A carroça à frente dos bois?

A aposta na construção de um porto de águas profundas por parte do Governo de São Tomé e Príncipe é conhecida, e passou já por várias fases. Sabemos todos da importância da construção deste porto para o país, por ser sinónimo de crescimento e desenvolvimento económico. Mas será de facto assim?

Somos um país insular, cuja situação geográfica no coloca no centro de trocas comerciais várias, unindo norte, centro e sul. Um arquipélago com uma localização privilegiada para actuar como plataforma logística e entreposto comercial para o comércio marítimo de grandes e pequenas rotas.

Somos, ao mesmo tempo, um país que assenta a sua economia num conjunto limitado de culturas, na pesca e no turismo. A existência de um porto de águas profundas permitiria, certamente, alargar a nossa capacidade de exportação dessas mesmas culturas, levando para mais longe o nosso cacau, o nosso café, a nossa pimenta.

Somos ainda um país onde o turismo tem tido um crescimento lento, apesar do imenso potencial das nossas terras e das nossas gentes. Ainda falta um aproveitamento concertado da oferta, formação profissional para os nossos trabalhadores, infra-estruturas que garantam educação, saúde, justiça para todos.

Olhando para este panorama nacional, acredito que são, sim, legítimas as pretensões do nosso Governo em apostar nesta grande obra. A sua importância para o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe é legítima, assim como é legítima a necessidade de dar o passo necessário para poder beneficiar de todas as vantagens da globalização e fazer delas uma mais-valia para o nosso país.

Apesar disso, não posso deixar de pensar que estamos – como se costuma dizer – a colocar a carroça à frente dos bois.

Porque, neste momento, São Tomé e Príncipe não está preparado para tirar proveito desta mega obra. Para que isso aconteça, será necessário fazer uma aposta mais alargada ao nível das infra-estruturas e, talvez ainda mais importante, das instituições.

Precisamos que os serviços de saúde funcionem de forma efectiva, que tenham instalações de qualidade e que o acesso a elas seja uma realidade. Isto não é válido apenas para garantir a qualidade de vida da população sãotomense, é também fundamental para ganhar a confiança de turistas e investidores estrangeiros.

O mesmo acontece com a justiça. É fundamental rever o actual quadro legislativo – sobretudo no que respeita ao imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas e das pessoas singulares – e, ao mesmo tempo, mostrar aos sãotomenses que a justiça funciona e que todos podem recorrer aos tribunais.

É fundamental que os investidores estrangeiros sintam confiança nas instituições. Para tal, o primeiro passo tem de ser o combate à corrupção e a garantia de transparência no acesso às mesmas.

A par com tudo isto, é necessária a modernização e ampliação do aeroporto nacional para que aeronaves de grande porte possam aterrar no país e este se torne numa placa de referência internacional para as grandes aeronaves que transportam pessoas e bens para a região da África Central, com realce para o Golfo da Guiné.
O mesmo se passa com a requalificação da rede viária: as nossas estradas têm de ser capazes de assegurar o transporte de mercadorias em segurança e num curto espaço de tempo.

E é fundamental, ainda, que as novas estruturas possam gerar emprego local, criando oportunidades e aumentando a qualidade de vida dos sãotomenses. E para isso é fundamental apostar na formação profissional dos nossos jovens. Para que, terminado o porto, tenhamos mão-de-obra qualificada para trabalhar nos serviços criados e não fiquemos dependentes da mão-de-obra externa.

Por tudo isto, defendo que a aposta na construção do porto de águas profundas é importante, mas deve fazer parte de uma estratégia global de crescimento, sustentada na capacitação das instituições nacionais, na captação de investimento estrangeiro e no desenvolvimento da iniciativa local.

Defendo ainda que todos os processos que, à semelhança da construção do porto, impliquem contrapartidas para os países investidores, sejam conduzidos com a máxima transparência, devendo o Governo tornar públicas as contrapartidas que as empresas envolvidas irão receber. Os erros ainda recentes no que respeita à assinatura de contratos desta natureza devem servir de lição aos nossos governantes…

Ngesse Pina

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    fernandocastanheira@hotmail.com Responder

    Escrevam rapazes. Isto e muito bom. Nao preocupem com erros ou defeitos. ok?
    Sigam em frente que o Pais so cresce com homens que querem aprender.

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      António Menezes Responder

      É verdade com tantos doutores que se proliferam por aí, faz falta.

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    Auditor Vigilante Responder

    Meu caro amigo,
    Não basta a teoria, diz concretamente o que fazer.
    Estrutura um projecto com introdução, desenvolvimento e conclusão, incluindo estudos de viabilidade, TIR e outras variaveis economicas….
    É disso que precisamos, teorias existem muitas

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    Sandra S. Responder

    Caro Negesse, o Porto de águas profundas não servirá para exportar cacau e matabala, procura mais informações sobre o conceito de porto de aguas profundas antes de opinar. É sim uma obra estruturante e necessária para o país e vamos rezar para que ela possa ser concretizada o mais rápido possível.

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    Martelo da Justiça Responder

    Mais um fanfarão. É uma tristeza!!!???

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      l Responder

      Tens razão Martelo este Ngesse é mais um ” doutor” que o nosso músico Hayilton Dias cantou. Flasooooo.

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    O Ditafor Responder

    São discursos politicamente falado de que nada serve a nação. É normal ver se nas fases pré-eleitorais em STP, Venderem informações através dos mídias de que STP terá barragens, porto de águas profundas, ouro negro, etc. Tudo em prol de votos. Oh meus senhores deixam de falar bonito vamos por em práticas as teorias.
    Será que houve alguma organismo seja lá privado ou publico apresentar um estudo de viabilidade dessas obras, seus impacto macro, micro econômico? Houve alguma análise dos custos benefícios dessas gigantesca obras? Tomando como exemplo o muito falado ( barragens) pode se dizer que a situação geográfica do País não tem sustentabilidade para execusão desta obra, pelo fato de país ter uma inclinação geográfica muito acentuada e mais de metade da população encontra se situada no litoral. Traduzindo isso em outras palavras “roça” fica em cima e “cidade” fica em baixo. Construir uma barragem de grande porte nas “roças” expōe toda populacao de cidade e em redores ao perigo. Pois meus senhores afinal esses e outros anuncios da parte do governo sao mera campanha.

    O Ditador

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    Jose Manuel Responder

    Caros compatriotas

    Qualquer que seja o comentario em torno desta grande obra(Porto de Aguas Profundas, nos meandros de normas juridicas e constitucionais, merecem sempre wau, porque afinal,de contas o seu objecto, inspira e suscita esforcos qualitativos em materia de desenvvolvimento qualitativo de Sao Tome e Principe.

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      Pão com Chouriço Responder

      Eu não percebi patavina que o senhor quis dizer. Está muito mal escrito. Pelo desculpas se lhe ofendi mas faça um esforço para escrever melhor.

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    Vitor Belchior Responder

    Boa noite,gostei do sua exposicao e visao acerca de toda a conjetura k envolve STP, principalmente a do porto de águas profundas, vejo k tem uma visao de alguém k já estudou na Europa. Na qualidade de presidente da associacao de Sao Tomé e Principe au Luxembourg, gostaria de o convidar a participar connosco em discussoes, e projetos p o desenvolvimento de estabelecer mos uma ponte entre STP e o Luxemburgo, nas área s da cultura,formacao, turismo,educacao, saude,desporto e apoio social. Atenciosamente; Vitor Belchior.

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      Negesse Pina Responder

      Caro Vitor Balchior,

      Antes de mais gostaria de lhe agradecer pelas simpaticas palavras. Em segundo lugar, quero manifestar a minha total disponibilidade em participar convosco em debates, pois, acredito que uma das melhores formas de construção de uma verdadeira democracia é através do debate de ideias.
      Fico ao seu dispor, o meu mail é negessepina@ua.pt.
      Obrigado.

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