Análise

O QUINTO PODER

Todos verificamos que depois da independência presenciamos quedas e degradação de algumas estruturas de grande utilidade pública com preocupantes prejuízos para a população sem surgimento compensatório de várias outras que o país teve oportunidades de construir com a força de trabalho, com recursos naturais e com ajudas externas.

Para um futuro condigno ajustado ao povo, foi criado uma constituição, a priori, legitima salvaguarda dos interesses da nação. Criaram-se poderes com funções definidas visando a defesa de uma única entidade: O POVO.

Assim surgiram os poderes designados de órgãos de soberania:

1º – Presidência da República

2º – Assembleia Nacional

3º – Governo

4º – Tribunais

O povo não é referenciado. É pressuposto todos os órgãos de soberania existirem em prol da defesa dos interesses do povo.

Com os quatro poderes, mudamos de regime totalitário para multipartidarismo mas continuamos a sentir a falta de qualquer coisa. Talvez de um QUINTO PODER.

Diante do empobrecimento progressivo que se assiste e que se sofre na Terra, alguns clamam pelo PODER DIVINO enquanto outros se resignam. Discordo das duas posturas.

1 – Penso que Deus pretende ver homens livres não no sentido de depender que alguém ou algo lhes crie a liberdade, mas que sejam capazes de conquistar o seu espaço de autonomia com base na imposição do respeito pelos direitos que Ele já concedeu. Deus sabe que os filhos que nada conquistam, a quem os pais dão tudo, acabam por se tornar inúteis. Ele quer que os seus filhos cresçam abrindo os seus próprios caminhos.

2 – Quanto à resignação, acho que nunca devíamos consentir o mal aplicado aos outros e muito menos suportá-lo quando somos próprias vítimas.

Se não devemos suportar o que é mau e sabendo que Deus não dá mas sim ajuda a quem inicia e avança, qual seria o QUINTO PODER que nos libertaria de tão baixo Índice de Desenvolvimento Humano?

A sabedoria popular diz que “é o olho do dono que engorda o burro”.

Se todos os bens sociais são pertenças do povo, tanto os trabalhadores das áreas de menor exigência académica como todos os elementos dos diferentes órgãos de soberania são empregados do povo. Para ele devem trabalhar e dele devem receber – como todos os trabalhadores – as suas remunerações, de acordo com nível económico do país, embora se deva considerar uma diferença de salários em acordo com a responsabilidade exigida a cada um.

Um humano com poder ilimitado ou não controlado tende a se afastar até dos seus próprios princípios, é de toda a conveniência desenvolvermos capacidades e dedicação para seguirmos de perto os nossos trabalhadores evitando que possamos ter graves prejuízos, não por maldade dos mesmos mas por permissividade nossa.

Nesta ordem de ideias, o povo devia se organizar para constituir O QUINTO PODER. Curiosamente o 5º seria o último. Mas, na importância será o primeiro, será o maior porque será O PODER DO DONO. A entrega de poder absoluto a quem quer que seja, sem qualquer controlo dos próprios pertences levará à destruição de qualquer empresa. Próprios filhos dos donos passarão a ser pessoas menores diante dos administradores. Se esses administradores forem familiares estar-se-á a criar clivagens entre elementos da mesma família.

Victor Hugo dizia: “Entre um governo que faz mal e um povo que consente há uma certa cumplicidade vergonhosa”.

Concluo que os cidadãos, verdadeiros donos do património social, devem criar competências para se porem próximos da gestão das causas sociais porque isto cabe a qualquer dono que se preze.

Se houver interesses que impeçam à população de exercer os seus direitos?

Isto seria os donos deixarem de ter poder de decisão sobre o que é seu. Estaríamos diante de uma usurpação que ao ser infligida ao povo seria considerada ditadura – deficit democrático.

Difícil passar por mais um 25 de Abril, estar a falar de poderes sem abordarmos o tema DEMOCRACIA.

Em que estados tornados democráticos a partir do 25 de Abril podemos verificar de facto uma democracia?…

Falemos do nosso!

A democracia será inclusão do povo nas decisões do futuro que a ele diz respeito?

Será o gozo da liberdade de expressão?

Quanto às tomadas de decisão o povo só vota mudando ou não os políticos dirigentes e isto não o livra de poderes arbitrários. Só mudar os políticos não chega. É necessário ter voz de VERDADEIRO DONO para mudar a política quando ela se torna prejudicial, corrupta.

Quanto à liberdade de expressão verificamos que não se usa expressões que confiram a liberdade. São feitos desabafos ou lamentações para um próximo que tenha a paciência de escutar e tudo continua na mesma ou pior. É preciso saber fazer-se ouvir por quem é de direito fazer correções.

Registo como uma nota assustadora o comentário de um compatriota a afirmar que se os da diáspora estivessem no país não se atreveriam a assinar os comentários com o nome verdadeiro. O que se passará no nosso país? Reflitamos.

Se a democracia fosse estatuída e incrementada como uma prática organizada em vez de ser simplesmente anunciada, todos os cidadãos cumpririam o dever cívico de serem políticos dado que a política é a gestão de causas sociais e essas causas são de todos visto que o POVO É DONO do património social e como tal deve exigir que os “gestores” sigam o rumo definido e controlado pelo mais legítimo interessado, O POVO.

Não precisamos de ser eleitos para sermos políticos. Não sejamos políticos só na altura das eleições.

Há mais de três séculos e meio Antes de Cristo o filósofo Platão disse: “O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior.”

Talvez não seja correto considerar inferior a nenhum humano. Todavia, se consideramos que o que eleva com distinção a natureza humana é a preocupação com o próprio bem-estar e o dos outros, acredito que muitos poderão pensar que já fomos governados por “pessoas inferiores”.

Já imaginaram o que seria o país se depois de cumpridas as funções diárias, as pessoas se reunissem para falar das melhores atitudes a ter para utilidade pública e que medidas claras pudessem implementar para pedir explicações quando os poderes existentes não revelassem propósito para corrigir atitudes de laxismo e corrupção que lesam a Pátria?

Devemos constituir várias alianças patrióticas como forma de mobilizar organizadamente as massas no sentido de um PODER POPULAR sem anarquias, sem ódios, sem inveja, sem destruição nem marginalização de ninguém. Essa aliança terá mais força que qualquer uma que queira apenas reforçar os poderes já existentes.

O POVO FAZ A NAÇÃO. A qualidade do povo é refletida na nação. Todas as qualidades podem e devem ser metodicamente melhoradas.

A Aliança Patriótica foi ou é um grupo de jovens que considerei gloriosos no meu comentário porque indicaram-nos que na nossa sociedade as pessoas podem se reunir em grupos com reivindicações em determinados sentidos. Poderão ter feito um grande desbravamento de caminhos entre a população e os centros do poder.

Repito, pedindo aos jovens da Aliança Patriótica e às outras alianças patrióticas que surgirão pelo bem do país: que não lutem pelo reforço de poderes existentes. Constituam O QUINTO PODER, O PODER POPULAR.

Com a formação de um poder popular sólido e coerente, entre outras teremos as seguintes vantagens:

A – Redução dos casos de corrupção de desfechos não explicados.

B – Entrada dos rendimentos da força dos trabalhadores, da exploração dos recursos naturais e das ajudas externas na conta do Estado, com consequente criação de fundos para desenvolvimento interno.

C – Fomento da distribuição justa da riqueza nacional incentivando aos nossos quadros residentes a uma maior contribuição com os seus conhecimentos para o desenvolvimento multifacetado do país.

D – Redução da necessidade de recolha de bens alheios causadora de confrontos físicos graves e de desânimo dos que realmente pretendem produzir.

E – Harmonização da relação com os governantes com base na confiança que nasça da transparência, evitando assim, que os trabalhadores dos mais altos níveis de responsabilidade possam sentir que fazendo bem ou não serão inevitavelmente encarados com desconfiança.

F – Que a transparência deixe de fazer parte da boa vontade de quem quer que seja para ser fruto imperdível da VONTADE POPULAR.

Horácio Will

    13 comentários

13 comentários

  1. Despertar em Força

    5 de Maio de 2012 as 10:50

    Não vamos deixar cair esta onda. Ninguém fica de fora.

  2. Teresa Triste

    5 de Maio de 2012 as 10:59

    Estou tiste porque parece que não sabemos o que queremos mudar. Quando aparece um artigo como este, em vez de pensarmos todos e avançarmos, só comentamos e se for algum conhecido nosso.

  3. XYZ

    5 de Maio de 2012 as 15:26

    E que nem toda gente tem talento ou don de liderar. de ser um lider. Mas quando esses ex-candidatos todos tinham aperecido, pensamos que a nossa democracia iria ficar mais rica. Mas como nao deu certo pra muitos deles, entao…
    Onde e que estao esses malandros todos que candidataram a presidente de STP. Pensam que liderar e so no periodo de campanha.
    Caro Horacio, o que se passa e que ca no pais temos uma CRISE DE LIDERANCA bem forte. Nem os ditos partidos de oposicao. Estao como que inertes face aos acontecimentos ocorrentes no pais.

    • Horácio Will

      7 de Maio de 2012 as 14:56

      Se todos perguntássemos seriamente, o que fazer enão descansássemos enquanto não encontrássemos juntos uma solução para as faltas de respeito por nós, estaríamos a caminhar em direcção ao exercício do 5º PODER

  4. Ôssôbô

    5 de Maio de 2012 as 21:04

    Sr. Orácio!
    Li reli e tornei a ler o seu texto. Tens toda a razão! Convem pensarmos num quinto poder!
    Agora pergunto: em que molde este quinto poder será instituido?
    Tens alguma ideia?

  5. Constantino Will

    6 de Maio de 2012 as 10:28

    Ora viva!!! Lí,o artigo e gostei muito de ver aquilo que cá esta escrito, e posso dizer que gostei da tua linha de raciocineo, é fabulosa…
    E isso, é uma coisa que Nós(Povo), deveria estar atento e ao mesmo tempo disponivel, para essa criação do Quinto Poder, algo que provavelmente podera ser deficil mas, não impossivel, uma uma coisa,referiste atrás que hà cidadão em diaspora que escrevem algo, mas que assinam com nomes falsos,isso sem duvidas tem e terá sempre, mas isso tem haver com a questão de Heterodiegenea, se é que a palavra existe, porque para muito que estão fora da história(no exterior),preferem falar,ou descrever algo mas ao mesmo tempo preferem guardar a sua identidade(nome), porque têm medo de assumir aquuilo que falam.
    Mas, posso dizer-te que sempre que tive algum comentário a fazer,fi-lo com meu nome, o nome que aparecer ai,é proprio a pessoa que o esta a escrever, sem mas pormenor, meu amigo, um abraço para ti e espero que Nós(Povo) possa estar atento e disponivel quanto a esse Quinto Poder.

  6. Horácio Will

    8 de Maio de 2012 as 7:46

    Ôssôbô
    Eu não acredito que o quinto poder poderia ser afigurado na constituição. Seria a tomada de consciência dos são-tomenses para exigir que a transparência e a igualdade de oportunidade vigorassem acima da corrupção. Seria necessária uma boa dedicação em termos de sensibilidade das pessoas para serem firmes em busca de resposta para os casos mais prejudiciais ao país sem aplicação de medidas correctivas. Todas as sociedades crescem conforme as atitudes dos seus respectivos cidadãos. Se preferirmos comentar escândalos em vez de de discutirmos hipóteses de correcção, submeto-me à vontade do meu povo, mas não viverei tranquilo com o que vejo e oiço.

  7. Euclides Smith

    8 de Maio de 2012 as 16:24

    Caro Horácio Will,
    Para que o 5.º poder (Povo) possa prevalecer, o 4.º poder (Judicial), deve estar dotado de cidadãos espiritualmente formados, no bom sentido, isto é, do bem -fazer, capazes de querer bem ao próximo, seu irmão, como a si mesmo, primando pelo interesse público.

    Corroboro com a ideia de que a nossa sociedade precisa urgentemente de organizações civis que zelem pelo conhecimento das ciências ditas “Ocultas” e milenares, bem como as modernas como a Física Quântica. Seria um processo de “conheça-te a ti mesmo”. Julgo que um tal movimento espiritual tem vindo a ganhar forma, paulatinamente a nível mundial, com a divulgação de conhecimentos da humanidade.

    Há um ditado na nossa terra que diz: “Cuá de mundo sá úbua di ndala, quanto d´já cu bissu cá cumê, fica bassola?” Traduzindo: A vida são dois dias e o carnaval são très!”. A convivência entre nós, os cidadãos, deveria ser muito mais divertida, alegre e sã do que na realidade, se não houvesse tanto egoísmo e “uê- chaismo”.

    Nós, os cidadãos em geral e sobretudo os detentores de cargos do poder judicial, precisamos de cultivar mais o sentimento patriótico e de uma verdadeira nação, já que “somos todos primos” (STP). Apelo a um verdadeiro culto à Nação São-tomense, querendo bem a nós próprios, assim como aos outros, conforme a recomendação de Jesus.

    Assim, estaremos em harmonia e o 5.º poder, O Povo, também beneficiará e viverá minimamente feliz. Aliás, acho que o povo não é muito exigente!

    Esse pensamento é utópico, nos dias de hoje. A verdade é que algo deve ser feito na nossa sociedade por aqueles que têm luzes. Há 100 anos atrás, não era possível a viagem transcontinental, por via de transporte aéreo, avião, em menos de seis horas. Portanto, era utopia há 100 anos, hoje não é…

    Bem-haja a todos, principalmente às mulheres e aos homens de grande coração!

    • cybordays

      8 de Maio de 2012 as 21:11

      Euclides Smith
      O Horácio quis, ao meu ver, que o quinto poder seria a consciencialização dos cidadãos para saber dizer:
      – este erro tem de ter um responsável senão o poder tal (1º, 2º 3º ou 4º) não se revela a alturadas suas funções.
      Em vez disso, pessoas com alguma cultura acabam por falar de mais roupas sujas que sabiam, gritam que um dia acaba e dizem outras coisas que são próprias de quem não sabe dizer pára.
      O povo é pouco exigente sim, como disse o Euclides.
      Seria bom os filhos mais orientados organizarem a consciência de todos para não andarmos a festejar mais um escândalo com bate-bocas que não acabam e tudo a ficar na mesma.

      • Euclides Smith

        10 de Maio de 2012 as 6:25

        Cybordays,

        Se a ALIANÇA PATRIÓTICA (representante do 5.º poder, o povo) fizer uma denúncia, até mesmo, uma queixa-crime contra qualquer outro poder, seja ele o 1.º (Presidência da República), 2.º (Assembleia Nacional), 3.º (Governo) ou 4.º (Tribunais), o poder judicial, que nesse caso é o 4.º, tem de estar também organizado a altura de responder de um modo coerente e fazer cumprir a lei de forma justa.

        Para que tal aconteça, as mulheres e os homens que zelam pelo poder judicial, devem sentir-se necessariamente que também fazem parte do PODER POPULAR, pelo que, não deverão prejudicar a si próprios, com o incumprimento das melhores práticas de convivência social.

        O que eu me quis fazer entender é que o poder judicial é a pedra angular ao filosofal, se se quiser, de fazer prevalecer a VONTADE POPULAR, no sentido do BEM da comunidade, pois, os cidadãos que estão pelos outros, isto é, os que têm luzes, devem estar preparados com os princípios da moral ou da ética.

        Considero que não nos estamos a contradizer…

        • Horácio Will

          10 de Maio de 2012 as 15:43

          Não se estão a contradizer.
          Na linha de pensamento que eu trazia, uma ou várias alianças com mesmo objectivo, teriam de se afirmar em termos de pensamento estruturado para poderem exigir transparência nas decisões que possam ser lesivas, digo, obstrutivas ou confluentes para o desenvolvimento do país. Se conseguirem fazer com que os elementos dos órgãos de soberania entendam que nada é contra eles e que colaborem, melhor. Eles também precisam de ser compreendidos e repreendidos na sua dimensão humana. São só nossos irmãos com funçoes diferentes, que facilmente atingem o poder absoluto se esquecermos ou não nos manifestarmos de forma pertinente. Se eles, mormente os dos tribunais não quiserem ser cooperativos com as justas causas da comunidade?
          Muito preocupante, Euclides!
          Que fazer?
          Nada?
          Continuar tudo de mal a pior como temos visto?

          • Euclides Smith

            11 de Maio de 2012 as 7:01

            Obviamente que todos nós temos de agir em conjunto e de forma organizada. Acredito que o nosso debate não será em vão. Há de surtir efeitos…

  8. Horácio Will

    11 de Maio de 2012 as 10:56

    Euclides Smith
    Sou optimista quase a tocar à infantilidade. Mas resulta muitas vezes poruqe sou também realista e sei que as dificuldades são ultrapassadas através da persistência.
    Desta vez…
    Vejamos:
    Se as pessoas desejam a mudança do país e os árbitros não se mostram interessados no jogo limpo, não podemos acreditar que é só falar mal deste ou daquele com palavras bonitas para lá irmos. Embora pareça utópico falar da organização popular como forma de pressionar a quem é devido de modo a extirparmos os maiores cancros sociais, pergunto se existe outra forma mais realista.
    Pergunto também quantas pessoas críticas do sistema deram importância a esta forma difícil, mas hipoteticamente única para mudar o país de que tantos se falam encarniçadamente de uma necessidade de mudança.
    Vou continuar optimista e realista. Todavia, preciso de saber seriamente as pretensões dos são-tomenses escondidas nas palavras que proferem.

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