Análise

MLSTP/PSD antecipa eleições para 1º trimestre de 2014 – Artigo de Opinião

O comunicado descaído da Comissão Política de última sexta-feira do maior partido da tróica governamental, o MLSTP/PSD e a confirmar a queda de três dos seus quatro ministros não deixa margens ao Presidente da República, senão, a de convocação antecipada de eleições, inicialmente, agendadas para Julho de 2014.

Não ficam dúvidas de que o reclame é um sinal anunciador de instabilidade política se juntarmos a fome do líder do partido a querer entrar no Governo a qualquer preço, deixando cair a terra até o seu posto de presidente do segundo partido mais votado em 2010 para ser vice na escolha presidencial.

Um golpe aos eleitores que confiaram ao partido, vinte e um dos cinquenta e cinco deputados do parlamento, logo atrás do vencedor que arrecadou vinte e seis deputados, restando aos outros dois partidos um e sete deputados.

Jorge Amado, há muito que demonstrou não ter canoa nem remos para guiar a turbulência no seio do partido carregando a cruz de receber os cofres em bancarrota, o que, a ida ao poder torna oportunidade sublime de injecção financeira.

Aliás, o “camarada” fora eleito em paz e na concórdia encomendada para assegurar ao partido no respeito ao cavalheirismo de que o XIV Governo cumpriria a legislatura até 2014. Jamais os seus pares de Riboque iriam as eleições parlamentares com Jorge Amado ao comando do partido para em caso de vitória, ser ele a vestir ao fato de 1º Ministro que ruidosamente garantem não lhe cair bem no estilo e na postura.

Era compreensível aquando do rebentamento do “caos” e que o Presidente da República, hoje, já convincente que era desconhecedor da real situação do país sem saúde, sem educação, sem emprego, sem infra-estruturas dignas de um país, assumiu ao risco de chamar à si a confiança de um Governo dirigido por um extraparlamentar, sem o estrito respeito aos resultados eleitorais de 2010.

Qualquer grito de socorro e de discordância de Jorge Amado que lhe conotasse ao homem de ideais e de valores morais e éticos, na altura, tinha todos os condimentos para bater com a porta na cara de Pinto da Costa. Timing certo para que disponibilizasse a liderança partidária as mãos dos militantes que encontrariam o seu substituto. Não o fez! Conformou-se com o golpe do Presidente da República.

Enquanto os são-tomenses esperavam pela discussão e aprovação do OGE-2014 a volta de 160 milhões de dólares com uma linha de crédito de 60 milhões de Angola para projectos de desenvolvimento, a tróica encontrou subterfúgios, até aceites, para adiar «sine die» a agenda governativa.

Informações indicam que na abertura da sessão plenária no passado dia 12 do mês corrente, a interpartidária encomendou a alma ao defunto – Governo. Num silêncio suicidário as três bancadas que sustentam ao Governo deixaram-lhe ao bel-prazer de enxovalhos da oposição parlamentar e nem se deram ao trabalho de intervir, assim como não aplaudiram aos argumentos de defesa do documento político, económico e social do 1º Ministro para 2014. Crise política.

Na discussão orçamentar que prosseguiu no dia seguinte, os membros da tróica preferiram a suspensão do debate por duas semanas, para que o Governo inscrevesse alguns projectos dinâmicos para a economia e para o país, mas que o 1º Ministro não tinha introduzido no documento orientador de 2014 a depender em 90% de ajuda e crédito internacional. O país em Natal assiste o prazo a caducar. Crise política.

Fora do parlamento correm informações de que o mal-estar da interpartidária deve-se a ausência de resposta do Primeiro-Ministro a um encontro com os três partidos antes da sessão plenária para a concertação habitual de questões de um Orçamento Geral do Estado. Crise política.

Outras versões vieram ao público dando conta de que tudo não passara de trafulhices dos três partidos em condicionar a aprovação do programa financeiro de 2014 ao encaixe de somas avultadas a disponibilizar pelo Governo a cada bolso dos deputados. Uma máscara do banho parlamentar!?

É também corrente nos bastidores que Jorge Amado encontrou na agenda orçamental, momento oportuno para ajustar com Pinto da Costa que acha estar a imiscuir-se em demasiado no manuseio partidário e no executivo sem respeito ao líder do MLSTP/PSD que não consegue orientar aos seus ministros entregues aos desígnios do palácio presidencial.

Não se conformando e aproximando da quadra natalícia e que nos últimos anos, nunca foi de tranquilidade para os diferentes governos, o MLSTP/PSD, veio anunciar aos são-tomenses da necessidade urgente da remodelação e reformulação do Governo, que segundo Jorge Amado é para dar agilidade ao executivo.

O ministro Osvaldo d´Abreu das Obras Públicas, Infra-estruturas, dos Recursos Naturais e Meio Ambiente, indigitado pelo MLSTP/PSD, colocou o seu lugar a disposição do, até prova em contrário, total desnorte riboquino. Todavia, espera passar a quadra natalícia para lavar a roupa suja.

Os ministros Jorge Bom Jesus da Educação, Cultura e Formação e Edite Ten Jua da Justiça e Assuntos Parlamentares têm o coração ao pulso. O ministro Hélio Almeida de Plano e Finanças, tudo aponta que é o único que deve continuar no Governo. Tem o controlo dos dossiers da “lotaria” para facilitar os intentos da Comissão Política do seu partido.

Três cenários estão abertos com a crise forjada pelo MLSTP/PSD que aguarda resposta de outros dois partidos do elenco de Gabriel Costa para que a mexida parta a loiça toda, criticamente, para o enjoo dos que ainda acreditavam da postura responsável de um partido histórico:

1 – O 1º Ministro a abanar as orelhas e o parlamento em contramão a rejeitar o OGE/2014 para forçar a queda do executivo

2 – O 1º Ministro a sujeitar-se ao ditame partidário. Remodela e reformula a sua equipa criando também o cargo de vice para Jorge Amado ter seu governo paralelo ao de Pinto da Costa

3 – O 1º Ministro a avançar com o banho aos deputados e a injectar dinheiro nos partidos para partirem ao terreno pré-eleitoral

Num país minimamente credível em que os políticos pudessem gozar de alguma escola de ciência política ou no mínimo de consciência para com a aposta no desenvolvimento nacional, Jorge Amado, numa altura em que vamos entrar no ano eleitoral, não teria mãos a medir para dar energia as estruturas de base partidária nos diferentes distritos que estão entregues a Deus dará e, com os punhos de suor afastava-se dos desaires e retirava os proveitos do Governo presidencial para os ganhos de 2014.

Avessamente e desfasado de fundamento de um líder é o mesmo que num grito de palaiê – respeito as nossas guerrilheiras – a vender peixe corrompido na Trindade, vem pedir o lugar de vice 1º Ministro para o consolo do desemprego que se queixa viu submetido na liderança partidária. E os desempregados do país? Os jovens quadros sem o emprego e sem linhas de crédito para responder ao empreendedorismo juvenil?

E os militantes do MLSTP/PSD o que pedem nessa altura e que vá ao encontro do comunicado da Comissão Política?

A juventude, sem pensar no banho, tem de tomar de assalto ao partido nos mesmos termos que em 1990, Pinto da Costa rodeando-se de sangue novo com cartão de democratas despachou os conservadores para casa ou para a retaguarda de concilia. Os democratas dos anos noventa devem aceitar a natural transformação que o partido reclama para dar resposta aos anseios da juventude que desespera com o país.

Essa necessidade urgente de renovação no seio de um partido de tendência e responsabilidade governativa introduzirá ementas a obrigar Pinto da Costa, uma vez mais, a ser Salvador do partido de Riboque?

Não! Noutra versão. Não será o momento de Pinto da Costa arrumar o partido a pensar na recandidatura presidencial de 2016? Outro não!

A não querer misturar-se com os “camaradas” e alimentando do seu projecto de Terra Firme que conseguiu trazer-lhe de volta ao mais alto cargo da República, Pinto da Costa, para estar bem sentado ao lado da fotografia dos seus antecessores, não vai criar o seu próprio partido?

A profecia e uma única presidência de Nelson Mandela assegura-nos de que, não!

Estamos na convicção do não. O palácio presidencial chamou a volta de reconciliação nacional, as forças políticas e a sociedade civil e religiosa para agendarem de uma vez por todas, São Tomé e Príncipe, no intuito de que a democracia não pode continuar a ser sinónimo de eleições. Corrupção. Atraso e miséria. Instabilidades cíclicas.

O único Hospital sem cama, sem medicamentos, sem reagentes, sem luvas, sem o mínimo. Sem analgésicos para acalmar as dores pós-cirúrgicas a uma criança. Não faltam erros médicos sem responsabilização criminal. A democracia não pode ser o cadastro que tem sido a prática daqueles que os são-tomenses confiam aos seus destinos.

Mas estamos em São Tomé e Príncipe sem o norte que nos possa assegurar ao rumo certo. Enfim…

O Presidente da República não se vai sujeitar aos queixumes e obrigar Gabriel Costa a dar chupetas ao MLSTP/PSD, PCD e MDFM-PL. Nem tão pouco deve correr um segundo risco de só agora levar o MLSTP/PSD a chefia do executivo apenas com o ensejo de agradar aos “gregos” em desagrado com os “troianos”.

Brincadeira tem hora!

A ADI encontrou um aliado irreconhecível aos seus anúncios de eleições antecipadas, talvez, algo que faltasse para encerrar ao ciclo de “caos”.

Passado um ano, é altura magnífica oferecida por MLSTP/PSD para o Presidente da República, sem ver quem é quem, nem com que meio cada um dispõe, partir para as eleições legislativas, autárquicas e regional para o primeiro trimestre de 2014.

A Comissão Eleitoral Nacional está apta e os fundos de contrapartida de Japão já circulam na praça pública.

Um ano depois, a classe política são-tomense e em especial as partes envolvidas no “caos” têm de sarar as feridas, rever as falhas, eleger a transparência na gestão da coisa pública e sobretudo, recorrer ao entendimento necessário quando os resultados eleitorais assim emanam no Estado de Direito Democrático para que possamos ver a luz do caminho de desenvolvimento.

Festas Felizes e um 2014 Novo nas aspirações do rumo certo de São Tomé e Príncipe!

José Maria Cardoso

26.12.2013

    8 comentários

8 comentários

  1. Filho da Terra

    26 de Dezembro de 2013 as 16:54

    HÁAAAAA, isso é para rir, ou para chorar, essa gente é demais, mas, a novela não termina aqui, até o proximo capitulo….

  2. joaquim pires cardoso

    26 de Dezembro de 2013 as 18:20

    Sô Primo tá com problemas finaceiros em Portugal ou quê?

  3. zeme Almeida

    26 de Dezembro de 2013 as 18:23

    {Caos Caos}palavras usadas pelo eis Primeiro Ministro Patrice Trovoada,está dando sucessos.Hoje com a jogada MLSTP/PSD já deu ao nosso José Maria Cardoso a perceber o verdeiro sentido da palavra {CAOS,CAOS}.O senhor José nestes termos disse tudo,passo a citar:{Um ano depois as classes politicas Saotomenses e em especial as partes envolvidas em {CAOS}teem de sarar as feridas,rever as falhas,eleger as tranparencias na gestao da coisa publica}.Outra tambem que me estranha é do outro paragrafro que:O primeiro ministro a avancar com o banho aos deputados e a injectar o dinheiro nos partidos para partirem ao terreno pré-eleitoral.Ao falar do {banho} nao nos cai bem,porque está proibido usar estas expressoes.Será que o banho,só sao para os politicos?Nao.O povo também está a espera do {BANHO}

  4. Anderson

    26 de Dezembro de 2013 as 19:03

    Se for verdade o que dizem por ai.

    o patrice deve estar a esfregar as maos e a sorrir, agora que se fala de possivel queda do governo.

    Deixaram ADI cair…esqueceram-se?
    Que imagem estao a dar ao eleitorado? ha 7 meses de eleicao o que vai fazer o sr. amado? Seja coerente consigo mesmo. Seja inteligente.
    Use a inteligencia para promover o desenvolvimento, o well fare state e ate o seu cofre.
    USe a inteligencia. deixar cair o gov agora voce pode contar q nao tera sucesso assim como os seus.

    Boas entradas e tudo de bom.

  5. António Menezes

    26 de Dezembro de 2013 as 19:08

    Mas vocês estavam a espera do que desses partidos?

  6. malebobo

    27 de Dezembro de 2013 as 7:23

    o tempo é o melhor remedio, isto é que é os verdadeiro CAOS,CAOS,

  7. Odair Costa

    27 de Dezembro de 2013 as 19:16

    O povo de São Tomé e Príncipe já tem os olhos para ver que os Partidos políticos do nosso País nunca se interessou para o desenvolvimento do nosso País,cada partido só interessa para o seu bem pessoal de que quando ganharem eleições para membro dos seus partidos ocuparem CARGOS DE ESTADOS de modo a conseguir o dinheiro para encher o cofre dos seus partidos.Eu espero que o PRESIDENTE DA REPÚBLICA na caia neste jogo de M.L.S.T.P e tome uma medida com está situação porque o povo já esta cansado de jogo político desses partidos.M.L.S.T.P e P.C.D o povo já esta cansado dessas figuras VELHAS que esta sempre na vossa liderança por favor da oportunidade aos jovens que tem boas ideias e boa perspectivas para o nosso PAÍS se não afastados muitas figuras velhas que está nesses dois partidos sempre em S.TOMÉ E PRÍNCIPE haverá conflito e nenhum PARTIDO POLÍTICO CONSEGUIRÁ ACABAR OS SEUS MANDATOS DE QUATRO ANOS.

  8. filho da cidade

    24 de Fevereiro de 2014 as 15:56

    o problema é que no geral o sâotomense nâo têm perfil , para liderar seja o que for .tanto faz velhos como novos , com poucos ou muitos estudos , com muitas ou poucas ideias .é um problema cultural .preferem sempre vida fácil ,tentam sempre desobedecer ás leis , ganhar dinheiro sem trabalhar,e tentam sempre fazer as coisas á sua maneira .o remédio para o país é ter um verdadeiro politico a liderar o governo ,que goste da sua profiçâo do seu país ,que seja trabalhador honesto e seja mâo de ferro, nâo admitir vigarices , roubo ,condenar tudo o que seja falta , de honestidade e de ,proficionalismo .assim acredito que o país onde nasci iria para a frente . deus abençoe sâo tomé e principe

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