Entrevista

Índice do paludismo reduziu para 2,2%

O sucesso herodes.jpgda campanha nacional na luta contra o paludismo, foi reconhecido pela OMS. O Director do Programa de Luta contra a doença, explica os segredos do sucesso e as ameaças que ainda persistem.

Téla Nón – Senhor Director do Programa de Luta contra o Paludismo, a OMS, considera São Tomé e Príncipe como país de sucesso na luta contra a doença, estando destacado a nível do continente africano. Como é que reage a este anúncio.

 Herodes Rompão – O país precisa de facto entender esta nota positiva como produto do esforço de todos nós. Refiro-me aos parceiros financeiros, parceiros técnicos, a população em geral, os técnicos do ministério da saúde e em particular os do centro nacional de endemias. Também as ONGS, a comunicação social, a todos que de uma forma ou de outra contribuíram para  o  sucesso dessa estratégia.

O ponto positivo deste sucesso tem a ver com a implementação do nosso plano estratégico nacional de luta contra o paludismo que teve inicio em 2004. De 2004 portanto a esta parte, o número de casos tem vindo a cair, mas esta vitória ao mesmo tempo vem aumentar as nossas responsabilidades. Ou seja, o país nesse momento tem mais responsabilidades no combate contra o paludismo porque o número de casos não pode aumentar deverá conhecer o seu decréscimo como esta acontecendo até hoje.

Téla Nón – Isso implica um reforço de investimento e de acção mais apertada ainda?

Herodes Rompão – Isso implica de facto um envolvimento nacional, um reforço de investimento a todos níveis. Como sabe até hoje, digamos assim, o sector que tem vindo a assumir toda a responsabilidade, tem sido o ministério da saúde. Daí que de facto se nós queremos reduzir esses resultados e mantê-los, é preciso que de  facto  cada um de nós cada sector nacional deve de facto assumir isto de forma mais directa  e mais efectiva.

Essa avaliação positiva da OMS em relação a campanha nacional, tem sustentação em números. A redução dos casos é acentuada?

Um dos  indicadores chave que utilizam para avaliar a estratégia, é a redução do número de casos da doença, da morte e da morbilidade, assim como o impacto económico. Nós partimos com mais de 64 mil casos em 2004 e chegamos em 2007 com 3301 casos e estamos no 1º semestre de 2008 com cerca de 800 casos. Esperamos portanto reduzir isto pelo menos a metade ainda nesse 2008.

Relativamente a mortalidade partimos com 193 mortes  por ano, mais em 2008 portanto nós estamos no primeiro semestre de 2008 e não se regista. Mas hoje um paludismo simples desenvolve, rapidamente para um paludismo grave, daí que pode ocorrer casos de óbitos de forma mais rápida relativamente aos anos anteriores. Isso porque a população já perdeu a resistência que tinha anteriormente. Por isso neste momento nós temos em todos os distritos sanitários uma busca passiva dos casos. Ao detectar-se um doente toda a família é submetida a consulta e tratamento em simultâneo.

Téla Nón – O risco é maior quando surgem situações de recusa popular em relação a pulverização das casas.  

Herodes Rompão – Sim ainda enfrentamos porque tivemos um exemplo a nível do distrito de Lobata, nas localidades de Micoló onde as pessoas categoricamente recusaram aceitar a pulverização e quem diz micoló diz outras localidades.

Téla Nón – Mais o governo tinha prometido agir no sentido de efectivamente  tomar medidas para que este programa de pulverização não fosse impedido isso ainda não aconteceu.

Herodes Rompão – Nesse momento esta a ser analisado ao mais alto nível do ministério da saúde a revisão do decreto lei 26/80. Está sendo feita em parceria com o ministério da  justiça. Espero que brevemente teremos este dispositivo jurídico no sentido de realizar com eficácia e sem atropelos, esse grande desafio que eu considero de todos nós, que é o combate a redução do paludismo nestas duas belas ilhas. 

Téla Nón – No fundo a opção pela via coerciva como forma de dar sequência a pulverização nestas zonas está dependente da revisão da lei.

Herodes Rompão – Eu acho que nós numa situação desta devíamos de facto  implementar um recurso coercivo. Houve sinais de ressurgimento da doença de forma focalizada na localidade de Conde. Se nós não tomarmos isso a sério de facto poderá vir a ser uma epidemia a nível nacional, algo que nós queremos impedir porque hoje claramente se vê que há uma maior tranquilidade da população, quer os que vão ao trabalho, quer as crianças que vão as escolas, e os gastos comparados dá-nos elementos suficientes para não tomarmos isso como brincadeira.

Téla Nón – Qual foi a estratégia de combate que agora produz tanto sucesso?

Herodes Rompão – Foi uma estratégia integrada, ou seja, nós ao mesmo tempo que combatemos o vector que é o mosquito, também combatemos parasitas com a introdução de novo medicamento eficaz. Hoje temos novos medicamentos que são da 1º e 2º linha. Anteriormente era a cloroquina que deixou de fazer efeito. A isso se junta a distribuição e utilização dos mosquiteiros impregnados, assim como o reforço da comunicação no domínio da educação para mudança de comportamento. É um pacote integrado de acções, sem esquecer a formação de quadros e a aquisição de equipamentos.

Téla Nón – O estigma do paludismo que afastava muita gente do país já não tem razão de ser.

Herodes Rompão – Eu acho que é bom de facto relembrar as pessoas quer a população residente, quer portanto os residentes no estrangeiros e os estrangeiros que residem no nosso pais, que de facto houve uma redução drástica, mas o paludismo ainda não acabou como tal. As pessoas já podem visitar mais tranquilamente o país, O índice de prevalência situa-se actualmente em cerca de 2,2%. É muito abaixo do esperado. Preconizamos uma redução de 90% até 2010, e já estamos nos 88% em 2008. Portanto para quem visita São Tomé e Príncipe, o paludismo já não constitui a primeira causa da morte e está numa posição hipo endémico que de facto não constitui  grande inquietação visitar o pais por causa do paludismo.                                         

Téla Nón Setembro de 2008

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