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OMS afirma que câncer não é uma questão de “azar”

PARCERIA – TÉLA NÓN / RÁDIO ONU

Agência da ONU discordou de relatório publicado na revista Science sobre causa da doença; especialistas da organização apontaram contradições e dados tendenciosos no documento.

Foto: OMS/TV. Hung

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, discordou completamente das conclusões de um relatório científico sobre as causas do câncer publicadas no início do mês na revista especializada Science.

A Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer, Iarc, departamento especializado da OMS sobre o assunto, afirmou que o documento apresenta contradições e dados tendenciosos.

Comparação

O relatório faz uma comparação entre o número de divisões de células-tronco em vários tecidos do corpo com o risco de contrair a doença.

Os especialistas sugerem que as mutações aleatórias, ou a “falta de sorte”, são as principais causas de câncer, de uma forma geral.

Os autores do estudo disseram que essas mutações são mais importantes do que fatores hereditários ou fatores ambientais externos, como poluição, o cigarro ou substâncias minerais, como o amianto.

Eles argumentaram ainda sobre a necessidade das autoridades darem uma atenção maior ao diagnóstico antecipado do que na prevenção.

Contradições

Os especialistas da OMS rebateram essas conclusões dizendo que o documento apresenta sérias contradições como também, um número de limitações metodológicas e análises tendenciosas.

O diretor do Iarc, Christopher Wild, afirmou que “concluir que o azar é a principal causa de câncer seria enganar ou desviar dos esforços para identificar as causas da doença e evitá-la de forma eficaz”.

Nos últimos 50 anos, pesquisas epidemiológicas internacionais mostraram que a maioria dos casos de câncer frequentes em uma determinada população acabam sendo raros em outra.

A OMS dá como exemplo o câncer no esôfago, muito comum em homens da região leste da África mas pouco visto no oeste do continente. E também, o câncer colorretal, que já foi raro no Japão e sofreu um aumento de 400% desde 1995.

Os especialistas disseram que apesar de ser do conhecimento público que o número de divisões de células aumenta o risco de câncer, a maioria das principais causas da doença no mundo está relacionada à exposição ao meio ambiente e ao estilo de vida levado pela pessoa.

Dessa forma, a OMS deixa claro que, em princípio, esses tipos de câncer podem ser evitados. Segundo a agência da ONU, levando-se em consideração o conhecimento científico atual, é possível prevenir quase metade dos casos da doença no mundo.

 

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