Destaques

Prolongado o prazo de “JUSTIÇA” aos ex-serviçais das roças e portugueses

O Ministro da Justiça Roberto Raposo, anunciou nesta semana o prolongamento por mais 15 dias do prazo para os cidadãos da CPLP que residem em São Tomé e Príncipe a data da independência nacional, 12 de julho de 1975, adquirirem a nacionalidade são-tomense.

Um processo gratuito e imediato, que segundo o ministro permite aos tais cidadãos, terem a dupla nacionalidade, ou seja, guardarem a sua nacionalidade de raiz, e adquirem a nacionalidade são-tomense.

Tais cidadãos do espaço lusófono, nomeadamente de Angola. Moçambique e Cabo Verde que habitam as ilhas de São Tomé e Príncipe, antes da independência nacional, ou melhor, desde o início do século XX, eram mão de obra semi – escrava. Plantaram e colheram o cacau e o café nas duas ilhas. Eram orientados pelos capatazes e feitores portugueses.

Vários testemunhos confirmam que a situação desses cidadãos nas roças, não era de homens livres. Começavam a trabalhar de madrugada. Ao som do toque do sino, eram formados no terreiro da roça. Mal o sol nascia já estavam no mato em trabalho duro até ao por do sol. Por volta das 19 horas ao toque do sino, era o recolher obrigatório. Nenhum candeeiro poderia estar aceso na sanzala. Antes do toque do sino, o cozinheiro da roça distribuía-lhes uma ração a base de fuba e peixe seco.

Testemunhos, confirmam que chicotadas e agressões físicas não faltavam por parte dos capatazes e feitores coloniais. Viviam com a dor sem poder queixar, e com a saudade de Malange (Angola), Nampula (Moçambique), ou Tarrafal (Cabo Verde).

Não podiam sair do terreiro da roça sem uma credencial passada pelo patrão, indicando que o seu “Serviçal A” iria visitar o seu amigo “Serviçal B” numa outra roça. Não eram donos do seu destino. Eram uma máquina de trabalho do seu patrão.

Pois deixaram de ser serviçais desde 12 de julho de 1975. Tornaram-se cidadãos livres. Passaram a ser são-tomenses. Mas, 15 anos depois da independência retiraram-lhes a cidadania são-tomense. 25 anos depois da instalação da democracia, os ex-serviçais voltam a ser são-tomenses.

Abel Veiga

    7 comentários

7 comentários

  1. Original

    21 de Agosto de 2015 as 7:47

    Quem lhes tirou a cidadania foi o sábio Santomense para evitar
    os seus votos na campanha.Voltar a fazer isto agora,não é um favor
    como muitos pensam.

  2. Manuel Pinto Correia de Jesus Afonso

    21 de Agosto de 2015 as 10:38

    Hoje na dita Radio Nacional que para mim é uma radio ao serviço do ADI e Patrice Trovoada ouvi o Sr. Ministro Raposo a falar e fiquei muito indignado com este Senhor de Português forçado. O Sr. Ministro esqueceu-se de que tirou nacionalidade a estes cidadãos foi Miguel Trovoada pai do Patrice Trovoada tudo porque pensavam que estes cidadãos votavam todos no MLSTP ou Pinto da Costa.

    • H.Borges

      24 de Agosto de 2015 as 8:21

      Chega de ódios e recalcamentos. Chegou a hora de irmos pra frente. mudem de atitude e de estratégia. Façam uma oposição construtiva e para o bem estar de todos.

  3. Teresa

    22 de Agosto de 2015 as 18:10

    Eis a razão não ter escolhido este atrasado mental para chefe do MLSTP. Este homem fez barbaridades na terra e agora o filho a fazer o mesmo.

  4. Eduardo

    23 de Agosto de 2015 as 14:52

    Agora que a verdade esta aparecendo pouco a pouco, essa nacionalidade poderia ser entregue a eles depois da independencia, a ditadura não aceitou devido o partido unico, queria um poder perpétua.
    Quando fizemos a reforma agraria, tomamos as roças, poderia libertar esses escravos ao mesmo tempo com uma nacionalidade são tomense, o partido unico realmente tinha medo para não perder o seu voto na urna, e tudo isso contribuiu para atraso do desenvolvimento economico do nosso pais.

  5. Eduardo

    23 de Agosto de 2015 as 15:16

    A liberdade é identidade de um cidadão depois de viver no local de um pais mais de 10 anos legalizado, caso ele desejar estar uma vez para sempre a sua situação o governo tem todo direito de aproximar esse ou aquele cidadão solicitar realmente se ele deseja situar ou não no lugar em que ele desejou escolhido e legalizar a sua situação, como nacional. Caso se não desejar nacionalizar, esse cidadão é repatriado ao seu pais com todas as condições requisitado pelo governo.Não andar ai a acumular a massa popular extrangeiro num pais mais de um seculo sem documento e sem saida.

  6. Jão Gomes

    27 de Agosto de 2015 as 17:25

    “Eram orientados pelos capatazes e feitores portugueses”, menos verdade-capatazes eram “europeus de segunda”…e todos sabemos que foram! Vivi isso na pele…mas também tínhamos os “pés-de-galo!Um abraço de Cabo Verde!

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Recentemente

Topo