A EDUCAÇÃO E O FUTURO DOS JOVENS

Parece-me que a Educação em S.T.P. está a ser ”infectada” pela situação de crise moral, institucional, social, económica, (…) que se vive no país apresentando-se como um verdadeiro drama que provoca angústia, neuroses…

Há, da parte dos alunos, uma forma incorrecta na apropriação do saber, o desinteresse em aprofundar as matérias, a consciência clara de estar a estudar para o desemprego, salas super lotadas e sem mínimas condições… Não haverá também a venda de testes? Não será que algumas alunas “vendem” o seu corpo em troca de notas? Tem-se feito algo para pôr cobro a tais situações?

Não há condições materiais, pedagógicas, didácticas, psicológicas, organizacionais… para uma educação que promova o desenvolvimento integral do jovem tendo em conta a sua auto – realização em todas as dimensões humanas.

Talvez o Estado se tenha esquecido ou fez-se esquecer do adagio popular que diz: ”educar um homem é educar uma nação”. Também é preciso não se esquecer que “ a má educação da juventude é a ruína das nações”. Construiremos um castelo sobre a areia se não nos convencermos de que não basta educar no sentido restrito de instrução. Funcionando só o intelecto pode produzir monstros. Exemplos não faltam ao longo da História. Há que dar prioridade à formação humana tanto aos professores como aos alunos tendo em conta que ela é a base e o fundamento de toda e qualquer formação.

A política de desenvolvimento de um país deve estar centrada na formação e na educação, na sua vertente mais global. Não são os recursos naturais a única riqueza de um país. O Estado deve investir na educação e qualificação dos recursos humanos se quer ter uma sociedade sã e uma gestão equitativa dos seus recursos naturais. A verdadeira educação não consiste apenas na aquisição de um diploma, ao fim de um certo período de estudos. Educar é preparar o jovem para a vida. Assim sendo, o ensino não devia apenas proporcionar o saber, mas também formar. O Estado tem que eleger a educação como prioridade das prioridades se não quer forjar homens medíocres, falsos, corruptos, egoístas e danificadores do bem comum.

É necessário e urgente que o Estado de STP faça “o impossível para atingir o possível,” (Max Weber) rompendo com a pseudo – educação que temos no país. O possível só se atinge quando se tem a coragem de “romper com a falsificação” (Historiador Senegalês Cheik Anta Diop). É urgente uma autêntica educação no país.

Quem são os responsáveis pela falta de educação/formação? De se estar a formar uma sociedade egoísta, corrupta onde o ter e o prazer são ídolos preferidos? Que educação estamos a dar aos nossos filhos, que amanhã irão tomar as decisões em todas as áreas da nossa vida? Que formação tem a geração que já hoje toma decisão?

Todos nós temos a nossa quota-parte de responsabilidade neste estado de coisas e aqueles que já não se encontram neste mundo, mas que tiveram culpas, já de nada nos vale invocá-los. Cabe a nós encarar o problema de frente, sem cuidar se estamos neste ou naquele grupo social e lutar serena, honesta e determinadamente para que a sociedade actual possa ser mais feliz. A história o dirá se fomos ou não capazes de tal feito.

Carlos Gomes /14 de Abril de 2011

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    jorge cardoso Responder

    tela non a permitir publicidade presidencial neste espaço é no minimo anti-democratico!

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      albertino pires sousa Responder

      E publicidade dum mau educador, segundo alusoes feitas em comentários anteriores de muitos participantes e comentadores do jornal digital.

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    Mé-Zochi Responder

    É no mínimo mediocre, quando alguém quer se candidatar a presidência e não só, e pega sempre a educação como ponto de partida. E já depois de ter ganho ou atingido os seus objectivos de igual forma a educação é sempre o primeiro sector a ser esquecido.
    Convenhamos Sr Carlos Gomes o que o senhor sabe sobre a educação deste país?
    Por quantos anos o senhor contribui para esta educação?
    Se o senhor dirigiu o príncipe que tem no minimo 5000 habitantes e talvez, 500 a mil estudantes ou pouco mais, não conseguiu mudar a educação ali agora quer mudar no país todo.
    O Sr sita vários filosofos, mas talvez o senhor esqueceu que para se fazer o desenvolvimento começa-se com pequenas coisas, dando provas para depois se atingir as grandes.
    Bem haja.

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    edy Responder

    uma grande materia.

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    SPC Responder

    Meus caros,
    Ao invés de censurarmos o artigo do Carlos Gomes deveriamos aproveitar o mesmo para fazermos uma profunda reflexão sobre a Educação em S. Tomé e Príncipe.
    Eu quando andei, por exemplo, na 5ªclasse estudei uma série de disciplina, dentre elas Francês, História, Bilogia, Educação Laboral, Educação Visual, Geografia…sem falar do Português e Matimática. Faço parte da geração que ao sair do país para estudar no estrangeiro deixava marca nas universidades como alunos destacados/referência. Hoje temos uma reforma educatica que introduziu na 5ª classe Educação Musical, força o professor de Português a leccionar Francês sem ter em conta se o mesmo tem dominio da matéria…dentre outros questões que, na minha opinião, contribuirão sim para mediocrizar a qualidade dos nossos filhos.
    Em relação aos professores…aumenta ainda minha preocuação. O nosso sistema educativo está a cada dia que passa mais “infestado” por professores sem conhecimentos que lhes permite ensinar (no verdadeiro sentido da palavra) os conhecimentos que proporcionem uma verdadeira mudança de mentalidade nas nossas crianças e as preparem para o futuro que se mostre cada dia mais competitivo e seleccionador.
    Neste sentido felicito o Carlos Gomes pela iniciativa de trazer este assunto ao debate aqui neste palco.
    Tenho minhas dúvidas se ele pretenderá utilizar este espaço para fazer campanha.
    Um abraço ao Carlos Gomes,
    Parabéns ao Tela Non pelo espaço
    Viva S. Tomé e Príncipe.

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    nucha Responder

    Tadinho desse povinho!! Como ele sofre…

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