Sociedade

Mais de mil delegados tomaram parte no Congresso da Família Santomense

O Presidente da República Manuel Pinto da Costa, abriu o evento organizado pela conferência episcopal Angola-São Tomé e Príncipe.

Com mais de mil delegados, proveniente dos distritos, região do Príncipe e outro pequeno grupo oriundo de Angola, teve lugar na última sexta – feira o Congresso da Família Santomense. O presidente do Secretariado Pastoral da Família e o Vigário Geral da Diocese, João Ceita, informou que esta iniciativa está na base da proclamação do triénio dedicado a família pela Confêrencia Episcopal Angola – São Tomé e Príncipe tendo como o tema: “ Família Levanta-te e Caminha “.

Tudo ligado ao ano da Fé proclamado pelo Papa Bento XVl; como bússola suficiente para reflexão no contexto atual santomense.

O congresso que terminou no domingo, sob o lema pretende alertar a população santomense para o perigo do abuso ilícito do álcool com uso excessivo, na vida quotidiana, a consequência de filhos entregue a outrem, sobretudo nas meninas, violência nos lares, crianças portadoras de deficiências, consumo de drogas, propaganda de feitiçaria as pessoas da terceira idade entre outros assuntos. «A violência no seio da familiar tem aumentado em São Tomé e Príncipe. Fruto de segundo os relatórios, das condições económicas, desconfiança no lar. Toda gente quer se safar e já não se olha os meios para se atingir os fins» afirmou o Presidente do Secretariado Pastoral da Família.

Segundo o Padre, João de Ceita, já não se conversa trocando ideias; «agora o diálogo está a ser trocado pelas bebidas alcoólicas. As mães bebem e dão de beber as suas crianças no colo durante o período do aleitamento materno exclusivo. elas dizem que estão a viver; estão a aproveitar. Porque já não se vê nos pós morte, enfim».

Para o chefe da Diocese Santomense e Bispo D. Manuel António Mendes dos Santos, há uma cultura mundial que coloca muitas dificuldades para a vivencia familiar equilibrada, mas no arquipélago santomense, conforta-se com as realidades que ainda essa cultura, já de si fragilizante da vivencia da realidade familiar.

A igreja continua a acreditar na família, e, por isso o Santo Padre convocou um Sínodo Extraordinário dos Bispos, para Outubro de 2014, para abordar os problemas que se colocam hoje na pastoral familiar.  «Na época em que vivemos, a evidente crise social e espiritual torna-se um desafio pastoral, que interpela a missão evangelizadora da igreja para a família, núcleo vital da sociedade e da comunidade eclesial. Propor o evangelho sobre a família neste contexto é mais urgente e necessário do que nunca» afirmou D. Manuel António.

O Bispo, defendeu que em São Tomé e Príncipe, somos todos convidados a refletir sobre as questões que se colocam à família na sociedade da vida quotidiana, onde se misturam tradições e crenças com novas perspectivas de vida; onde tantas vezes se vive uma fé instrumentalista, sem assumir as consequências dessa mesma fé na vida familiar, onde se perdeu a noção de pecado e por isso se vive na ideia de que tudo é permitido.«Existe um alto índice de alcoolismo, com explosão de doenças mentais e deficientes físicos preocupantes; onde a estabilidade familiar é quase nula com as crianças a crescerem sem o amparo de uma família e com muitas carências afetivas, que condicionarão os seus comportamentos futuros e enquadrar muita da realidade de violência domestica», concluiu o chefe da Diocese Santomense, D. Manuel António Mendes dos Santos.

Para finalizar a cerimónia de abertura, coube ao Chefe do Estado Santomense, Manuel Pinto da Costa, afirmar que a família continua a ser um núcleo fundamental de transmissão de valores intergeracional e a célula base e estruturante de qualquer sociedade. «Permita-me citar a este propósito o Papa Bento XVl que dirigindo-se ao concelho pontifício da família afirmou: que esta é a célula vital e o pilar da sociedade e isso diz respeito tantos aos crentes como aos não crentes. Trata-se de uma realidade que todos os Estados devem ter na máxima consideração porque, como João Paulo ll gostava de reiterar, “ o futuro da humanidade passa através da família”, disse o Pinto da Costa.

O Presidente da Republica, deixou ficar bem claro aos congressistas no Cinema Marcelo da Veiga que o Estado santomense, no respeito pela liberdade das opções individuais de cada um perante a vida, pode e deve intervir, através de políticas concretas direcionadas para o apoio e promoção da instituição familiar de modo a reforçar e consolidar, cada vez mais, a sua influência e o seu carater estruturante na sociedade Santomense. «Num país como São Tomé e Príncipe com um indicie de pobreza ainda muito elevado a relevância da função social da igreja deve ser publicamente reconhecido, cabendo ao Estado promover uma relação de complementaridade que potencie ainda mais o apoio aos mais desfavorecidos, levado a cabo pelas mais diversas instituições ligadas às confissões religiosas,», acrescentou.

Mais a frente, Pinto da Costa, fez justiça elementar a reconhecer dimensão da obra social que a igreja católica tem desenvolvido ao longo dos anos em São Tomé e Príncipe, no seu contributo concreto no combate à pobreza e o apoio aos que se encontram em situação de vulnerabilidade.

Inter Mamata

    3 comentários

3 comentários

  1. Lupuye

    11 de Novembro de 2013 as 13:27

    E verdade que a familia e o nucleo de qualquer sociedade. Sem esse nucleo a sociedade em si fica doente como e o caso de STP. Para corrigirmos esse mal e necessario dar-se a todo o povo e sobretudo as mulheres o poder economico que elas nao tem. Tambem e necessario que aqueles que dirigem a nacao, aqueles que tem melhor visao do que deve ser uma sociedade, aqueles que tem educacao, deem exemplo de como estar na sociedade para que os menos afortunados tirem copias. Mas parece-me que tem sido o contrario pois sao esses, porque tem poder economico, que se comportam da pior forma. E de lamentar!

    • António Menezes

      11 de Novembro de 2013 as 16:42

      Triste para o Pais, é ver precisamente aqueles que fazem e fizeram tudo para derrubar famílias a falar de famílias,pois é , família para eles é o que temos visto.

  2. Deodato Capela

    11 de Novembro de 2013 as 14:34

    Uma Concordata entre o Estado Santomense e a Santa Sé deveria ser uma prioridade. Precisam-se estabelecer relações diplomáticas entre as partes e definir o estatuto desta religião no Estado santomense.

    Desde a nossa independência e a passagem para o sistema democrático, o nosso país ainda não definiu qualquer relação jurídica com a igreja que está no país há mais de quinhentos anos.

    A Concordata pode regular as relações entre a Igreja e o Estado ao nível da saúde, da fiscalidade e da acção social e da educação e pode mesmo abrir portas à criação de uma universidade católica

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