São-tomense lança com sucesso em Portugal plantas que dão sabor a culinária são-tomense

Mesquito,Beringela, Maquêquê, Quiabo, Mússua, etc, são plantas utilizadas na preparação do “Calulu” e outros pratos típicos são-tomenses, que há 1 ano, germinaram com sucesso num pedaço de terra de 50 metros quadrados, em Falagueira-Portugal.


Após largos anos de experiência, António Celestino, vulgo João Maciel, transformou a sua pequena parcela de terra de 50 metros quadrados em Falagueira – Portugal, num celeiro de plantas e frutos de São Tomé e Príncipe, utilizados na preparação de vários pratos típicos das ilhas.

O são-tomense de 59  anos, nascido na Roça Monte Café, não viveu a nacionalização das Roças em 30 de Setembro de 1975, nem tão pouco conheceu as sucessivas fases da reforma agrária operadas no país. Pois ainda jovem deixou Monte Café a 5 de Janeiro de 1975. Rumou a Portugal, onde vive há 38 anos.

Filho da Roça, que apreendeu a lidar com a terra e as plantas, só conseguia estar bem consigo próprio se depois do trabalho na extinta fábrica de fundição COMETNA, onde trabalhou durante 31 anos lança-se as mãos a terra, para sentir o cheiro do barro e o perfume das plantas.

Por isso há cerca de 30 anos, ou seja, pouco depois de chegar a Portugal, arranjou um pedaço de terra de 50 metros quadrados em Falagueira-arredores da cidade de Amadora, para fazer o que gosta, lançar as sementes à terra e acompanhar o crescimento das plantas.

Hortaliças diversas, e o milho foram as culturas que marcaram o campo de João Maciel até o ano 2011, altura em que pediu aos familiares em São Tomé, que o enviasse sementes de Quiabo, Beringela, Mússua, Mesquito, e Maquêquê. Plantas cujas folhas e frutos, são ingredientes fundamentais para a confecção do Calulu, e outros molhos tradicionais de São Tomé e Príncipe. «As sementes que pedi eram verdes, e não germinaram. Depois mais tarde pedi sementes já secas. As secas germinaram», explicou João Maciel.

A sua sogra já falecida, que viajava para Portugal no ano 2011, levou as sementes secas que deram frutos. A experiência de João Maciel em transformar o seu pedaço de terra num celeiro, de plantas tropicais de São Tomé e Príncipe, confirma a metáfora bíblica segundo a qual, «para uma semente dar frutos, ela tem que morrer».

Só as secas (mortas) poderiam germinar plantas vivas como as que actualmente pintam de verde o campo de João Maciel. «Fiz um viveiro de Mesquito, no mês de Março, e em Junho quando chegou o clima mais quente, o viveiro explodiu com tantas plantas, que nem tive mais lugar para plantar. Acabei por oferecer a alguns amigos plantas para colocar nos seus quintais», acrescentou o agora funcionário da câmara de Amadora, que não consegue viver sem a sua pequena parcela de terra.

A enorme comunidade são-tomense em Portugal, está a tomar conhecimento do facto inédito. Mesquito, Quiabo, Beringela, Maquêquê, e outras plantas que só poderiam ser encomendadas em São Tomé e Príncipe, para confeccionar os pratos da terra, já são realidade em Portugal.

O perfume sobretudo da planta “mesquito”, inunda o campo de João Maciel, e cumprimenta o visitante.  « Vem cá são-tomenses que residem na Quinta do Mocho, Fetais, e na região da Amadora, para comprar as plantas. Inicialmente não acreditavam, que a terra cá de falagueira produz essas plantas, mas quando chegam deparam com a realidade», afirmou João Maciel com sorriso nos lábios.

A produção dessas plantas típicas de São Tomé e Príncipe, só acontece entre os meses de Junho à Setembro, periodo correspondente ao Verão. A partir de Outubro, já não é possível. Vem o Outono que convida o Inverno.

Mas o pequeno espaço de terra de 50 metros quadrados de João Maciel, produz tanto que o execedente é grande para satisfazer a demanda no resto do ano. «Congelo todo o excedente para garantir a comercialização durante o resto do ano, periodo correspondente ao inverno, em que essas plantas não resistem. Já o mesquito, não é congelado, deixo secar e depois conservo», frisou.

Obra produzida pelo gosto de trabalhar a terra. A colheita do café e outros trabalhos agrícolas, na Roça Monte Café, durante o periodo colonial, moldaram a personalidade de João Maciel, que não consegue respirar longe do campo.

Garantiu ao Téla Nón que se estivesse a viver em São Tomé e beneficiasse de uma parcela de terra no quadro da reforma agrária operada desde os finais da década de 90, sem dúvidas que seria um grande produtor de comida para o mercado nacional e de riqueza (café, cacau) para exportar.

O espaço de terra que trabalha em Falagueira-Portugal, é propriedade da autarquia de Amadora. Desde 2005 que João Maciel baptizou o seu campo com o nome, MICOLÓ, recordando assim a vila de Micoló em São Tomé, onde se passa bons momentos de lazer. O seu campo MICOLÓ, é lugar de trabalho, mas também de lazer com os seus…

968565289, é o contacto telefónico do homem de Micoló.

Abel Veiga

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    Matabala Responder

    Este senhor é mais um santomense que se iria desiludir caso voltasse a terra. Ele tem vontade de trabalhar e trabalha, mas quando chegar ao e ver que a população não tem poder de compra, que não ha garantia de segurança para sua produção, que rubrocinto vai matar toda produção, que não ha barco para fazer a sua exportação, que não ha políticas do governo para estimular a produção, enfim, etc…ele vai passar a beber cacharamba e vinho de palma em vez de lutar para o bem comum…

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    Manuel Costa Responder

    Parabéns Sr. António Celestino
    Mas ainda há mais plantas que pode de São Tomé que pode produzir cá. O quiabo é um pouco difícil porque exige temperaturas elevadas, mas capim santo ou capim limão pode muito bem produzir. Não pode ser de semente, tem que ser de rizoma, ou seja arrancar uma planta, cortar as folhas e trazer com raíz. Para transportar tem que pedir a um familiar que traga uma pequena planta embrulhada em papel humedecido e bem embrulhado em saco plástico. Depois aqui é só plantar e esperar que brote. Eu tenho capim Santo ou capim limão que trouxe do Brasil nessas condições e tenho já várias plantas grandes. Sementes de quiabo também existe cá à venda. Só procurar.

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    Viva S.T.P Responder

    Caro Abel,
    Preciso de um esclarecimento, quando você se refere a 50 metros quadrados, significa algo parecido a 5mX10m = 50m2 ? Ou será que quis dizer 50mX50m? Porque se for 50mX50m dará 2500m2. Seja como for, força Sr. Celestino.

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