em ter colocado cidadaos estrangeiros com assessores da presidencia, e pessoas incopetentes como o Joao carlos Silva.

    NAo sei ate que ponto o Pinto da Costa esta a falhar, mas que ainda nao deu provas de que quer ajudar a populacao isso ainda, para tal ele tem que avancar com medidas de que possam colocar sao tome noutro patamar e modo de vida sem represalias vingancas, odios e muito mais.

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