Sociedade

Morreu Carlos Alberto Monteiro Dias da Graça

Deixou o mundo dos vivos esta quarta – feira em Portugal aos 82 anos, vítima de doença prolongada. Para os viventes deixou as suas memórias impregnadas num livro que esgotou no mercado. Esteve desde a primeira hora, nas trincheiras da luta pela independência nacional.

Foi atleta, médico de profissão desde 1956, nas forças armadas portuguesas, e mais tarde no Gabão para onde se exilou para combater políticamente pela independência de São Tomé e Príncipe, do domínio colonial português.

Membro do Governo de transição em 1974, Carlos Graça, exerceu depois da independência em 1975 as funções de ministro dos assuntos sociais. Ascendeu a liderança do MLSTP/PSD venceu as eleições legislativas de 1994, e ocupou o cargo de Primeiro Ministro. Antes disso, abriu uma frente de luta no seio do MLSTP contra o regime marxista leninista e teve que exilar-se novamente no Gabão. Pelas mãos de Pinto da Costa regressou ao MLSTP e a São Tomé e Príncipe tendo ocupado o cargo de ministro dos negócios estrangeiros e cooperação.

Em 1996 concorre às eleições presidenciais, tinha Pinto da Costa e Miguel Trovoada como adversários mais fortes. Sofreu pesada derrota na primeira volta das eleições.

Foi deputado a Assembleia Nacional, para depois abandonar a vida política activa. “Memórias Políticas de um Nacionalista Sui Generis”, é título do último livro que a morte deixou Carlos Graça escrever, para imortalizar o seu pensamento, e transmitir aos jovens a sua visão política, antes e depois da independência nacional.

Um livro em que o autor abriu o seu coração e a sua mente. Desabafou falou de tudo.

A quando do lançamento do seu livo no ano 2012, o Téla Nón leu e relatou alguns estratos do mesmo.

As memórias de Carlos Graça mostram que a sobreposição do interesse particular sobre o interesse nacional, terá germinado no seio da classe política são-tomense, ainda no exílio. O livro explica que Pinto da Costa, ascendeu a liderança do MLSTP, único movimento reconhecido internacionalmente como representante do povo são-tomense na luta pela sua autodeterminação, porque outros potenciais candidatos até com mais tempo na luta principalmente no Gabão, caso concreto de Miguel Trovoada, não geravam confiança no seio do grupo.Não constituíam factor de unidade no seio dos nacionalistas.

Carlos Graça faz revelações insólitas. Ainda na década de 70, Instigou o então chefe das forças armadas Albertino Neto, para realizar um golpe de Estado, contra Pinto da Costa. Carlos Graça realça o carácter republicano, honesto e íntegro de Albertino Neto que não cedeu às suas fortes pressões golpistas.

As memórias de Carlos Graça indicam Miguel Trovoada, através de factos relatados como pessoa mentirosa, gananciosa e rancorosa. Pinto da Costa, é descrito como um amigo amável nos tempos da luta política pela independência, mas que alguns anos depois de assumir a presidência do País, tornou-se um ditador implacável sustentado pela teoria marxista – leninista.

Fradique de Menezes, também ocupa algumas páginas do livro. Carlos Graça revela situações rocambolescas em que Fradique de Menezes, terá sido protagonista nos primeiros anos da independência. A história que se passou entre ele enquanto Ministro dos Assuntos Sociais ainda nos primeiros anos após a independência, e Fradique de Menezes na qualidade de Secretário-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, numa missão oficial dos dois ao estrangeiro, provoca estupefacção e põe sorriso nos lábios do leitor.

Na apresentação do livro, Carlos Graça teceu algumas palavras. «Se não digo a minha verdade, abertamente, claramente, não vale a pena escrever».

Reconheceu que a obra é polémica. «Vamos criar provavelmente com este meu livro, algum reacender de alguns conflitos que tivemos no passado. Mas eu acho que não o podia fazer de outra maneira. Acho que não é prejudicial em termos democráticos, que se torne a debater situações conflituosas que nós tivemos».

Carlos Graça quis e teve sim polémica, aqui no Téla Nón. Gastão de Alva Torres, outro membro do movimento de luta pela independência nacional no exílio, reagiu duramente ao livro de Carlos Graça.

Que descanse em paz…….para história ficam alguns artigos que Carlos Graça escreveu e fez publicar aqui no Téla Nón :

1 –Estabilidade e pobreza: Uma frase ambígua do Presidente Pinto da Costa

2 – Os jovens e o estalinismo histórico

3 – Doutor Carlos Graça reage aos artigos de Carllile Costa Alegre

Abel Veiga

    24 comentários

24 comentários

  1. Barão de Água Ize

    17 de Abril de 2013 as 22:44

    Paz e descanso à sua alma!

  2. cubanito

    17 de Abril de 2013 as 23:11

    É uma pena mas assim é o ciclo da vida por isso temos que respeita-la.Meus sentimentos de pezar aos familiares, STP perde com o desaparecimento fisico deste inlustre filho da patria.que a sua alma descanse em paz.

  3. madalena

    17 de Abril de 2013 as 23:41

    Um grande homem de ESTADO, sentidas condolências a família enlutada.

  4. folha micoco

    18 de Abril de 2013 as 1:00

    Descanse em paz…lembremos: depois de um jogo de xadrez tanto o Rei como o Peao, serao todos guardados na mesma caixa! enquanto vivemos, juntos nesse mundo, nesse nosso Sao Tome, o amor pode ser maior do que o odio, a paz pode ser e eh melhor do que a guerra

  5. kwatela

    18 de Abril de 2013 as 6:28

    Grande Homem!
    Tive a oportunidade de conviver na mesma trincheira consigo Camarada Carlos Graça. Se hoje sou social democrata por convicção devo-o a si que me ensinou o que é a social democracia. Muito obrigado por tudo o que fizeste por mim em particular e pela minha pátria amada. Ja o disse em particular o quanto o estimava e agora fá-lo em publico. muito obrigado por tudo.
    Que durma bem! que este sono não seja eterno e que DEUS que tudo vê e julga saberá dar o melhor destino a si no grande e terrível dia do Senhor quando todos formos chamados a comparecer perante o tribunal de CRISTO! Amem

  6. védé

    18 de Abril de 2013 as 8:39

    Que o seu espírito desencarnado encontre descanso e perdão do Senhor.
    à família enlutada o meu pesar e resignação que seguramente ele (seu espírito) estará melhor, seja onde estiver.
    Pouco a pouco, os verdadeiros homens de luta pela libertação Santomense vão desencarnando…A nossa história não pode morrer com eles…!!

  7. P. T

    18 de Abril de 2013 as 9:18

    DAÍ AO SENHOR O ETERNO DESCANÇO. ENTRE O ESPRENDOR A LUZ PERPÉTUA, QUE A SUA ALMA DESCANCE EM PAZ. ASSIM SEJA…

    SAUDOSO E AMIGO.

  8. Anselmo Ferreira

    18 de Abril de 2013 as 9:24

    É com profunda tristesa e dor que tomei contacto da morte de um dos homens sabio santomense. Da poucas vezes que privei me com ele foi muito bom, respeitado,patriota, solidario, inteligente e grande politico. STP perdeu mais uma grande figura publica mais uma biblioteca ardida. Referencio me mt com ele e gostaria ter aprendido mt mais com ele. Agora que ele não se encontra mais entre nós é mesmo de se lamentar. Não querendo ficar inderente face ao seu desaparecimento fisico venho em nome da minha familia desejar familiares proximos os nossos sentimentos de pesar. Um eterno descanso. Anselmo Ferreira-Luxembourgo

  9. bem de S.Tomé e Príncipe

    18 de Abril de 2013 as 10:09

    O politico santomense mais democrata que conheci.Pela sua causa na luta pela independencia nacional, pela democracia em S.Tomé e Principe como homem de estado, do seu patriotismo, a sua honestidade e disprovido de rancor, odio, inveja e corrupção,o Dr. Carlos merecia luto nacional no país

  10. cosset varjam

    18 de Abril de 2013 as 10:20

    Descanse em paz, grande ilustre e combatente!

  11. o amigo

    18 de Abril de 2013 as 10:48

    Dr Carlos Dias da Graça parecia-me ser o homem muito fiel aos seus principios,e tambem não tenho memoria de que ele tivesse envolvido em qualquer acto de corrupção. ou aliais os homens da primeira Republica em relação a sgunda faz esta diferença. não conheço nenhum que tivesse grande fortuna. Os meus sentimos a familia de Dr. Carlos Dias Graça

  12. Bom Samaritano

    18 de Abril de 2013 as 11:17

    Meus pesames para familiares de um homem forte que fez muito por nosso país. Mas tenha esperança que um dia verás com a vinda de Jesus.força, a vida é mesmo assim.

  13. rapaz de riboque

    18 de Abril de 2013 as 11:36

    quero apresentar os meus profundos sentimentos a familia, e amigos deste grande homem.

  14. gualter almeida

    18 de Abril de 2013 as 11:38

    perdemos um grande patriota que Deus lhe de o o eterno descanso e a familia desejo forças para superar esta perda

  15. gualter almeida

    18 de Abril de 2013 as 14:24

    pena é que os bons deixem-nos e os que devem ir ficam a enganar e a roubar o povo caso do Lúcio Amado agora com o livro para ganhar dinheiro ainda há quem compre Este patriota que faleceu é que foi um espelho para a nossa nação não é aquele Lúcio que sempre esteve em portugal quando as coisas correram mal por lá veio para cá aranjou um tacho agora quer ser alguém.

  16. sulila miranda

    18 de Abril de 2013 as 15:26

    Grande Homem, este sim foi um intelectual!
    Conhecedor da língua de Camões profunda.
    Que Deus tenha a sua alma!!!

  17. aaaa

    18 de Abril de 2013 as 15:39

    Foi com conternação que soubemos da morte do D.Carlos Graça, hoje e é com muita admiração que em meu nome e da minha familia enviamos nossas condolências as familias elutadas

  18. jess flander

    18 de Abril de 2013 as 16:49

    “Despedida… momento da separação, da lágrima, muitas vezes do conflito entre a alegria e a tristeza. Se não houve a despedida, a saudade com certeza teria que mudar de nome… Não há saudade sem despedida, e nem despedida sem saudade…” DESCANSE EM PAZ

  19. Zmaria Cardoso

    18 de Abril de 2013 as 17:42

    É com a mais profunda dor e tristeza que acompanho a notícia do desaparecimento de Dr. Carlos Graça, Homem com quem tive a sorte de privar a Social Democracia.
    Acima desse pensamento ideológico, a sorte foi ainda maior quando a filosofia de vida desse médico e político são-tomense facilmente contagiou-me e escalou em mim mais um seu seguidor.
    Aos familiares enlutados, o meu profundo sentimento de pesar.
    Que descanse em paz!

  20. Clocoto Branco

    18 de Abril de 2013 as 20:30

    Curioso e que estes bons homens, não deixam muitos herdeiros. Pelo menos, nunca estudei com alguém que fosse filho do malogrado. Terrível,

  21. sobrinho - da Graça

    18 de Abril de 2013 as 21:12

    Muito obrigado pelo apoio e pelos votos de amizade. God bless you!

  22. Eduardo Pessoa Santos

    18 de Abril de 2013 as 21:43

    Partiu para o Além o meu grande amigo CARLOS GRAÇA

    Conheci-o em Libreville ,Rep do Gabão em 1977

    Fizemos logo uma grande amizade,praticámos

    desporto juntos,convivemos muito e troca-

    mos ideias e convicções mútuas no enrique-

    cimento das nossas culturas pessoais

    Perdi um dos meus melhores Amigos, o homem

    honesto, o Político esclarecido,democrata

    convicto ,profundamente empenhado no de-

    senvolvimento económico,cultural,de saúde e

    social de São Tomé e Príncipe

    Fico com um vazio no meu coração…

    Paz à sua alma

    Sentidos Pêsames a toda a sua Família

  23. Eduardo Pessoa Santos

    20 de Abril de 2013 as 16:49

    Espero que o Governo e Autoridade Municipal
    de São Tomé e Príncipe promovam desde já a
    colocação de uma lápide numa rua destacada com o nome
    de CARLOS DA GRAÇA

    Fica a minha proposta como grande amigo e
    admirador do grande político e pensador

  24. Santomé Plodôsu

    22 de Abril de 2013 as 13:49

    Os Santomenses que mais admirei estão todos a desaparecer: Nuno Xavier, Frederico Sequeira, e agora Crlos Graça…efim só nos resta a memória.
    Que saudades e pena!
    ADEUS AMIGOS!
    ATÉ SEMPRE…

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