Análise

Crise política mais uma vez em São Tomé e Príncipe : Que lições extrair para o futuro?

Depois de cerca de dois anos de silêncio, a nova crise política obriga-me a quebrá-lo, seguindo, assim, o conselho de Mestre Jean-Paul Sartre.

Expliquei em várias ocasiões e em lugares diversos que é essencial a estabilidade política para que este pequeno e pobre País encontre uma linha de rumo para afirmar o seu desenvolvimento e reduzir as muitas privações das populações. A estabilidade política é uma instituição que se constrói, passo a passo, com base em diálogo permanente e concertação social. Esta é a base social essencial para a promoção e consolidação da coesão social. Sem esta última, a discussão de desenvolvimento durável para S. Tomé e Príncipe fica claramente prejudicada.

A nova crise em S. Tomé e Príncipe confirma a minha teoria de subdesenvolvimento são-tomense. Esta teoria diz que não são fatores económicos que bloqueiam o desenvolvimento do País mas sim humanos. Dito de outra forma, são valores culturais reativos à mudança, dominantes na cultura de S. Tomé e Príncipe, que melhor explicam as ruturas ao seu desenvolvimento. Esses valores estão presentes de forma exacerbada na dinâmica política doméstica e de cujas práticas dos principais atores refletem negativamente a imagem do País no exterior e agravam sobremaneira as condições internas das populações.

Discutir o culpado e/ou os culpados desta crise é tratar o assunto com demasiada ligeireza, se considerarmos os dados históricos sobre as crises políticas em S. Tomé e Príncipe no período pós-independência. Uma tal discussão não constitui, a meu ver, uma base para a construção da estabilidade política duradoura no País. A orientação do debate para os culpados e, consequentemente, o seu «julgamento e condenação», seja por que via for, tenderá a aprofundar as divisões não só no seio da elite política local mas, também, na pequeníssima sociedade são-tomense.

Assim, os discursos que se orientam para acicatarem os ânimos num tal ambiente de crise política tendem a gerar e agravar divisões, ódio, sentimentos de vingança e de isolamento e, por conseguinte, potenciam as tensões e contradições, pelo que devem ser evitados porque são contrários à formação de uma base social promotora da coesão social. Esta sim é amiga do desenvolvimento e de bem-estar social geral e deve ser privilegiada e defendida a todo o custo.

Tanto esta crise como as anteriores têm fundamento em questões de ordem cultural ainda não resolvidas na sociedade são-tomense. Trata-se de valores culturais que foram estruturados na sociedade forra séculos atrás, os quais uns foram aprofundados no período pós-independência e introduzidos outros. Impõe-se, por isso, que se atue sobre tais valores culturais precários, reativos e de sobrevivência e seja adotada uma ideologia do coletivo e de interesse comum para o bem de todos.

Não vou opinar sobre o que deve fazer o senhor Presidente da República num tal contexto no que concerne à tomada de decisão política, pois esta é uma tarefa que só a ele compete. Contudo, creio que o melhor caminho seria convidar todos para uma profunda reflexão conjunta sobre a atual crise de maneira a prevenir situações futuras. Acredito que todos, sem exceção, defendem a estabilidade política com solidez, um governo que atue contra a corrupção, apostado no progresso e no diálogo, uma oposição parlamentar responsável, um sistema de justiça que funcione com transparência, um Presidente para todos e uma população virada para o trabalho.

Armindo de Ceita do Espírito Santo (Economista)

    27 comentários

27 comentários

  1. Armindo

    3 de Dezembro de 2012 as 15:54

    Caro Armindo.

    Politica se faz com gente rica, intelectuais e formados com larga experiencia.

    Em STP candoguei e palaiaé estao no parlamento. Nao existe profissionalismo mas sim interesse.

    Todos que ficam fora numas eleiçoes nao aguentam dois anos e para voltarem criam factos politicos.

  2. Armindo

    3 de Dezembro de 2012 as 15:56

    STP é um estado que tem territorio, povo, mas nao tem poder politico e é grave.

    Kua non.

    Tudos sao familiares.

  3. Pantufo

    3 de Dezembro de 2012 as 16:15

    Caro Dr Armindo,

    Não será utopia haver diálogo e lutar contra a corrupção?

    Bem haja

  4. RAFA

    3 de Dezembro de 2012 as 16:15

    POIS É, MEU CARO..ESTAMOS PERANTE O DESESPERO DOS DESENPREGADOS POLITICOS. POR ACASO É ESTE O MECANISMO DE LUTA PELA SOBRIVIVÊNCIA. ESPEROQ QUE LOGO, MAIS TADAR ATÉ AMANHÃ, O PR DEMITA ESTE GOVERNO PARA VER SE SURGE VAGA PARA NOVOS RICASOS. ESTE PAÍS TRANSFORMO-SE EM ABUTRES DO PODER APODRECERAM A SOCIEDADE PARA SE ALIMENTAREM E ESTÃO NESTA POR MAIS DE 37 ANOS.NÃO TEMOS HIPOTESE COM ESTE APODRECIMENTO SOCIAL REINANTE NESTA PEQUENA ILHA. ENFIM, ESPERO PODER RESISTIR MAIS 30 ANOS E VOLTAR AS ORIGENS.
    É PENA QUE 90% DESTE POVO NASCE CRESCE E MORRE SEM CONHECER A CIVILIZAÇÃO E O BEM ESTAR.FICO TRISTE, ARMINDO, PARABENS, PORQUE TRIUNFASTE NA DIÁSPORA E VIVA A VIDA, UM BEM HAJA.

  5. Zemacúlú

    3 de Dezembro de 2012 as 17:00

    As lições a extrair para o futuro é, renovar as bancadas parlamentares! Está visto que esses veteranos deputados “que não sabem fazer mais nada” precisa ser substituído por gente jovem, com ideias frescas. Não merecemos o parlamento que temos. Fizeram tudo a pressas: demissão do governo a pressas; eleição do novo P. de assembleia a pressa,. tudo de acordo a vossos interesses. E o povo sofrendo, sofrendo…
    QUE DEUS NOS ABENÇOE!!

    • Fókótó

      4 de Dezembro de 2012 as 9:19

      Essa de revolucionar a assembleia com gente nova é uma falsa questão, pois o problema não é este.
      O nosso parlamento está recheado de gente jovem que constitui a maioria, mas estão manietados pelo sistema.
      No sistema atual, ainda que se mude tudo no pais para que só os jovens ou gente nova possa estar no governo, no parlamento, etc, num lapso minimo de tempo, todos tornarão corruptos. E depois que fazer?
      Vamos sim é mudar de mentalidade, ensinar aos nossos irmãos que não tiveram a possibilidade de evoluir para entenderem o mundo que os rodeia.
      Oiço chamar o Delfim,Benjamin,Levy,Bidão,Raposo, Patrice,Agostinho,Varela,GéGé, etc etc e todos os outros jovens que têm casas luxuosas em STP de corruptos.
      Se repararem, são gerações que sucedem outras. E será assim sucessivamente.
      Moral da história:
      Mudar por mudar não resolve coisissima alguma

  6. maribel

    3 de Dezembro de 2012 as 17:15

    Senhor Armindo, boa reflexão. Isto sim é a nossa realidade no tocante a querelas politicas. Muito orbigado Senhor Armindo.

    • manuel

      3 de Dezembro de 2012 as 17:50

      Não sei se concordo contigo e com o autor de deste ilustre artigo. Acho que desnecessário essas linguísticas que assolam-nos constantemente de cujo produção é nulo.

      Esclarecendo a minha intenção, essas escritas de forma geral todos nós São-Tomense – sabemos, conhecemos, entendemos, pensamos, respiramos, comemos etc e etc… – agora falta-nos sim a SUA VERDEIRA APLICAÇÃO

      • manuel

        3 de Dezembro de 2012 as 17:57

        Falta-nos alguem que elabore uma estrategia para consigui-la. Alguem esteja de facto interessado em por isso em prátrica.

        Porque estar atrás de uma máquina e, redigir de lindas frases é facil (e eu estou farto).Quero (talvez queremos e é dificil) pensadores que elaborem como alcançá-las.

        ISSO SIM A COMUDIDADE ACTIVA (São-Tomense interessado em STP) DEVÍAMOS APLAUDIR.

      • manuel

        3 de Dezembro de 2012 as 18:01

        Alguém sabe como entrar em contacto com esse Homem? – Responsável pelo artigo-

  7. G.S

    3 de Dezembro de 2012 as 17:44

    ESTOU DE ACOEDO

  8. Nascimento Dias

    3 de Dezembro de 2012 as 17:52

    Sao realidades bem vista e que merecem uma grande atençao e reflexao porque como sabemos a historia deve ser contada da forma que ela foi escrita ou desenvolvida, e de facto que as geraçoes parlamentar estao todos cegos e de nada tem contribuido para o engrandecimento de STP tambem eles tem razao porque tb a raiz esta propio na pessoa do Presidente manda, discança, discança, Manda, sem isso nada mas ele fez por isso que nao consegui tomar uma decisao porque todos eles fazem parte da mesma equipa DOS FAZEDORES DE NADA.

    Pelo menos a Familia Trovoada depois de terminar o seu mandato volta a por a mao na massa e isso um exemplo que um homem deve apresentar a uma sociedade.

    Tem la um deputado desde de publicou o seu Livro Rosa de Riboque ate hoje nao se ve nada oke se fez! e sao eles os fazedores de nada e que andam a exigir o outros…..So Em STP que isso acontece.

    Por isso para o engradecimento de STP
    Abaixo a muçao de censura
    Viva o o Governo.

  9. Preto

    3 de Dezembro de 2012 as 19:06

    Agora pergunto, entre Patrice, Rafael Branco, Bano, Delfim, Guilherme Posser e Maria das Neves quem já roubou mais?

  10. MP

    3 de Dezembro de 2012 as 21:06

    Tenho solução para esta crise! Sou de opinião que haja uma remodelação governamental.Patrice Trovoada que continue como primeiro Ministro, foi eleito e terá que cumprir a sua legislatura.

    • Fókótó

      4 de Dezembro de 2012 as 9:32

      Atenção!!!!!! Nem o Patrice nem o ADI foram eleitos para governar o Pais.
      O resultado eleitoral ditou que o país deve ser governado em consenso, visto não ter dado maioria a nenhuma força. Entendamos isto para ensinarmos aos mais desfavorecidos ok?
      Cuidado!!! A desonestidade intelectual é pior de todos os crimes(Corrupção,pedofilia,droga,peculato,homicidio)

  11. santos e pecadores

    3 de Dezembro de 2012 as 21:54

    Saudação caro dr Armindo. Este pais é um caso PERDIDO. Este pais nunca verá o desenvolvimento enquanto existir esta geraçao de politicos: Pintos, Neves, Menezes, Prazeres, Brancos, Tinys, Costas Trovoadas, Possers, Braganças… Abutres e Sangessugas

  12. International invest

    4 de Dezembro de 2012 as 0:53

    Para que está fora e pensa aí investir são maus sinais!

  13. santosku

    4 de Dezembro de 2012 as 7:21

    Caro MP, vivo no exterior e descordo plenamente contigo, Patrice Trovoada já é carta fora do baralho.Será que no ADI já não tem elementos capacitados ou todos são diminuidos intelectuais em poder substituir PT.Ele é que é o travão agora de instabilidade. Ele deve ser Guinense.

  14. Horácio Will

    4 de Dezembro de 2012 as 8:00

    Caríssimo Sr Armindo
    Agradeço-lhe pelo artigo e reconheço que fiquei feliz ao ler no fim que é economista. Reconheço que o nosso problema é mais cultural que técnico ou económico. Temos recursos naturais superiores a alguns países mais desenvolvidos e já há muita gente formada em desemprego. O que precisamos de facto é de corrigir aepectos culturais que constituiram erros de conduta social impedindo-nos de gerir os bens que temos:naturais e humanos. Cada são-tomenese é um bem que STP possui. Torna necessário alguém saber confluir as nossas qualidades. É preciso que haja alguém que em vez de dizer “está mal”, diga: “vamos por aí”
    Os políticos já não conseguem devido à pobre visão que se têm da política. É preciso uma consciencialização social para que a organização da nossa política parta do povo organizado e consciente dos fins a atingir.

  15. Féde ká Dóxi

    4 de Dezembro de 2012 as 8:16

    Sr. Armindo, realmente não são factores económicos aue bloqueiam o desenvolvimento do país, mas sim humanos.
    Aonde estão os factores humanos.
    Não sou formado, tenho frequência do 6º. ano dos liceus. Repito 6º. ano dos liceus, não 10ª. classe.
    Mas digo sempre. Quem irá fazer a mudança?
    Nõs dos 50 60 anos? São os jovens. O que querem a grande maioria dos jovens? Algumns nem sabem. Outros dizem dinheiro e muito dinheiro. Só uma pequema franja pode dizer realmente o que querem.
    O ADI não fez uma campanha, onde arrastou consigo mtops jovens? Os que estão na direcção têm feito alguma análise para escolher o bem e deixar o mal? Optaram pelo dinheiro, para ter dois ou três carros, para poder construir duas ou mais casas, esquecendo de que a tarefa principal é mudar esse pais e a mentalidade dos outros que não foram para o lado deles.
    Enquanto os jovens não nudarem de atitude ingressarem nesses partidos políticops e lá dentro onde as suas vozes são ouvidas e em conjunto tomar o poder criar novos políticos, com novas mentes. Jamais este país mudará.
    Levy é jovem e no Parlamento tem mts jovens. Deveriam ficar no Paralmento e lká gritar não e dizer ao Presidente da Assembleia o Sr não sai segure que estamos do seu lado. Não criram instabilidade e abandonaram o barco. Aonde é que se viu que no alto mar e com tempestade o capitão abandona o comando do barco, porque o Capitão dos Portos (Patrice) deu ordens para tal? Se o capitão deixa o marinheiro toma o leme e faz do barco o que quer. Porque razão o Patrice não vai ao Parlamento e apresenta contas? Tem rabo preso? Tem coisas que quer esconder? Me respondam, gente séria do ADI.

  16. Desiludido

    4 de Dezembro de 2012 as 10:22

    Os bichos (políticos)lutam entre eles e o capim (povo) cada vez mais desgraçado! Esta é a nossa triste realidade!

  17. STP

    4 de Dezembro de 2012 as 10:47

    Em democracia todos têm legitimidade para criticar comentar e mais, mas é preciso não esquecer ao fazer analise que a complexidade da sociedade santomense não permite um mais um igual a quatro. É preciso fazer analise de fato, realidade e sempre perguntar a nós próprio “e se fosse eu em lugar dele ou dela o que eu faria? A saída nem sempre é facil para tudo isso. Uma parte da poplação que elegeu PT, e outra parte elegeu a oposição. A saída é negociação. Numa negociação as partes perdem e ganham. Não acredito que maioria absoluta que o ADI acha que vai ter na urna vai resolver o problema política.

  18. em nome da lei

    4 de Dezembro de 2012 as 10:51

    isso tudo nao passa de orgulho dos fazedores do nada

  19. Carlos Moreno

    4 de Dezembro de 2012 as 11:14

    Conflitos de irmãos

    Na minha opinião, Tomé e Príncipe, vem vivendo, o manifestar das querelas de indivíduos que sempre, estiveram ligados ao poder, mas que nunca souberam Encontrar formas para inverter o quadro, ou seja enquanto existir este bloco com estigma do passado, tornar-nos-á difícil cultivar uma boa convivência de irmãos dispostos a lutar por uma só causa: que é o desenvolvimento económico, social e Paz. Também, é verdade que o nosso País enveredou nos últimos tempos, em políticas de baixou de nível. Com todo o respeito, para não ferir sensibilidades, se verificarmos com atenção o nível intelectual de alguns dos nossos dirigentes, pouco deixa a desejar. Como é obvio não se pode obter outro resultado, claro está uma elite que vai-se crescendo economicamente e envolvendo em conflitos entre si e aquela desfavorecida que caminha em situações cada vez mais degradáveis socialmente e completamente disposta a se vender seja la, por que preço as vezes. Sito o fenómeno “Banho” Já o caso de alguns Países, como por exemplo a Guiné Bissau o desentendimento politico incide em motivos étnicos
    Vaz Moreno

  20. santa catarina

    4 de Dezembro de 2012 as 11:40

    Concordo com a maioria dos comentarios. O que falta em STP e o cumprimento da palavra dada, ora vejamos o Sr.PR na altura da tomada de posse”Ao senhor Primeiro-ministro e os membros do Governo, reitero a vontade de tudo fazer para assegurar uma cooperação institucional leal, franca, aberta e baseada no respeito mútuo, entre o Presidente da República e o Governo democraticamente eleito do país.” Mais o que estamos assistindo não é nada disto, é que o arbito passou a jogador, quando assim é a melhor solução é a clarificação nas urnas até que um ganhe com maioria absoluta e esteja com vontade de trabalhar e não de roubar como tem sido pratica neste ultimos tempos e tendo o paralmento como o refugiu.

  21. sotavento

    5 de Dezembro de 2012 as 11:05

    O que passa em STP é triste…o problema do nosso pais é a falta de consciencia.Os politicos os dirigentes nao teem consciencia.O povo lhes dá crédito mas nao merecem.Somos um povo pacifico um povo tolerante e por sermos assim sofremos .

  22. os ladrões

    6 de Dezembro de 2012 as 15:41

    A historia de STP começou depois da independência quando apareceu o maldito vigarista e as suas gerações.A partir dai este pais assim ficou desgovernado,enquanto esses vigaristas existirem STP não tem futuro,o vigarista dizia numa entrevista em Lisboa que P.M tinha muito que aprender com ele eu lamento, digo talvez e aprender roubar como sempre foi,vou vos dizer tenho muita pena mas se essa geração de arrogância,prepotência malvadez,vigarista e ladrões da vida politiqueiro desgovernada não desaparecerem todos mas todos os nossos filhos e os netos não terão futuro,porque o pior vem ai quando as árvores começarem a dar frutos ai vai ser pior.

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