Opinião

A Teoria da Nova Geração. A legitimação de um desastre social

A hipocrisia é fatal. A ignorância é imbatível. E na sua veste de imbecilidade é ainda mais mortífera. Está completo o estado d’arte da presente geração. Facebook e licenciaturas com maconha.

É esta a geração que vai subir, se é que ainda não subiu, ao morro para operacionalizar o tráfico da burrice e recrutar voluntários contra o conhecimento e o saber. Aqui apresentam-se os corolários de uma teoria que se funda numa espécie de contrato de perdão mútuo. Os doutores perdoam os pacientes pela consciente negligência.

No outro lado da rua, estes perdoam aqueles pela crua incompetência. É como se houvesse uma compensação. Então, se calhar, as nulidades compensadas são também um corolário desta perigosa teoria. Na França racista, governo de Sarkosy castiga cidadãos por discriminarem judeus. É a hipocrisia da direita. No moribundo arquipélago de São Tomé e Príncipe, discriminam-se experientes sem diplomas para promover diplomados da pomposa Universidade Geral de Turismo Académico.

É daí que saem os voluntários contra o conhecimento e o saber. Tudo funciona como se estivéssemos a alimentar um SOS Ciência: tudo contra o rigor, nada contra a estupidez e tudo para a ignorância. É a hipocrisia geral. A teoria da Nova Geração pode ser explicada por números. Se um licenciado (do plano antigo) levava cinco anos para realizar os estudos, e entra, seguidamente, para governo com funções de um ministro ou um director, então podemos concluir que 1, 2 ano da faculdade está para 1 ano de governação ou direcção. É a força da lógica sem interferência de qualquer outra variante. A mesma fórmula aplicada aos licenciados do novo plano (Bolonha) conduz à resultados chocantes. Dispensamos. Basta relembrar que a duração é, regra geral, de três anos.

E assim, tudo se torna mais difícil. Pois, é o mar revolto que se resvala para um maremoto social de consequências mensuráveis e certas, pelo menos em números: mais algumas décadas às cegas. E como a cegueira é sinónimo de falta de visão, então, quiçá, parte das consequências é imensurável. Um Governo não é laboratório. As pessoas não são tubos de ensaios. Para experimentar jovens licenciados, basta criar uma incubadora de dirigentes ou um centro de preparação para quadros.

Colocar um Estado, como o de São Tomé e Príncipe, em mãos de indivíduos que passaram quatro ou cinco anos a ler algumas páginas de manuais de duvidosa metodologia, e elaborados tendo em linha de conta a complexa realidade ocidental, é qualquer coisa como convidar todo o povo a viajar numa boeing pilotado por um médico. É o desastre total. E já começou a viagem. A pista para a mediocridade é longa. Na lista de espera ficam os espertos.

A assunção de condutas e sentimentos é um processo que se realiza, umas vezes, de forma consciente, e outras não. Encontrar no Governo a principal fonte de emprego depois de uma carreira académica não será a assunção inconsciente da pura mediocridade? Terá o Governo transformado num mercado de primeiro emprego para jovens de precária inteligência e rastejante saber?

Vejamos o poder da lógica conjugado com as regras do capitalismo. Um licenciado em Engenharia Informática que participa numa manifestação que exija do Governo a criação de postos de emprego é a maior demonstração de que o mesmo possui uma licença de inutilidade social. Tirar Turismo não é ter acesso à auto-estrada que conduza o recém-formado a um gabinete na Direcção de Turismo e Hotelaria. Direito é um curso cujo exercício de profissão comporta uma natureza fortemente liberal.

E trata-se justamente desse liberalismo “inimigo” do Estado. Politólogos não são necessariamente políticos. Então, a Ciência Política não é a ponte para qualquer ministério. Uma licenciatura em economia não é uma licenciatura em organização geral do Ministério de Economia. O Ministério dos Negócios Estrangeiros não é uma agência de recrutamento de jovens para tarefas de protocolo. Apenas os recém-formados são-tomenses em Relações Internacionais não o percebem. Mais, em toda esta comunidade (composta por aqueles que almejam o poder político e os que, do poder mental, nada têm) a criatividade é um sem-abrigo.

Aproveitar-se de toda esta miopia mental para conquistar o poder num Estado, onde durante três décadas e meia a educação e instrução do homem foram invariavelmente excepção, e não regra, é qualquer coisa de terrivelmente imoral, e que merece a maior das reprovações. Para o povo que auxilia esta prática o justo castigo será continuar submerso na dura miséria.

E como todas as histórias de grandes desastres são contadas por etapas e fases, dá-se por inacabado este conjunto ordenado de palavras sobre um desordenado plano de progresso social…

Ludmilo Tiny

Licenciando em Direito

Clássica de Lisboa

Março de 2011

    32 comentários

32 comentários

  1. João

    29 de Março de 2011 as 8:20

    Parabéns Tiny,
    Um excelente artigo embora discordando com várias passagens do mesmo.
    João

    • jaka doxi

      29 de Março de 2011 as 22:17

      Meu caro Tiny.
      Os teus familairse também pertenceram a a geração dos politicos de 75 e pelo que sabemos nada de bom fizderam para este país.
      A tal teoria da nova geração que fazes referência começou em 1975 quando um grupo de inconpetentes dirigidos por quem a gente sabe e não vale a pena citar o nome acharam que podiam governar o país.
      Tchauê.

    • Buter teatro esquecido

      30 de Março de 2011 as 16:27

      Caro João;
      Sou da opinião que não podemos louvar está ideia, porque o autor do texto revela ter grande dificuldade em aceitar novas ideias, novos talentos, os recém formados.
      Sabe-se ainda, que já há vários anos que o homem tem valorizando os recursos humanos através do nível académico, do nível de investigação.
      Lamentável é que um estudante de Licenciatura em Direito revela a grande ignorância. Contudo acho justo organizarmos melhor, mais sinto muito orgulho promoverem pessoas com o grau superior.

  2. Juliana Brandão

    29 de Março de 2011 as 8:49

    “A mesma fórmula aplicada aos licenciados do novo plano (Bolonha)conduz à resultados chocantes”. Cito.
    O saber não se resume aos conhecimentos académicos adquiridos nas salas das maiores universidades nem pelos anos que se sentam nessas cadeiras a ler volumes.
    O saber está na capacidade do homem que os adquire em devolvê-lo a prática sem deixar que a rapidez do tempo e da inovação o ultrapassem.
    Recordo-me embora socialmente mentalizados para a ideologia lestiana, os quadros formados em Cuba, eram considerados em STP de 2º nível, até que uma excelente jovem médica, para não citar outros, formada nesse país, tornou-se carinhosa e tecnicamente a melhor médica em STP. Qualquer são-tomense dessa época sabe a quem me refiro.
    Lula da Silva, enquanto Presidente do Brasil tirou o país do fosso e deu licção a quem pensava que governar um país é ter licenciatura, enganaram-se, mais do que isso é preciso ser líder.
    Caro Tiny, se no seu tempo de primária ia a escola sem saber abcidade, hoje os putos lá vão parar já em viagens na Internet. Veja se me entende. Não estará de acordo comigo de que estas crianças já não precisarão de cinco anos na faculdade? Estamos na era dos cliks, não sejas incoerente na tua visão.
    Em resumo congratulo com a abertura do Téla Nón a estes pensamentos de revolta e da frustração que nos leva a todos a reflectir no país, S. Tomé e Príncipe.
    Obrigada.

    • benavides pires sousa

      29 de Março de 2011 as 12:38

      embora que haja pequenos excessos de uma frustracao jovem e revolucionariamente comprensivel, mas o artigo dá que pensar e está pelo menos a 89% muito bom a meu ver! parabens!

    • E.Santos

      30 de Março de 2011 as 8:44

      Juliana, totalmente de acordo consigo.

      Um discurso com este caris, dá a ideia de que este jovem se acha o único iluminado de STP. Infelizmente há muita gente ou particularmente muita juventude a cair neste erro.

      Se fosse realmente inteligente teria conseguido passar a mensagem sem nunca precisar ser agressivo ou ofensivo. Não havia necessidade, por muito revoltosos que estejamos.

      É certo que há muita escolha mal feita e muitos que não conseguem fazer jus aos desafios a que se propõe…mas isto acontece em todo o lado e mesmo com os muito experientes. Não é esta a questão.

      De facto, é preciso não confundir o ser-se bom tecnicamente com capacidade de liderança. Aos dirigentes, muito mais do que uma licenciatura, interessa a sua visão estratégica, a sua capacidade de congregar pessoas, cercar-se de pessoas, estas sim, tecnicamente capazes e dirigi-las.

  3. moço lazon

    29 de Março de 2011 as 9:25

    Isso sim é reflexão a ter em conta principalmente os jovens licenciados e os que estão a licenciar, porque muitos de nós pesamos que terminar a licenciatura é sinonimo de um cargo no governo do país!!

  4. moço lazon

    29 de Março de 2011 as 9:26

    Muito bem Tiny!!

  5. Malapetema

    29 de Março de 2011 as 10:37

    Muito bom artigo, continuas a ser o mesmo Tiny, que estava na Radio Nacional, miúdo rebelde que sempre colocava as suas opiniões onde quer que seja e seja onde for. Bom trabalho continue assim…

  6. Abilio Neto

    29 de Março de 2011 as 10:45

    Caro,

    Muito bem, mas muito bem mesmo.

    Abraços,

    Abílio Neto

  7. Carla Sofia Santos

    29 de Março de 2011 as 11:04

    Muito Bem Milo!!!
    Gosto imenso dos teus artigos: penso que deverias estar no meu curso e espero que além da tua licenciatura em Direito penses seriamente na possibilidade de uma carreira no Jornalismo, pois é uma conciliação possível!
    Abraço

  8. Teobaldo Cabral

    29 de Março de 2011 as 11:23

    Meu grande amigo,
    Finalmente; quem é vivo sempre aparece!
    Gostaria de ter o teu contacto.
    O meu é: teobaldo.68@hotmail.com
    Dê sinal..
    Abração de,

    T.Cabral

  9. Deus é Grande e Seja Louvado

    29 de Março de 2011 as 11:32

    Gostei muito………….
    Parabéns……………………..
    Um grande artigo, com princípio meio e fim………….
    Reflitam por favor
    Viva S.tomé e Principe
    Viva telanon

  10. ET

    29 de Março de 2011 as 14:36

    Um bom artigo que não só incentiva a uma reflexão sobre o futuro de uma sociedade que cada vez mais anda deriva, não só é um grito de revolta, mas também uma gota de esperança no mar de tanta estupidez que nos rodeia….Meu caro, só tenho pena que muitos da nossa nata estudantil,principalmente universitários, não conseguirão se quer fazer um comentário….porque a exigência e o nível que o mesmo exige, está um pouco aquém daquilo que é comum no nosso universo linguístico!!

  11. Mimi

    29 de Março de 2011 as 14:59

    Excelente!

  12. De Longe

    29 de Março de 2011 as 15:29

    Mais uma vez, uma brilhante, digo, enorme reflexão. Reflexão, digo, divulgação da crescente tristeza em que S. Tomé se encontra.
    É penoso para o país que um artigo dessa dimensão seja felicitado pelos conhecidos e não aproveitado como abertura para novas sugestões visando incentivo à marcha para a mudança.
    Não o felicito apesar da sua nobre capacidade de redigir em português, porque lembro-me das várias divulgações já feitas em que as pessoas se limitam a dizer: “Credo raça!”, “Zèmé”, “Deus tem poder” e outras formas de passividade que caracterizam o povo são-tomense. No seu caso, vejo só mais uma divulgação com muito estilo. Espero mais. Espero ver são-tomenses com atitudes mais interventivas em busca de mudança. Mudar pelo povo, por todos e não por pessoas, grupos, famílias ou partidos.
    Desejo ver mais militância! Ver mais sugestões para início de uma mudança refectida no sentido de construção.
    S. Tomé e Príncipe merece lá ir.
    Ludmilo Tiny tem excelente potencial para ser uma grande voz da mudança necessária. Devemo-nos posicionar todos sem oportunismos e avançar para o bem de todos. Já vimos o contrário e não gostamos. Vamos mudar!

  13. NANDO VAZ (ROÇA AGOSTINHO NETO)

    29 de Março de 2011 as 16:24

    JUVENTUDE EM MARCHA, MILU FORÇA ESTE TIPO DE ATITUDE MOSTRA QUE A RESOLUÇÃO DA CATASTRÓFICA SITUAÇÃO DE STP ESTÁ SEM DUVIDA NA NOSSA GERAÇÃO!..

    • benavides pires sousa

      30 de Março de 2011 as 5:09

      amigo, ao escrever apenas com letras maíusculas, dá a sensacao de que está a gritar ou berrar aos ouvidos de outrém, ou gritá-lo em plena cara, portanto, se puder escrever com letras minúsculas, lhe veria bem! abracos!

  14. jaka doxi

    29 de Março de 2011 as 22:06

    Meus caros.
    Não se esqueçam que os jovens corruptos que temos hoje em São Tomé e Príncipe são na sua maioria filhos dos ex dirigentes.
    Foram os seus pais que lhes ensinaram a ser corruptos.
    Se bem reparar no panorama politico Santomense os nossos ditos politicos nada mais fizeram do que enviar os seus filhos para estrangeiro com a missão de estudar e regressar a terra para os substituir.
    Por isso é que a terra está assim.
    Os filhos de pobres e gentes humildes mesmo sendo bom não conseguem singrar.
    Por isso digo é preciso pensar antes de falar ou escrever algo que seja sobre a destruição do nosso país.
    Nós os filhos humildes da terra sabemos quem são os destruidores,as suas intenções e o que querem.
    Abraços.

  15. Bejunto Aguiar

    30 de Março de 2011 as 9:50

    Caro Tiny,

    Obrigado por trazer o tema á discussão. A questão é mais profunda do que isso e levaríamos muito tempo a discutir. Infelizmente o nosso país tem um enorme défice de quadros em determinadas áreas, e em outras provavelmente o excesso. Mais ainda, o ensino superior para os nossos estudantes, independente de se formarem em STP ou no estrangeiro, é limitado pelo menos em termos de escolha, obrigando com que muitos não tenham alternativas se não aceitar formações completamente alheias a sua área de conforto e saber sobre pena de perder o barco para sempre. Isso por si só debilita as capacidades e o aproveitamento dos quadros que temos. Quantos não se sentem humilhados e frustrados pela formação que têm mas são presos ao status e obrigados a andarem de cabeça erguida porque a sociedade lhes reconhecem como “Doutores” e esta é por ventura a única honra que lhes resta na batalha da sobrevivência. o Em relação ao tempo de formação, a questão em sí não é o facto de se ser jovem ou de se licenciar em 3 ou 5 anos, mas sim do facto do sistema publico estar a partida viciado e os quadros colocados na maioria das vezes não obedecem á critérios de selecção pré-definidos (caso exista) valorizando o capacidade técnica, experiência, o currículo e por ai fora. Se fossemos apenas pela idade não teríamos figuras como o Tony Blair, Barak Obama, David Cameron como líderes nos seus respectivos países. A experiência, deve sem duvida fazer parte dos nossos quadros sobretudo os de topo mas não deve ser condição indispensável. O ideal seria uma filtragem entre a experiência, o saber e a juventude onde todos independentemente da idade, religião, opção política ou sexo tivessem acesso desde que fossem reconhecidos os seu talento e as capacidades profissionais. Entendo por isso a alegria de alguns para descontentamento de muitos quando o nosso governo, claramente de maioria jovem seja aclamado como a única alternativa ás praticas do passado que muitas vezes parecem estar enraizadas no genes político Santomense. Por ultimo a formação superior independente da área de estudo não deve ser vista como o fim de um percurso para o mercado de trabalho ou o alimento altruísta do ego mas sim como abertura á porta ao conhecimento e outras descobertas. Nós aprendemos a aprender quando finalizamos uma formação superior e raramente temos a absoluta certeza do que aprendemos. De lamentar que na nossa cultura (infelizmente adoptada dos portugueses) qualquer um com uma licenciatura ja tem direito ao Dr. a frente do nome. Para mim doutores são os médicos.

  16. Ivanna Gouveia

    30 de Março de 2011 as 11:49

    Carissimo,

    Muitos parabéns pela acertividade, irreverência e visão!

    Como já havia dito noutra sede, esses requintes de insurreição ficam-te mt bem!

    Bom trabalho!

  17. João Pedro

    30 de Março de 2011 as 14:33

    Jaka Doxi e E. Saltos, leiam o comentário de Bejunto Aguiar. Vcs os três criticaram o artigo, mas, reparem na diferença entre os vossos dois comentários e o deste.

    Vejam a capacidade do B. Aguiar de elevar o debate, de aprofundar o debate, de trazer “imputs” ao debate. E depois, vejam os pontos em que vcs tocaram nos vossos comments. Perceberam tão bem o pensamento de Ludmilo Tiny que não repararam que ele está a fazer uma crítica a sua própria geração, ao próprio grupo etário e social de que ele faz parte, atitude esta que é rara, diga-se mesmo raríssima. Todo o mundo acha que está bem, e que ninguém pode falar. A juventude é tão ignorante que não se critica a sim mesma e nem permite que outros a criticam.

    Será que não conseguimos elevar o discurso, abstrair-nos? Não conseguimos porque os vossos discursos, 36 anos depois, continuam a ser o mesmo: família dele, família daquele… E com um esforço para crescer no nível da conversa, não?

    Obrigado

    • E.Santos

      30 de Março de 2011 as 21:02

      Caro João Santos

      Em momento algum disse que o jovem não deveria trazer a questão a debate ou seja lá o que for.

      O certo é que, nem tanto aquilo que se diz, mas a forma como se diz, faz grande diferença. Aliás, uma única frase pode as vezes originar ascenção ou queda. Ainda que pertecendo a esta geração, não me pareceu que ele se tivesse incluido no grupo, mas antes, distanciou-se do grupo para de forma agressiva fazer um discurso acabado.

      E o que eu disse, insisto:

      “Se fosse realmente inteligente teria conseguido passar a mensagem sem nunca precisar ser agressivo ou ofensivo. Não havia necessidade, por muito revoltosos que estejamos.

      É certo que há muita escolha mal feita e muitos que não conseguem fazer jus aos desafios a que se propõe…mas isto acontece em todo o lado e mesmo com os muito experientes. Não é esta a questão.”

      Por isso, concordo plenamente com o Bejunto Aguiar, e acho que a questão é muito mais complexa do que este jovem pensa. Eu também quando entrei e mais ainda quando terminei a Licenciatura achava que era “o iluminado”. Acho que todos nós passamos por isso, até compreendermos que temos de apanhar o comboio a partir do ipad2. Porque Albert Einstein e muitos outros já fizeram uma boa parte do percurso. Seria disperdício da nossa parte chamar isto tudo de duvidoso e querer começar do zero.

      A humildade é o ponto de partida para o exito. Abertura a reflexões, debates precisa-se, sem dúvida.
      Mas tem de ler muito mais do que as tais meia dúzias de páginas a que ele se refere, ouvir com humildade opiniões dos outros, fazer relações socio-culturais e por aí fora, antes de nos trazer produstos acabados.
      Nós não somos propriamente “jojos”.

      • E.Santos

        30 de Março de 2011 as 21:04

        João Pedro, queria dizer.

      • benavides pires sousa

        2 de Abril de 2011 as 21:04

        os teus argumentos sao ponderados e notá-se que nao queres diminuir a sageza do jovem, assim como eu nao o fiz, e notá-se no rapaz uma brilhantes de inteligencia, mas á verdade é que em certas ocasioes, há que saber-se modelar a linguagem e a expressao de raiva e rebeldia onde nao é chamada.

        mas o artigo está bom e faz reflectir!

  18. Juliana Brandão

    30 de Março de 2011 as 15:28

    E.Santos,
    Repara na frase de abertura «A hipocrisia é fatal».
    Espanta-me como é que alguém que entra nos nossos corações aos domingos, através da RDP-África no debate Africano, aparece por aí, apenas para dar palmadas nas costas do jovem Dr. Tiny sem ao menos ajudá-lo a moldar nos exageros e pousar na terra.
    Refiro-me a intervenção de Abílio Neto, se é o mesmo que entra nas nossas casas aos domingos, por mais que queiramos dar força, mas como as crianças se não lhe corrigimos nos momentos de erros, estamos a formar um rebelde.
    Espero que não seja o mesmo Abílio Neto. Se não, retiro-me com pedido de desculpas.
    Não está em causa a capacidade inteligente do elaborado pensamento que desperta a nossa reflexão. Eu ainda não sou a senhora de razão absoluta.
    Concorda comigo?

    • Abilio Neto

      31 de Março de 2011 as 14:31

      Cara Juliana Brandão,

      Agradeço-lhe a chamada de atenção. Não peça desculpas, sou o mesmo Abílio Neto, aceito as suas palavras, mais do que isso, aceito também as suas críticas.

      Posto isto, justifico-me, a si, esperando que aceite a minha humilde justificação.

      Acho mesmo que o artigo está muito bem escrito, com conteudo e, sobretudo, com estilo, pois, agradam-me articulistas / opinadores que saibam utilizar a ironia e a hiperbole. Não temos, ou deixamos de ter, “tradição” de lidar bem com isso, não percebo porquê, quando uma das nossas línguas, o forro, é prodigiosa na utilização destas 2 figuras de estilo. Acho que a riqueza estilística contribui muito para abordagem a fazer-se a este tema, considerando o quase ridiculo e trágico que é constatar da qualidade da performance profissonal no n/ Serviço Público (SP) e dos seus resultados e da onda de indignação que acontece sempre que se reflecte sobre este tema. As pessoas perdem a piada e ofendme-se. É óbvio que não se deve nem se pode generalizar, mas também não se pode ignorar os resultados e o estado actual do país!

      No que concerne ao conteúdo, era minha intenção fazer uma reflexão sobre ele no Debate Africano (DA) do Domingo próximo, pelo que, não me pareceu bem antecipar a minha análise. Tenho opinião sobre o assunto, não estarão longe das do Milo Tiny, nem estarão longe de alguns bons comentários que li aqui, que são complementos e aportamentos, mais ou menos elaborados, são, em definitivo, variações sobre as palavras do autor e sobre um problema que limita o desenvolvimento do nosso país, que é a qualificação dos nossos Recursos Humanos (RH) que prestam SP . (Convem fazer essa restricção, pois, no Privado a lógica e os critérios de recrutamento são outros, a gestão de Recursos obedece a outro fim, logo, o comportamento dos Quadros tem mesmo de ser outro e os resultados também. Um quadro santomense, em qualquer parte do mundo, incluindo no seu país, integrado numa estrutura organizacional que funcione, num ambiente de trabalho que apele a competência extrema, brilha. Desde pedreiros até cirurgiões ou CEO’s, há exemplos e são muitos ). Se ouve o DA sabe que eu defendo a introdução de muitos critérios de gestão de RH do Sector Privado no SP, na Função Pública, ou se trabalha bem e se é produtivo, ou para a rua, essa é a minha cultura de trabalho, é esse o meu ambiente de trabalho, competitivo e duro, onde se premeia quem trabalha efectivamente bem e apresenta resultados que são avaliados pela administração da empresa. Não consigo pensar de outra forma.

      O problema existe, analisá-lo e discuti-lo (no sentido anglofono de “discussion”) é bom para nós, ganhamos todos. Mesmo quando pensamos diferente.

      Gostei de ler o que escreveu, sinceramente que gostei. Obrigado.

      Abr.,

      An

  19. Carlos Ceita

    30 de Março de 2011 as 18:16

    É um excelente artigo com uma linguagem robusta mesmo ao nível de um licenciado em direito. É tudo quanto posso dizer.
    Abraços

  20. Olavo C. Lisboa

    1 de Abril de 2011 as 3:09

    Esse cara é contra as reformas? Se estudar não é razão suficiente para se adminstrar então vamos colocar aqueles que não estudaram, porque eles farão melhor. Besteira

  21. joscon

    1 de Abril de 2011 as 13:22

    Prezados leitores,
    Enalteço a grandeza e coragem que o Sr. Ludmilo Tiny nos brindou com o seu trabalho neste jornal online, aliás um jornal de grande interesse para os cibernautas Santomenses. Refiro-me a coragem, porque sei de antemão que também é jovem, pois abordou a questão sobre os jovens actuais da sua geração (jovens de facebook e hi5) de uma forma cruel, nua e clara e sem ambiguidades.

    O retrato não podia ser mais realístico, comprova que os mesmos não têm uma noção clara sobre a realidade do país. Tive a oportunidade de ler entrelinha as palavras proferidas pelo Sr. Alberto Paulino (magistrado do ministério público) sobre o comportamento inadequado, inconsequente e insignificante de jovens magistrados do país sobre o concurso público. Segundo afirmações relatadas, estes não sabem escrever, não sabem redigir um documento e, em termos éticos não têm noção sobre qual é o seu papel dentro da sociedade.

    A maior calamidade que pode acontecer a um tribunal sério, justo e digno, é que as discussões sobre as promoções e lugares cimeiros se fazem na praça pública. Penso, que há lugares próprios para abordar estas questões que são pertinentes para o bom funcionamento da justiça. Recomendo, sem alarido, se for possível, que todos os jovens magistrados que acabaram de sair recentemente da faculdade, façam um mestrado de dois anos e procurem a todo custo o ingresso no CEJ (Centro de Estudos Judiciários) de Portugal de modo a solidificar os conhecimentos.

    Aproveito a oportunidade para aconselhar a nova geração um pouco de paciência e que o processo evolutivo se faça sem pressas e sem traumas, pois saber esperar, é uma virtude, esta é a grande diferença entre um homem tino e um tolo. A cidade de Roma e de Pavia não se fizeram num dia.
    Abraços,

  22. Frédéric Angel Lima

    2 de Abril de 2011 as 13:05

    As pessoas que criticam este texto deviam ler o texto com atenção e perceber o que ele quis dizer.

    Diploma não é sabedoria total.Não se deve discriminar os que não tiveram acesso ao ensino superior porque a vida não sorri pra todos.

    Contudo, devido à incompetência, à desordem e à bandalha que reina nas instituições e serviços (estatais e privados) é necessário que se exija mais rigor e habilitações dos funcionários.

    Apesar de terem a sorte de sair do país e ir estudar fora, muitos estudantes se perdem e se desviam.O resultado é que muitos dos que vão voltam sem diplomas. E muitos dos que conseguirem, quando voltarem à terra (isto é se voltarem)voltarão com uma arrogância soberba e uma ambição desmedida: querendo altos cargos, altos salários, altas posições sociais de uma forma exageradamente rápida.

    Passamos a vida a reclamar da geração dos antigos.Eu tenho muito mais medo da geração que está por vir…

  23. Paracetamol 500mg

    30 de Abril de 2011 as 0:31

    O pais de qualquer maneira, precisara de sangue fresco. Cabe saber partilhar o conhecimento, e não ocultar.
    O Estado, não é centro de emprego, mas deve cria politica de empregabilidade e dinamizar os serviços, quer privado quer publico.
    Deve-se dar oportunidade as pessoas, tanto no sector publico, como no privado.
    Acho que em stp, não há essa correria ao Director ou ministro. Pessoas que querem sempre ser ministro ou chefe de algo, pertence a sua família. Estado não é vosso, vcs deveriam servir de exemplo indo trabalhar no sector privado.

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